A Herdeira dos Sete Mares
14 Os três Reis Magos
Tentáculos me prendiam e tampava minha respiração, eu remexia meus braços numa tentativa falha de alcançar minha Adaga na cintura. Estava em desespero, meus pulmões iam se fechando e eu já não via nada à minha frente, tive a sensação de estar prestes a explodir por dentro quando finalmente os tentáculos se soltam de meu rosto, ainda prendem-me do pescoço para baixo, estava tudo muito escuro, me sentia sendo puxada ainda, mas agora, para cima, os tentáculos gigantes me tiraram do mar com tamanha violência me tacaram num chão duro. Senti minhas costas doerem como se alguém tivesse pulado em cima dela. Olhei ao redor. Primeiro vi que estava num navio, depois vi que não era meu navio. Então eu notei três caras feios me encarando. O da esquerda era baixinho, um pouco velho e vestia um tipo de vestido longo e azul, o do meio era mais alto, magro tinha um nariz tipo Luciano Hulck e também usava um vestido longo azul, e parecia mais velho que o da esquerda, o último da direita era estranhamente estranho, era um pouco mais baixo que o do meio, porém mais alto que o da esquerda, aparentava não passar de quarenta anos, também usava um vestido longo azul, mas através daquele pano se via alguns músculos tomando forma. Sua expressão era séria e ele era o único que tinha uma espada.
Com uma certa dificuldade me pus de pé de frente para o trio de esquisitos de vestidos, e comento com uma risada:
– Belos vestidos.
– Criança tola, isto não é um vestido! – Protesta o homem do meio com seu nariz em pé. – É uma túnica. Melhor comportar-se, caso queira viver.
– Hm... Preguiça...
– De viver? — Questiona o velho do meio.
– Sim uai.
O velho revira os olhos.
– A Capitã sabe, por acaso quem somos?
– Hmmm, gnomos gigantes? – Soltei uma gargalhada que doeu minha barriga. Eu tenho um certo dom para rir de minhas piadas sem graça.
– Insolente! Somos os Três Reis Magos! Os mais poderosos! Eu sou Câmpfelt Huff, à minha direita, Honigway Huff, e este, — Ele apontou para o fortinho da direita. – É o Vegog Huff.
Tentei esconder o nervosismo de estar diante dos meus inimigos com mais piadas sem graça.
– Vocês não sofreram Bulliyng com esses nomes, não?
Câmpfelt ficou mais rabugento, porém foi Vegog que falou.
– Se eu fosse você, jovem insolente, eu não daria tanta risada assim.
– Mano, eu nem sei o que significa “Insolente”!
– CHEGA! – Grita Honigway. – Ela não fará tantas piadas quando notar que o seu navio estará afundando.
– O que? – E de repente fui tomada por uma onda terrível de medo e choquidão. (Essa palavra não existe, mas, deriva de Um Grande Choque)
– Exatamente, se não colaborar, seus amigos morrerão, e você viverá com a culpa de tê-los levado à uma morte dolorosa. – Disse o Velho Câmpfelt.
– Colaborar no quê?
– Ora não seja estúpida! – Bufou Câmpfelt. – Conhece essa palavra, não? – Ótimo, um velho tirando sarro de mim... – Nós queremos Sckart!
– E o que eu tenho haver com isso?
– Não nos faça de burros, querida. Isso não somos, lhe garanto. Nós sabemos que ela pode aparecer quando quiser. Sckart nunca morreu. E pode ser capturada quando aparece.
– E o que eu tenho haver com isso? – Repito a pergunta, sem, realmente, não entender.
– Ela aparece apenas pra você. Faça-a aparecer.
– Pra que?
– Pare de perguntar!
Eles vão, matá-la? Prendê-la? Para ter vantagem?
– Mas e os meus tripulantes, e o meu navio?
– No momento? Estão sendo atacados pelo mesmo animal que te trouxe aqui. Bruxas! Levem-na para seus aposentos!
Eu estava muito confusa e com medo. No momento mulheres feias de preto me seguraram pelos braços, e eu tentava me soltar. O que não foi difícil com bruxas magrelas me segurando. Corri em direção pro mar, pulei em sua direção, porém, não cai... Quando vi eu pairava no ar. Não conseguia me mexer.
– Bruxas inúteis... – Reclama a voz de Honigway atrás de mim.
A força invisível que me deixou pairando no ar, me virou para os três magos, Honigway concentrava-se em mim, com sua mão em minha direção. Estar pairando no ar seria legal, se meus amigos não estivessem sendo atacados por uma lula gigante, ou coisa do tipo.
Então, ele me atacou no chão, várias e várias vezes, não conseguia nem falar, mas já não sabia se era por dor ou pela força mágica que me paralisava.
Ele me soltou de sua força invisível, me derrubando no chão sujo daquele navio, o sol terminava de nascer atrás de mim. Honigway E Vegog me levantaram pelos braços e me levaram para uma espécie de porão macabro com prisões. Pois é, eu fiquei atrás das grades. Perguntando-me como sair, e como meus amigos estariam lidando com a Lula Gigante.
Passei minutos com a minha adaga riscando o chão. Pensei em atirar a adaga contra uma bruxa, mas como isso iria me ajudar a sair dali? A única bruxa lá era velha e gorda e estava sentada numa cadeira embaixo da escada para o convés, ela tinha a chave, mas estava muito longe.
Então continuei a desenhar com a adaga e escrever uma adaptação da famosa frase Jedi no chão.
“Que a maré esteja ao seu favor, jovem cria do mar.”
Claro que eu comecei a rir ao visualizar a frase esculpida no chão de madeira.
– Do que está rindo aí? – Grita uma bruxa jovem e feia.
– De você.
– O que? Como ousa?
– Você segue tanto as ordens daqueles magos de vestidos, mas você é mais forte do que eles. – Minto. – Mas eles te enganaram direitinho.
– Tolice! Eles são mais poderosos.
– Que nada! Eles mentiram pra você! Mas se quiser me ajudar, não mentirei para você. – Só naquela frase, tinham várias mentiras.
– Não cairei em teu veneno.
– Quem tem veneno é cobra, eu quero te ajudar.
A bruxa pareceu-me pensativa, olhou pro chão e sorrio, me olhou e abriu a boca para falar alguma coisa, neste momento algo se materializou ao seu lado e pôs a mão em seu ombro. Era Honigway.
– Tola bruxa. A menina é mentirosa, vocês são fracas demais para mim e meus irmãos. Não acredite nela. – O sorriso se desfez da bruxa, agora o temor tomava conta de seu rosto. – E caso queira se juntar à ela... Hm... Você sabe o que acontece com bruxas traidoras, né? Elas queimam.
A bruxa estava agora apavorada.
– Eu tenho que ir lá em cima, as outras cuidam da prisioneira. – Ela sai de cena mais desesperada do que nunca. Quase senti pena dela. Quase.
– Melhor... Assim está bem melhor... – Comenta consigo mesmo.
Com um gesto de mão ele abre a porta da minha “gaiola”. Eu pasmo, sem entender o “Por que?” deste gesto curioso. Um alarme dentro de mim soa, o que me faz pensar seriamente em não sair dali.
– Pode sair, estou a fim de uma lutinha. Você pode ser meu brinquedinho.
– Quando um velho diz que uma garota de 15 anos é um brinquedinho dele, isso sugere que a garota não deve se aproximar dele.
– Se não virá por bem, virás por mal. Não pense que deixei passar o fato de ter uma adaga bem afiada contigo, e não foi a toa. Agora se não quiser morrer com ela fincada em teu peito, sugiro que me siga.
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