A Homeless Heart
1 Prólogo
Notas iniciais
Então, essa é uma fanfic que vem me incomodando há um tempo, já que a vontade de escrever era tanta. E fui apenas incentivada com os spoilers mais recentes da nossa série tão amada, então essa seria minha versão de como a volta de Derek seria. Espero que gostem.
Enjoy *-*
Meredith Grey não se sentia brilhante e radiante, não se sentia assim há muito tempo, na verdade. Sentia-se escurar e contorcida. Sabia que era suposta estar brilhante, e por mais que estivesse, não se sentia assim. Como ela deveria brilhar sem o homem que amava?
Passara-se três meses. Três meses desde a conversa que praticamente a separou do amor de sua vida. Como ela estava aguentando sem ele? Não sabia.
“Vá”
“Oh, eu estou indo”
“Não, é sério. Vá agora”
Seu coração doía ao pensar nas palavras de ódio ditas naquela noite. Ela não queria que ele se fosse, embora fosse teimosa e talvez orgulhosa demais para admitir.
Algum momento antes dele ir, porém, eles prometeram um ao outro que conseguiriam sobreviver o momento, mas ela não sabia como, se mal conseguiam ficar em um mesmo cômodo sem brigarem.
“Derek, nós podemos fazer isso”
“Nós podemos fazer isso”
Esta foi a última vez que tiveram uma conversa pacífica, já que todas suas ligações normais ou de facetime eram curtas e breves, feitas apenas em prol de seus filhos. Podiam dizer que conseguiriam sobreviver àquilo, mas suas atitudes a isto contradiziam.
E ela lutava para manter sua família em pé. Nunca imaginou que cuidar de duas crianças seria assim difícil. Amava Zola e Bailey mias que qualquer coisa, mas ela estava cansada.
Era por volta de oito da manhã. Meredith Grey dirigia sua Mercedes prata em direção ao Grey Sloan Memorial Hospital, junto às duas crianças. Ela não dizia nada, ao contrário dos passageiros do banco de trás, onde Zola cantava cantigas infantis e Bailey balbuciava alguns sons irreconhecíveis. Ela continuava em silêncio.
Não havia muitos outros carros na estrada, os que haviam, em alta velocidade. Mas ela não gostava de correr, não quando poderia colocar a vida de ambas suas crianças em jogo. E, flashes de memória das inúmeras vezes que sentiu desespero puro ao receber ligações de que seu marido estava na cadeia, por dirigir em alta velocidade ainda a assombravam.
Uma poluição sonora basicamente era vinda de seus filhos, mas ela nem se importava. Era bom vê-los felizes, isto era a única coisa que alegrava seus dias.
Mas, de repente, a terra começou a tremer.
O carro deu algumas voltas involuntárias, apesar de Meredith pressionar o pé fortemente contra o freio. O veículo só parou de se mover quando a terra tornou-se inerte outra vez. Pararam no meio da estrada.
“Moma! O que foi isso?” Zola perguntou, um tom desesperado em sua voz.
Meredith virou-se para trás instantaneamente, como se quisesse certificar-se que os dois ainda estivessem ali. “Eu... Eu não sei. Vocês estão bem?”
Porém não tiveram a chance de responder, já que o chão começou mais uma vez a mover-se, mas com muito mais intensidade. As crianças começaram a chorar, então Meredith tirou o cinto de segurança para melhor conseguir alcançar seus filhos.
Desta vez, a terra não parava de tremer, cada vez mais forte. Meredith não sabia o que fazer, estava de fato no meio de uma rodovia perigosa, mas só conseguia se focar nos gritos de desesperos de seus filhos.
E seus medos se tornaram reais quando um carro em alta velocidade chocou-se contra o dela.
Seu Merdedes voou literalmente por vários metros, dando inúmeras voltas ao redor de si mesmo. Os tremores terrestres apenas causaram o carro para sair e voltar ao chão inúmeras vezes.
O carro apenas veio a parar quando saiu da estrada principal, pairando sobre um campo gramado, jogado de lado, com duas rodas no chão e outras as outras duas no ar. Meredith esforçou-se para permanecer consciente, mas a escuridão logo tomou conta de seu mundo.
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Meredith abriu seus olhos.
Sua visão estava embaçada e ela não se lembrava plenamente dos últimos acontecimentos de sua vida. Só sabia que estava em dor.
