Notas iniciais
Notas Iniciais da Autora 📝✨ Queridos leitores, este é o momento tão esperado: o embarque de Morgana no Expresso de Hogwarts! Neste capítulo, acompanharemos cada detalhe de sua despedida - a ansiedade que aperta o peito, o amor que transborda em cada abraço e a promessa silenciosa de que o lar sempre estará esperando. A preparação das malas, a viagem à Estação King's Cross, a travessia da plataforma nove e meia e, acima de tudo, o adeus ao irmão Drake, que parte para seu terceiro ano. O capítulo termina com Morgana sozinha em sua cabine, refletindo sobre a jornada que está prestes a começar. Aconselho colocar a música tema para tocar enquanto leem. Boa leitura! 💫🌙  Música Tema do Capítulo: Never Alone - Lady Antebellum 🎵 Que os anjos te protejam Que problemas não te atinjam Que o céu te aceite Quando for hora de ir para casa Que você tenha sempre a abundância O copo nunca vazio Saiba em seu interior Você nunca estará sozinho Que suas lágrimas Venham de sorrisos Que você encontre amigos Que valham a pena ter Todos os anos passam Eles significam mais do que ouro Que você possa vencer e permanecer humilde Sorrir mais do que resmungar E saiba, quando você tropeçar Você nunca estará sozinho









CAPÍTULO 4 — O PREÇO DAS DESPEDIDAS


A luz da alvorada ainda estava cinzenta quando os olhos de Morgana se abriram. Não foi um despertar gradual, mas um estalo brusco, como se uma corda invisível a tivesse puxado para fora de um sono agitado. Seu coração já acelerava antes mesmo que sua mente processasse o que aquele dia significava. Primeiro de setembro.

Ela sentiu o peso familiar de Nimbus sobre seu peito — o ronronar constante vibrando contra suas costelas como um motor tranquilo. A gata estava aninhada exatamente onde sempre ficava quando a ansiedade se aproximava, como se pudesse sentir a tempestade se formando dentro de Morgana antes mesmo que ela a percebesse. Seus olhos verdes estavam semi-abertos, observando-a com aquela sabedoria felina que parecia dizer: você está pensando demais de novo, humana.

- Eu sei — sussurrou Morgana, sua voz rouca com o sono que ainda não havia completamente se dissipado.

Sombra não estava em seu lugar habitual. Morgana sentiu o vazio estranho em seus pés, onde ele normalmente se deitava, e seu coração apertou por um momento. Mas então ouviu o som familiar de suas patas contra o piso de madeira, e ele saltou na cama com a graça de uma sombra líquida. Seus olhos verdes brilhavam na penumbra, e ele esfregou a cabeça contra sua mão antes de se aninhar ao seu lado — seu corpo quente e pesado se encaixando perfeitamente na curva de seu quadril.

- Você também sabe que é hoje, não é? — murmurou ela, passando a mão por seu pelo cinza-azulado.

Ele ronronou mais alto, como se concordasse.

Por um longo momento, Morgana ficou imóvel, sentindo o calor dos dois gatos contra si, ouvindo o silêncio da mansão antes do amanhecer. Lá fora, os pássaros começavam a cantar, e uma brisa fresca entrava pela janela entreaberta, trazendo o cheiro de terra úmida e flores silvestres. A cortina de gaze branca do dossel flutuava suavemente, e as constelações bordadas no edredom azul-marinho — Lyra, Orion, Cassiopeia — pareciam brilhar com um brilho próprio na luz fraca do amanhecer.

A ansiedade não a avisou quando chegou. Simplesmente estava lá — como uma névoa fina que se adensava até encher cada canto de sua mente, tingindo tudo de cinza. As perguntas vieram em seguida, um rosário de medos que ela conhecia de cor:

E se eu não for boa o suficiente em Hogwarts? E se eu decepcionar minha família? E se eu não conseguir fazer amigos? E se eu me perder no castelo? E se eu esquecer tudo o que estudei?

Morgana apertou os olhos. Não. Ela não ia deixar aquilo vencer hoje.

