Notas iniciais
Notas Iniciais da Autora ✨📖 Queridos leitores, Chegamos ao momento que todos esperávamos — a chegada da carta de Hogwarts. Depois de conhecer Morgana em seu último verão antes da magia oficial, agora testemunhamos o instante em que tudo realmente começa. Este capítulo é sobre expectativas e realizações, sobre o peso dos sonhos que se tornam reais e sobre a beleza dos momentos que marcam nossas vidas para sempre. É também sobre conexões — com a família, com amigos distantes, com o futuro que se desenha no horizonte. Preparem-se para sentir a emoção de uma carta que chega, o calor de um abraço familiar e a promessa de uma nova jornada. Boa leitura! 🌙📜✨ Música Tema do Capítulo: "Unwritten" — Natasha Bedingfield (2004)







CAPÍTULO 2 — A Carta


O sol da manhã entrava pelas janelas em arco da Mansão Blackwood, pintando os corredores em tons de ouro e âmbar. Os retratos dos antepassados já estavam acordados, movendo-se em suas molduras com a dignidade de quem tinha séculos de existência para sustentar. O relógio de pêndulo no corredor principal marcava sete horas, e o som de suas batidas ecoava pela casa como um coração antigo.

No quarto do terceiro andar, Morgana Blackwood despertou com uma sensação que não conseguia nomear. Não era ansiedade — ou não exatamente. Era algo mais parecido com expectativa, um formigamento elétrico que percorria seus dedos e se alojava em sua garganta como uma pergunta não formulada. O ar parecia mais leve, mais vibrante, como se o próprio universo estivesse prendendo a respiração em antecipação.

A luz da manhã filtrada pelas cortinas de renda criava padrões dançantes no teto — pequenas flores e folhas que se moviam com a brisa, projetando sombras delicadas sobre as paredes azul-claras. Morgana ficou imóvel por um momento, ouvindo os sons familiares da mansão: os rangidos discretos da madeira antiga, o canto distante de um pássaro, o ronronar suave de Nimbus enroscada aos seus pés.

— Hoje pode ser o dia — sussurrou para a gata.

Nimbus abriu um olho verde, encarou-a com a dignidade de quem não se importava com cartas de Hogwarts, bocejou mostrando os dentes afiados e voltou a dormir.

Morgana riu baixinho e se levantou. Seus pés descalços tocaram o tapete felpudo, e ela esticou os braços acima da cabeça. O quarto era um santuário de cores suaves e memórias acumuladas. As paredes em tom de azul-claro lembravam o céu de inverno, e uma estante inteira era dedicada a seus livros favoritos — romances de época, histórias de detetive, tratados de poções que seu pai lhe dera, e uma coleção completa de contos de fadas trouxas que sua mãe lia para ela quando era pequena.

Sobre a escrivaninha de madeira clara, uma pilha cuidadosamente organizada de fitas de cabelo descansava ao lado de um pote de canetas-tinteiro. Cada fita tinha uma história — a azul-marinho que ela usara no dia em que conheceu Harry, a verde-água que pertencera à sua avó, a rosa-clara que Freya lhe dera em seu último aniversário, a prateada que ela mesma havia bordado com pequenas estrelas durante uma tarde chuvosa.

No andar de baixo, na cozinha, Misty já estava trabalhando. A elfa doméstica movia-se entre o fogão e a ilha central com a graça silenciosa de uma bailarina, seus olhos âmbar brilhando com uma sabedoria antiga. Ela sabia que aquele dia seria importante — podia sentir no ar, na maneira como os retratos pareciam mais animados, na forma como a luz entrava pelas janelas.

O senhor Magnus, Chefe dos Aurores, estava na biblioteca desde antes do amanhecer. Sentado em sua poltrona favorita, um livro aberto no colo, seus olhos não estavam nas páginas. Estavam fixos na janela, na direção do céu, como se esperasse ver algo chegando. Seus cabelos escuros estavam desalinhados — ele havia passado as mãos por eles repetidamente, um hábito nervoso que não conseguia controlar quando se tratava dos filhos.

Hoje pode ser o dia, pensou ele, os dedos tamborilando na capa do livro. Morgana tem onze anos. A carta deve chegar. Tem que chegar.

Ele sabia que a filha era especial. Desde o dia em que nascera, com seus olhos azuis profundos e um choro que parecia ecoar pelos corredores da mansão, ele soubera que ela faria grandes coisas. E agora, aquele momento estava chegando.

