A História De Nós 2-Segura Em Suas Mãos

24 Capítulo 23,9- A Festa Cheia de Ação


Notas iniciais
Olá leitores... Isso é o que eu posso chamar de um capítulo enorme... Pensei em dividi-lo em dois, mas sabe-se lá quando vou poder postar de novo... Espero que gostem dele... Eita emoções... P.s>: Já tava com essa ideia em mente antes do ocorrido, mas que fique como uma homenagem ao maior motivo divertidor da minha infância... Enfim, boa leitura...

A frente da casa de Derick estava organizada de uma maneira que Amanda não entendeu assim que chegou à casa do moreno. Havia algumas mesas, mas pareciam poucas considerando o tanto de pessoas que o skatista havia convidado e isso deixou a morena confusa.

Amanda: _Hey, Chavinho. Feliz aniversário. –disse sorrindo para o amigo assim que o viu.

Derick: _Oi, Amanda. –replicou retribuindo o sorriso. –Não sei se você tá mais fofa ou gata com essa fantasia de fadinha. Você e a Samara querem matar os heteros de inveja, não é?

Amanda: _Não. Não necessariamente só os heteros. As lésbicas podem morrer de inveja também. E nada contra as heteras terem uma invejinha básica também, assim quebra o argumento de que sou assim “por falta de homem”. –ambos deram risada do comentário de Amanda, então a morena tornou a falar. –Sei que acertei o seu presente porque a Sam me ajudou a escolher.

Derick: _Então é quase certo que você acertou. A sua namorada chegou, só que ta na mesa com a família. Quer que eu a chame discretamente pra você?

Amanda: _Eu agradeceria muito.

Derick: _Okay. –mas ao invés de ir discretamente, Derick apenas virou o corpo e gritou. –Sammy! Sua namorada chegou!

Samara olhou no mesmo momento, podendo perceber Amanda dizendo “idiota” enquanto estapeava um Derick risonho.

Samara: _Parabéns, Derick. –Samara, fantasiada de colegial, se aproximou socando o braço do (por alguma razão desconhecida) melhor amigo. –Nem começou direito a festa e você já conseguiu deixar meu pai com cara de pastel.

Derick: _Apesar de achar engraçada a sua cara, eu não fiz isso por brincadeira. Eu sei que você não gosta de não poder agir normal com ela perto da sua família, então eu to impondo isso aos seus pais. Uma hora eles vão ter que se acostumar.

Samara: _Primeiro que a minha mãe já ta quase acostumada com isso, ou ao menos tenta estar. E, acredite D.A., comparado ao começo, papai tá fazendo um grande progresso. Agora vai lá falar com os meus sogros que estão entrando que eu vou roubar essa mocinha um pouquinho. –sem esperar resposta, Samara puxou Amanda pela mão.

Amanda: _Ow. Tchau, Alex.

Sarah estava indo fazer alguma brincadeira com a cunhada, mas parou e voltou do meio do caminho ao ver que as garotas estavam se afastando para um momento mais particular.

Samara: _Você ta maravilhosa. Depois de tanto tempo, você ainda consegue fácil fácil tirar o meu fôlego.

Amanda: _Você ta perfeita. Dois anos desde o nosso primeiro beijo e eu ainda sinto as borboletas enlouquecerem no meu estômago sempre que estamos perto. Me sinto a pessoa mais feliz do mundo quando olho nos seus olhos e vejo refletido o amor que sinto, porque você é o espelho da minha alma e a melhor parte do meu ser.

Samara: _D-droga. Você tem me-me-mesmo que me deixar sem palavras sempre?

Amanda: _(risos). É bom. –ambas as mãos de Amanda subiram ao rosto de Samara, acariciando com carinho. –Assim a sua boca linda fica livre pra eu beijar.

Samara: _Não precisa hesitar. –as mãos de Samara repousaram da cintura de Amanda enquanto os lábios da morena se uniam aos seus.

Amanda: _Mas, e aí? Porque o Alex ta usando tão pouco espaço? Eu o vi entregando convite pra pelo menos metade dos primeiranistas.

Samara: _A parte da frente é pra os familiares e amigos mais íntimos. Lá atrás tem uma tenda e vai rolar uma baladinha. O horário dos convites ta diferente pra quem não é íntimo, então depois de cantar parabéns os pais vão ficar por aqui e nós vamos pra lá. Não ia me vestir assim se não pudesse dançar Baby One More Time com você.

Amanda: _Ai meu Merlin. Só de pensar, o meu coração vai a mil. Não faz isso comigo, princesa.

