Notas iniciais
Olá leitores... Demorou, mas o capítulo tá bem grandinho... Não justifica, mas compensa... E vamos comentar, pessoal... Me deem um pouquinho de inspiração... Nem que seja o carinha pra eu saber que ainda tem alguém aqui... Enfim, boa leitura...

Dia Seguinte, Casa do Derick...

Exatamente 12h30min as rodinhas do skate de Francine passaram pela portão da casa do namorado, não precisava se anunciar naquele dia. Deixou o skate na varanda e foi para a cozinha onde contemplou uma imagem que quase a fez babar: Derick com o abdômen definido exposto e o boné para trás, deixando apenas um pouco de cabelo cobrindo parcialmente cobrindo parcialmente sua sobrancelha esquerda, enquanto mexia o arroz dentro de uma panela de cor prata.

Francine: _Uau! –disse alto fazendo o moreno se sobressaltar. –É essa cena sexy que vou encontrar depois do trabalho quando a gente casar?

Derick: _Deixa de ser tapada. –respondeu assumindo um vermelho tão escuro que superou o marrom, natural de sua pele. –É que ta quente hoje e eu não quis vestir camisa.

Francine: _Eu realmente REALMENTE não vejo problema nenhum. –a castanha secava tão intensamente o namorado que ele ficava a cada segundo mais vermelho. –Nenhum mesmo.

Derick: _(risos). Besta. Você ainda vai ver muito esse tanquinho na sua vida, então já pode parar de me secar, valeu?

Francine: _Claro. –apesar da palavra não ter traços de ironia no tom em que foi dita, os olhos da castanha recusaram a se desviar. –Então. Porque tá escravizado na beira do fogão no seu aniversário, meu bocozinho lindo?

Derick: _Nada. Agora que aprendi umas manhas, to adorando cozinhar. Mamãe e tia Mariana tão arrumando as coisas pra minha festa lá no quintal, então não custa nada eu fazer uma comidinha boa pra elas. Pra agradecer.

Francine: _Own. Como meu namorado é bom moço. –Francine se aproximou e beijou a bochecha de Derick.

Derick: _É. Digamos que você é sortuda. –Derick recebeu um tapa no braço que o fez rir antes de puxar Francine pela cintura e beijá-la com muito amor.

Francine: _Você é um idiota. Mas te amo de montão.

Quase Três Horas Depois, Casa da Danielle

Danielle estava sentada no colo de Lídia enquanto suas línguas travavam uma batalha voraz pelo comando daquele beijo que fazia o ar parecer desnecessário.

As mãos da morena passeavam pela pele alva da loira por vezes arranhando de leve com as unhas curtas. Seus corpos estavam tão quentes que pareciam estar em chamas. Quando o ar realmente fez falta, Danielle se afastou alguns centímetros do rosto de Lídia.

A skatista contemplou o rosto de sua não-namorada-mas-algo-sério. Os olhos outrora tão cristalinos quanto uma piscina estavam mais escuros e nebulosos, lindos. Os lábios outrora rosados e delicados estavam vermelhos e levemente inchados, atrativos. Lídia mordeu o lábio e Danielle não resistiu a voltar a beijá-la mesmo que seus pulmões mal tenha tido tempo de recuperar um pouco de ar.

Mas o toque do celular de Lídia as fez parar o beijo.

Lídia: _Meu celular.

Danielle: _Deixa tocar.

Lídia: _É do toque da Monique. Se eu não atender, ela me mata.

Danielle: _(grunhido). Tá bom. –muito a contragosto a loira saiu do colo da morena e sentou na ponta do sofá com as pernas cruzadas.

“O que tu quer, broaca?” –L

“Saber cadê tu, ridícula.” –M

“Na casa da minha amiga Dani.” –L

“Deve bem estar se agarrando com essa tal de Dani.” –M

“Estou” –L

“Eca. Não precisava confirmar. Vem pra casa que vou te arrumar.” –M

“Me arrumar pra quê?” –L

“A festa do D.A., né?” –M

“Aaaaaaaaaaaah é.” –L

“Aaaaaaaaaaah é.” –M com uma voz idiota. –“Vem logo, broaca”

Monique não esperou resposta antes de desligar. Lídia nem queria rir, mas acabou rindo.

Lídia: _Tenho que ir, Dani.

Danielle: _Ah, fala sério. Por quê?

Lídia: _A Monique vai me arrumar pra festa do Derick.

Danielle: _Mas ainda são (verificando) 15h10min.

Lídia: _Mas você não conhece a Monique. Mesmo a fantasia já escolhida, ela ainda vai querer fazer minhas unhas, brigar até eu perder a paciência e concordar em usar um salto, fazer uma parada sinistrona no meu cabelo e me maquiar.

Danielle: _Desnecessário. Você é linda.

