A História de uma Filha de Hermes
7 Manobras Legendárias no Primeiro dia de Viagem
Notas iniciais
A sensação era incrível. Dirigir o carro sol era como realizar um sonho. Aquele devia ser o carro mais incrível de todos os tempos, a velocidade era maravilhosa.
Mas eu preferiria apagar a parte em que eu quase atropelei uma ave.
–Está indo muito bem, Izzy.- parabenizou Apolo, após alguns minutos.
–Não tem como ir mais rápido?- questionei. Eu sentia meu pé formigando para pisar mais fundo no acelerador.
Apolo riu.
– Mais rápido que isso e todos lá em baixo viram churrasquinho.
– E se eu apenas aumentasse a altura também...?- distraidamente, virei-me para olhar para o deus, quando...
– Izzy, cuidado!- gritou Hermes.
Me virei rapidamente para frente, e só tive tempo de desviar bruscamente para esquerda, bem a tempo de não ter patê de passarinho no para-brisas .
–Essa foi por pouco.- falei, suspirando.
– E é por isso, que nós olhamos para frente. Entendeu?- falou Apolo, erguendo uma sobrancelha.
– Certo, mas a questão da velocidade e altura, acha que pode?- indaguei.
– É, pode sim.- assentiu, depois de pensar um pouco e trocar um olhar com o deus dos ladrões.
Fiz o carro ir mais alto, então aumentei a velocidade. Ficamos em silencio por um tempo, eu prestava atenção no céu, Apolo observava e Hermes tirava um cochilo. Até que o deus sol avisou que era hora de descer.
– Apolo, posso fazer uma coisa?- questionei.
– Depende. Podemos morrer?
– Não.
– O carro pode ser danificado?
– Não.
– Alguém pode se machucar?
– É só fechar a janela.
– Então pode.
Girei a direção para o lado e desci ao mesmo tempo, fazendo com que o carro rodopiasse várias vezes pelo ar. Eu e Apolo ríamos até ficar sem ar. Mas havíamos esquecido de um detalhe: Hermes estava dormindo no banco de trás.
– POR TODOS OS MONSTROS DO HADES! O QUE RAIOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO ISABELLE? — meu pai gritou, sentando-se novamente no banco, uma vez que havia caído no chão do carro.
– Desculpe! Falamos disso lá em baixo!- pedi, enquanto fazia o carro girar mais devagar, até que estávamos voando em círculos até chegar ao chão, quando pisei bruscamente no freio, fazendo o carro deslizar pelo asfalto até parar.
Havíamos pousado em um estacionamento abandonado, e eu havia parado certinho em uma vaga. Eu sou demais.
Todos saímos do carro meio tontos, por causa da minha descida legendária. E ainda estávamos rindo, até Hermes, que havia sido arrancado de seu sono.
– Foi incrível!- Apolo parabenizou, apoiando-se no carro e arrumando os óculos de sol.
– Aham. Mais da próxima vez que forem fazer isso, me acordem. Ok?- falou Hermes, que já havia recuperado o equilíbrio.
– Claro.- eu e o deus da música respondemos juntos, sorrindo.
Hermes suspirou.
– Ok, gente. Tenho que ir. — falou Apolo, entrando no carro e sumindo no horizonte.
–Para onde vamos agora?- perguntei, colocando minha mochila sobre o ombro.
– Para o aeroporto.- respondeu, mexendo no celular.
– Por que? Vamos viajar de novo? Mas acabamos de chegar!- falei, rápido demais.
– Ei! Calma! Não, não vamos viajar de novo. É que é mais fácil conseguir táxi no aeroporto. Agora, vamos?- meu pai falou, me acalmando.
– Ah tá. vamos.
Ele nos teletransportou até o aeroporto, onde tomamos um café e pegamos um táxi, que nos deixou na porta de um hotel. Caminhamos até o balcão da recepção, onde meu pai começou a falar com a recepcionista, que entregou o cartão do quarto.
Após descansarmos um pouco e comermos algo, saímos para assistir a corrida. Pegamos pipoca, refrigerante e hambúrguer, e nos dirigimos ao nossos lugares. Desde pequenininha, eu sempre amei assistir corridas. E todo ano, no meu aniversário, Hermes me levava para assistir uma corrida, seja de carros, cavalos, pessoas, robôs ou qualquer outra coisa.
– Grande corrida, né?- comentou o deus dos ladrões, enquanto voltávamos a pé para o hotel.
– Sim, mas espero que o Billy esteja bem. Aquilo foi feio.- falei. Billy era um cara que havíamos conhecido na fila da pipoca, que havia escorregado na arquibancada e rolado pelas escadas.
– Ah, ele vai ficar bem, só torceu o pé. O cara é sortudo. Agora, o que acha de irmos comer sushi?- ofereceu.
– Eu ia adorar.- sushi era minha terceira comida favorita, perdendo apenas para bolo e pizza.
Paramos em um restaurante de sushi e pedimos dois temaki e duas porções de hot Philadelphia com shoyu e gergelim.
– O que faremos amanhã?- indaguei.
– Você vai me ajudar com uma pequena entrega e então vamos ao parque de diversões. Agora tem touro mecânico.- comentou, tomando um gole de refrigerante.
– Nunca andei em um touro mecânico... Vai ser perfeito!
– Só não vá sair voando.- brincou, bagunçando meu cabelo.
Terminamos de comer e voltamos para o hotel, pois já passava das dez horas da noite e teríamos que (Argh) acordar cedo novamente no outro dia.
Saímos logo após o café da manhã para entregar umas caixas para Íris em uma filial da P.E.V.O.A.I. Era um lugar bem organizado, e bastante colorido. Haviam bolinhos, barrinhas de cereal, bolsas, casacos, óculos, sapatos, prismas e tudo aquilo que você puder imaginar pintado com cor de arco íris.
– Com licença.- falou meu pai, entrando na loja com uma caixa em mãos.
– Hermes! Como vai? Deixe-me pegar isso.- cumprimentou ela, pegando a caixa e guardando atrás do balcão.
– Como vai a loja?
– Ah, excelente! Hoje de manhã chegou um novo carregamento de bolinhos de aveia. Quer experimentar?- ofereceu, arrumando algumas prateleiras com bonés da P.E.V.O.A.I.
– Parecem incríveis, mas se lembra da minha filha Isabelle?- perguntou meu pai, esquivando-se sutilmente dos bolinhos.
– Ah! Izzy, olhe só para você! Está tão crescida!- exclamou a deusa, me abraçando.
– Olá Íris.- cumprimentei sorrindo.
– Eu tenho um presente para você! Espere um pouquinho. Coma u bolinha de chocolate sem açúcar e sem gluten enquanto espera.- falou, indo para os fundos da loja.
Logo ela voltou com uma caixinha branca em mãos. Dentro dela havia um colar de couro, com um cristalzinho multicolorido.
– Ah, muito obrigada Íris! É incrível!- agradeci, colocando o colar de volta na caixinha e guardando na bolsa.
– Fico feliz que tenha gostado.- sorriu.
– A-ha-ham.- meu pai interrompeu.- Os papéis.
– Ah, sim! Sou tão distraída. Aqui está.- comentou, assinando um recibo e entregando alguns dracmas para Hermes.
Logo que saímos da P.E.V.O.A.I fomos almoçar. Mas claro que não conseguimos escapar de experimentar alguns dos bolinhos de aveia.
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