– Juliana Pimenta! – Chamou o Professor.

– Aqui! – Respondi a chamada, torcendo para ser a última vez na minha vida que responderia aquela chamada naquele colégio. “Sonhar, um sonho impossível”.

Não que o colégio não fosse bom, (porque não é mesmo, na verdade, para um colégio particular a educação é péssima) era mais os alunos, pessoas chatas, que amam me perturbar, digo, não diretamente, mas indiretamente, sou meio diferente deles, diria inteligente ou esperta, mas nesse critério falta-me boas notas, então me declaro como uma pessoa um pouco culta, que se interessa pelas épocas antigas.

Minha fixação desde pequena se relacionam com qualquer coisa que tenha uma ligação com piratas e mitologia grega, acho que minha mãe, Carol, contribuiu para isso, há seis anos ela me conta histórias de uma semideusa pirata, filha de Poseidon que consegue derrotar Hécate e seus seguidores que queriam derrotar os deuses Olimpianos. Minha mãe revelou que, a personagem principal, Capitã Sckart, foi baseada em mim, o que ficou óbvio por ambas sermos ruivas.

A única aula que gosto é filosofia onde o professor conta vários mitos gregos, hoje era o último dia de aula, semana que vem a “formatura”, que, em minha opinião, é uma basbaquice para as garotas perderem seu tempo com que vestido usar, e fixadas em regimes loucos e etc. Eu não iria, mas, minha mãe Rose está ciente que é provável que eu repita mil vezes o ensino médio antes de passar, então quer registrar minha provável-única-formatura, sim, mães confiam muito em seus filhos...

Bateu o sinal! Aleluia! Agora é a perfeita aula de filosofia, o professor iria contar um mito ou falar de Sócrates, como sempre, aula perfeita, enquanto esperava o professor chegar peguei meu livro de Machado de Assis, um livro onde reunia suas melhores crônicas, até que a Marina resolveu me atrapalhar.

– Pimenta, você vai à festa de formatura?

– Vou sim, por quê?

– hm, nada, só para confirmar mesmo, eu pensei que não gostasse disso.

– Não gosto. – disse olhando para o Mateus, um loiro do qual eu era apaixonada.

– Então porque vai? – Ela seguiu meu olhar e entendeu o recado, começou a rir. – Então é ele? Sabia hahaha.

– Porque ri? – perguntei séria e envergonhada, Marina não era o tipo de garota legal, nem nada.

– Porque é clássico, o cara lindo e a... Garota invisível... — Eu a fitei, séria. – Desculpe, mas ele me disse que estava na cara que você gosta dele, mas você não é bonita nem nada e ele disse que nunca nem ficaria com você. – Ui,doeu, confesso, muito. Mas aprendi a manter a pose e continuei séria, como se não tivesse me atingido, mas o pessoal ao redor que a escutou fez “uuuuh” e riram de mim, a garotinha feia apaixonada, há-há.

– Olha, você poderia me poupar de sua conversinha fútil e mal-intencionada e me deixar ler Machado de Assis, as palavras dele são mais interessantes que as suas. – Novamente os murmúrios, mas dessa vez ao meu favor. “Oba,” pensei, “treta”.

– Diz isso e aposto que nunca pego ninguém. – novamente os murmúrios “Uuuh não deixava hein!”

– Melhor do que você que é mais rodada do que prato de micro-ondas.

– Sua vadia! – Ela pulou para fora da carteira, eu observei seus movimentos irritados, acho que disse uma verdade muito forte para ela, eu levantei com calma e a encarei. Ela me empurrou. Eu a encarei novamente, me afastei de ré, e depois corri em sua direção a derrubando no chão, deixando-a indefesa, segurei seus braços no chão.

– A única vadia que estou vendo aqui é você. Agora se aquiete e me deixe ler em paz, não me obrigue a quebrar seus ossos como palitos de fósforo, porque acredite, não seria um esforço tão grande assim. – Marina, assustada assentiu e então sai de cima dela e fui ler meu livro, ela se levantou e depois a ouvi gritar.