- Pare — disse ela em voz alta. E repetiu, mais firme: — Pare.

Inspirou fundo, sentindo o ar frio preencher seus pulmões. Uma vez. Segurou. Expirou lentamente. Duas vezes. O ritmo familiar que seu pai lhe ensinara. As vozes em sua cabeça começaram a se acalmar, como nuvens se dissipando após uma tempestade.

Nimbus miou baixinho, como se aprovasse seu esforço, e Sombra enterrou a cabeça contra sua mão, ronronando ainda mais alto. Por um momento, a ansiedade pareceu mais distante — uma lembrança do que poderia ter sido.

- Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida — disse Morgana a si mesma. As palavras soaram estranhas, como se ainda não fossem completamente reais. — Eu posso fazer isso. Eu vou fazer isso.

Sombra ergueu a cabeça, seus olhos verdes fixos nela, e miou baixinho.

Morgana se levantou com um movimento decidido, e os gatos a seguiram como uma pequena comitiva. O piso de madeira estava frio sob seus pés descalços, e a brisa matinal arrepiou sua pele. Ela foi até a janela e abriu as cortinas, deixando a luz cinzenta do amanhecer inundar o quarto. Lá fora, o jardim estava coberto por uma fina camada de orvalho que brilhava como diamantes sob os primeiros raios de sol. As rosas vermelhas e brancas se curvavam sob o peso das gotas, e os carvalhos centenários balançavam suas copas em uma saudação silenciosa.

A mansão parecia diferente hoje. Mais quieta. Mais solene. Como se estivesse guardando a respiração.

- Vamos — disse Morgana, virando-se para os gatos. — Tenho um dia inteiro pela frente.

O banheiro era pequeno e aconchegante, com a banheira de pés de garra e a pia de mármore branco que ela conhecia desde que se entendia por gente. O espelho oval emoldurado por prata refletiu seu rosto: olheiras sutis abaixo dos olhos azuis, cabelos castanhos escuros bagunçados pelo sono, uma expressão de alerta constante que já se tornara parte dela.

- Você parece uma assombração — murmurou para seu reflexo.

Lavou o rosto com água fria, sentindo o choque acordar seus sentidos adormecidos. A rinite alérgica que a acompanhava desde a infância estava mais calma hoje — o que significava que ela não estava com o nariz entupido ou espirrando a cada dois minutos. Pequenas vitórias, pensou, enquanto escovava os dentes.

Quando terminou sua rotina matinal, voltou ao quarto e abriu o guarda-roupa. A madeira rangeu suavemente, e o cheiro de lavanda — o perfume que Misty usava nas roupas — a envolveu como um abraço familiar.

Morgana passou a mão pelas roupas penduradas. Vestidos de algodão, blusas de renda, saias plissadas, jaquetas de couro em tons pastel que a tia Freya insistira que ela comprasse para a escola. Mas hoje não era dia de elegância casual. Hoje era dia de viagem.

Escolheu uma blusa de algodão branca com mangas longas e um detalhe de renda na gola — delicada e confortável. A renda era fina, quase transparente, e as mangas bufantes davam um ar romântico à peça. Combinou com uma saia plissada azul-marinho que caía abaixo dos joelhos, prática e bonita. Sobre isso, uma jaqueta de couro em tom azul-claro que a tia Freya lhe dera no último Natal — macia e flexível, com forro de cetim que brilhava quando a luz incidia sobre ele.

As sapatilhas de couro bege, confortáveis e elegantes, eram perfeitas para a viagem. Para completar, uma fita de cetim azul-marinho — a mesma cor do edredom de sua avó — para prender uma mecha de cabelo atrás da orelha.

Quando se olhou no espelho, viu uma garota que parecia pronta. Não necessariamente confiante, mas pronta. A garota de rosto em formato de coração, olhos azuis profundos e expressão determinada que olhava de volta para ela era alguém que ela podia reconhecer.

- Você vai fazer isso — disse Morgana a ela. — Você vai chegar lá e vai ser incrível.

