A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Eu estava escolhendo a roupa que usaria daqui a pouco pra sair com Heather, quando escuto o celular reverberar sobre a escrivaninha. Fui até o móvel e ao pegar o aparelho celular vi que a ligação era de Heather. Sorri e atendi prontamente sua chamada com certa empolgação. Só que poucos segundos depois, o meu sorriso e a minha empolgação se desfizeram. Heather estava ligando pra cancelar nossa saída ao cinema. Segundo ela explicou, sua mãe que era médica foi chamada as pressas pra cobrir o plantão de uma colega e Heather teria que ficar em casa tomando conta do irmão menor. Devo reconhecer que fiquei um tanto decepcionado com o fato de a gente não mais sair e ela percebeu isso. Pediu-me desculpas por ter que cancelar nossa ida ao cinema e perguntou se podíamos deixar para o fim de semana. Eu disse que sim. Não havia nada a se fazer mesmo. Paciência! Nos despedimos e a ligação foi encerrada.
Recoloquei no armário as cruzetas com as camisas que eu havia tirado e postas sobre a cama pra escolher qual usaria pra sair. Não ia mais sair mesmo! Depois desci pra encontrar na sala minha mãe toda arrumada pra ir a galeria. Hoje seria a grande noite da exposição.
—Nossa, a senhora está linda, mãe!
Minha mãe sempre se arrumava muito bem quando havia esses eventos na galeria, mas particularmente naquela noite, ela estava diferente. Parecia visivelmente muito mais produzida do que eu me lembro que tenha visto-a nas outras vezes em que teve que prestigiar as exposições na galeria.
—Ah, obrigada, querido!
—Lindona desse jeito, ela vai arranjar um namorado em dois tempos nessa exposição, não acha?
Eu olhei pra Sara imediatamente.
—Que namorado o quê? Não diz besteira Sara! Minha mãe não vai arranjar namorado algum, tá louca!
Deus me livre disso! A ideia da minha mãe com alguém não era agradável. Além do mais, eu tinha certeza que ela ainda amava meu pai apesar de fazer anos da morte dele. Ela não colocaria outro no lugar do meu pai. Jamais!
—Não precisa falar desse modo com a Sara, filho.
Notei que o sorriso que antes a minha mãe tinha, sumiu. E ela falava comigo com certo desconforto. Entretanto não dei muita importância, pois estava mais irritado com aquela besteira que Sara havia dito.
—Mas é que ela fica dizendo esses absurdos.
—Absurdo por que? Sua mãe não pode arranjar um namorado?
—Claro que não, Sara!
Fui bem firme na minha resposta. A minha mãe com um namorado, nunca! Eu não ia deixar e nem aceitar um homem circulando aqui em casa, tentando bancar o meu pai.
Vi que assim que disse isso, minha mãe lançou um olhar meio preocupado a Sara. Já ia questioná-las quanto a isso, mas o som de uma buzina me impediu disso.
—O táxi já chegou pra me buscar. Vou indo, crianças. E divirtam-se em seus programas.
Ela se despediu de mim e de Sara dando um abraço em cada um. E notei que havia certa tristeza em seu olhar quando foi embora. Será que era pelo que eu disse sobre namorado? Mas eu só disse o que eu achava e ela já sabia bem a minha opinião sobre aquilo.
—Você é um idiota!
Virei-me pra olhar Sara que acabava de me insultar sem razão.
—Posso saber o motivo de me insultar?
—Qual é o problema de sua mãe arranjar um namorado? Ela tem todo o direito de refazer a vida dela. Seu pai morreu, mas ela tá viva, sabia?
—Não fala assim.
—Se a sua mãe chegasse e te dissesse: "filho arranjei um namorado e quero te apresentar a ele!". O que você faria?
—Não faria nada, porque primeiro isso nunca vai acontecer. — Dei as costas pra Sara para ir beber água.
—E se acontecer?
Parei no meio do caminho à cozinha e novamente me virei pra encarar Sara.
