A Herdeira dos Sete Mares

11 Presentes Milenares


É engraçado como sempre que você acha um navio no meio de uma praia, as pessoas ficam surpresas, como se nunca vissem um navio gigante surgir do nada... Praticamente todo o acampamento estava lá, até sátiros e pégasus. Ficamos todos olhando para o naviozinho, então Quíron chegou, também estava sem palavras. As pessoas pareciam que tinham parado de fazer o que estavam fazendo só para ver o navio, percebi pois vi Lyu com uma caneta na mão, parecia que estava escrevendo, e vi alguns semideuses com escovas de dentes nas mãos, aquelas chicks da oral-B.

– Pelos deuses... — Comentou Quíron apreciando o navio.

– Pois é, né? Eu que achei. — Sorri, me gabando, Quíron me olhou por um segundo e depois voltou seus olhos para o navio. — Bom, acho que temos já nosso navio, agora é só subir nele.

– Antes, revistem o navio, pode ser que seja uma armadilha. — Avisou ele.

– O.k., eu subo e vejo. — Falo

– Sozinha não Pimenta. Martinato, vá com ela.Se estiver certo, o navio pertence a vocês agora. — Marti surgiu em meio a multidão, largando sua escova de dentes.

Chamamos Marley que nos levou para cima. O convés era exatamente como em meu sonho, e a amurada era sustentada por tridentes, era cheio de velas e tinha uns oito ou nove mastros, subindo algumas escadas tinha duas cabines e um timão.

– Parece uma versão alterada de um Clipper. — Comentou Marti, e eu concordei.

– Todas essas velas o deixam mais rápido, Les Sckartès era o navio mais rápido de todos, e o mais moderno, na época. — Ele me olha curioso. — Eu fiz meu dever de casa. — Sorrio.

– Aquelas Cabines, devem ser nossas. — Falou indo para a cabine que tinha um "CM" na porta, e eu fui para a que tinha um "SK".

A cabine era muito grande. Tinha uma cama, uma escrivaninha, um armário, espelhos e um baú. Quando abri aquilo, vi algumas roupas e um chapéu, tudo indicava que pertenciam à uma Capitã, Sckart. Em baixo das roupas tinha vários livros de capa de couro, deviam ser os diários dela. Fechei o baú e deixei as roupas em cima dele, e andei por lá.

De certa forma era tudo tãolindo, estava tudo arrumado, como se ela tivesse arrumado tudo só para nós. Sem pó, como se fosse um navio novo, porém, eu sabia que aquele navio tinha mais de mil anos de história, foi passado de geração em geração, todos Sckarts. Piratas famosos e bem-sucedidos.

Decido ir até a cabine ao lado, e vejo Marti contemplando uma espada igual a minha, mas em seu punho tinha pedras azuis escuras, e no punho de minha espada, havia pedras azuis claras. Demorou um pouco, claro, mas vi que aquela era a sua espada, que pertencera ao Capitão Martinato.

– Achou? — Eu ri. Ele me olhou com um brilho nos olhos, e assentiu voltando seu olhar à espada. — Linda. — Comentei. — Vai levar ou vai deixar aí?

– Vou levar, mostrar pra Quíron. Ju, veja uma coisa aqui. — Ele pediu ogando a espada na cama de mil anos e me puxando para perto do armário, ele o abriu, lá havia um arco e uma aljava cheia de flechas, o arco parecia ser do mesmo material que a espada, e as flechas eram azuis, intercaladas entre claro e escuro. Ele as pegou e preparou seu arco, respirou fundo e atirou para o nada, logo apareceu uma flecha azul escura em sua aljava. Um estoque interminável de flechas...

– A é? E eu ganho o que? — Questiono como uma menina-mimada, claro, de brincadeira.

– Nada ué.

– Aff, injusto.

– A culpa não é minha, e não reclama que você tem um navio.

– NOSSO navio, vamos dividi-lo, lembra?

– Aé, como pude esquecer. — Comentou, eu sentei na cama, perto da espada dele, não que tenha sido difícil assimilar tudo, mas, eu estava meio zonza, esse foi o melhor presente de aniversário de todos. — Sabe o melhor dessas flechas? São perfeitas! Não são muito pesadas, e também são infinitas!

– Na verdade, elas retornam para a aljava.

– Da no mesmo.

– Vamos descer?

ele concordou, afinal tínhamos que mostrar aquelas coisas para Quíron, e depois, não sei.

– Espera. Não vimos se tem comida aqui. — Lembrou ele, já montado em Marley.

– Depois a gente vê isso, preguiça de descer lá. — Falei subindo em Marley.

Quando descemos, todos continuavam lá, como se o tempo tivesse congelado. Aterrissamos e Quíron veio trotando até nós. Olhou para as armas de Marti.

– Bonitas, vejo que as encontrou. — Ele sorri.