A garota no espelho sorriu — um sorriso pequeno mas genuíno.

Sombra e Nimbus a observavam da cama, seus olhos verdes fixos nela com uma intensidade que parecia pesar cada movimento.

- Vocês dois vão ficar bem aqui — disse, aproximando-se para acariciar a cabeça de Sombra. — A Misty e a Lumi vão cuidar de vocês. E eu vou voltar nas férias. Prometo.

Sombra ronronou, e Nimbus piscou lentamente — seu gesto de aprovação.

- Agora, vamos ver o que o dia nos reserva.

Morgana desceu as escadas com os gatos seguindo-a como uma sombra prateada e cinzenta. O cheiro de café fresco e panquecas flutuava pelos corredores, guiando-a em direção à cozinha como um fio invisível.

A cozinha da mansão era um caos organizado de atividade. A grande mesa de carvalho estava coberta com pratos e panelas, e o fogo na lareira crepitava alegremente, iluminando o ambiente com um brilho dourado. Misty estava em pé diante do fogão, sua figura pequena e enrugada movendo-se com a precisão de quem conhece cada canto da cozinha. Lumi estava ao lado, colocando pratos na mesa com uma energia que fazia suas orelhas tremerem a cada movimento.

- Bom dia, senhorita Morgana! — Lumi apareceu ao seu lado, seus olhos verdes brilhando. — Lumi preparou um café da manhã especial para a senhorita! Panquecas com pedaços de chocolate, como a senhorita gosta, e geleia de morango caseira, e suco de laranja fresco, e...

- Lumi, respire — interrompeu Morgana, rindo. — Você vai explodir.

- Lumi não pode explodir, senhorita! Lumi precisa cuidar da senhorita até ela partir! — Ela bateu palminhas, e as orelhas tremeram com a excitação. — Sente-se, sente-se!

Morgana sentou-se à mesa, e Sombra e Nimbus se instalaram ao seu lado, esperando pacientemente por migalhas. O aroma das panquecas era celestial — baunilha, manteiga, chocolate — e seu estômago roncou em resposta.

Cortou um pedaço da panqueca e levou à boca. O chocolate derretido se espalhou em sua língua, doce e reconfortante. A textura macia, o calor do chocolate — tudo isso era um lembrete de que ela estava segura, que estava em casa.

- Bom dia, minha pequena lua.

A voz de Ravenna era como mel aquecido, e Morgana ergueu os olhos para vê-la na porta da cozinha. Sua mãe estava radiante — longos cabelos castanhos com reflexos acobreados presos em um coque baixo, uma mecha escapando ao redor de seu rosto. Ela usava um vestido azul-petróleo que realçava seus olhos verdes translúcidos, e seus brincos de pérola capturavam a luz da manhã, brilhando como pequenas luas. Seu sorriso era caloroso, mas seus olhos — aqueles olhos que sempre viam além das superfícies — estavam úmidos.

- Bom dia, mamãe. — Morgana levantou-se para abraçá-la, sentindo seu perfume de jasmim envolvê-la como um cobertor. — Você está linda.

- E você parece uma verdadeira bruxa. — Ravenna beijou sua testa. — Pronta para o grande dia?

- Pronta. — A palavra saiu mais firme do que Morgana esperava. — Ou pelo menos, tentando estar.

- Tentar é o primeiro passo. — Ravenna sentou-se ao seu lado, e Misty colocou uma xícara de chá em sua frente. — O que você está sentindo agora?

Morgana fechou os olhos por um momento, tentando identificar as emoções que se agitavam dentro dela.

- Ansiedade — respondeu, a palavra saindo como um suspiro. — Medo. Mas também... empolgação. É estranho sentir as duas coisas ao mesmo tempo.

- Não é estranho. É humano. — Ravenna segurou sua mão. — Você pode sentir medo e coragem ao mesmo tempo. Uma não anula a outra.

- É o que o papai sempre diz.

- Seu pai é um homem sábio. — Ravenna sorriu. — Mesmo quando ele esquece a lista de materiais em cima da mesa.