—Por acaso você tá sabendo de algo que eu não sei?
—Tipo?
—A minha mãe tá com alguém e por isso dessa conversa que está tentando ter comigo? — Enquanto falava, eu caminhava de volta pra perto de Sara e quando terminei a minha fala, já me encontrava bem diante da minha hóspede.
—Não!
Esse "não" dela não pareceu nada convincente. Será que a minha mãe tava com alguém e me escondia isso? Foi então que eu comecei a me atentar para o comportamento dela nos últimos dias. Os telefonemas estranhos, as saídas repentinas, os segredinhos com Sara e então me deu um estalo. Será?
—Sara minha mãe tá com um namorado, não é? Me diz a verdade. — Pedi.
Vi Sara hesitar e relutar pra me responder. Mas após um breve instante de silêncio dela, eu ouvi sua resposta e não me agradei nada com ela.
—Não é ainda oficialmente namorado dela, mas ela tá saindo com alguém.
—Não posso acreditar! — Passei uma das mãos no rosto.
—Olha, ele é um cara legal, divertido e gosta da sua mãe. Precisa ver como...
—Espera aí... você já o conhece?
—Sim! Sua mãe me apresentou a ele.
—Eu sou o filho dela e sou o último a saber disso? Legal!
—Ela estava ensaiando te contar...
—Há quanto tempo ela tá com esse cara? Quem é ele? Quando ela te contou sobre ele? Quando você...
—Ei! Para com esse bombardeio todo! Quem tem que te contar essas coisas é ela não eu. Já falei demais.
—Você começou, agora vai terminar.
—Eu tenho que me arrumar. Esqueceu que eu tenho que sair? Daqui a pouco as minhas primas chegam pra me buscar.
—Por favor, Sara! — Pedi, segurando no braço dela impedindo-a de ir embora da sala. _Nunca te pedi nada antes, mas agora eu peço com toda a educação, que me conte o que você sabe.
Ela suspirou resignada. Eu estava disposto a não deixá-la sair dali sem antes me esclarecer o que eu queria saber.
—Tá bom. Senta aí.
Ela me indicou o sofá e nos sentamos um de frente ao outro. Sara então começou a dizer que o que me diria era o que minha mãe havia lhe contado. Eu apenas assentir. Então ela começou a falar que o sujeito que minha tava saindo, chamava-se Phillip. Tinha 45 anos de idade, era advogado e adorava obras de artes. Inclusive, ele e minha mãe se conheceram na galeria dela, há um mês quando Phil visitava o lugar com a neta adolescente e acidentalmente trombou com a minha mãe quando ela passava perto dele. Segundo Sara disse que minha mãe lhe contou, a empatia entre eles foi imediata. Ficaram amigos e há duas semanas estavam "se conhecendo melhor" .
—E quando foi que ela te contou sobre ele e você o conheceu?
Sara disse que a minha mãe lhe contou três dias depois da chegada dela a essa casa. Quase não acreditei! Não fazia nem três dias que essa garota estava aqui e minha mãe já foi lhe contando aquilo?! Mas Sara me explicou que a minha mãe só lhe contou porque ela os viu passeando juntos quando estava circulando com as primas por um Museo. E na ocasião, minha mãe teve uma conversa particular com Sara onde lhe revelou quem era Phil. Depois os apresentou e pediu pra Sara guardar segredo, porque eu não sabia desse "amigo" dela.
—Segunda, vocês saíram pra encontrar esse homem, não foi?
Depois dessas informações eu só pude pensar que a saída delas naquela noite foi pra encontrar esse tal de Phil.
—Quer a verdade?
—É claro que eu quero!
—Sim! Sua mãe e eu fomos encontrar com ele. O Phil ligou pouco depois que você saiu, convidando a tia Beth pra jantar com ele, a filha, o genro e a neta. Queria apresentar a família dele à ela. E como a tia Beth não queria ir sozinha, me levou junto.
Eu estava sem saber o que dizer, o que fazer. Minha mãe com um cara?
