A Herdeira dos Sete Mares

7 Uma nova e nada doce irmã mais velha


Não, ele de novo não, aquele feiticeiro idiota que matou minha mãe e fingiu ser um cara lindo e legal não vai se sair bem dessa vez.

– Você tem duas opções, ou sai agora, vivo, ou sai depois, morto. — Ameaçou Luana com seu olhar perverso e penetrante, até eu fiquei com medo dela, mas ele riu.

– como é fofa, protegendo a irmã. — Comentou ele em meio de suas risadas.

Sinto que deveria falar alguma coisa... Mas prefiro ficar olhando, Luana tem cara de ser o tipo de pessoa que resolve tudo sozinha.

– Ela não é minha irmã. — Respondeu ela fitando-o. Se ela tivesse visão de raio laser, o cara estaria bem frito.

– Tsc tsc tsc, coitadas, foram privadas desta informação? Hahaha, isso que acontece quando se serve os deuses, se fossem seguidoras de Hécate, saberiam que são irmãs, mas foram separadas assim que a ruivinha inútil nasceu. — Ele disse com um sorriso, ok, continuo preferindo não falar, tem coisa melhor.

A raiva me cegou, literalmente, o cara que matou minha mãe é feio e me chama de "ruivinha inútil", aí é pedir para apanhar. Foi tudo muito rápido, minha visão ficou de embaçada para branca, senti a torneira da cozinha como se a segurasse, e então a puxei com força e a água que jorrava, eu a controlava, como se fosse meu braço, queria segurá-lo e sufoca-lo até morrer, eu o sentia perder a respiração...

– JULIANA PARA! — Gritou Luana e isso me desconcentrou, voltei a ver tudo normal e vi um braço de água se desmanchar e o feiticeiro cair no chão, buscando ar.

– Oops... — Falei mordendo o lábio, Luana puxou minha adaga que ganhara de minha mãe e a colocou no pescoço dele.

– Que papo é esse de irmãs separadas? — Ela perguntou fitando-o e apertando a garganta dele com a adaga.

– Sua mãe te deu pra uma família quando a garota nasceu, vocês são irmãs. — Disse ele com uma certa dificuldade.

– Deixe-me mata-lo. — Pedi. — Deixe-me vingar a morte de minha mãe.

– Ela também era minha mãe. — Falou ela e depois enfiou a adaga na barriga dele.

– Vocês perderão, Hécate é superior.- Disse o feiticeiro sangrando roxo e morreu.

Fiquei com raiva na hora que ela o matou, mas estava feliz por ele estar morto. Minha nova irmã limpou o sangue roxo na toalha da mesa, murmurou algo do tipo "não vão mais usar mesmo" e me devolveu a adaga.

– Se apresse, iremos de metrô. — ela foi em direção à Saída, peguei minhas folhas e corri atrás dela. Já estava acostumada. — Olha, sei que queria mata-lo, mas esse aí foi muito mas muito fácil, nenhum outro monstro você vai conseguir matar sem antes se ferir ou quase perder uma perna. Você não conseguirá matar muitas coisas só com seu poderzinho. Precisa de treino, e depois pode matar alguém, ir para uma missão e blá blá blá, mas antes de qualquer diversão, treino.

– E precisa de treino pra enfiar uma adaga na barriga do cara que matou sua mãe?

– Sim, muito treino.

Eu bufei em resposta, será que ela é sempre assim? Será que irei aturá-la sempre? Irmã mais velha é muito mais diferente do que dois irmãos mais velhos. Estávamos no metro Ana Rosa descendo aquela ladeira infinita.

– Porque não vamos pelas sombras de novo? — Perguntei, e ela me olhou de canto de olho e revirou os olhos.

– Deuses, eu não posso fazer isso o tempo todo, esgota muita energia e chama muita atenção. Os monstros podem nos rastrear, por Hades, como pode ser minha irmã?

– Ok, calma, eu descobri isso tudo hoje.

– Fala isso para um monstro quando ele vier te atacar, quem sabe ele fica gentil e te faz de sobremesa?

– Monstros, ok.

– Você sabe o que é um monstro né?

– Claro que sei, eu sei de quase tudo sobre mitologia grega.

– Quase não é o bastante.

– Ok, anotado! — Me diz que ela não é sempre assim!

Fomos para um bosque no Ibirapuera. Ficamos de frente para o lago, estava anoitecendo.

– Vamos logo, de noite é mais perigoso, feche os olhos e deixe a agua tomar conta de você.

– O quê? Porque?