Morgana riu, e o som pareceu aliviar a tensão em seus ombros.

- Ele vai sentir falta de você — disse sua mãe, o tom mais suave. — Nós todos vamos.

- Eu vou sentir falta de vocês também.

Maeve entrou na cozinha naquele momento, seus cachos castanhos ainda molhados do banho e uma mancha de geleia no canto da boca. Ela usava um vestido rosa com estampa de margaridas, e seus olhos azuis — tão parecidos com os de Morgana, mas tão mais brilhantes — estavam fixos nela com uma intensidade que partia seu coração.

- Morgie! — Maeve correu em sua direção e pulou em seu colo, seus braços pequenos se enrolando em torno de seu pescoço. — Você vai embora hoje?

- Vou, Mae. — Morgana abraçou-a com força, sentindo seu corpo pequeno e quente contra o seu. — Mas vou voltar. Nas férias. Prometo.

- Promete mesmo?

- Prometo.

Maeve se afastou, seus olhos azuis brilhando com lágrimas que ela se recusava a deixar cair.

- Você vai me escrever?

- Vou escrever todas as semanas. Vou te contar tudo sobre Hogwarts.

- Tudo?

- Tudo.

- Até sobre os fantasmas?

Morgana sorriu, apesar da garganta apertada.

- Até sobre os fantasmas.

Maeve pareceu satisfeita e deslizou de seu colo para sentar-se ao seu lado, pegando uma panqueca do prato sem pedir permissão.

Drake entrou na cozinha momentos depois — cabelos pretos perpetuamente desgrenhados, expressão de excitação mal contida em seu rosto. Ele já estava vestido com seu uniforme de Hogwarts — camisa branca, gravata listrada em vermelho e dourado, calças cinzas e o brasão da Grifinória bordado no peito do suéter — mas sua gravata estava frouxa e seus sapatos desamarrados. Sua aparência era a de um titã em construção, ombros largos e braços definidos, mas sua energia era a de um garoto no Natal.

- Morgs! — Ele se jogou na cadeira ao lado dela, e Lumi imediatamente colocou um prato com panquecas em sua frente. — O grande dia chegou!

- Eu sei. — Morgana sentiu seu estômago se contrair. — Estou tentando não pensar nisso.

- Não pensar nisso? — Ele a olhou como se ela tivesse dito a coisa mais absurda do mundo. — Como você pode não pensar nisso? Você vai para Hogwarts! A escola de magia mais incrível do mundo!

Drake colocou a mão sobre a dela, seu toque firme e quente.

- Você vai ser incrível. — Sua voz era mais suave do que o normal. — Você é a pessoa mais corajosa que eu conheço, Morgs. Você só ainda não percebeu.

- E como você sabe?

- Porque eu te conheço. — Ele sorriu, aquele sorriso torto que herdara do pai. — Você enfrenta seus medos todos os dias. Mesmo quando está com medo. Isso é coragem. Isso é força.

Magnus Blackwood entrou na cozinha naquele momento, sua presença imponente preenchendo o espaço. Estava vestido com seu casaco de trabalho — uma capa preta com a insígnia de Chefe dos Aurores bordada no peito — mas seus cabelos negros com fios grisalhos estavam levemente despenteados. Seus olhos castanhos encontraram os de Morgana, e um sorriso lento se formou em seus lábios.

- Bom dia, minha filha. — Ele se inclinou e beijou sua testa. — Pronta para o grande dia?

- Estou tentando estar.

- Estar pronta não é sobre não ter medo, Morgana. — Ele sentou-se à mesa. — É sobre ter medo e ir mesmo assim.

- É o que o papai sempre diz — murmurou Drake, e seu pai riu.

- Porque é verdade. — Magnus levou a xícara aos lábios. — Você tem tudo o que precisa, Morgana. Inteligência, coragem, um coração bom. E uma família que sempre vai estar torcendo por você.