Lídia: _Eu sei, mas a Monique é a Monique. Não tenho argumentos com ela. E, veja pelo lado bom, dessa vez não fui eu quem deu o banho de água fria.

Danielle: _Como se não valesse a pena depois do incêndio.

Lídia: _(suspiro sonhador). Oh se vale a pena. Mas tenho mesmo que ir. E você vai me dar um beijinho de tchau bem inocente, mocinha.

Danielle sorriu com doçura irônica e Lídia pensou “não mesmo”. A loira puxou o colarinho da morena e lhe deu um beijo de deixar as pernas bambas.

Danielle: _Agora vai lá ficar o resto da tarde se arrependendo de não ter ficado. –sorriu abertamente com certa alegria de saber que Lídia iria mesmo ficar assim.

Lídia: _Você é má. Mas eu te amo de montão.

Lídia pegou a mochila e o skate, Danielle a acompanhou até o portão e ficou observando até que a morena virasse a esquina.

Lídia não gostava se andar por lugares onde havia a possibilidade de ter muitas pessoas, mas depois de ter a popularidade imposta pela presença de Danielle no grupo ao qual fazia parte, pessoas já não a incomodavam tanto, então a morena não se importou de cortar caminho pela praça que havia ali perto. O carrinho poupava bastante tempo, então não demoraria a chegar em casa.

Se não fosse um semi-grito lhe chamar a atenção fazendo-a por o pé no taill parando o skate bruscamente quase caindo. –Assumiu o skate, Leãozinho?

Aquela voz, embora um pouco mais madura, só podia pertencer a uma pessoa no mundo, mas Lídia se recusava a acreditar em seus ouvidos porque não era possível aquela pessoa estar ali.

–Sim, é a Camila. Agora venha aqui e me abrace. –novamente o sotaque nordestino vibrou nos tímpanos da morena e um sorriso se espalhou por seu rosto antes mesmo de se virar e contemplar a figura pequena e bronzeada de sua melhor amiga.

Lídia correu e levantou Camila, girando-a no ar.

Camila: _Ah, para. –pediu rindo. –Sabe que eu odeio isso.

Lídia: _Odeia só porque te lembra que você é bem pequenininha, mas aposto que sentiu falta. –disse enquanto colocava os pés da amiga no chão, mas sem se separar do abraço.

Camila: _Sentir eu senti. –confirmou apertando o corpo pardo contra o seu ainda mais. –Mas você não precisa saber.

Lídia: _(risos). Você não mudou nada, pelo visto. –replicou a morena soltando a castanha e indo pegar o skate no chão. –Vem, vamos sentar.

Camila: _Tu emagreceste ou é impressão minha?

Lídia: _Na verdade, desde a ultima vez que te vi eu emagreci, engordei, emagreci, engordei, emagreci, engordei. Mas acho que to agora to gordinha do mesmo jeito.

Camila: _Gordinha com G de gostosa.

Lídia desenhou um V no ar. –Confere.

Depois do riso conjunto, a conversa fluiu como se fossem dois dias de distância e não dois anos e meio que não se viam.

Camila: _AiAi. –disse depois de uma longa gargalhada. –Porque mesmo que as coisas não deram certo entre a gente?

Lídia: _Hum. Porque a minha mãe te odiava, a sua só me suportava, a gente tinha que pegar três ônibus pra poder se ver e nenhuma de nós duas queria nada sério. Além, é claro, de depois você ter se mudado pro outro lado do país.

Camila: _(risos). Ah é. Epa! Espera aí. Você disse querIA?

Lídia: _Disse.

Camila: _Sinto cheiro amor no ar.

Lídia: _Sim. Estou amando.

Camila: _Awn. Que fofo. Menino ou menina?

Lídia: _Menina, né? Meninos pra mim eram mais diversão. Não acho que perderia tempo me apaixonando por um. Não que eu tenha tido muito escolha com a Dani.

Camila: _Hmmmmmmmmmmm. Dani. Tem foto? –Lídia sorriu e tirou o celular do bolso mostrando o bloqueio de tela. –Oooooooooooh. Além de o seu primo ter feito a gente assistir Sharkboy e Lavagirl trezentas mil vezes aos 12, eu assisto PLL, gata. Reconheço a Sasha.

Lídia: _(risos). Parece, não é. Isso é porque você ainda nem conviveu com ela. São praticamente gêmeas, mas essa não é a Sasha. É a minha Danielle.

Camila: _Qual é, Lid? Olha até o sorrisinho cínico. É a Sasha.

Lídia: _Olha só. –Lídia destravou a tela e entrou na galeria onde haviam muitas fotos dela de pijama com uma vasilha de pipoca sorrindo para a câmera, fazendo comida, dormindo, enfim, muito íntimas para um fã ter, mas Lídia foi logo abrindo as que elas estavam abraçadas ou se beijando. –Convenhamos, amiga, ninguém é tão bom no photoshop.