—Olha... o que você precisa saber e que é o mais importante nisso tudo... É que o Phil faz bem a sua mãe. Precisava ver como ela fica feliz e sorri quando tá com ele.
—Eu não quero a minha mãe com ninguém.
—Deixa de ser egoísta e mimado.
—Você diz isso porque não é a sua mãe que tá com um estranho.
—Pois se isso estivesse acontecendo com a minha mãe, eu daria apoio a ela e sabe por quê? Porque eu ia querer que ela fosse feliz. Você não tem o direito de impedir sua mãe disso. Ela tem mais que refazer a vida dela mesmo. E você como filho devia mais é dar força pra ela.
Depois de me passar esse sermão, Sara se levantou e disse que ia se arrumar, pois a qualquer momento suas primas chegariam.
Sozinho na sala, eu fiquei processando cada palavra que Sara me disse. Sabe que essa foi a primeira vez que vi aquela garota falar sério de verdade?
No fundo eu sabia que ela estava certa em cada palavra que me disse, mas era difícil admitir e aceitar aquela situação. Pra mim, depois da morte do meu pai, eu seria o único homem na vida minha mãe. Egoísmo da minha parte pensar assim? Talvez! Mas ela ter um namorado? Pra quê? Pra ele tomar o lugar do meu pai? Nunca! Sujeito algum entraria naquela casa.
Mas depois de ouvir aquele sermão de Sara, eu fiquei confuso. Ainda mais, quando ela disse que esse cara fazia bem a minha mãe e a deixava feliz. Tudo o que eu quero é vê-la feliz, mas tudo o que eu não quero também, é vê-la com um homem.
Não sei quanto tempo eu fiquei ali preso em pensamentos, mas quando dei por mim Sara já estava de volta a sala, toda arrumada.
—Não vai se arrumar pra sair com a ruiva?
Sara me questionou, sentado-se no outro sofá a direta do que eu me encontrava.
—Não vou mais sair com ela. Heather me ligou antes da mamãe sair, dizendo que não vai poder ir ao cinema comigo, porque a mãe dela vai ter que fazer plantão no hospital e ela terá que ficar em casa com o irmão menor. — Expliquei.
—Hum... então não quer vir comigo ao boliche? Assim não fica aqui sozinho.
Sara me propôs e confesso que me surpreendi com essa proposta dela.
—Pensei ter ouvido dizer que não queria mais que eu fosse com você e que tinha arranjado companhia melhor que a minha?
—Bom, eu mudei de ideia quanto a você ir. E acredito que seu amigo não vai se incomodar com a sua presença. Então, você vem? Vai ser legal. Aproveita e se distrai depois dessa "bomba" que eu te contei. Se você vier, prometo dar uma trégua e não implicar com você, e nem te chamar de "quatro olhos" na frente do pessoal.
Eu até esbocei um sorriso. Ela parecia visivelmente querendo me animar, talvez por ver que eu não havia digerido bem essa história. Mas eu não estava no clima pra ir a boliche algum depois do que eu soube.
—Valeu, mas eu prefiro ficar sozinho aqui em casa. Eu preciso pensar em tudo o que você me disse. Amanhã quero conversar com a minha mãe sobre essa história toda.
—Tia Beth vai me dar uma bronca por ter te contado, mas eu acho que foi melhor assim. Se ela tivesse te contado e você dissesse a ela exatamente o que disse pra mim, certamente a magoaria.
—Certamente mesmo. Mas eu vou tentar livrar a sua barra. Vou dizer a ela que te obriguei a me contar.
Sara sorriu.
—Ok!
Uma buzina de carro soou alta na frente de casa.
—Suas primas já vieram te buscar.
—Pelo jeito sim. Vou indo então. — Ela me disse, levantando-se do sofá e ajeitando a roupa. _Até amanhã!
—Até! E... valeu por ter aberto o jogo comigo, Sara.
Eu tinha que agradecê-la por isso.
—Não tem de quê... quatro olhos! — Ela sorriu pra mim e depois seguiu em direção a porta.
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