O café da manhã foi uma mistura de risadas e silêncios. Drake contou histórias sobre suas aulas no ano anterior, Maeve ouvia com olhos arregalados, fazendo perguntas sem fim. Morgana observava tudo, tentando gravar cada detalhe na memória — o jeito que a luz da manhã incidia nos cabelos da mãe, a maneira como o pai ria com a cabeça inclinada para trás, a forma como Maeve gesticulava ao contar suas próprias histórias.

Misty apareceu ao seu lado, segurando uma bandeja com uma xícara de chá fumegante.

- A senhorita Morgana precisa de força para a viagem — disse ela, seus olhos âmbar brilhando com lágrimas contidas. — Misty preparou um chá especial, com mel e ervas calmantes.

- Obrigada, Misty. — Morgana pegou a xícara, sentindo o calor se espalhar por seus dedos.

Lumi apareceu ao seu lado, segurando uma caixa de madeira entalhada com um laço prateado.

- E Lumi preparou um presente para a senhorita! — Ela colocou a caixa na frente de Morgana, seus olhos verdes brilhando. — Para a senhorita levar para Hogwarts!

Morgana abriu a caixa com cuidado. Era um conjunto de fitas de cabelo — dezenas delas, em todas as cores do arco-íris, cada uma bordada com um pequeno símbolo: uma estrela, uma lua, uma flor, um coração. Todas feitas à mão.

- Lumi fez cada uma — disse a elfa, sua voz cheia de orgulho. — Para a senhorita usar em Hogwarts. Para lembrar de casa.

Morgana sentiu as lágrimas ameaçarem, mas as segurou.

- São lindas. Todas. Obrigada, Lumi.

Abraçou a elfa, sentindo seu corpo pequeno e quente contra o seu.

- Vou sentir saudade de você também, Lumi.

Depois do café da manhã, Morgana subiu para fazer as malas finais. Drake a seguiu até seu quarto, sentando-se na cama enquanto ela organizava suas coisas.

- Você está levando os dois? — perguntou, apontando para Nimbus e Sombra.

- Só o Sombra — respondeu ela, sentindo uma pontada de culpa. — A Nimbus é muito velha para viajar.

- Sábia decisão. — Drake se espreguiçou na cama. — E você precisa de um animal de estimação que não durma o tempo todo.

- Sombra não dorme o tempo todo.

- Quase o tempo todo.

Morgana riu, mas então sua expressão se tornou mais séria.

- Você vai ficar bem, Morgs. — A voz de Drake era mais suave. — Em Hogwarts.

- Você acha?

- Tenho certeza. — Ele se levantou e veio até ela, colocando a mão em seu ombro. — Você tem tudo o que precisa. E eu vou estar lá, lembra? Se você precisar de alguma coisa, é só me procurar.

- Mesmo se for no meio da noite?

- Especialmente se for no meio da noite. — Ele piscou.

Morgana organizou sua mala com cuidado. O uniforme de Hogwarts, os livros escolares, o equipamento de poções, suas roupas pessoais, o kit de poções caseiras, a caixa de fitas de Lumi, a varinha de nogueira negra, os livros de romance, seu diário de couro e a foto em movimento da família.

Sombra observou tudo com seus olhos verdes penetrantes. Quando ela terminou, ele saltou da janela e se instalou em cima da mala.

- Você não pode viajar em cima da mala — disse Morgana, rindo. — Você tem que viajar na gaiola.

Ele miou, descontente, mas não se moveu.

- Teimoso — murmurou ela, mas estava sorrindo.

Quando Morgana desceu as escadas, a mansão parecia mais silenciosa do que o normal. Os retratos dos antepassados Blackwood a observavam passar. Aldric Blackwood ergueu a mão em um aceno.

- Boa sorte, pequena Morgana — disse ele. — Você carrega o legado da família em seus ombros. Não o deixe pesar.

- Não vou, vovô Aldric — respondeu ela. — Prometo.

Ravenna estava no hall de entrada, seus olhos verdes brilhando com lágrimas que ela se recusava a deixar cair. Ela segurava um envelope em suas mãos, e quando Morgana se aproximou, ela o colocou em suas mãos.