Samara: _Ah, eu não fiz nada ainda. –Samara mordeu o lábio e sorriu de um jeito safado. –Mas pode me aguardar mais tarde. Agora vem, vamos sentar com a Sarah enquanto o resto da galera não chega.

Amanda: _A minha pequena notável ta aqui?

Samara: _Tá sim. Poxa, perdi a namorada até as 22h00min.

Amanda deu uma risadinha marota enquanto terminavam o caminho até a mesa onde estavam Isabela, Luis Eduardo e Sarah.

Enquanto isso, mais algumas pessoas chegavam à festa.

Derick: _Hey, se não é o meu amigo gay. –disse Derick com um tom zombeteiro.

Leonardo: _Acho que ta confundindo quem aqui dá mais pinta. –o loiro respondeu no mesmo tom. –E aí, cadê as bebidas?

Derick: _Tem refrigerante no...

Leonardo: _Refrigerante? Fala sério. Vai me dizer que não tem nem uma cervejinha?

Derick: _Tem pros adultos. Nós tomamos refrigerante. Ou energético.

Leonardo: _Qual é, cara? Eu sou seu brother desde a sexta série. Adianta o meu lado, só uma cerveja.

Derick: _Léo, se descobrem, eu que vou me ferrar.

Leonardo: _Ninguém vai descobrir. Eu não fico bêbado fácil, mano.

Derick: _Argh. Tudo bem, mas não agora. Quando chegar a hora de separar os adultos dos adolescentes, eu te dou uma latinha. Agora vai lá pegar um refrigerante naquele isopor grandão ali no lado da mesa do bolo.

Leonardo: _Vou te cobrar depois, hein? Feliz aniversário. –dito isso, o loiro saiu andando.

Derick: _Lídia! Eu nem tinha te visto.

Lídia: _Acabei de chegar. Aquela ali é o Léo?

Derick: _Ahan, por quê?

Lídia: _Ele escolheu a fantasia certa. Agora não falta mais nada pra ele ser um legitimo homem das cavernas.

Derick: _E você ta uma gracinha de anjo.

Lídia: _Sério? A intenção da Monique era que eu ficasse sexy.

Derick: _Dessa vez ela vem?

Lídia: _Vem todo mundo. Menos a mamãe, você sabe por quê.

Derick: _Melhor não falar sobre isso. Vou rebobinar a fita e voltar a falar da sua fantasia. Bom, até que o vestido ta sexy, sexy sem ser vulgar ou apelativo. Fica perfeito no seu corpo. Mas não dá pra olhar pra esse seu rostinho meigo rodeado de cachinhos e ainda por cima com uma aureola e não te achar a coisa mais fofa do mundo.

Lídia: _Não me chame de fofa. E muito menos de coisa mais fofa do mundo, seu bobão.

Derick: _Não culpe a mim, culpe a natureza. Ei! Aquela ali não é a Camila Figueiredo?

Lídia virou para trás sorrindo, então notou aquela expressão brava no rosto da nordestina que já reconhecia como “expressão ‘Lídia, você ta ferrada’”.

Camila: _Lídia, sua demente, como que tu não me avisaste que a festa era a fantasia?

Lídia: _Eu tava tão empolgada de te ver que esqueci. Minhas sinceras desculpas.

Camila: _Só não lhe bato porque não tenho certeza se você não ia gostar ou não. –Lídia ficou vermelha e Derick pigarreou para chamar atenção. –Ah, oi D.A.

Derick: _Camila Figueiredo. Quando tempo, hein? Não nos vemos desde...

Camila: _É, eu sei. Você ficou gatinho. Te pegaria se fosse a minha praia. Brincadeira. E aí, como você está?

Derick: _É, vejo que não mudou nada. Eu to muito bem. Namorando, inclusive. E você, como está?

Camila: _Ah, eu to chiquititas.

Derick/Lídia: _Não acredito que você lembra disso.

Camila: _Não tem como esquecer. Eu era a única nordestina daquela sala, mas todo mundo ficava falando chiquiTItas. Porque será, hein?

Lídia riu e foi a vez de Derick ficar vermelho.

Derick: _Qual é, Cami? Eu falei uma vez só, não sabia que ia pegar.

Camila: _Águas passadas.

Francine: _E aí, bocó? –Francine chegou interrompendo a conversa.

Derick: _Oi, tapada.

Lídia: _Vem, Cami. Não quero queimar os dedos segurando vela.

Derick: _Hahaha. Engraçadinha.

