A Herdeira dos Sete Mares

10 Esbarro num navio


Sonhei que estava num navio, era dia, o convés se encontrava cheio de piratas, um limpava o chão, outros bebiam e contavam histórias, parecia tudo calmo, divertido, mas havia algo errado... Um sentimento ruim me surgiu no peito, foi então que uma pirata passou por mim, usava um chapéu, uma blusa bege decotada, estava prendida na cintura com um pano marrom escuro, onde se encontrava uma adaga pendurada, vi os cabelos ruivos e fui atrás daquela Pirata, ela estava nervosa e agitada.

– Virar a Estibordo! — Gritou ela. A ordem foi repassada, um pirata se aproximou dela e a questionou.

– Capitã, sairemos de nosso percurso.

– Daremos a volta. — Respondeu fria e decidida.

– O quê? Não podemos! Atrasaríamos um dia! Pode nos custar a vitória, sabe disso.

– Escute aqui, se não fizermos isso, morreremos todos. Daremos o jeito de chegar a tempo. Confie.em.mim, cria de Hades.

Ele concordou com a Capitã, mas parecia tarde de mais, o navio começou a balançar, dando a impressão que iria virar, cobras gigantes surgiram do mar, estavam repletas de espinhos, e faziam um som estranho. Os piratas se alarmaram, gritavam "Serpente do mar!" enquanto pegavam suas espadas.

Quando olhei para onde a capitã estava, notei que agora eu era a tal, alguém me chamou e me lançou a espada, era a mesma que tinha comigo no Acampamento, se juntou a mim outro Pirata com uma espada idêntica.

– Como nos bons tempos, Sckart?

– Como nos bons tempos. — Respondi involuntariamente, sorrindo. Então nos entreolhamos, nos preparamos e corremos em direção à criatura, pulamos do navio, vi um espinho em direção, e com um susto, acordei.

Olhei ao redor e não vi ninguém, caminhei pelo chalé, totalmente arrumado e vazio. Acordara tarde, perdi o café da manhã. Decidi ir me arrumar e procurar o pessoal. Fui até a mesa de Poseidon, onde todos comemos juntos, não, não estavam lá, todas as mesas estavam vazias. Será que já passou da hora do café?

Estava com uma certa preguiça de ir procurá-los então retornei ao chalé. Abri a porta quando tomei o maior susto da minha vida. Ouvi umas vozes gritando "PARABÉÉÉNNNSSS!" Depois disso eu pulei de susto e caí no chão. Teve algumas risadas e a mão de Adriano para me ajudar a levantar. Quando olhei em volta, vi todos os amigos que fiz nesta última semana reunidos e um grande bolo azul escrito "Parabéns Pimenta!" com um tridente feito de glacê. Demorei um pouco para começar a rir e a abraçar todos em volta.

– Vocês são tudo loucos. — comentei passando o dedo no Bolo, ele estava realmente bom. — Mas, obrigada. — ri.

– Foi a Gabi quem fez. — Falou Gabe Rezende segurando o bolo. Fui até a filha de Dionísio e a abracei agradecendo.

Comemos o bolo azul e começamos a conversar, mas eu ainda pensava naquele sonho. Como de repente virei a Skart e a outra espada que era igual a minha nas mãos daquele Pirata. Será que poderia ser a espada de Marti?

– Ju? Tudo bem pequena? — Perguntou Cy, minha irmã que estava sentada do meu lado saboreando seu bolo.

– Sim, só estou me recuperando do susto. — Ri.

– Essa menina se assusta com tudo. — Comentou Marti que se aproximava ficando ao lado de Cy.

– Não é verdade! — Protestei.

– É sim. Cy, você acredita que ela se assustou comigo semana passada?

– Sério? — Ela ria enquanto comia o bolo azul.

– É! Tipo ela tava passando sei-lá-o-que na cara no banheiro, aí eu passei atrás dela e quase que cai na privada. — Disse Marti debochando. Era mentira, ele tinha intenção de me assustar, tenho certeza.

– Você apareceu lá de propósito!

– Você se assustou do mesmo jeito. — Zombou ele.

– Poxa Ju, ele é tão feio assim? — Riu Cy, com seu bolo terminado.

Ele revirou os olhos, e eu comecei a rir.

– Não! É que sei lá, to lá passando lápis de olho e do nada surge, sei lá, um vulto na porta, ai me assustei.

– Quase infartou. — Marti deu seu cometário final e saiu de lá, deixando Cy rindo de mim, nem me assusto tão fácil, só um pouco...