- É uma carta — disse ela, sua voz suave e trêmula. — Para você ler quando chegar a Hogwarts. Não abra antes.

- O que tem dentro?

- Palavras que você vai precisar ouvir. — Ravenna beijou sua testa. — Guarde com você.

Morgana colocou o envelope no bolso interno da jaqueta, sentindo seu peso contra o peito.

- Obrigada, mamãe.

Ravenna a puxou para um abraço apertado.

- Você vai ser incrível, minha pequena lua — sussurrou contra seu cabelo. — Eu sempre soube que você seria.

- Eu vou sentir sua falta.

- Eu também vou sentir sua falta. — Ravenna se afastou, seus olhos úmidos, mas seu sorriso radiante. — Agora vá. Seu pai está esperando.

Magnus estava do lado de fora, segurando a mala e a gaiola de Sombra. Seus olhos castanhos encontraram os de Morgana, e ele sorriu.

- Pronta? — perguntou.

- Pronta.

Ele colocou a mão em seu ombro.

- Você tem tudo o que precisa, Morgana. Inteligência, coragem, um coração bom. E uma família que sempre vai estar torcendo por você.

- Eu sei, papai.

- E você vai escrever?

- Todas as semanas.

- Boa garota.

Ele puxou a varinha e lançou o feitiço de aparatação. Morgana sentiu a familiar compressão — a torção do espaço, o ruído abafado nos ouvidos, a sensação de ser comprimida e puxada ao mesmo tempo — e fechou os olhos, contando até três.

Quando os abriu, estavam na Estação King's Cross.

A estação era um caos de pessoas e sons. Bruxos e trouxas se misturavam em uma dança confusa, carregando malas e carrinhos. O cheiro de fumaça e café preenchia o ar. Sombra estava em sua gaiola, observando tudo com seus olhos verdes penetrantes.

- Onde fica a plataforma nove e meia? — perguntou Morgana.

- Entre as plataformas nove e dez — respondeu seu pai, apontando para uma parede de tijolos aparentemente sólida. — Você precisa atravessar a barreira. Não pare, não tenha medo, só atravesse.

Maeve estava segurando a mão de Morgana, seus olhos azuis fixos nela.

- Você vai voltar para casa nas férias, Morgie?

- Vou, Mae. — Morgana ajoelhou-se na frente dela. — Prometo. No Natal, na Páscoa, no verão. Sempre.

- Sempre?

- Sempre.

Maeve a abraçou, seus braços pequenos se enrolando em torno de seu pescoço.

- Vou sentir sua falta.

- Também vou sentir sua falta, Mae. — Morgana abraçou-a com força. — Mas vou te escrever. E vou te contar tudo sobre Hogwarts.

- Tudo?

- Tudo.

Maeve se afastou, e Morgana viu a determinação em seus olhos azuis — a mesma determinação que ela via no espelho todas as manhãs.

- Você vai ser a melhor bruxa de Hogwarts, Morgie.

- E você vai ser a melhor bruxa de todas quando chegar lá.

Seus pais a acompanharam até a plataforma nove. Quando chegaram à barreira de tijolos, Morgana parou.

- Atravesse — disse seu pai. — Não pare. Não tenha medo.

- E se eu bater?

- Você não vai bater. — Ele colocou a mão em seu ombro. — Confie em mim.

Morgana inspirou fundo. Pegou o carrinho com sua mala e a gaiola de Sombra, e começou a andar em direção à barreira. As pessoas a empurravam, mas ela não parou. Apressou o passo, sentindo o coração acelerar. A barreira estava cada vez mais próxima.

Ela fechou os olhos, preparando-se para a colisão.

E ela não aconteceu.

Morgana continuou correndo, sentindo o ar mudar ao seu redor. Quando abriu os olhos, estava em uma plataforma diferente. Uma locomotiva vermelha a vapor estava parada à plataforma apinhada de gente. Um letreiro no alto informava: EXPRESSO DE HOGWARTS — 11 HORAS.

Ela conseguira.