Abriu e fechou seus olhos várias vezes. Levou suas mãos ao seu campo de visão, percebendo o sangue nelas presente. Só então sua memória foi voltando e seu coração começou a palpitar. Ela tentou se mover, mas não conseguiu.
Começou a olhar ao seu redor. Ela estava presa entre o volante e o banco de motoristas, suas costas, deitadas contra a porta. Podia sentir alguns cacos de vidro por debaixo dela, mas não parecia se incomodar. O air bag não tinha funcionado, mas seu carro estava totalmente destruído.
“Zola? Bailey?” ela os chamou pela primeira vez, em uma esperança de ouvi-los. Virou sua cabeça ao máximo possível, para olhar para o bando de trás, mas as crianças não estavam em seus assentos. Eles não estavam lá.
“Zola! Bailey!” gritou desta vez, um desespero gigante em sua voz. Os piores cenários passavam por sua cabeça e ela queria gritar ao mero pensamento deles. Já tinha perdido seu marido, não poderia perder seus filhos também.
Mais uma vez, tentou se mover, mas uma dor proveniente de seu abdômen a impediu. Só então percebeu a presença de um pedaço de metal atravessando seu corpo. “Droga” amaldiçoou-se, não tinha notado a presença do objeto estranho, provavelmente por causa do choque, mas boa coisa não era.
A terra começou a tremer novamente, então causando que o carro caísse com as quatro rodas para cima. Meredith bateu a cabeça contra o que deveria ser o capô, mas desta vez, lutou para não perder a consciência, por mais que tudo ao seu redor girasse.
Ela estava agora pendurada de cabeça para baixo, suas pernas presas, a única coisa que a segurava imóvel. Por mais que tentasse se libertar, não conseguia.
De repente, Meredith sentiu algo vibrar em seu bolso. Seu celular. Eles estavam salvos. Levou sua mão ao bolço de sua calça, pegando-o. Sua tela estava trincada em vários lugares, mas aparentava funcionar perfeitamente ainda.
Owen Hunt estava lhe ligando, mas ela simplesmente ignorou a ligação. Dirigiu-se ao aplicativo do telefone, discando os três números tão conhecidos. Após explicar tudo para a mulher do outro lado da linha, simplesmente jogou o telefone no chão. Precisava encontrar seus filhos ainda.
Virou seu dorsal o máximo possível, apesar de sentir sua espinha medular gritar. De primeiro, ela pensou estar sonhando, mas era verdade. Zola estava lá. “Z-zo”
Mas a menina não movia. Estava totalmente inerte contra o chão. Meredith levou seu braço para tocá-la, para checar seus batimentos cardíacos, porém não a alcançou.
E ela começou a chorar. Lágrimas saíam de seus olhos e deslizavam por sua testa, não chorava por dor, mas sim pelo medo da morte de suas crianças. Essa era uma dor que nenhuma mãe jamais deveria passar.
Owen a aligava novamente, e desta vez, ela atendeu, colocando no viva voz, embora não disse nada, apenas deixava soluços escaparem de seus lábios.
“Meredith?” ela clamou seu nome, não entendendo o que acontecia do outro lado da linha. “Meredith, você está bem?”
Ela não respondeu nada, apenas tentou engolir seu choro.
“Olha, eu sei que é perigoso sair de casa, dado aos terremotos, mas há como você vir ao hospital? Há muitas vítimas e nós precisamos do máximo de ajuda possível”
Mas ela se prendeu a só uma só palavra. “T-terremoto?” disse pela primeira vez.
Owen franziu a testa. “Mer, o que está acontecendo?”
“Eu estou pendurada no meu carro de cabeça para baixo, porque a terra começou a tremer do nada. E eu não sei se Zola está viva porque eu estou presa e não consigo alcança-la, sendo que eu não tenho ideia de onde Bailey está” respondeu, certo som de desespero em sua voz.
Ele ficou boquiaberto, não esperava por tal resposta.
“O-owen, eu não sei o que fazer”
Mas ele não teve a chance de responder. Mais uma vez, a terra tremeu, sendo que os terremotos se encontravam cada vez mais forte. Este foi tão intenso que fez com que Derek desprendesse suas pernas e caísse no capô do carro. O chão balançou por mais alguns segundos.
