A Herdeira dos Sete Mares

13 A chave dos problemas


“você terá que achar a chave. e assim, a guardará com você. Tentaremos retardar a guerra no possível, vocês terão de ir até a ilha onde eles estão, e pegar o livro, assim destrua os dois, e será uma guerra ganha.”

Tal frase dita pelo meu pai rodeava-me a cabeça. A ilha que ele se referia era Groenlândia, certeza, no Dário falava de sua localização, assim como no mapa indicava. Agora a maior pergunta era “Onde está esta chave?”. Lembro-me de minha mãe me contar que Sckart a roubara de um castelo dos três reis magos com a ajuda dos três príncipes do Norte. Mas minha mãe não me contou onde estaria essa chave. E nos diária não conta também, talvez eu estivesse lendo o diário errado. Sua missão demorou alguns meses, quase um ano, teria a chance de ela ter escrito em outro diário sobre a localização da chave!

Já estávamos quase perto de onde deveria ser Bahia quando me surgiu essa ideia, então eu fui até minha cabine e abri o baú. Tentei não tirar da ordem de anos que eu deixara antes. Procurei no ano seguinte do diário que tinha em mãos.

Achei, estava no fundo do baú, não estava mais tão empoeirado, porém mantinha sua aparência de velho. Folheei as páginas com cuidado para não passar reto desta informação. Logo encontrei a parte em que ela falara da chave.

“Esta chave do tártaro pesa em meu bolso, desde que me foi dada pelas mãos do próprio filho do Norte. Jogá-la em meio ao mar seria o certo, onde ninguém a acharia, segundo as instruções de meu pai, porém, tudo tem sua hora, hei de esperar esta.”

A raiva me consumia o corpo. Soltei um grito e joguei o diário no baú.

– Legal ­Capitã! COMO VOU ACHAR UMA CHAVE QUE VOCÊ PROVAVELMENTE JOGOU NO MAR? Depois eu é que sou a burra, é?

– Sim, tão burra que esqueceu que eu posso ouvi-la.

Sua voz veio como um soco, me derrubando do susto que tomei. Olhei para o espelho, onde ela se encontrava em pé com os braços cruzados, me olhando com uma cara nada-amigável. Natural para ela.

Como sempre que vemos uma imagem no espelho eu me aproximei cautelosamente. Curiosa e assustada, ainda não me acostumei com isso.

– Você de novo. – Falo, satisfeita. Como se ela pudesse sair daquele espelho maldito e nadar atrás da chave.

– Não hei de ir atrás da chave, você irá. – Ela lê pensamentos agora?

– Ahn? – Novamente em meu estado de “Bugada, brisada”

– Não me ouvistes? Apenas eu sei onde está a chave que você deverá destruir junto com o livro. Lhe mostrarei onde, e você nadará até lá.

– Porque não facilitou isso pra mim também?

– Queres tudo em tuas mãos macias? A vida não funciona assim. Tens de calejar-te a alma e o corpo. Tuas mãos têm de ter calos. Tua mente tem de estar afiada como tua espada.

– A táh... – Como se houvesse algum sentido naquelas palavras. – Espera, mas, se a chave esta num lugar onde apenas você sabe onde, por que corremos o perigo se eles estão apenas com o livro?

– Menina ingênua. Eu sei, eles têm de procurar, e se for muito tarde, eles hão de achá-la. Não estamos lidando com meros mortais, e sim com poderosos da magia negra, e junto a esses poderosos, outros mais poderosos. Se seguirem a mesma rota que está no mapa, chegaremos à chave ao romper da aurora.

– Romper da aurora... Okay. Você sempre aparece em espelhos?

– Não, mas agora se concentre em teus poderes, logo serão úteis.

Então ela some.

Não entendo por que, mas fico com raiva, sua superioridade, como se ela fosse melhor do que eu. Se ela é ou não, não significa que tem de se mostrar superior.

Eu grito e fico cega. De verdade, tudo fica vermelho, foi como se eu controlasse a água, mas dessa vez sentia meu corpo todo quente, porém não insuportável. Volto a enxergar quando me acalmo, olho ao redor, está tudo normal, a não ser pelo espelho que parecia queimar. Porém não pegava fogo. Olho minhas mãos, estão avermelhadas e quentes, apenas a minha roupa não estava quente. Anna, filha de Dionísio, abre a porta num susto.