Drake apareceu ao seu lado, sua mala na mão e um sorriso enorme em seu rosto.

- Você conseguiu, Morgs! — Ele a puxou para um abraço rápido. — Bem-vinda ao mundo bruxo!

- Drake, eu já estou no mundo bruxo — respondeu ela, rindo.

- Mas não como uma aluna de Hogwarts! — Ele se afastou, seus olhos brilhando. — Isso é diferente. Isso é especial.

A voz de seu pai vinha de trás da barreira, e Morgana se virou para vê-lo através do arco de ferro forjado.

- Estamos! — gritou de volta, acenando. — Atravessamos!

- Boa! — Magnus sorriu. — Agora, encontrem um bom lugar no trem. E não se esqueçam de escrever!

- Não vamos esquecer! — prometeu Drake.

Maeve gritou da plataforma:

- Morgie! Drake! Não se esqueçam de mim!

- Nunca! — gritou Morgana de volta, sentindo as lágrimas ameaçaram cair. — Nunca, Mae!

Maeve sorriu, e Morgana viu as lágrimas escorrendo por seu rosto, mas seu sorriso era radiante.

- Vai ser incrível, Morgie! — gritou ela. — Você vai ver!

- Eu sei, Mae! — A voz de Morgana falhou. — Eu sei que vai!

Drake colocou a mão no ombro de Morgana, guiando-a em direção ao trem.

- Vamos, Morgs — disse ele. — Vamos encontrar seu lugar antes que o trem fique cheio demais.

Caminharam pela plataforma, passando por grupos de estudantes e famílias. O som de risadas e conversas preenchia o ar. Sombra miou da gaiola.

- Você vai ficar em qual cabine? — perguntou Morgana.

- Os terceiros anos ficam nos vagões do meio — respondeu ele. — Mas os primeiros anos geralmente ficam mais para o final.

- E você vai ficar longe de mim?

- Não tão longe. — Ele sorriu. — Você vai me encontrar no Salão Principal, na Cerimônia de Seleção. Vou estar na mesa da Grifinória, torcendo por você.

- E se eu não for para a Grifinória?

- Então vou torcer por você de qualquer jeito. — Ele parou de andar. — Não importa a casa, Morgs. Você é minha irmã. Isso nunca vai mudar.

Morgana sentiu as lágrimas ameaçarem novamente.

- Eu sei, Drake.

Ele a puxou para um abraço, seus braços fortes a envolvendo. Morgana sentiu o cheiro de grama e suor que sempre o acompanhava, o calor de seu corpo contra o seu.

- Você vai ficar bem, Morgs — sussurrou contra seu cabelo. — Você é mais forte do que pensa. E eu vou estar sempre por perto, mesmo que não pareça.

- Promete?

- Prometo. — Ele se afastou. — Agora, vá. Encontre um bom lugar no trem. Cabine 47, no final do vagão. Eu vi quando passei.

- Como você sabe o número da cabine?

- Porque eu olhei. — Ele sorriu. — Queria ter certeza de que você teria um bom lugar.

- Drake...

- Vai, Morgs. — Ele apertou sua mão mais uma vez. — Vai antes que eu comece a chorar de verdade.

- Você está chorando?

- Estou. — Ele riu, mas a risada saiu trêmula. — Mas você não vai contar para ninguém, certo?

- Nunca.

- Essa é minha irmã.

Ele se virou e caminhou em direção ao vagão do meio. Morgana o observou por um momento, sentindo o peso da despedida em seus ombros. Sua postura era ereta e confiante, mas ela conhecia seu irmão o suficiente para ver a tensão em seus ombros.

- Drake! — chamou ela, e ele se virou.

- O quê?

- Vou sentir sua falta.

- Eu também vou sentir sua falta, Morgs. — Ele sorriu. — Mas vamos nos encontrar no Salão Principal. Prometo.

Ele acenou uma última vez e desapareceu entre os vagões.

Morgana ficou ali por um longo momento, sentindo o vazio deixado por sua partida. O som do trem, o burburinho da plataforma, o cheiro de fumaça e café — tudo parecia distante.