– Professor! Ela me ameaçou e quase me bateu! – Nesse momento ouvi a voz do professor de filosofia:

– Pimenta vem aqui comigo. – Fechei meu livro, andei até o professor, sorrindo, não queria ser a derrotada por uma magrelinha.

Ele me levou até o elevador e parou no 4º andar, a quadra de futebol, até os dez anos eu jogava com meus amigos ali, quantas brigas por causa de faltas, e nos achávamos profissionais...

– Porque me trouxe aqui? – Perguntei curiosa.

– Você... É diferente dos outros, sabia?

– Hm, sim, e você descobriu isso quando?

– Quando você chegou há quatro anos. Estive te observando desde então para... Ter certeza. – Quanto mais ele falava, mais não entendia. Me observando?

– Ahn, por favor, explique.

– Não tema... Filha de Poseidon. – De todas as reações que alguém poderia ter, eu ri, muito.

– Ok, hm, buguei brisei.

– Ahn? – ele ficou confuso com a minha fala moderna. – Esquece, vocês jovens com suas “gírias”... Cada vez mais loucos. Enfim, eu sou um Sátiro, e fiquei de olho em você, para ter certeza de que era filha de Poseidon.

– Cara, ahn, o que você fumou hoje de manhã?

– Pare de falar desse modo grosseiro, menina! Você é uma semideusa, filha de um deus com um mortal, no caso Poseidon e sua mãe, Carol. Tive minhas dúvidas sobre ela estar ciente disso, mas vi que ela estava, o que torna as coisas mais fáceis, agora minha missão é te levar para o Acampamento Meio-Sangue, onde vivem semideuses como você.

– Ok, hm, você está louco ou o que? Desculpa, mas eu nunca conheci meu pai e minha mãe nunca falou dele, e você é meu professor não um sátiro! Sátiros tem pernas de bode, você não!

Ele me olhou, com certo tédio e começou a remover o cinto.

– Oooou! Pode parar aí, você tá muito velho pra mim!

– Jovem tola. – O comentou tirando as calças revelando suas pernas de bode.

– Pernas de bode!? Mas... Mas... – Ele estava entediado, claro.

– Sou um sátiro, e este é meu último dia de vida, já que sobrevivi para te resgatar e levá-la com segurança ao Acampamento Meio-Sangue, um pégasus deveria estar aqui esperando...

– Professor? Professor! – Chamou a voz irritante de Marina subindo as escadas para a quadra.

– Droga... Cadê o Cavalo metido à ave? Se esconda! – Ele me encarou, analisando sua frase, não teria onde se esconder numa quadra, a não ser, atrás da trave do gol. – Esquece, fique atrás de mim!

– Professor... – Chamou ela, entrando na quadra, de seus olhos e de sua boca saiam uma fumaça azul marinha. – Você não é páreo para mim seu velhote, sabe disso.

– Velhote? Mas sou apenas 123 anos e 7 meses mais velho do que você!

– Não sairá com ela daqui, fracassará querido Professor.

– Pelos deuses, como queria viver no tártaro do que ter uma filha assim! – filha? Ahn? Confusa e perdida, sim, essa sou eu. – Chega dessa reunião de família. – Assim que ele parou de falar uma espada, do nada, brotou em sua mão, ela era prateada e, aparentemente, afiada.

– Há-há-há, eu tenho o poder de Hécate nas minhas veias, sou sua seguidora mais forte!

– Desculpe decepcioná-la querida, você é a mais forte das bruxas, você ainda é fraca querida, um feiticeiro de cinquenta anos tem mais poderes do que você.

– Como ousa desacatar-me assim? – A fumaça que exalava de seus olhos ficou mais intensa e ela partiu pra cima do professor/sátiro/pai de uma bruxa.