– O que foi isso Pi... – Ela me olha e arregala o olho. – Pimenta! Você está muito vermelha, parece um... Pimentão. – Ela não evitou e começou a rir. Eu também.

– Deuses, eu sempre estou vermelha.

– Não desse jeito. – Ela afirma, olho no espelho que estava esfriando rapidamente, realmente, eu estava MUITO vermelha. – Quer tomar água?

– Quero. – Dou risada e saio da cabine.

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Era quase de manhã, e eu ainda não conseguia dormir. O calor que dominara meu corpo, parecia voltar quando caia no mais leve sono. Saí da cabine, verifiquei o mapa para vermos se estávamos no caminho certo. Fico dependurada na amurada para ver o mar, e o céu cheio de estrelas, me assusto com a chegada do Lelo, ele se põe a olhar o horizinte comigo.

– Não consegue dormir também? – Pergunto.

– Na verdade, nós, filhos de Hades não gostamos de dormir de noite.

– Sério? – Sim, eu acreditei. Ele me olha com um olhar “Fala sério né!”

– Não, burrinha. – Ele ri.

– Olha, não sou burra.

– Aham, aposto que você já colocou o dinheiro na máquina de doces do metrô antes de discar o número do que quer, então perdeu o dinheiro e culpou a máquina.

Adivinha também?

– Olha, foi só uma vez! – Protesto. Ok, duas, ou três.

– Aham...

– E a culpa não é minha que eles avisam isso nas letras miúdas!

– Aham, ruiva aloirada, cof cof.

– Nada haver. Aposto que minha irmã é pior.

– Pior do que você? Há, escuto muitas histórias suas, é famosinha no acampamento sabia? Árvore com galhos. — Ele começa a rir.

– Foi um acidente, é que aquela árvore tem muitos galhos!

Ele continua rindo, o que me irrita. Dou um tapa de leve em seu braço. (Por que não alcanço seu ombro)

– Para! – Mas não consigo levar a sério e continuo rindo.

Fica um silêncio.

– você já viu o sol nascer? – Ele me pergunta. – Ser ter acordado antes, apenas ficando acordada até vê-lo nascer?

– Assim não, é lindo né?

– É.

É quando me lembro. Sckart. Na hora ela aparece dando um susto em nós.

– Chegou a hora. – Ela avisa.

– Quem é? – Pergunta Lelo.

– A dona do navio. – Respondemos em uníssono.

– Chegou a hora, você tem de pular e pegar a chave. Nade até o fundo e tome muito cuidado.

– Espera, a chave que queremos, está no fundo do mar? – Ele pergunta, tentando entender.

– Sim. – Novamente em uníssono. – Ela jogou no mar, para ninguém pegá-la. – Explico, ele parece entender.

– Quem sois vós? – Sckart pergunta para Lelo.

– Lelo, filho de Hades.

Sckart sorri desconfortável.

– Conheci uma prole de Hades. A maioria de tuas crias não são fonte de grande confiança.

– Ei! – protestou Lelo.

– Chega! Eu mergulho e nado reto pro fundo? – Pergunto e ela assente, Lelo observa.

– Não precisarás de minha ajuda, irmã. Apenas tenha cuidado, tanto no mar quanto nas amizades. – Ela olha para Lelo. – Não é só porque somos crias de Poseidon, que temos o total domínio do mar e de teus mistérios. Que a maré esteja ao seu favor. – E então ela some.

– Como...?

– Não sei, mas você me espera voltar? Deixa uma corda pra mim.

Lelo, pasmo assentiu.

Eu, assustada pulei.

Por um momento prendi a respiração, até não poder mais, e então vi que eu respirava normal, toquei minhas roupas, secas, como se houvesse uma bolha colada em meu corpo. Nadei para o fundo escuro, dava um medo, mas a qualquer suspeita eu agarrava minha adaga que estava pendurada em meu sinto de pano, ou o de Sckart.

Vi um brilho dourado no chão escuro, era pequeno, era a chave. Como poderia ainda brilhar depois de tanto tempo? A é, voltamos no tempo... Estava prestes a pegar a chave quando algo agarrou meu pé e me arrastou para longe. Comecei a sufocar, não afogava, mas o que agarrara meu pé, agora tampava minha boca e nariz.