A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
18 Capítulo 17
Notas iniciais
A casa caiu num silêncio total depois que a Sara saiu. Por longos e incontáveis minutos, eu permaneci no sofá envolto com meus pensamentos conflituosos. Minha mãe "conhecendo um cara" ?? Nem nos meus piores pesadelos eu imaginei tal situação. Tá! Vocês podem até achar que estou fazendo um dramalhão mexicano ou "uma tempestade num copo d'água" com essa situação toda, mas pra mim não é. Não fazem ideia do quão difícil está sendo tentar processar essa "notícia" da minha mãe com alguém. Talvez, eu seja mesmo um pouco egoísta e mimado como Sara me disse, por não querer que minha mãe tenha namorado. Mas o que eu posso fazer se eu sou assim nesse "quesito" ?
Lógico que eu, mais do que qualquer outra pessoa nesse mundo, quero que minha mãe seja feliz, só que... aceitar que isso implica em ela ter um namorado... não é algo fácil de se engolir.
Eu não sei o que fazer. Antes, eu tinha um pensamento formado em relação a essa situação toda, mas agora, depois de ouvir as coisas que Sara me disse, confesso que fiquei meio perdido. Talvez conversar com minha melhor amiga me ajude. Catherine sempre sabe o que dizer em momentos como esses.
Estiquei o braço e apanhei o celular de cima da mesinha que havia ali ao lado do sofá. Disquei o número de Cath, mas nem chamou e já caiu direto na caixa postal. Estranhei isso porque a Catherine não deixa o celular desligado. Ela sempre tá com ele ligado e agarrado em uma das mãos. Resolvi ligar pra casa dela. Tia Lilly atendeu quando a ligação já ia para o quarto toque. Perguntei a ela se poderia falar com a Cath e fui surpreendido com a mãe da minha amiga dizendo que ela não se encontrava, pois tinha ido ao boliche com o namorado e umas primas de uma amiga chamada Sara.
Oh! Quer dizer que agora, as duas já são tão amigas a ponto de Sara chamar Cath e o Rick pra irem com ela ao boliche?
Sara sequer me mencionou isso, e Catherine também nem pra me ligar contando. Mas quer saber? Deixa pra lá. Não tô com ânimo pra contestações quanto a isso.
Agradeci a tia Lilly pela informação e me despedi dela pra encerrar a ligação logo em seguida.
Pensei em ligar pra Heather e lhe compartilhar aquilo e pedir sua opinião, mas depois desisti disso
Nós estávamos somente a uns dias juntos pra eu ir logo dividindo algo assim com ela. Sem contar, que ela poderia me achar um idiota por aquilo. Então só restava-me pensar e achar sozinho o rumo que tomar em relação aquela situação. Confesso que me sinto numa encruzilhada.
—O que eu faço?
Minha mãe era a pessoa mais importante na minha vida. E a felicidade dela era a minha felicidade também. E segundo Sara, o sujeito que mamãe estava se envolvendo lhe fazia feliz. Aquilo era uma equação simples cujo o resultado me parecia bem óbvio. Deixar minha mãe ser feliz refazendo a vida dela com alguém que lhe fazia bem e lhe deixava feliz. Parecia tão simples falando, mas tão difícil de pôr em prática. Mas se eu queria o bem dela, devia apoiar minha mãe, lhe dar força, assim como tinha certeza que ela faria comigo independente da situação.
Permaneci ali no sofá pensando por mais um tempo que não soube precisar. Mas depois subi e fui para meu quarto me deitar. Sara não viria dormir em casa, pois do boliche iria pra casa das primas e por lá dormiria. E mamãe, chegaria tarde, então eu não quis esperá-la. Deixaria pra falar com ela amanhã quando estivesse de cabeça fria. Não que agora não estivesse, mas seria mais fácil travar essa conversa com ela. Precisava ter essa conversa, porque não saberia ficar fingindo pra ela que não sabia de nada. Mamãe me conhecia bem demais e perceberia logo que eu escondia algo dela. Então, eu optei por amanhã abrir o jogo a ela.
...
Acordei no dia seguinte ciente de que aquela manhã seria difícil pra mim, mas quem disse que na vida as coisas são fáceis? Bom, vamos lá, né?!
Levantei, fiz minha higiene matinal e desci pra tomar café. Certamente a esse horário minha mãe estaria tomando o café dela também. E não me enganei nisso. Quando cheguei a cozinha ela estava lá na companhia de Sara que acho que chegou há pouco, pois enquanto estava no quarto ouvi a campainha tocar.
—Bom dia!
Cumprimentei-as e notei que ambas pareciam estranhas demais para o meu gosto.
—Aconteceu alguma coisa?
—Não, filho. Está tudo bem.
Pelo tom da voz dela e sua expressão meio abatida, ali podia estar tudo, menos bem. Tinha acontecido algo e ela não queria me contar. Olhei pra Sara e ela parecia séria demais.
—Como foi a exposição?
Optei por não começar tocando direto no assunto do... do... ah, vocês sabem qual!
—Foi um sucesso, filho!
Se foi um sucesso então por que ela não estava feliz? Estava triste, sem aquele brilho que eu via em seus olhos nos últimos dias.
—Foi mesmo? Porque não é isso que a senhora tá me passando.
—Foi tudo perfeito, Gil. Melhor impossível.
—Mãe tá tudo bem com a senhora?
—Está!
Lancei um olhar a Sara e ela me sinalizou que "não" com a cabeça e gesticulou com a boca o nome "Phil" sem que a minha mãe visse.
