A História dos TeMaS

13 Vasto de Mensione, A Família Nobre - parte 3


– Nós vamos acampar na floresta que eu e o Eduardo vimos mais cedo, ela fica na cidade OaLaY. Todas as crianças estão de acordo? — Disse.

– Sim! — Disseram todas as crianças entusiasmadas.

Um garotinho pegou na minha calça e olhei para ele. — Moço, é a primeira vez que acampo, é legal fazer isso?

– Sem dúvidas; nós criaremos as cabanas e vamos arrumá-las para dormirmos, nenhum bicho irá te perturbar enquanto estiver dormindo. — Dei um sorriso para ele.

– Eu também nunca acampei, estou ansioso... estou ansioso! — Disse o Eduardo.

– Prometo que a sua primeira vez vai ser muito legal, Eduardo. — Estava feliz por poder fazer meu amigo contente.

– Esse seu sorriso é contagiante. — Falou a Emile, percebendo meu sorriso involuntário.

Não falei nada, apenas olhei para ela, ainda com o sorriso. Estávamos chegando depois de tanto andar. Saímos dos caminhos da cidade e entramos num campo com um gramado não tão alto, que dava até a floresta. Depois de ter passado de um colo para o outro, finalmente o Eduardo estava caminhando com as próprias pernas conosco, mas ainda haviam crianças que o tocavam enquanto ele andava.

– Por que essas crianças mexem tanto comigo?... tanto comigo! — Ele falou.

– Você é como se fosse um brinquedo para elas, essas crianças nunca viram um Pomper. Você parece um bichinho de pelúcia tanto pela aparência quanto pelo tamanho. — Disse a Emile e deu risadas em seguida.

– Então eu sou legal?... eu sou legal! — Perguntou com a alegria estampada no rosto.

– Claro que é, eu só não fico te apertando porque estou me contendo.

Entramos na floresta, continuamos caminhando até que encontramos um local que entre uma árvore e outra era mais espaçoso, permitindo que todos pudessem colocar suas cabanas.

– Vamos fazer aqui. — Falei.

– Vamos criar as cabanas, Vas. — Disse a Emile.

Nós dois, usando nossa existência, criamos as vinte e três cabanas. O Eduardo, muito feliz, correu para dentro de uma, as crianças em seguida correram e entraram em outras também. A Emile e eu nos olhamos e sorrimos com o entusiasmo de todos.

– Gente, antes de se aconchegarem nós faremos uma roda de conversa. — Falei.

Após aproveitarem um pouco, todos saíram das cabanas e foram montando a roda. Todos estavam sentados no chão, sentei em um canto da roda e a Emile em outro.

– Nós estamos agora no meio do que nos dá oxigênio para respirarmos e vivermos: as árvores. Elas podem ser destruídas facilmente, mas não só elas, um sentimento pode ser destruído facilmente também. Vocês já pensaram sobre a consequência da guerra que estamos passando agora? A guerra é o que pode destruir facilmente tudo isso que falei. Seus pais podem ser mandados para batalhar e você pode ficar dias sem vê-lo ou pior. Quero que vocês saibam o quanto é doloroso a guerra, nós não devemos aceitá-la e dar o nosso melhor nela, nós devemos dar o nosso melhor pela paz. Em nosso reino não criamos máquinas de guerra, vocês não têm obrigação de guerrearem agora, isso seria um absurdo. — Falei.

– Apesar do meu pai falar que eu não preciso treinar agora porque ele consegue defender todos em casa, eu treino porque quero poder lutar junto dele. — Disse um garotinho.

– Você gosta de treinar? — Perguntei.

– Não, meu mestre me deixa no limite sempre, saio com muita dor do treino.

– Os mestres de treino estão apenas querendo que um grande guerreiro apareça perante seus olhos -- um homem que não canse, bate os objetivos com facilidade, destaca-se nas lutas -- e se esquece dos melhores métodos de treinamento.Mas o pior é ter crianças como vocês que vão treinar e veem isso como obrigação.
Há treinamentos para pessoas que se interesse por lutas, nada abusivo, nada chato, mas não é para a idade de vocês.

– Eu não quero ir treinar mais, não estou aguentando... — Disse outro garotinho.

– Você não precisa treinar mais, ninguém de vocês precisam. Vocês estão dispensados agora, podem entrar em suas cabanas. — Terminei de falar e as crianças que há pouco estavam atenciosas no assunto, pularam para ficar em pé e correram felizes para as cabanas. Eu pude sentir que tirei um grande peso das costas dessas crianças.