Lídia sorriu e saiu com Camila para dentro da casa para poderem conversar.

Camila: _E aí, cadê a sua garota?

Lídia: _Ainda não chegou, mas é isso mesmo que eu queria falar com você.

Camila: _Pois diga.

Lídia: _Quando a Dani chegar aqui, é melhor você evitar fazer contato físico comigo se eu não fizer com você primeiro.

Camila: _Pera aí? Como é que é?

Lídia: _Por favor, Cami. Acredite, vai ser melhor pra você e eu não vou ter que pagar por cada toque seu depois.

Camila: _Faço isso por você. Tu sabes que eu não tenho medo de nada.

Lídia: _Você não precisa ter medo dela, mas eu preciso, afinal, ela que é “minha dona” agora.

Camila: _Ai meu Deus. Não pensei que fosse viver o bastante pra ver a Lídia Santana pagando pau pra uma garota.

Lídia: _E nem vai. Ela não é uma garota, é a garota.

Camila: _Aff. Melosa. Agora me diga uma coisa, ela é mais alta que tu?

Lídia: _Sim. Não deve ser mais que 8 cm mais alta que eu, mas é sim.

Camila: _O que aconteceu com o seu suposto tipo.

Lídia: _Chama-se pagar a língua, meu bem. Eu não a escolhi, o destino escolheu ela pra mim. Agora vamos que ela já deve estar chegando.

Camila: _Eu vou dar um giro por aí pra ver se encontro alguém dos velhos tempos e você me procura quando a sua Dani chegar.

Lídia: _Ah, esqueci de falar. O seu gaydar tava certo e eu meu errado de novo. A Samara, aquela ruivinha amiga do Derick, é lésbica mesmo e agora ta namorando uma morena muito linda chamada Amanda.

Camila: _Eu sabia. O meu gaydar nunca falha. Já você precisa comprar um óculos sensitivo porque o seu gaydar é tão míope quanto você.

Lídia: _O que o seu gaydar disse sobre a Cine, namorada do Derick?

Camila: _Hetero.

Lídia: _Sério? Hetero mesmo? Nem um pouquinho inclinada pra Bi?

Camila: _100% hetero, sem a menor dúvida.

Lídia: _Essa eu acertei. Viu? De vez em quando o meu gaydar decide funcionar.

Camila: _Okay, pode ficar feliz pela confirmação mística da grande e poderosa Camila.

Camila e Lídia saíram por lados diferentes e, mesmo sendo só os íntimos, Derick era um garoto legal e o local já estava cheio de amigos, então na busca por Danielle, Lídia perdeu totalmente Camila de vista.

Danielle havia passado em uma farmácia para por créditos no celular antes de ir à festa de Derick e por essa razão, chegou do lado oposto ao que Lídia esperava. Ao dar uma circulada pelo local em busca do ex-ficante para lhe desejar feliz aniversário, Danielle acabou avistando um pouco de longe uma garota baixinha que parecia de alguma forma familiar, chegou mais perto discretamente e ficou observando a garota até se lembrar de onde a havia visto.

Flashback Onn

Danielle havia acabado de chegar à casa de Lídia e a parda abriu o portão apresentando sua figura aos olhos da loira.

Lídia: _Oi, Dani. Entra, fica a vontade. Eu só vou pentear o cabelo e já volto.

Danielle: _Eu prefiro ficar no seu quarto com você. Não me sinto bem ficando sozinha na casa de outras pessoas. Fico pensando que elas vão ficar pensando que eu dei uma xeretada discreta como nos filmes.

Lídia: _Mas o meu quarto ta uma zona. Do jeito que você é organizada, não tenho certeza de que vai querer ver o meu centro de bagunça.

Danielle: _Desde que eu ache o chão, não tem problema.

Lídia: _Okay, então vem comigo.

Lídia guiou Danielle até seu quarto nos fundos da casa e a loira ficou impressionada com a falta de organização de uma garota tão nerd. Apenas um canto óbvio do quarto não estava uma completa bagunça, nele havia duas estantes com alguns livros perfeitamente organizados e um mural com fotos.

A loira observou as fotos atentamente enquanto a morena penteava os cachos, deixando-os o mais cacheados possível.

Lídia: _Se tivesse ficado na sala, eu não te pegaria xeretando só virando para trás.

Danielle: _Não estou xeretando. Estava olhando e isso me deixou surpresa.

Lídia: _Meu mural de fotos?

