A Herdeira dos Sete Mares
1 Antes do início
Notas iniciais
Já era noite, minhas lágrimas caiam em sintonia com a chuva lá fora... Lembro-me desta noite como se fosse hoje, como se fosse exatamente agora. Para você entender um pouco, vou lhe explicar minha história. Nasci de uma mãe pobre, Carol, sem condições de me criar se viu obrigada a entregar-me aos cuidados de minhas tias, ambas chamava de mãe também, contudo sorria quando pensava que, por falta de um pai, eu tinha três lindas mãe, Carol, Rose e Rosa. Infelizmente Rosa estava doente e internada neste último mês, estava em coma, culpa do assassino frio apelidado de câncer. Nesta noite de março ela havia falecido. O terror para uma menina de oito anos era perder a mãe, logo a imaginava imortal. Afinal, porque não seria? Tudo bem, ela estava sempre em hospitais, mas também sempre com um sorriso no rosto quando ia visitá-la, difícil crer que alguém assim morreria um dia, para mim, até aquela noite, a morte era uma ilusão, mas cedo ou tarde me veria diante da verdade: A morte vem pra todos, ela não se importa se é alguém importante para outras pessoas, apenas a leva, sem dó ou com pena o suficiente para tirá-la deste mundo. Minha mãe não demonstrava ser vítima de pena.
- Ela é forte, vai superar. – comentava um de meus tios, eu os escutava pela fresta de meu quarto, meu vestido preto que a própria mãe Rosa me dera para usar em uma festinha naquela mesma noite, claro, eu não fui.
Passaram-se dias, decidi passar um tempo na casa de minha mãe Carol, onde era mais alegre, minha mãe Rose estava em casa com meu irmão mais velho, Eduardo, que não a queria sozinha em casa, pedi desculpas para os dois, mas aquela casa estava com o pior clima de todos, e como toda menina de oito anos, eu precisava de alegria, pelo menos tentar...
- Mãe, quem é meu pai? – Perguntei para minha mãe Carol, aconchegada em seus braços na cama dela vendo tevê, um desenho animado, não me lembro de qual era.
- Você tem mães suficientes para não precisar de um pai Júuh. – Ela me olhou e me beijou na testa.
- Tá, mas... Quem ele é? – Insisti. Ela me olhou pensativa, em dúvida se me falaria alguma coisa ou não.
- Ele é ruivo como você, pronto. – Simples, reta, e nada específica.
- Ele era lindo?
- Sim, mas você é mais. – Ela sorriu e deu uma risada que me deu vontade de rir, logo me esqueci do assunto, incrível como crianças esquecem rápido das coisas em frente de uma tevê... Infelizmente minha alegria acabou ela havia desligado a tevê.
- Mas manhê! – Protestei.
- Nada de “mas”, está na hora de dormir, na verdade passou da hora de dormir!
- Aaaaah! Mas... Pelo menos conta uma história?
- Conto sim, mas rapidinho porque meu bebê tem que dormir!
- Não-sou-bebê! Já cresci faz tempo! – Ela riu e suspirou um “Tá bom palhaça” e começou a narrar a melhor história que eu escutaria em anos... Para uma criança de 8 anos, isso é muito tempo O.k.?
- “A muito, muito tempo atrás, na época dos deuses gregos e piratas. Cada deus grego tinha sua Elite de filhos, onde pertenciam apenas os filhos dignos do reconhecimento de seus pais pelos seus méritos, normalmente havia mais homens do que mulheres, em algumas Elites haviam apenas homens! Mas um dia, os Piratas da Elite de Poseidon tiveram de abrir espaço à mais bela, mais corajosa e mais temida capitã dos sete mares, Capitã Sckarlleth Sckart, ou apenas Capitã Sckart, como gostava de ser chamada. Segundo a lenda, filha de Poseidon com uma sereia do fogo, isso explicava tamanha beleza que atraia todos os homens, e também explicava seus cabelos cor-de-fogo. Sckart logo virou a Líder da Elite de Poseidon, e também a favorita de seu pai.