– Belas palavras — a Emile tirou o breve silêncio -, eu sei que seu treinamento começou um ano atrás, você tinha 14 anos, foi quando a guerra entre as três famílias estava sendo declarada.

– Eu me lembro quando o Vas tinha começado a treinar... começado a treinar! — Falou o Eduardo.

– Sim. A corte propõe que o treinamento adequado deve ser feito para os homens e mulheres aos 14 anos. Como foi proibido o treinamento de crianças, não é a corte que monitora os locais de treinamento das crianças, isso é feito por pessoas de organizações que se qualificam como mestre, essas pessoas procuram por jovens talentosos para levá-los para a própria organização. Não se sabe o que fazem, mas a criança que é levada fica 24 horas fora e depois volta para seus pais e nunca mais é chamado para ir à organização novamente, mas ainda poderá treinar.

– Que estranho. Vamos dormir agora, já está tarde, logo não poderemos um ver o outro. — Disse a Emile.

Cada um foi para sua cabana. Fechei o zíper, me deitei e fiquei esperando ficar com sono. Meu objetivo aqui é conhecer um pouco da vida das crianças e como interagir da melhor forma com elas, acho que me saí bem.
Meus olhos foram fechando lentamente, eu já estava com muito sono e finalmente dormi.
Acordei com um barulho, ainda sonolento abri o zíper da cabana e olhei lá fora, tinham seis cabanas abertas. De uma saiu o Eduardo, tive a impressão de que ele estava machucado.

– Vas — começou a falar ao chegar perto de mim -, alguém me machucou e roubou a pulseira que você tinha me dado muito tempo atrás... muito tempo atrás! — Ele mostrou sua mão para mim e eu vi um corte horrível, se fosse mais fundo teria cortado a mão dele fora. Fiquei com uma raiva incontrolável, preferiria que machucassem a mim a machucarem meu melhor amigo inofensivo.

– Eu vou te ajudar a curar essa ferida, entra na minha cabana e não saia. — Disse e meu amigo obedeceu. Fui para perto das cabanas abertas e pude ver que nas cinco tinham marcas de sangue e as crianças estavam escondidas embaixo da coberta. A Emile abriu o zíper da sua cabana e olhou para fora desconfiada, quando me viu percebeu que tinha algo de estranho, pois ficou quieta, me olhando de forma atenciosa e apreensiva.

Expandi minha existência para saber se tinha alguma existência desconhecida entre nós. Percebi duas, uma é menor, está distante daqui, outra está...

– Droga! Saia daí, Emile! — Gritei!

Ela assustada foi tentar se levantar, de repente uma espada atravessa seu estômago.

– O que está acontecendo aqui? — Gritei mais alto ainda e corri na direção da Emile, a espada saiu de seu estômago e senti a existência desconhecida se distanciando. Preparei as linhas dos meus dedos e ataquei um pouco acima da Emile antes dela cair, cortei sua cabana e as árvores atrás dela. Peguei minha amiga no colo antes que caísse no chão.

– Emile, eu vou te ajudar, aguente firme. — Olhei em seus olhos que estavam quase sem vida, ela conseguiu dar um sorriso e olhou para mim. Não me lembro de ter sentido tanto ódio e tristeza ao mesmo tempo. Aquela existência desconhecida tinha esquivado do meu ataque e ainda estava aqui, agora se aproximava de mim. Pude ver seu rosto, feio e rígido, típico de um ladrão; estava usando um sobretudo roxo escuro e segurava uma espada sem a Knote de um Tranzer. — Não tenho motivos para te orientar sobre o certo e o errado. Errar e errar de novo, só que feiamente, é motivo de burrice.

– Você é o príncipe deste reino, só suas roupas já valem muito, imagine quando eu pedir o preço que eu quiser para o seu resgate quando eu te capturar. — Falou o ladrão.

– Tente se puder. — Deixei a Emile no chão e me levantei, olhando odiosamente para o homem a minha frente.

Rapidamente ele se aproximou e tentou cortar meu pescoço, me abaixei para trás e movi minhas cinco linhas da mão direita na direção dele. Estava bem próximo de pegá-lo quando ele esquivou, me recompus e me virei rapidamente, pois o ladrão já estava atrás de mim. Ele atacou rapidamente com a espada, perfurou minha mão e em seguida meu peitoral direito. Cuspi sangue, doía demais.