Sombra miou .

- Eu sei — sussurrou ela, acariciando a gaiola. — Eu sei.

Respirou fundo. A técnica que seu pai lhe ensinara: inspirar, segurar, expirar. Uma vez. Duas vezes. A ansiedade começou a diminuir, substituída por uma determinação silenciosa.

- Vamos, Sombra — disse ela. — Vamos encontrar a cabine 47.

Caminhou em direção ao vagão dos primeiros anos, arrastando sua mala atrás de si. O trem estava cheio de estudantes, e o som de suas vozes preenchia o ar. Corujas piavam de suas gaiolas, gatos trançavam entre as pernas das pessoas.

Encontrou a cabine número 47 no final do vagão. A porta estava entreaberta, e quando entrou, viu que estava vazia. Os bancos de veludo vermelho estavam imaculados, e a janela oferecia uma vista perfeita da plataforma.

Colocou a mala no compartimento de bagagens e a gaiola na prateleira. Sombra saltou com a graça de uma sombra líquida, farejou o banco, e se instalou ao lado da janela.

- É aqui que vamos ficar — disse a ele, sentando-se ao seu lado. — Pelo menos por enquanto.

Ele ronronou.

Morgana sentou-se ao lado da janela, observando a plataforma se encher de estudantes e famílias. Viu uma família ruiva se despedindo, um garoto de rosto redondo procurando algo desesperadamente, um grupo de meninos rindo em torno de uma caixa.

E então viu Harry.

Ele estava na plataforma com seus tios, Alaric e Miriam Potter, e seu primo Gideon. Seus olhos verdes percorriam a multidão. Por um momento, seus olhos se encontraram através da janela, e ele sorriu — aquele sorriso que ela conhecia tão bem.

Morgana acenou, e ele acenou de volta.

O apito do trem soou, e a plataforma começou a se mover. Morgana sentiu o peso da despedida em seus ombros, mas também uma centelha de esperança. O futuro estava diante dela, brilhante e desconhecido.

Sombra se aninhou em seu colo, ronronando. Morgana passou a mão por seu pelo cinza-azulado.

- Você vai ficar comigo, não é? — sussurrou. — Você não vai me deixar sozinha.

Ele miou baixinho.

O trem ganhou velocidade, e a plataforma começou a desaparecer. As casas passaram num relâmpago pela janela, substituídas por campos verdes e florestas. O sol da manhã brilhava sobre a paisagem.

E Morgana Selene Blackwood estava sozinha em uma cabine de trem, com seu gato Sombra ao lado, a caminho de Hogwarts. Pela primeira vez em sua vida, ela não sabia o que o futuro lhe reservava. E pela primeira vez, estava pronta para descobrir.


Notas finais
Notas Finais da Autora 🌙✨ E assim, Morgana parte para Hogwarts! Este capítulo foi uma despedida agridoce, marcada pela ansiedade do novo começo e pela segurança do amor familiar. Vimos cada detalhe de seu último dia em casa - as panquecas de chocolate, os gatos, os presentes de Lumi, a carta da mãe, a despedida na plataforma e o embarque no trem. O capítulo termina com Morgana sozinha na cabine número 47, com Sombra ao seu lado, pronta para a jornada que se inicia. No próximo capítulo, Morgana encontrará Harry e Neville no trem, e a amizade que começou a se formar na plataforma se aprofundará. Mal posso esperar para compartilhar essa jornada com vocês! Deixem nos comentários suas impressões, teorias e o que mais gostaram! Até o próximo capítulo! 💌🦉 Beijos , literarios. Chachá Curiosidade do Capítulo 🌟 A cabine de Morgana é a número 47, no final do vagão dos primeiros anos. Drake escolheu este lugar para ela porque era mais silencioso e perto dos banheiros, mas também porque oferecia uma vista privilegiada da plataforma para que ela pudesse ver a família se despedir. Sombra, seu gato, tem uma conexão intuitiva com sua ansiedade e será seu maior conforto em Hogwarts. 🌙✨