– Depois que Hécate ficou "do mal" não temos a magia dela para proteger o Acampamento, então o único jeito é fazer os semideuses virem aqui e, com seus poderes, entrarem lá. Eu mergulho na terra, você, sei lá, o Vinicius fez isso uma vez eu vi a água do lago engolir ele, então faça isso e voltaremos para onde partimos.

Eu acho que havia entendido, porém estava muito cansada, vi Luana sumir na terra e pensei "porque não?", então e concentrei, fechei os olhos e relaxei, respirei fundo e senti o lago, meio sujo mas era água, e senti ela em meus pés e subirem até a cabeça, como se minhas veias fossem feitas de rios, e logo eu também era, abri os olhos me vi no mar, em direção à areia onde Luana se encontrava.

– Demorou muito, irmã. — chegando perto dela, eu apenas ri e cai em seus pés desmaiada.

De repente me vi numa praia, estava com uma saia e uma blusa, ambas brancas, sentada e com os pés na areia, esperando a onda atingi-los, quando um homem, moreno e bronzeado, com uma calça caqui e uma blusa havaiana sentou ao meu lado, eu o olhei, estudando-o, era até que bonito, aparentava ter seus 40 ou 50 anos, tinha olhos azuis, como o mar, e ao seu lado, na areia repousava um tridente da mesma cor que seus olhos.

– hmm, pai? — Perguntei.

– Ah, ainda bem, não terei que explicar essa parte para você. — Ele riu, e eu tentando parecer séria, ri também.

– Não, mas tem que explicar muita coisa.

– Bom, minha filha, Hécate, ela, bem, se voltou contra nós, novamente, e seus seguidores e filhos formam um exército grande e poderoso para derrubar os deuses, assim como aconteceu com Sckart, daquela vez conseguimos esconder a chave muito bem, mas o livro está com eles. você terá que achar a chave. e assim, a guardará com você. Tentaremos retardar a guerra no possível, vocês terão de ir até a ilha onde eles estão, e pegar o livro, assim destrua os dois, e será uma guerra ganha.

– Porque não posso simplesmente destruir a chave? — solução óbvia.

– Porque são mágicos, você só destrói o livro junto com a chave.

– E como destruo?

– Você saberá, na hora. — Ele disse e então se desfez em água e voltou para o mar. Eu, então, acordei.

Estava deitada numa cama d'água com algumas pessoas me olhando, logo senti o cheiro do mar, sentei na cama e vi que estava numa casa com muitas camas, no meio tinha um chafariz de um cara barbudo segurando um tridente, o local todo era enfeitado com o tema "Mar, praia e Poseidon".

– Marti! Ela acordou! — Berrou um garoto alto, moreno, com uma bermuda e uma blusa laranja, e usava um boné legal.

– Seja quem tu for, não grita por favor. — pedi ao garoto que aparentava ter seus 16 anos.

– Foi mal irmã.

Logo o Marti apareceu, ele estava sem seu arco e flecha, e um pouco machucado.

– Hey, bom dia flor do dia. — Ele riu. — Dormiu bem?

– Preciso responder?

– Não. — Ele deu uma gargalhada e se sentou na cama, balançando um pouco. — Esse é Gabriel Rezende, pode chama-lo de biel, Rê, Rezende ou sei lá inventa o que quiser. Esse é o Dan, Essa a Cy, Manu, e o resto está comendo.

– Ah, um dia eu memorizo, Vou chamar ele de Gabe, — Falei apontando pra garoto de 16 anos que havia gritado.

Marti me explicou algumas coisas sobre o acampamento separar os filhos dos deuses em chalés, que cada deus olimpiano tinha o seu chalé, e em cada chalé tem um conselheiro e somos o Chalé 3. e ele me pediu para me apresentar direito.

– Sou Juliana Ca... hm, Juliana Pimenta, tenho 14 anos, mas semana que vem é meu aniversário e, hm, só, sei lá.

Todos se apresentaram Dan tinha... Esqueci, acho que 16 ou 17 anos, gabe tinha 16, Cy tinha, não lembro mas era a mais velha, Manu tinha, acho que 15 e Marti tinha 19. Nós conversamos muito, achei todos muito legais e divertidos, logo depois entrou um cara muito alto, com a blusa laranja do acampamento e um boné, esse era o Adriano, acho que tem mais de 19 anos, não lembro também. Todos esses irmãos eram gentis e divertidos, mas a Luana era fria e até que engraçada, mesmo assim gostei dela, a forma como ela parece superior a tudo e a todos. Só queria uma irmã mais velha um pouco menos... Filha do deus da Morte...