Danielle: _Sim. Eu reconheço quem é da sua família por causa das bochechas idênticas. Boa parte aqui não é da sua família. Pra uma garota... não vou dizer deslocada, mas, tipo assim, uma garota tão “na dela” quanto você, você tem muitos amigos.

Lídia: _(risos). Essas fotos são da sexta série. Essa garota aqui. –Lídia apontou para uma garota bronzeada bem no centro do mural. –Ela tem uma certa afeição por deslocados, então ela fez amizade com cada um de nós e nos fez virar uma turma. Foi um ano muito bom.

Danielle: _Quem é Dil?

Lídia: _Eu sou Dil.

Danielle: _O que isso quer dizer? Dil.

Lídia: _Eu era uma heroína dos fracos. O meu irmão, Edgar. –a parda apontou o moreno na foto, sem necessidade porque dava para perceber nas fotos que era o único irmão que Lídia tinha. –Tava fazendo curso de vigilante e me ensinava tudo quanto era golpe só porque eu me divertia com isso. Na escola eu defendia quem mexia com as minhas amigas. Com o tempo, os meninos não mexiam mais tanto porque as garotas logo diziam “Ei, vai mexer comigo? Eu chamo ‘o Lídio’ aqui e ele te dá uma surra”. Aí de Lídio, pra não ficar estranho, abreviaram só pra Dil.

Danielle: _Uau. A nerd já foi uma valentona.

Lídia: _Eu não era valentona. Só defendia as oprimidas dos valentões e chatos. Sou um herói.

Danielle: _Que orgulho.

Lídia: _Sinto falta deles. Todo mundo mudou de escola. Esse aqui é o Márcio, era deslocado porque todo mundo achava que ele era gay, mas a Camila dizia que não e ela não costumar errar essas coisas. Essa aqui é a Cintia, a garota mais tímida que já conheci na vida.

Danielle: _Quem é Camila?

Lídia: _A primeira que te mostrei.

Danielle: _Ah. Por ela ser a formadora da equipe que tem tantas fotos dela?

Lídia: _Não. A turma já sabia que ela não gostava tanto de tirar foto.

Danielle: _E porque tem tantas?

Lídia: _Comigo era diferente. A gente teve um lance e nos curtimos bastante. De todos do grupo, ela sem duvida é a que eu mais sinto falta.

Danielle: _Hm.

Lídia: _Ei, ei. Nada de ciúmes, okay? Eu e a Cami como casal ficamos no passado. E além do mais, não tínhamos nada mesmo. Só uma amizade forte e uns beijos de vez em quando.

Danielle: _Não parece diferente de nós.

Lídia: _A diferença entre minha relação com a Cami e minha relação com você é que com a Cami nenhuma das duas queria nada sério, com você só uma não quer nada sério.

Danielle: _Você sabe que não é assim. E vamos ou não fazer o trabalho?

Lídia: _Vamos. Vem.

Danielle: _Espera. Se não era mesmo nada de mais, porque pararam de se falar depois do término de seja lá o que vocês tinham?

Lídia: _A gente não chegou a terminar, ela só teve que voltar pro Ceará e perdemos contato, mas continuo tendo um tremendo carinho por ela.

Danielle: _Ah ótimo. Muito bom mesmo, Lídia.

Lídia: _Por favor, né Dani? Vamos logo fazer esse trabalho antes que você surte desnecessariamente por causa de uma amiga querida. Eu não falo nada sobre aquela sua amiga, a Esther.

Danielle: _Estephane.

Lídia: _Okay, chega desse assunto. Não quero brigar.

Danielle: _Okay. Desculpa.

Mesmo tendo se desculpado, Danielle passou o resto da tarde com um biquinho zangado que Lídia não sabia se causava mais raiva ou vontade de desfazer com um beijo.

Flashback Off

“Sua amiguinha ta no Ceará, né Lídia Santana? Você vai ver só quando eu te encontrar, você vai ter muito o que explicar pra mim.” –pensou a loira bufando e voltando a rodar a festa.

Cerca de meia hora se passou até que Lídia desistisse de esperar a figura da loira surgir no fim da rua e fosse procurá-la no meio do povo, talvez ela tivesse chegado pelo outro lado. Foi então que o queixo da morena caiu e a baba quase ia escapando de sua boca ao ver Danielle. Ela estava vestida de diabinha, uma diabinha muito sexy. Provavelmente aquela demônia loira era mais quente que o próprio inferno com aquela roupa curta e decotada.

Camila: _Vai sujar o seu vestido de baba, amiga. –disse a nordestina assustando a ex-ficante.