Ficamos no chalé por um tempo, conversei com todos que estavam lá, Dudu, o filho de Zeus, chegou depois e me cumprimentou com um braço erguendo-me do chão. Todos tem essa mania de levantar as baixinhas num abraço, não entendo, mas é legal. Luana e o tal Duh estavam lá também, conversando no canto, depois ela se pôs a conversar com o Marti, e trocaram entre si, risadas e socos "amigáveis". Todos estavam se divertindo.Malu conversava com Adriano, Manu com Cy, Gabe Rezende com Gabe Gigante, Marti e Luana, Duh conversava com o tal Lelo, e eu conversava com Lyu.

Quando tudo acabou era quase hora do almoço, arrumamos o chalé inteiro e eu confesso que comi o último pedaço do bolo. Treinei um pouco de arco-e-flecha com Marti por meia hora. Eu havia melhorado, porém não tinha uma boa mira. Depois decidi montar um saco de pancadas improvisado e... Não deu muito certo, no primeiro soco a sacola rasgou com as roupas dentro. Então peguei o diário de Sckart e procurei por um relato parecido com meu sonho.

"Dia 572

Estou no meu segundo mês navegando em águas nunca navegadas, estou tendo dúvidas se chegarei a tempo para cumprir meu destino. Hoje em em minha cabine recebi meu pai, me alertando sobre serpentes Marinhas, enviadas pelos três Reis Magos para nos destruir, eu teria de dar a volta na Ilha que se aproximava, era provável que perderia um tempo precioso, mas era necessário para salvar a vida desta tripulação. Fui questionada pelo Pirata de Hades, alertando-me do óbvio, segui com meu plano de desviar, mas foi em vão, as criaturas nos atacaram mesmo assim. Eu e meu irmão, Caio Martinato, atacamos as feras, um de seus espinhos arranhou meu rosto, tomei alguns pontos mas não foi nada grave. Nós desferimos vários golpes neles, mas parecia não afetar, escalamos os espinhos e furamos teus olhos, enquanto no Navio atacavam fogo grego nas criaturas. Arranquei alguns dentes e Caio fizera o mesmo, causamos uma grande dor de dentes nelas, e a fizemos engolir fogo grego suficiente para explodir um navio. Havia muito sangue em minha roupa, temi ser meu, quando derrotamos as serpentes, Caio pulou a tempo para o navio, eu não. Um dos espinhos havia penetrado meu pé esquerdo, quando caia chamei meu pégasus para socorrer-me, Chris veio ao meu auxílio rapidamente, porém já estava no fundo do mar. Por sorte tenho meus poderes, então não morreria afogada, Mas o espinho havia atravessado meu pé, estava presa à ele, poderia sobreviver, porém ficaria presa ali até morrer de fome. Desesperada, ignorei a dor e usei a água para me puxar para cima conforme a serpente afundava na escuridão. Quando finalmente me soltei do maldito espinho a água me puxou com tanta força que não precisei de pégasus para cair no convés. Logo vieram me socorrer, meu pé estava quase curado, graças à água, mas ainda levei alguns pontos no rosto e no pé, onde havia um buraco, agora teria uma cicatriz.

Temo não concluir esta missão, os magos são poderosos, com ajuda, nos matariam facilmente. Temo também estar levando grandes semideuses para uma missão suicida, se alguém morrer, jamais me perdoarei..."

E se meu sonho fosse um sinal? Um alerta para saber o que esta por vir? Isso esta cada vez pior, mais confuso... Decido dar uma caminhada na praia, para me acalmar, longe de tudo e de todos, sento-me na areia beira-mar, e fico olhando para o Horizonte, esperando ele ou uma resposta, mas já sabia que nada viria ao meu encontro de bom grado.

Vi apenas Gabe Rezende vindo ao meu encontro, ele não falou nada, apenas sentou ao meu lado e observou o horizonte comigo. Eu fiquei encarando ele me perguntando como me achara tão distante de tudo, vi revirar os olhos dramaticamente e falar.

– Sou seu irmão, sempre saberei onde está. — Ele fe uma pausa. — E também aqui é um dos meus lugares favoritos. — Ele riu.

– É ridículo, né? Sentar e esperar que tudo venha até mim...

Ele abriu a boca para responder quando a praia toda estremeceu, e algo pareceu sair do mar, não reconheci o que era de imediato, apenas vi um monte de madeira surgir do nada, depois alguma coisa branca, foi quando percebi que eram velas, de navio! E então apareceu o navio por completo! Era gigante, maior do que qualquer chalé, eu e Gabe ficamos boquiabertos encarando o navio que surgia do mar, a âncora desceu, caindo na areia, lá estava um navio, se lia nele"Les Sckartés", e havia uma sereia gigante de pedra na frente, seus olhos tampados pelo cabelo, era o navio de Sckart. Era o Navio dos Sckarts.