A História de uma Filha de Hermes
6 Pegando Carona
Notas iniciais
No outro dia de manhã, meu pai me acordou as 5h da manhã cantando feliz aniversário. Aí, ele começou rir. Por que ele começou a rir, Isabelle? Porque meu cabelo estava tipo, uma zona. Mais bagunçado que o chalé 11. Se é que isso é possível.
– Muito engraçado pai. Não, sério. De verdade. Hilário. Ha-ha.- Comentei em sarcasmo, revirando os olhos e me levantando.
– Poxa, assim você fere meus sentimentos. — dramatizou ele, fazendo-me revirar os olhos.
– Sabe que não consigo ser simpática quando acabo de acordar. O sarcasmo é tipo uma autodefesa.- me defendi, erguendo os braços
– Certo, vá se arrumar, saímos as 6h.- avisou, deixando o quarto.
Coloquei uma calça jeans, os coturnos que eu havia pegado emprestado da Evanlyn a 3 meses e esquecera de devolver, uma camiseta vermelha e um casaco. Dei um jeito naquele ninho de rato em que meu cabelo se transformara, escovei os dentes e peguei minha bolsa.
Novamente, escorreguei pelo corrimão e fui para a cozinha, onde havia um prato com ovos e bacon e uma xícara de café. Meu pai já havia terminado de comer e fez a louça suja desaparecer num estalar de dedos.
Ele vestia uma calça jeans, tênis de corrida , uma camiseta azul e uma jaqueta. Seu cabelo castanho estava levemente bagunçado, como sempre. Quando se corre de um lado para o outro na velocidade do som, é impossível, ficar com o cabelo totalmente organizado. Seu caduceu estava encostado na bancada da cozinha, com as duas cobras enroscando-se e chiando.
Bom dia, Izzy. Marta cumprimentou.
Olá. Murmurou George.
– Bom dia Marta. Olá, George.- falei, sentando-me em um banquinho.
Comi em silêncio, então coloquei a louça no balcão e observei em quanto o deus dos ladrões fazia com que ela sumisse.
– Podemos ir?- perguntei, colocando a mochila nas costas.
– Sim. Não está esquecendo nada?- indagou Hermes, pegando sua mala estilo carteiro.
– Não. Chequei tudo três vezes antes de dormir e mais uma quando acordei. E você?
– Óbvio que não, Izzy. Tem ideia de quantas vezes ja viajei?
Suspirei. Por que ele tinha que ser tão teimoso?
– Pegou a encomenda da Quione?- questionei, cruzando os braços.
–Droga.- murmurou, subindo as escadas.
Logo, ele voltou com um pacote e o guardou na mala. Então pegou seu caduceu e saímos.
As ruas do Olimpo estavam silenciosas, pois todos ainda dormiam. O som calmo da água escorrendo pelas fontes e o cheiro de flores enchiam o ar, transmitindo uma sensação de tranquilidade.
Mas toda a paz acabou no momento em que chegamos a uma colina, onde Apolo se encontrava ao lado do Carro-Sol, discutindo com Ártemis. O deus vestia uma camiseta verde, calça jeans e usava óculos de sol. A deusa, por sua vez, estava vestida com sua habituas roupas de caça.
– Pela milésima vez Apolo! Eu não vou liberar minhas Caçadoras para uma festa. Qual é a droga do seu problema?- a deusa da caça ficava na ponta dos pés, olhando diretamente nos olhos ora azuis, ora dourados do irmão, que tinha a expressão de um menino que pede para ir tomar sorvete.
– Ora, mas qual o problema? Elas também podem se divertir um pouco, maninha!- Apolo teimava, cruzando os braços e fazendo beicinho.
– Pela última vez, Apolo! Não me chame de maninha!– Ártemis gritou.
– Mas...
Antes que a 3ª Guerra Mundial começasse, meu pai decidiu intervir.
– Ei! Calma os dois! Apolo, ela disse não, você conhece sua irmã!- meu pai se colocou entre os gêmeos.
– Mas...