O que esse cara aprontou com a minha mãe?
Se eu queria saber então tinha que tocar naquele assunto.
—Mãe, eu preciso ter uma conversa com a senhora. — Anunciei. Deus me ajude nisso!
—Bom, eu já imagino qual será o teor da conversa então vou subir pra deixar vocês conversarem sozinho.
Sara levantou-se da cadeira pra sair da cozinha, mas por uma razão que não sei explicar direito, eu pedi que ela não fosse e ficasse ali. A presença dela me encorajava no que eu tinha falar.
—Você quer que eu fique aqui?
Ela parecia espantada com o meu pedido.
—Sim. Como você mesma disse, o teor do assunto que vou tratar com ela já é do seu conhecimento, então não vejo problema algum em você ficar aqui.
—Bom, então tá.
Ela tornou a se acomodar na cadeira.
Levou alguns segundos pra eu tomar coragem de começar. A bem da verdade é que eu não sabia por onde começar, então optei por fazer isso contando logo que já era do meu conhecimento que minha mãe estava saindo com um sujeito de nome Phillip.
—Como você sabe sobre o Phil? — Minha mãe questionou-me atônita. E antes que eu lhe respondesse, ela olhou pra Sara. _Você contou isso à ele, não foi?
—Eu obriguei a Sara a me contar, mãe. Disse que se ela não me contasse não a deixaria sair daqui de casa pra ir ao boliche com as primas. — Adiantei-me em explicar mentirosamente pra não deixar Sara com o "filme queimado" com a minha mãe. _Eu fiquei desconfiado com a sua reação ao que eu disse sobre namorado, depois liguei alguns pontos do seu comportamento nos últimos dias e cheguei a uma conclusão. E pra ter certeza, eu então interroguei a Sara. E ela sem saída me contou tudo.
—Desculpa tia Beth.
—Tudo bem, querida. Acho que eu errei nisso tudo. Devia ter contado a você desde o começo Gil. Evitaria essa situação toda. Mas, eu protelei isso, por justamente saber que você não aceitaria. E antes que você me diga isso agora, eu quero que saiba que ontem, durante a exposição, conversei com o Phil e pedi pra ele se afastar de mim, que entre a gente não haverá nada. Você é a pessoa mais importante pra mim, filho... — Ela segurou a minha mão. _... E eu não quero, de modo algum, que fique mal por conta de eu estar com alguém. Por isso mesmo, eu disse ao Phil que acabou o que a gente tava começando.
Eu não vou negar que fiquei feliz da conta com essa notícia, mas ao ver a tristeza com a qual a minha mãe me contou isso, fiquei mal. Ela estava sofrendo, pois estava gostando desse tal de Phil, porem abriu mão dele por mim. Não era justo isso! Não era justo ela se privar da própria felicidade pra não me ver mal. Mesmo que fosse desagradável pra mim essa situação de outro homem fazendo parte da vida dela, eu não tinha direito algum de privá-la de refazer sua vida. Ela merecia alguém que lhe fizesse feliz, como parecia que esse sujeito fazia.
—Mãe, a senhora não faz ideia do quanto eu queria deixar as coisas assim mesmo. Mas eu sei que a senhora não está feliz com isso. E eu quero muito a senhora feliz. Se possível sempre feliz! Então, se eu não tiver estragado as coisas definitivamente com o Phil, a senhora e ele podem... ficar juntos.
—Filho, eu não quero que se sinta obrigado a...
—Eu não estou me sentindo obrigado a nada mãe. — Eu esclareci, interrompendo-a. _Alguém aqui me disse que eu não tenho o direito de lhe impedir de refazer a sua vida. E que eu como filho devia mais é lhe dar força nisso. E devo reconhecer que ela tá mais do que certa no que me disse, não é Sara? — Olhei pra ela e minha mãe me imitou surpresa.
Eu tinha que dar o devido crédito daquilo aquela insuportável. O que Sara me disse pesou bastante na minha decisão. Talvez, se não fosse por seu "sermão", eu não tivesse mudado minha visão quanto a aceitar minha com alguém.
—Bem... Eu geralmente tô certa no que digo, quatro olhos!
Eu e minha mãe rimos. Quanta auto-confiança dessa garota.
—Obrigada por ter conseguido essa façanha com o meu filho, Sara.
Minha mãe agradeceu e ela tinha que fazer isso mesmo. O que Sara conseguiu foi uma façanha mesmo!
—Mas eu acho que depois de ontem o Phil nem vai querer mais nada comigo.
Ouvir isso me deixou preocupado. Era minha culpa então nada melhor do que eu mesmo tentar consertar isso.
—Se a senhora quiser eu mesmo falo com ele. — Por ela, eu me submeteria a fazer qualquer coisa. _É só me dar o número dele e eu ligo pra...
—Não precisa, querido. Eu mesma vou tentar falar com ele.
—Tudo bem. E depois que a senhora e ele se... entenderem... eu gostaria de conhecê-lo.
Ela me sorriu tão contente por ouvir aquilo de mim, que eu vi que tinha tomado a decisão mais acertada em ceder àquela história de "namorado".
—Obrigada por isso, viu? E pode deixar que se der tudo certo, a gente marca um dia pra você conhecê-lo, ok?
Eu assenti. Depois vi minha mãe ainda com um sorriso nos lábios, levantar-se da cadeira dela dizendo que iria ligar para Phil pra conversarem.
—Mandou muito bem, quatro olhos!
Olhei pra Sara tão logo ela disse isso após a saída da minha mãe da cozinha.
—Valeu, garota insuportável!
Fale com o autor