A História dos Selvagens - Parte 2 - Raiva
10 Lucas: Poseidon é um cara muito protetor
Notas iniciais
Eu fiquei aliviadíssimo por acordar sem ter tido sonhos. Pude me arrumar para ir à praia sem preocupações, pude tomar um café da manhã sem ter que especificar nenhum detalhe para meus amigos.
Esperávamos um táxi do lado de fora do hotel, um sentimento de ansiosidade no ar. Vitor, com certeza, era o mais animado entre nós. Não parava de fazer piadinha e de andar para lá e para cá.
_Você não devia estar tão feliz._ Disse Tatiane.
_Por que não?_ Perguntou Vitor, ainda sorrindo. _Meu pai tá na cadeia, eu estou aqui na Bahia se ter que estudar e vamos à praia, coisa que eu não faço há muito tempo.
Eu não pude deixar de rir. Tatiane fechou a cara.
_O que é dessa vez?_ Perguntei, me sentindo um tanto irritado.
_Você se esqueceu do verdadeiro motivo que estamos aqui? Temos uma missão.
_Ah, é, uma missão bem fácil._ Retrucou Vitor. _ Três garotos de 15 anos fazendo parte de uma guerra que só vai acontecer daqui a 30 anos. Fala sério. Se Lucas fosse o Harry Potter, eu o Rony Weasley e você a Hermione Granger, tudo bem, mas...
Eu não consegui segurar a gargalhada. Vitor seria uma grande pessoa no futuro, pelo simples fato de fazer piadas nos momentos mais difíceis. Ele me lembrava meu avô às vezes. Tatiane continuou com a cara fechada.
_Olhe, tudo vai dar certo. Estamos mais do que longe de resolver tudo o que está acontecendo. Não podemos dar o próximo passo sem mais informação. Vamos ser pacientes, ok?
Ela suspirou, e então disse:
_Ok. Me desculpem, eu só quero que tudo isso acabe logo. Eu não quero ficar muito tempo longe do Rio.
_Nós também queremos que isso acabe._ Falou Vitor, quase de um modo fraternal. _Você não está sozinha.
Ela sorriu e deu um abraço em mim, e outro em Vitor. Nesse momento, o táxi chegou, e ela foi a primeira a entrar. Vitor e eu nos entreolhamos, e ele fez uma expressão tipo: “eu nunca vou entender essa garota”.
Não demorou mais que meia hora para chegarmos à praia. Mal nos acomodamos na areia, e já estávamos nos dirigindo à água, já de roupa de banho. A praia estava relativamente vazia. Pelo menos, no ponto aonde a gente estava.
Entramos na água, Vitor com uma bola na mão.
_Que tal um jogo de três cortes básico?
Ficamos jogando três cortes e água uns nos outros por um bom tempo. Devo dizer, foi bem divertido. Deu até pra esquecer, por um momento, o porquê de estarmos ali. Mas é lógico que não durou por muito tempo. Quando Vítor levantou a bola pra Tatiane, ela congelou. A bola bateu na água, espirrando água na cara dela. Ela olhava pra um lado mais distante da praia, com a boca aberta e uma expressão de medo. Eu olhei na direção que ela estava olhando.
_Que houve, Tati?_ Perguntei.
_Ah, meu Deus.
_O que houve?
_Olhei mais atentamente para aonde eu estou olhando. Veja se tem alguma coisa lá que não tem aqui.
Eu fiz isso, mas demorei um tempo pra ver.
_Espuma de onda?_ Perguntei franzindo a testa. E então me toquei que aquilo significava.
_A mãe-natureza definitivamente precisa da gente._ Falou Vitor. _Ela parou as ondas de um pedaço do mar. Ela está desesperada.
_Vamos pra areia. Agora!
Eu e Vitor obedecemos. Assim que saímos, as ondas voltaram. Ficamos ali, olhando, sem acreditar, por um minuto. Então eu senti uma forte dor de cabeça, e uma voz sussurrou em minha mente: “O farol. O farol.”
_Temos que ir ao Farol da Barra._ Falei, sentindo meus músculos cederem. E então, eu desmaiei.
Fale com o autor