– Nada de " mas" Apolo!- repreendeu Hermes.
– Muito obrigada Hermes.- agradeceu a deusa, e virou-se para mim.- Olá Izzy. Feliz aniversário.
A deusa me abraçou, então entregou-me um pequeno embrulho azul, com uma fita prateada. Abri o pacotinho com cuidado, e coloquei em minha mão um delicado bracelete de prata, que tinha um pingente de lua.
– Que gracinha. Obrigada, Lady Ártemis.- agradeci, colocando o bracelete em meu pulso.
– De nada querida. Mesmo que ele seja perdido, ou roubado, voltará até você.- explicou a deusa.
– Isso é realmente perfeito. Obrigada de novo.
– Fico feliz que tenha gostado. Agora, se me dão licença, tenho assuntos para cuidar.- Ártemis se despediu, sumindo entre as árvores.
– Certo.- falou Apolo, virando-se para mim.- Vamos?
– Claro.- falamos meu pai e eu, em uníssono.
Hoje, a carruagem do Sol tinha a forma de uma BMW vermelha. Quando estávamos entrando, falei:
–Apolo, será que eu posso...dirigir?
– Humm, não sei Izzy... Quantos anos está fazendo?
– 15.
– Bom...acho que não tem muito problema, considerando que você vai estar acompanhada de dois deuses... É, pode.- respondeu.
Entramos no carro e Apolo apertou um botão no painel, acendendo uma plaquinha que dizia: MOTORISTA APRENDIZ. Ele estava sentado no banco do carona e meu pai ia no banco de trás, com nossas bolsas. Já estava pronta para ligar o carro quando o deus Sol chamou minha atenção.
– Ok, mas tem uma regra para dirigir meu carro.
–Qual?- indaguei, curiosa.
– Você tem que usar um óculos de sol. Aqui.- respondeu ele, me entregando um pacotinho amarelo, que dentro havia um óculos de sol.- Por falar nisso, feliz aniversário Izzy.
– Obrigada, Apolo. Eu adorei.- agradeci.- Aliás, eles são muito estilosos.
– Não poderia te presentear com nada menos que o melhor.- ele sorriu e virou-se para meu pai.- Para onde vamos, maninho?
Hermes revirou os olhos.
– Cara, agora entendo a Ártemis. Não e chame de maninho. Por favor.
– Mas eu sou mais velho!- Apolo protestou.
– Dane-se. Apenas pare, ok?- pediu meu pai, estapeando a testa.
– Me. Obrigue.- Apolo desafiou, falando pausadamente.
Bati com a mão em meu rosto. Desafiar Hermes era um erro.
– Se me chamar de maninho outra vez, arrombo se templo e reviro tudo. E você sabe que ninguém bagunça melhor do que eu.- ameaçou, aproximando-se.- Não vai sobrar pedra sob pedra.
– Tá bom, seu chato. Não chamo mais.- o loiro cedeu, cruzando os braços.
– Ótimo. E, por falar nisso, vamos para o Texas.- Hermes falou, colocando os braços atrás da cabeça.
Então Apolo virou-se para mim, sorrindo.
– Certo. Vê essa seta vermelha? Ela aponta sempre para o oeste. Não podemos nos desviar muito dessa direção, ou as pessoas acharão estranho o sol indo para o norte, não é?
– Verdade. — assenti, reconhecendo o ponto.
– Certo, já aqui, nessa telinha, está o lugar onde devemos ir: O Texas. Você vai dirigir até lá, então vai estacionar e pronto. Missão cumprida. Pode fazer isso?
– Sim. Eu posso.- respondi, colocando as mãos no volante.
– Beleza. Para ligar, você deve girar a chave; para subir ou descer, use essa alavanca aqui; para aumentar ou diminuir, é só pisar no acelerador ou freio. E sempre se lembre: quanto mais velocidade, mais calor.- instruiu.
– Perfeito. Posso?
– Vá em frente.- falou ele, encostando-se no banco e ajeitando os óculos.
– Apertem o cinto, rapazes.
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