“Meredith? Meredith!” Owen gritava, tentando lidar com a situação tanto do hospital quanto a de sua amiga.
Em uma tentativa de amortecer a queda, ela usou suas mãos para impedir uma pancada forte e provavelmente fatal na cabeça. Ajudou, suas pernas caindo de onde estava presas, mas em algum momento durante tal desventura, seu punho direito girou cento e oitenta graus para trás. Ela pode sentir seu osso rasgar sua pele. Provavelmente já estava quebrado anteriormente, a queda só o ajudou a quebrar mais ainda.
Ela emitiu um grito de dor, mas a mesma era a última coisa em sua mente, já que agora tinha acesso à sua filha. O choque a impedia de sentir dores cruciais. “Zola”
Sua mão não ferida chegou ao seu pescoço, procurando por um pulso. Meredith começou a chorar histericamente. “Você está viva. Ela está viva Owen!”
Com seus olhos, procurou por feridas externas, mas não encontrou nada. Sabia que isso não significava nada, mas a acalmou um pouco.
Precisava encontrar Bailey agora.
“Meredith, qual o status?”
“Zo tem alguns arranhões e contusões, mas eu não acho que seja grave assim”
“E quanto a você?”
“Eu... Eu quebrei meu pulso, e há um pedaço de metal atravessando meu abdômen. Eu não procurei por outros ferimentos, mas... mas eu acho que estou perdendo muito sangue” ela não tinha analisado suas feridas, só se importava com a situação de seus filhos. O fato dela não saber se Bailey estava bem ou não a matava por dentro.
Continuava a revistar o veículo despedaçado com seus olhos. Precisava salvar suas energias para quando encontrasse o menino, pois algo lhe dizia que sua consciência não duraria muito.
E bem ali, em um canto, entre alguns escombros, o menino de encontrava, im´´ovel também. “Bailey?”
“Meredith, eu preciso que você pare de se mover” Owen alertou-a pelo telefone.
Ela começou a se arrastar por debaixo da cabeça dos bancos. “Owen, eu estive em um acidente de avião e me movi bastante por quatro dias que não tivemos resgate. E o que é um acidente de carro comparado a um acidente de avião? Nada. Então eu vou-“
Sua fala foi interrompida, entretanto por um grito, mas não um grito de dor, mas sim um grito de medo. Zola. “Zo?” Meredith chamou pela menina. “Está tudo bem. Moma está aqui”
“Moma?” choramingou. “Dói, moma”
Meredith não sabia o que fazer. Ela era uma só para duas crianças indefesas. Sentia-se como em A Escolha de Sofia, mas ela jamais conseguiria escolher entre seus dois filhos. Ficou parada, como se esperasse que uma voz superior lhe dissesse o que fazer.
Owen foi aquela voz. Ele a conhecia bem o suficiente para saber o que passava por sua cabeça. “Meredith, vá chegar Bailey. Zola pode esperar”
E assim ela vez. Alcançou o menino e o trouxe para perto de seu peito, sentindo o calor de seu corpo. Ele estava bem. Ou ao menos aparentava estar. Apenas o fato de ambos seus filhos estarem respirando era suficiente para aliviá-la.
Ela nunca se sentiu tão aliviada em toda sua vida. Não quando respirou pela primeira vez após afogar-se, não quando seu marido sobreviveu aos ataques de Gary Clark, não quando foram salvos após quatro dias literalmente morrendo na floresta. Nada se comparava ao momento que encontrou seus filhos vivos.
“Meredith?” Owen a chamou, a quantidade de vezes que dizia seu nome já começando a irritá-la.
“Ele está bem” respondeu simplesmente, ao mesmo tempo em que se rastejava de volta para a menina.
“Moma, eu quelo ir pala casa” Zola choramingou.
Meredith estendeu sua mão boa até ela. “Segure minha mão, Zo. A ajuda está a caminho”
Tendo dito isso, pôde-se ouvir as sirenes de longe das ambulâncias. Meredith suspirou, a ajuda estava chegando, eles seriam salvos. Ela não precisava lutar mais, então deixou seus olhos fecharem.
“Moma? Moma, acorde!” Zola clamou em desespero.
Mas de nada adiantou. Ela já tinha adentrado os mundos mais profundos da escuridão.
Notas finais
Reviews u.u
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