Camila: _Caramba, elas são idênticas. Se não fosse essas fotos, eu juraria que você idolatrava a Sasha.

Lídia: _Você sabe que as loiras não são exatamente o meu tipo, mas a Dani simplesmente foi entrando de um jeito discreto até que não tivesse mais jeito de sair do meu coração.

Camila: _Mas pra namorar nenhuma fazia, né Lid? Nem mesmo eu.

Lídia: _Bom, a gente não namora.

Camila: _Como?

Lídia: _A gente ta num relacionamento sério, mas... –então Lídia contou toda a história Dadia para a nordestina que por vezes ficava de boca aberta com aquela loucura. –Mas eu amo demais essa loira, Camila. Demais mesmo.

Camila: _Uau. Nem te conto que eu to num relacionamento semi-sério.

Lídia: _Você, Camila Figueiredo?

Camila: _Pois é. Eu também to boba comigo mesmo. E mais. –Camila disse alguma coisa em linguagem de sinais.

Lídia: _O que?

Camila: _Eu disse que ela é muda.

Lídia: _Mas hein? Tá brincando, né? –(linguagem de sinais). –O que?

Camila: _-Não, eu estou falando seríssimo.

Lídia: _Mas como é essa história?

Camila: _Bom, tudo começou por causa de uma amiga minha, a Natália. Você sabe que eu gosto de fazer amizade com gente deslocada e ela era uma. Quando me aproximei, descobri que ela era surda. Mesmo assim quis ser amiga dela. Ela conseguia ler os lábios, mas no meu caso era mais difícil por causa do jeito e velocidade de falar, então eu decidi fazer o curso de libras. Lá eu conheci a minha menina, Esther. Ela tava fazendo o curso por causa do acidente que fez ela perder a capacidade da fala.

Lídia: _Nossa.

Camila: _É. Deixa eu terminar. Ela aprendia tão rápido quanto eu e ficou fácil pra gente se comunicar, assim surgiu o trio com uma surda, uma muda e uma míope. A nossa amizade era sincera, então elas duas sabiam de todos os meus casos praticamente. Só que a Esther veio se chegando pra mim e a gente começou a ficar. Quase como eu e você na nossa época. De primeira eu tentei não me envolver com ela porque ela podia se envolver e sendo muda ela já tinha problemas demais, mas depois eu me toquei que ela só queria ser tratada como uma garota normal, então o risco de ficar comigo era dela. E o que acontece?

Lídia: _Você mesmo se apaixona.

Camila: _Exatamente. E ela não sabe disso, só quem sabe disso é a Natália, mas eu pedi pra ela não contar nada. Eu tenho medo de ela não sentir a mesma coisa ou dela ter medo de namorar comigo por saber de todos os meus casos.

Lídia: _Você ta mudando por ela, não ta?

Camila: _To.

Lídia: _Não ta ficando com ninguém além dela, né?

Camila: _Claro que não, mulher. Se eu to apaixonada, tem nem como ficar com mais alguém além dela.

Lídia: _Não me chame de mulher. Olha, se você mudou e ela é tão sua amiga assim, ela já deve ter reparado nisso, de qualquer forma. E mesmo que não, gata, arrisca. Se tu ficar com covardia, alguém vai furar tua vez na fila.

Camila: _Meu Deus! Como o tempo mudou a gente.

Lídia: _(risos). Verdade. Mas não tem nada melhor que o amor. –Camila deu um tapinha no rosto de Lídia. –AI. Porque fez isso?

Camila: _Não lembra que a gente combinou que se um dia alguma de nós dissesse isso, a outra lhe daria um tapa? –Lídia riu e assentiu. –Mas deu fraquinho porque vou já levar um também. Concordo contigo. Não existe nada melhor que o amor.

Lídia deu um tapinha em Camila e lembrou-se subitamente que já deveria estar em casa a uma hora atrás.

Lídia: _TaQuePariu. Monique vai me matar.

Camila: _Por quê?

Lídia: _Hoje é niver do D.A. e era pra eu tá em casa que ela vai me arrumar.

Camila: _(risos). Vai que matar mesmo.

Lídia: _Poxa, mal seu tempo de matar a saudade. Mas aparece lá, o endereço dele é o mesmo ainda e penetra você sempre foi.

Camila riu e assentiu. Ambas levantaram do banco e se abraçaram forte.

Lídia estava tão feliz sem saber que naquela mesma praça, por mero acaso, Natasha ia passando e parou para tirar algumas fotos ao ver a possível namorada de sua “amiguinha” loira ali na praça cheia de risinhos e intimidades com uma menina pequena e bronzeada. E com certeza ela usaria essas fotos.

Notas finais
E aí? Amei a parte Derine... O que foi aquela parte Dadia? Deu até calor, meu Deus... Gostaram da Camila? Eu já gostei dela pk me amarro em gente baixinha... Me deem opiniões... xoxo atenciosamente, Déborah Guedes