Lídia: _Caral**! Você viu com a minha loirinha ta gostosa. Acho que vou ter um troço.

Camila: _Pra tu falar um palavrão, é bem provável que já estejas tendo um troço. Vou dizer aqui com todo respeito. Ô lá em casa, viu?

Nesse momento, Danielle viu Lídia e percebeu a aproximação de Camila. A parda sorriu inocente sem saber que a loira estava fervendo de raiva. Danielle apenas manteve o olhar sério por um segundo e em seguida foi para dentro da casa, como um convite claro para que Lídia a seguisse.

Camila: _O que foi isso?

Lídia: _Droga. Você ta com o braço ao redor do meu ombro e só agora que eu notei. Me ferrei. Vem comigo. –Lídia puxou Camila consigo para onde Danielle estava. –Ei, não fica com essa carinha, por favor. Eu posso te explicar.

Danielle: _Explicar o que? A garota ta bem aqui na minha frente, o que é um claro sinal de que você, senhorita Lídia Guedes Santana, mentiu pra mim.

Lídia: _Não, não, nãnãnãnãnão, não. Você entendeu tudo errado.

Danielle: _Então me explica. Estou curiosa pra saber o quão engenhosa pode se a sua desculpa.

Lídia: _Eu não menti sobre ela ter ido pro Ceará. Acontece que ela voltou e eu encontrei ela por acaso quando tava indo da sua casa pra minha, nós conversamos e eu chamei ela pra vir pra festa pra poder apresentar vocês.

Camila: _Ela ta falando a verdade.

Daniella: _Não falei contigo. E você, quer mesmo que eu acredite? Vocês estavam abraçadinhas quando eu vi vocês.

Camila: _Escute um momento só, ciumentinha. A tua garota aqui tava babando por ti, eu a vi e fui lá fazer um comentário irônico cômico com o braço por cima do ombro dela porque é isso que as melhores amigas fazem, aí você viu a gente e nós viemos pra cá. Fim de papo, é só isso e ponto final. Agora podemos ser apresentadas oficialmente pra eu saber quem roubou o coração da minha melhor amiga?

Danielle: _Desculpa, eu só...

Camila: _Tava morrendo de ciúmes? Não se preocupe não. Eu também teria se tivesse um avião desses estacionado na minha pista. E eu tenho um avião estacionado na minha pista mesmo, então nem se preocupe de eu tentar roubar o seu. Amigas?

Danielle: _Amigas é uma palavra forte. Lídia, vamos lá pra fora tomar um refrigerante?

Lídia: _Ah, eu...

Camila: _Relaxe, mulher. Eu vim aqui pra conhecer sua menina e curtir a festa. Uma parte já foi, agora vou cuidar da outra. Até mais.

E Camila saiu assobiando como se nada de anormal tivesse acontecido, deixando a d.r. Dadia eminente para trás como se não soubesse de absolutamente nada.

Lídia: _Vamos lá tomar o tal refrigerante.

Danielle: _Ah, droga. –a loira apertou os olhos com força e concluiu a linha de pensamento. –Eu conheço esse tom.

Lídia: _Sim, estou chateada. Eu sei como você é desconfiada por natureza, mas isso, essa cena foi bem desnecessária. Eu sorri pra você no momento em que você olhou pra mim, como pode pensar mesmo assim que eu estava escondendo algo de você?

Danielle: _Eu não sei. Eu simplesmente não pensei. Ciúme é um sentimento, desse sentimento parte uma idéia. Não o contrário.

Lídia: _Eu sei. Droga, eu só... Eu sei que você tem um coração quebrado, Dani, mas eu sou um pote de cola, não um martelo. Eu não vou ferir você. NUNCA. Pode entender isso e confiar em mim? A Cami foi algo mais há muito tempo, mas agora somos só amigas. Eu gosto pra caramba dela, mas ela não é a garota com a qual eu tenho planos pro futuro. Essa é você, Dani.

Danielle: _Me desculpa por ser tão estúpida, okay? É que eu sei que, apesar de não me cobrar nada, você merece mais do que eu to te oferecendo. Eu te amo muito e o medo de te perder me faz perder a cabeça de vez em quando.

Lídia: _Você não é estúpida. Só age como uma. Mas ta perdoada, afinal, eu te amo demais pra ficar brava com você por muito tempo.

Danielle: _Você é mesmo um anjo. E, a propósito, você ta linda com essa fantasia.

Lídia: _E você ta muito gostosa com a sua.

