A Herdeira dos Sete Mares

8 O Diário de Sckart


Amanhã é meu aniversário de 15 anos, quando ficarei mais forte e blábláblá. Normalmente as meninas que fazem 15 anos gostam de fazer uma festa enorme e cara, eu ficaria muito feliz em sobreviver até amanhã. Não por correr algum perigo de seres mágicos me atacando, mas por correr perigo de morrer nesses treinos. Nunca fui o tipo de menina filha de Afrodite, até os 10-11 anos, quando percebi que ninguém me passava a bola no futebol e quando ouvia as pessoas falarem "meninas não fazem isso", aí fiz o que toda menina de 10 anos faz, desisti. E desde então sou mais... Sei lá. Não sou mais a fortona de dez anos. Apenas a garota de 14 que, definitivamente, não sabe lutar.

Dan me ajudou, ou tentou me ajudar, nos treinos com espada, das 17:00 hrs até as 19:00 hrs fico treinando com ele na Arena, e das 15:00 até as 16:30 o Marti me ensina arco e flecha. Há, como se fosse fácil. Incrível como eles fazem tudo parecer tão fácil. Luana tentou me ensinar técnicas de defesa, com alguns insultos grátis nos treinos, claro, até que foi engraçado. Um garoto de Apolo, que todos admiram, Lyu, me ajudou com a adaga e como me portar num combate, um filho de Atena, Gustavo, me ensinou técnicas de combate, os treinamentos do acampamento são pesados, e tenho toda essa ajuda extra também, não sei se aprendi muita coisa, mas perdi alguns quilos. Gabe me ajudou como controlar esses poderes também, disse que posso invocar a água quando precisar, mas exige muita energia, também posso me fortalecer pela água. Cara, isso é demais!

Quíron ainda nos mantém segredo sobre a tal profecia, o que deixa minha curiosidade em alta, então decidi ver Marley no estábulo. Fui acaricia-la e lhe dar algumas maçãs.

– Hey garota, como vai?

"bem, está um tédio aqui, vamos dar uma volta no ar? Preciso esticar minhas asas, sabe, relaxar."

Eu ri, ainda é estranho falar com cavalos voadores, mas é legal.

– Não dá, é muito perigoso para quem não sabe se defender. Estou falando de mim, não de você.

"Tem medo?" concordei com a cabeça. "Entendo, mas... Hm... Hey, tem uma coisa aqui na minha sela para você"

– Aé? o que? — Disse indo em direção à sela de Marley que estava repousada ali perto. Quando vi, era a espada do Sátiro Gerson, ou o girassol de enfeite na entrada do acampamento. Ela era toda prata, e grande, magnífica. — Pra mim?

"Sim! Ele a estava guardando para você, é sua de direito."

– Que pena, não saberei usá-la. — Comentei devolvendo a espada à sela.

"Deixa de besteira! Leve-a para Quíron e ele confirmará. Ela é sua por direito!"

– Tem certeza?

"Já me viu estar errada?"

– Não, mas também nunca a vi estar certa. — Debochei em risadas, Marley bufou e bateu a perna no chão em protesto.

– Sabia que pode conversar com ela sem falar nada? Só pelo pensamento, vai parecer menos louca. — Comentou um garoto alto, lá pelos seus 1,70 m, moreno, com uma calça preta e a blusa do acampamento, ele carregava uma espada negra, ele tinha um gorro escuro, como seus olhos, e carregava um sorriso torto, malicioso.

– Prefiro ser louca mesmo. Aí combino com o lugar. — Disse rindo e acariciando Marley.

– Hum, Luana me contou sobre você, irmãs né? Isso é estranho, irmãs, uma filha de Hades e outra de Poseidon. Isso nunca ocorreu.

– Irmãs no acampamento?

– Não, Irmãs da mesma mãe, filhas de dois dos três grandes. Eu sou irmão da sua irmã, falando nisso.

– E como devo chama-lo? — Disse de braços cruzados de frente ao garoto misterioso.

– Descubra. — Disse enfim, então saiu do estábulo.

"mistério, gosto disso."

– Xiu Marley. — Peguei a espada na sela e fui em direção à casa gigante.. Não, Casa Grande, é, algo assim.

Quíron estava conversando com Lyu, filho de Apolo, temi estar interrompendo algo, mas invadi o local mesmo assim. Com expressão de surpresa de ambos, Lyu me cumprimentou.

– Hey, Pimenta, estávamos falando de você! — Ele segurava um livro de capa Marrom, ele estava nervoso e não podia esconder.

– Ah, que legal... Hm, Quíron, essa espada aqui, Marley disse que pertencia à mim. — Disse lhe entregando a espada, Lyu, que estava ao meu lado, pareceu reconhece-la.

– Quíron... Essa é...

– Sim Lyu, é.

Enquanto eles estavam trocando olhares, dúvidas e etc por pensamento, eu estava no meu estado "Bugada Brisada"

– É o que?

Quíron nos pediu para que sentássemos, ele, em sua cadeira de rodas ficou à nossa frente com a espada em seu colo.

– Esta, é a espada de Sckart, forjada no mar, Poseidon deu apenas duas espadas para seus filhos, elas tinhas intenção de serem passadas de gerações à gerações até chegarem a vocês.

– À vocês, quem? — Perguntei, já havia entendido que aquela me pertencia, mas, e a outra?