Do outro lado da casa, Ravenna estava em seu estúdio particular, uma sala iluminada por velas e coberta por estantes de livros antigos. Ela não conseguia se concentrar no pergaminho que tinha à frente. Sua mente estava no quarto da filha, na expectativa que certamente estava crescendo no peito de Morgana.

Minha pequena, pensou Ravenna, os olhos verdes brilhando. Você está tão ansiosa quanto eu estava na sua idade. Talvez mais.

Lembrava-se do dia em que sua própria carta chegara. A emoção, o medo, a alegria. E agora via tudo isso refletido nos olhos da filha.

Morgana desceu as escadas, e o segundo degrau do segundo andar chiou sob seu peso. Ela pisou nele de propósito, apenas para ouvir o som. Era um dos pequenos rituais que a confortavam — a certeza de que algumas coisas nunca mudavam.

Quando chegou ao térreo, o aroma de café fresco invadiu seus sentidos. A cozinha estava iluminada pela luz da manhã, e Misty já estava lá.

— Bom dia, senhorita Morgana — disse a elfa, sem se virar. — Misty já preparou o café. E também fez panquecas de mirtilo, porque a senhorita precisa comer algo nutritivo antes de um dia importante.

Morgana sentou-se em sua banqueta habitual.

— Como você sabe que hoje é um dia importante, Misty?

A elfa finalmente se virou. Seus olhos âmbar brilharam.

— Misty sente. O ar está diferente. Como antes de uma tempestade, mas não uma tempestade ruim. Uma tempestade boa. O tipo que traz mudanças.

Morgana pegou a xícara que Misty colocou na sua frente — café preto, sem açúcar, sem leite, exatamente como ela gostava. O aroma familiar subiu em espirais de vapor.

— É a carta — disse ela, e a palavra pareceu mais real agora. — Pode ser a carta.

— Misty sabe. — A elfa colocou uma tigela de mirtilos frescos na frente dela. — O senhor Magnus também sabe. Ele acordou antes do amanhecer e foi para a biblioteca. Disse que queria ler um pouco antes do café, mas Misty viu que ele estava olhando pela janela.

— Ele está ansioso?

— O senhor Magnus está sempre ansioso quando se trata dos filhos. Mas hoje ele está ansioso de um jeito diferente. Feliz. Como no dia em que a senhorita nasceu.

Morgana riu, imaginando o pai andando nervosamente pelos corredores.

A porta da cozinha rangeu, e Magnus entrou. Seus cabelos escuros estavam desalinhados, e ele vestia uma camisa de linho bege com as mangas dobradas até os cotovelos. Seus olhos azuis encontraram os de Morgana, e um sorriso caloroso se espalhou por seu rosto.

— Bom dia, minha corredora.

— Bom dia, papai.

Ele foi até a ilha central. Seus movimentos eram fluidos, mas uma observadora atenta notaria o leve tremor em suas mãos quando pegou a xícara de café que Misty já havia preparado.

— Dormiu bem? — perguntou, sentando-se ao lado dela.

— Dormi. — Morgana hesitou, os dedos tamborilando na borda da xícara. — Papai... você acha que a carta vai chegar hoje?

Magnus não respondeu imediatamente. Tomou um gole de café, seus olhos fixos na xícara. Por dentro, seu coração batia tão forte quanto o da filha. Ele queria dar a ela uma certeza que ele mesmo não tinha.

— Eu acho — disse finalmente — que as cartas de Hogwarts chegam quando precisam chegar. Não é sobre o dia, Morgana. É sobre o momento. E o seu momento está chegando.

— Você sente isso? — perguntou ela, e sua voz estava mais baixa agora. — Ou está só tentando me confortar?

Magnus colocou a mão sobre a dela.

— Eu sinto, Morgana. Assim como Misty sente. Assim como você sente. O ar está diferente hoje. Algo está para acontecer.

Morgana apertou a mão do pai.

— E se... e se eu não for boa o suficiente? — A pergunta que a assombrava há meses finalmente escapou.

Magnus sentiu uma pontada no peito. Ele a puxou para um abraço.

— Você é mais do que boa o suficiente, Morgana. Você é extraordinária. E Hogwarts vai ter sorte de ter você.

Ela ficou ali por um momento, sentindo o calor do abraço do pai. Quando se afastou, seus olhos estavam levemente úmidos, mas ela estava sorrindo.

Ravenna entrou na cozinha naquele momento, seus longos cabelos castanhos com reflexos acobreados soltos sobre os ombros. Vestia um vestido verde-musgo de gola alta, e seus olhos verdes translúcidos brilharam quando viu a cena. Ela não precisava perguntar o que havia acontecido — conhecia o marido e a filha bem o suficiente para saber.