Danielle: _E você ta muito, muito sexy.

Lídia: _Você ta muito, muito, muito linda, gostosa e sexy. Ai céus. Você é areia demais pro meu humilde caminhãozinho.

Danielle: _E quem disse que vai fazer uma viagem só?

A loira tinha um sorriso malicioso que completava o visual pecaminosamente sensual. Lídia não resistiu a se aproximar e tomar os lábios pintados de batom vermelho para si.

Lídia: _Eu provavelmente devo ter espalhado o seu batom de forma notável. –comentou Lídia ofegante com os olhos fechados e a boca apenas a um ou dois centímetro de distância da boca da loira.

Danielle: _Não se preocupe, esse batom não borra. A minha intenção era justamente te seduzir e depois te beijar muito depois da festa.

Lídia: _Não posso me envolver com uma diabinha como você. Sou totalmente pura e você me faria cair no mais ardente dos pecados.

Danielle: _Eu? –Danielle deu uma risada sexy e puxou os cabelos de Lídia, fazendo sua cabeça ir para, deixando o caminho livre para passar a língua pelo pescoço pardo finalizando com uma mordidinha no queixo. –Eu quero te mostrar o inferno e o paraíso, meu anjo.

Lídia: _Melhor eu sair daqui antes de fazer uma besteira.

Danielle: _Definitivamente é o melhor. –o tom de Danielle era a mais clara definição de sensualidade enquanto continuava provocando Lídia com mordidas leves por toda a extensão do pescoço. –Mas é isso mesmo que você quer?

Lídia: _Droga, Danielle. Assim você acaba com qualquer vestígio que eu tenha de autocontrole.

Danielle estava se divertindo com aquele joguinho, mas era muito perigoso estar ali, poderiam ser pegas pelos Santana, os Oliveira, os Pinheiro, por Francine, ou pior, por Leonardo. Tinha que parar com isso antes que ela mesma perdesse o controle.

Danielle: _Pode ir, anjinho lindo. Mas não pense que escapará de mim mais tarde.

Lídia saiu de perto de Danielle o mais rápido que pode. Foi direto para o banheiro, queria poder lavar o rosto, mas ao olhar para o espelho, lembrou-se, ou melhor, percebeu que estava de maquiagem e Monique a mataria quando chegasse se a pegasse sem maquiagem, então sua única escolha era se apoiar da pia e tentar estabilizar a respiração. Esperar o momento certo estava ficando cada vez mais difícil. O pratinho de “desejo” estava cada vez mais próximo ao peso do pratinho de “prudência” na balança a cada vez que se encontrava sozinha com aquela loira linda. Mas estava determinada a se manter forte e era isso que faria.

Quando conseguiu respirar normalmente e limpar o brilho labial “levemente estrado”, Lídia saiu do banheiro e voltou para a festa, bem na hora em que Monique e seus outros irmãos chegavam à festa.

Monique: _Cadê o brilho labial, broaca?

Lídia: _Bom... –um breve flesh do beijo passou pela cabeça de Lídia antes de responder. –Eu comi, era tão gostosinho.

Monique: _Meu Deus, parece que minha irmã tem 5 anos e não 15. Vem cá, deixa eu passar de novo. Mas não vai comer.

Lídia: _Sim senhora, patroa.

Monique terminou de passar o brilho em Lídia ao mesmo tempo em que Derick começou a perdir a atenção de todos para o parabéns.

Derick: _Vamos lá, pessoal. Eu quero o corinho bonitinho no três, hein? 1... 2... 3.

“Parabéns pra você...”

Samara: _Sarah.

Sarah: _...data quer... Fala, mana.

Samara: _Eu quero falar com você sobre uma coisa.

Sarah: _Pode falar.

Samara: _Não agora. Só queria logo te falar que queria conversar porque é um assunto que me deixa um pouco nervosa. Alias, é um assunto que deve mesmo me deixar nervosa.

Sarah: _Ai meu pobre coraçãozinho de irmã mais velha. Okay, quando quiser passar um dia ou uns dias lá em casa, é só dar uma ligadinha que as minhas portas estarão abertas pra você.

“...Rá Tim Bum! Derick! Derick! Derick!”

Alessandra: _Sam, vem tirar foto com D.A. –Samara sorriu e se aproximou. –Você também Amanda. Lídia, Francine. Sem timidez, hein? Sorriso.

E lá estavam as garotas ao redor de um Derick brincalhão fazendo poses como se fosse o tal por estar no meio de tantas garotas.

Derick: _Danielle, Camila, Lopez. Venham vocês também.