– Esta pertence à você, a outra, por ora sumida, pertence ao Marti. — Explicou Lyu. — E, Pimenta, temos outra coisa para você.

– Pelos deuses, o que? — Curiosa e cansada, mais curiosa, claro.

– O diário de Sckart, todos os Capitães da época tinham costume de ter seus diários, meu pai, num sonho, me indicou onde estavam, no sótão desta casa, já entreguei para o Marti o de seu ancestral. — Explicou Lyu enquanto me dava o diário, ele era grosso, teria mais de 400 folhas, com toda certeza.

– E eles me ajudarão para...?

– Você saberá, na fogueira, você saberá. — Disse Quíron.

Nunca fiquei tão curiosa quanto estava naquele momento. Ele então me entregou a espada, e eu fui em direção a saída.

– Ahn, Pimenta? — Chamou Lyu, eu me virei para escutá-lo. — Vai treinando com essa espada, tem muito a melhorar.

– Pode deixar. — Demos uma risada e eu fui embora,

Lyu era um cara muito legal, Tinha uns.. 17 anos? Não lembro, ele é alto, loiro e tem olhos claros, anda por aí com uma toga e bichos de pelúcia amarrados na cintura, chama muita atenção, principalmente das garotas que gostam de bichos de pelúcias.

Fui então para o treino de arco e flecha com Marti, ele era bom nisso, e eu quis aprender, afinal, não faz mal né? Já que não me dou com a espada, quem sabe eu teria um dom com o arco e flecha. Depois de errar três vezes seguidas naquela tarde, vi o quanto estava enganada.

– Você está muito tensa e não está mirando direito. — Comentou Marti.

– Senhor Óbvio, muito obrigada. — Marti me deu um tapa na cabeça.

– Olha como fala, estou gastando meu tempo com você. — Fiz um gesto de Rendição. — Bom. Enfim, Mire no centro, se posicione assim, agora relaxe, não os braços, os ombros! Isso, agora respire fundo e atire! — Atirei, não foi no centro, mas dessa vez não errei tão feio, de 0 a 100, diria que 10 pontos. — Estamos melhorando. Mas você está muito tensa, o que houve?

– Meus Deuses! — Exclamei jogando o arco no chão e caindo com ele.

– Calma! Só perguntei! — Se desculpou Marti sentando ao meu lado.

– Não é você! É essa tal de profecia, esses diários e essas espadas!

– Ah, você também recebeu o diário? — Assenti com a cabeça. — E que espadas? Você nem sabe lutar.

– Obrigada pela gentil observação Marti. Mas são duas espadas, uma destinada pra mim e outra pra você, a sua parece que está perdida.

– Legal, só comigo. — Rimos.

– Só com você, mas enfim, estou muito nervosa, curiosa, ah sei lá.

Ele riu, como se estivesse tirando sarro, mas eu sabia que não estava.

– Sabe, apenas relaxe, nade, cavalgue, leia, faça o que te relaxa ou ocupe sua mente com treinos de espada, porque você precisa. — começamos a rir, eu sabia que não me dava bem com nenhuma arma letal, ou qualquer outra coisa parecida, treino e muito treino me ajudariam a ser razoável.

Fomos treinar então, não fui muito bem, mas estava melhor do que antes. Depois encontrei com Dan, para treinar minha "luta", usamos espadas de madeira, se fossem de verdade, eu estaria mais do que morta. Demos uma pausa depois de uma hora, falamos de como é estranho e irreal tudo isso que nos acontece.

– E eu pensava que tudo era normal. Mas não, tem sempre uma lógica mais complexa e majestosa atrás de tudo isso. — Comentei com Dan.

– Sim, sabe, gosto de pensar que somos privilegiados, pensa, nós temos todos esses seres mágicos, toda essa compreensão e os mortais são tão ignorantes, limitados, sem ter noção do que nos acontece.

– Verdade. — Ri. — De fato é bom.

– Chega de papo e vamos treinar, depois um banho e direto pra fogueira! — Falou com tal animação, que me contagiou. Me via animada para mais uma hora de treino. — Não esqueça do que te ensinei, não baixe a guarda!

– Vou tentar.

Marti tinha razão, eu tinha que ocupar minha mente com treinos, o tempo passou rápido e eu me senti tendo um avanço, passei de inútil com armas, para ruim demais.

Antes da fogueira consegui ler apenas um trecho do diário de Sckart até Gabe me chamar, dando-me um susto. Me assustar virou um costume daquele chalé.

"Dia 1

Hoje é o meu primeiro dia como parte da Elite de Poseidon, tenho muitos segredos à desvendar sobre minha mãe, de fato ela era uma sereia e me deixou alguns poderes, a tamanha beleza que atraí todos os homens é um deles. Creio não alcançar a felicidade com tais dons, mas agora só me importa honrar meu pai, este é o dever de quaisquer semideus de Elite.

Mal pus meus pés em terra firme e sofri, junto com minha tripulação, um ataque de Quimeras, de longe pareciam meros leões mutantes, mas sofremos algumas baixas. Não foi um número alto, graças aos deuses. Na reunião de hoje, foi confirmado minha entrada. Muitos não aceitaram, mas respeitaram. Ninguém pôs fé em meu legado, e já não sei se, logo eu, deveria me por fé. Mas não hei de desistir no primeiro dia, se não for meu destino ser grandiosa, lutarei contra as Parcas para ser grandiosa."