Afrodite com inveja de sua beleza a amaldiçoou no amor, segundo Afrodite, a Capitã teria muitos amores, mas nunca saborearia por muito tempo o gosto viciante do amor verdadeiro. A Capitã, fez pouco caso, afinal, como uma boa Capitã ela se importava com sua tripulação e em honrar seu pai em suas missões. Voltando sempre vitoriosa de suas missões, outros deuses optaram por pô-la na liderança das missões de seus filhos, muitos se sentiam honrados pela sua presença, outros humilhados, mas sem escolhas, honraram seus pais lutando ao lado de Sckart.
Num dia, acabava se voltar de uma missão perigosa com filhos de Ares, uma missão por terra, e, ao chegar à França, Recebeu um aviso, os deuses convocavam uma reunião urgente com todos os líderes de todas as elites dos doze Olimpianos, cada líder levaria mais um ou dois irmãos. Sckart pegou seu Pégasus e foi para Inglaterra na embarcação de seu Irmão Capitão Martinato, que, por sua vez, montou seu pégasus negro e foi com Sckart para a tal reunião.
Chegando lá, todos os líderes de todas as Elites de todos os doze deuses com seus acompanhantes estavam lá, cumprimentando os grandes Capitães, orgulho dos deuses e de Poseidon em especial.
- Hécate e sua Elite e seguidores, bruxas, magos e os três feiticeiros, se viraram contra nós, querem nossas vidas, nossos lugares no Olimpo e querem fazer de humanos escravos na tortura eterna. Eles tem a chave para um livro de feitiços, nos confins do sul, que lhes darão grande vantagem na guerra que estará por vir. – Iniciou Ares. – O livro os deixaria quase indestrutíveis, até para nós, deuses. – Um sentimento de derrota estava em seus olhos, como nos olhos de todos os deuses, isso seria inédito para cada um deles, principalmente para Ares.
- Quase, ainda podem morrer. – Comentou Sckart quebrando o silêncio com seu sorriso intimidador e com sede de sangue.
- É por isso que gosto desta garota. – Se alegrou Ares rindo e cutucando Hades.
- Sim, creio que sim. – Concordou Hades, frio e sério como sempre, sua expressão indiferente.
- Enfim. – Bradou Zeus. – Eles irão atrás do livro, Navegarão para o Sul ao anoitecer de amanhã, seguindo o ritual sagrado de desembarcar na manhã antes da Lua Cheia. No momento eles estão no Norte, e Atena, minha filha, explicará para os líderes da Missão o que deverão fazer.
- E quem serão os líderes? – Perguntou um homem todo armado, alto e forte, o filho de Ares com quem Sckart acabara de dividir a liderança de uma missão.
- Como diz a profecia, filhos dos três grandes, Zeus, Poseidon e Hades, escolham seus filhos. – Ordenou Atena.
Os três deuses conversaram entre si e decidiram, Poseidon, anunciou os líderes:
- Minha filha, Herdeira dos sete mares, Capitã Sckart.
- Tinha como ser mais óbvio? – Comentou Afrodite, ainda mantinha a raiva de Sckart.
- Filho de Zeus, aventureiro dos céus, Capitão Osni. E, Filha de Hades, Assassina Fria dos Quatro Ventos, Senhorita Mandonelli.”
- Eles ficaram para conversar, e você para dormir, boa noite Juju. – Eu iria protestar, mas a disposição de uma criança não iria sempre tão longe, eu estava domada pelo sono.
Sonhei com cenas da história que me encantara, vi uma sereia de fogo, um homem com um tridente, uma mulher bela e ruiva, vi água, um navio, um homem moreno com um sorriso de canto de boca, um salão, uma mesa gigante de reuniões e doze pessoas com togas diante à mesa. Depois vi apenas olhos verdes flutuantes e uma voz recitando algo... Só me recordo de ouvir a palavra “Fogo”.
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