Camila se sentiu meio boba por ser a única sem fantasia, além de não gostar de tirar fotos e estar do lado esquerdo de Derick, longe de Lídia, sua verdadeira amiga, por motivos de segurança relacionamental. Já Maressa fazia milhares de poses, por vezes sorrindo e por vezes fazendo cara de cowboy durão.

Elisangela: _Amanda, abraça a Samara. Vocês estão lindas.

O clima estava tão descontraído que Amanda esqueceu a presença do sogro e passou os braços ao redor da cintura de Samara enquanto sorria para o celular da mãe.

Augusto: _Isso aí. Agora Sam vira e beija o rosto da Amanda.

Samara também esqueceu por um segundo a presença dos pais e fez primeiramente a pose que o sogro pediu e depois deu um selinho demorado na morena, que também foi registrado pelos celulares de Augusto e Elisangela.

Mas assim que a ruiva voltou a olhar para frente com um sorriso no rosto, deparou-se com o olhar duro e reprovador de Pedro que bufou e se virou. Samara não podia ouvir àquela distância, mas podia ter certeza que Mariana havia dito “Pedro, espera”, entretanto ele ignorou, indo em direção a entrada da casa.

Amanda: _O que foi, princesinha? –questionou ao perceber que a namorada havia passado de aminada para tensa em um segundo.

Samara: _Meu pai.

Amanda: _Ah. Escuta, amor...

Samara: _Não, não. Eu to bem. Só lembrei de sobressalto que ele tava aqui, mas o D.A. ta certo, uma hora ele vai ter que se acostumar.

Amanda: _Tá bem mesmo, princesa? Tem certeza?

Samara: _Tenho. Vamos continuar posando pros seus pais. Eles são os fãs #1 de Samanda.

Amanda apenas e riu e voltou a sorrir para os pais e também para os pais de Derick.

Derick: _Okay, okay. –gritou Derick depois de algum tempo. –Sei que sou lindo e fotogênico, mas ta na hora do rango. UHUUUUUUUU!

Houve uma onda de gargalhadas antes que a voz feminina de Samara trouxesse um momento divertenso (divertido e tenso) a tona.

Samara: _E o primeiro pedaço vai pra quem?

Derick: _Aaaaaaah. Desnecessário isso, né?

O moreno esperava o apoio de todos, mas ao invés disso houve um corinho ritmo “primeiro, primeiro, primeiro”.

Derick: _Okay, eu faço. O primeiro pedaço vai para...

Alessandra: _Não! Não é assim, primeiro tem que fazer um discurso. Né pessoal?

“Discurso, discurso, discurso.”

Derick: _Tá bom. Sei que isso pode deixar algumas pessoas chateadas. –antes de prosseguir, o skatista deu uma olhadinha para Samara e outra para Alessandra. –Mas a pessoa pra quem eu vou dar o primeiro pedaço de bolo é a minha namorada linda porque eu nem podia imaginar que uma pessoa que simplesmente inventou um número que acabou sendo o meu e começou a teclar comigo se tornaria o porto mais seguro, o ombro mais amigo, a pessoa mais amada e importante da minha vida e aquela com a qual eu teria planos pro futuro e que traria sentido pro meu presente. Te amo, tapada. Isso aqui é pra você.

Todos disseram “oooown”, exceto Leonardo que gritou “gay” causando uma breve ondinha de risos enquanto Francine se aproximava do moreno pegando o primeiro pedaço que deformava o bolo em formato de skate e roubando um beijo do skatista com título de namorado.

Depois disso, Alessandra, Elisangela e Mariana começaram a colocar os salgadinhos em pratinhos que todos foram pegando antes de ir para as mesas. Ou ficando por ali mesmo para poder pegar mais a vontade.

Derick conseguia deixar Leonardo menos insuportável, então o loiro pôde se sentar na mesma mesa com Amanda, Danielle, Francine, Lídia, Maressa e Samara.

Por mais que a ruivinha tentasse disfarçar, Amanda podia lê-la com precisão demais para não perceber que ela estava triste por Pedro não ter voltado de dentro da casa. Mas não disse nada para não invadir o espaço da namorada e deixá-la mais desconfortável ainda.

O DJ chegou às 22h00min, exatamente como o combinado e Derick gritou: –Maiores de 12 e menores de 18 para o quintal, agora.

Aos que chegaram depois, não era necessário dizer que a festa estava acontecendo na parte de trás da casa, pois era possível ouvir a música e ver as luzes coloridas escapando pelos lados da tenda.

Danielle observou que Camila se dedicava mais a dançar e se divertir que à Lídia e isso deixou a loira mais ou menos satisfeita, mas um incômodo constante permanecia em seu peito e não era por causa da nordestina. Bom, ao menos não totalmente.

Quando a festa se tornou realmente algo parecido com uma balada lotada de adolescente com latinhas de refrigerante e energético na mão, Danielle foi para dentro da casa, especificamente a mesa da cozinha. Alguns minutos, talvez muitos, já haviam passado ali quando alguém apareceu de súbito, assustando a loira.

Danielle: _Amanda? O que você ta fazendo aqui?

Pedro, que estava deitado no sofá tomando wisk quente direto da garrafa, fez menção de se levantar, mas parou de súbito ao ouvir a resposta da morena.

Amanda: _Estou procurando a Samara, ela ta mal.

Danielle: _Passando mal?

Amanda: _Não, ela ta mal emocionalmente. –Pedro ouviu uma cadeira sendo arrastada para e o corpo de Amanda cair sobre ela. –Ela tenta fingir que ta bem, mas esse negócio do pai dela ta acabando com ela e eu percebo isso.

Danielle: _(riso divertido). Sei bem como é isso. Ela ainda tem sorte.

Amanda: _Sorte

Danielle: _Sim. Além de ter uma mãe e uma irmã que tentam entender, ela ainda tem você que ta do lado dela pra passar por isso tudo.

Amanda: _Tem mesmo, eu to 100% com ela até o fim.

Danielle: _Viu? Sorte. Quem dera tivesse sido assim no meu caso. A minha mãe me destruiu. E a minha primeira namorada? (riso irônico). Ela me pegou as metades do meu coração partido e jogou no liquidificador.

Ouvir isso fez Pedro se sentir extremamente culpado. Mariana já havia dito que ele estava machucando Samara, mas ouvir desse jeito, sem intenção de ninguém, era pior ainda. E o que era realmente pior era que mesmo se sentindo um lixo de pai, a raiva por Amanda não diminuía mesmo assim.

Amanda: _Sinto muito, Dani.

Danielle: _Eu também. Eu tenho essas pecinhas do meu coração todas guardadas em uma caixinha e agora que tenho a Lídia pra colá-las, eu tenho medo de entregá-las à ela e ela as transforme em pó. E eu sei que não vai, sei que ela nunca me machucaria, que nada do que aconteceu no meu passado foi culpa dela, mas esse maldito medo não me abandona e eu acabado ferindo o coração dela por causa disso. A cada dia mais e mais e eu não sei o que fazer pra parar com isso. Eu não agüento saber que ela ta sofrendo por minha culpa.

Amanda: _Eu vejo nos seus olhos o quanto você ta angustiada. E eu te digo uma coisa, não vai ser fácil superar o seu medo, afinal, os sentimentos são praticamente impossíveis de se controlar. Mas se você não pode destruir, matar, sumir com o seu medo, vai contra. Luta com ele. Arriscar um pouco é melhor que perder tudo.

Danielle: _Não posso acreditar que, de todas as pessoas do mundo, eu to tendo essa conversa justamente com você.

Amanda: _(risos). É, eu sei. Não pense que eu to menos de olho em você a partir de hoje, porque eu to super atenta. Mas eu amo a Lídia pra caramba e, apesar de termos a mesma idade, eu tenho um cuidado com ela como se fosse minha filha, então eu só quero que ela seja feliz. E se ela escolheu você, eu não posso fazer nada além de torcer pra que dê certo. Mas te arrebento se ela sair de coração partido.

Danielle: _Pode deixar, sogrão.

Amanda: _Agora deixa ver se acho minha princesinha.

Danielle: _E eu vou fazer companhia pra minha nerd antes que algum marmanjo tente fazer isso por mim.

Amanda: _Isso mesmo, cuide da minha filha.

Desabafar com alguém deu um pouco mais de paz de espírito para Danielle e, embora ainda estivesse preocupada, Amanda também se sentia um pouco melhor depois daquela conversa. Já Pedro, o intruso despercebido, virou a garrafa de wisk na boca tomando o máximo que sua garganta desacostumada a álcool aguentou daquele líquido amarelo escuro. Depois de ouvir aquilo, começou a se sentir o pior pai de todos.

Notas finais
E aí, gostaram? Damanda, hein? Quem poderia imaginar... KKkkkkkkk... Quero comentário... xoxo atenciosamente, Déborah Guedes...