— Bom dia, família — disse ela, beijando a testa de Morgana e depois a de Magnus. — Parece que já começaram as celebrações.

— Ainda não temos nada para celebrar, mãe — lembrou Morgana, mas o sorriso em seus lábios contradizia suas palavras.

— Temos sim. — Ravenna sentou-se do outro lado de Morgana. — Temos um novo dia, uma nova chance, e o amor de uma família que acredita em você. Isso já é motivo para celebrar.

Naquele momento, Maeve entrou correndo na cozinha, seus cachos castanhos-escuros em desordem e seu vestido rosa manchado de tinta. Ela se jogou no colo de Morgana com a energia explosiva de uma criança de sete anos.

— Morgie! Morgie! Eu sonhei com uma coruja! Uma coruja enorme que trazia uma carta! — Seus olhos azuis estavam arregalados de excitação.

Morgana riu, segurando a irmã mais nova com força.

— Você sonhou com uma coruja?

— Sim! Ela pousou na janela e tinha olhos dourados! E ela disse... ela disse... — Maeve franziu a testa, tentando se lembrar. — Ela disse "é hora".

Um calafrio percorreu a espinha de Morgana. Ela trocou um olhar com Magnus, que levantou uma sobrancelha. Ravenna também pareceu sentir algo, seus olhos se estreitando ligeiramente.

— Que sonho interessante, Mae — disse Ravenna, sua voz calma. — Você sempre tem sonhos assim?

— Às vezes. — Maeve deu de ombros, já perdendo o interesse no assunto enquanto seus olhos se fixavam nas panquecas. — Posso comer mirtilos?

— Claro, querida.

Maeve se serviu de uma tigela de mirtilos.

Drake apareceu na porta da cozinha, seu cabelo preto ainda mais bagunçado que o do pai, e seus olhos castanhos ainda sonolentos.

— Vocês estão fazendo muito barulho — reclamou, mas não havia irritação em sua voz.

— O sonolento acordou — provocou Morgana.

Drake lhe atirou uma uva, que ela pegou com a mão.

Drake sentou-se à mesa. Misty colocou uma xícara de chá na frente dele.

— Então — disse ele, seus olhos ainda meio fechados — a carta vai chegar hoje?

— Não sabemos, Drake — respondeu Morgana, mas o coração acelerou.

— Sei sim. — Ele bocejou. — Você tem aquele olhar. O olhar de "vai acontecer alguma coisa". Você sempre tem esse olhar quando algo importante está prestes a acontecer.

Morgana não sabia que tinha um "olhar" específico.

— E que olhar é esse?

— É o olhar de quando você sabe alguma coisa que ninguém mais sabe. É o olhar de quando você está prestes a fazer alguma coisa incrível. — Drake deu de ombros. — É difícil explicar. Mas eu conheço você, Morgs. Eu sei quando você está esperando por algo.

Morgana alcançou a mão do irmão através da mesa.

— Obrigada, Drake.

— Não precisa agradecer. Só não demora muito para a carta chegar, porque estou ficando curioso também.

Todos riram.

O café da manhã continuou em meio a conversas animadas. Maeve contou mais sobre seu sonho com a coruja, acrescentando detalhes que ela "lembrou" — que a coruja tinha penas prateadas e uma carta com um selo vermelho. Ninguém teve coragem de dizer que ela estava inventando.

Ravenna mencionou que tia Freya havia enviado uma coruja com um esboço preliminar do vestido azul para a viagem a Hogwarts. Magnus e Ravenna trocaram olhares que diziam mais do que palavras — ambos sabiam que aquele vestido seria usado. A pergunta não era se, mas quando.

A manhã se arrastava lentamente. Morgana tentou ler um dos livros de história da magia que seu pai lhe dera, mas as palavras dançavam diante de seus olhos. Tentou ajudar Misty a limpar a cozinha, mas acabou deixando cair um prato que se partiu em três pedaços.

Magnus observava a filha do canto da biblioteca, onde fingia ler. Ele conhecia aquela inquietação — sentia a mesma coisa. Cada batida do relógio era um lembrete de que o tempo estava passando, de que a resposta poderia chegar a qualquer momento.

Por volta das dez horas, Morgana não aguentou mais.

— Vou dar uma corrida — anunciou, levantando-se da poltrona.

Ravenna compreendeu imediatamente.

— Vai, filha. Mas beba água antes.

— Eu sei, mãe.

— E leva Nimbus com você. Ela pode... — Ravenna sorriu. — Ela pode te vigiar.

Morgana riu, abraçando a mãe rapidamente.

— Vou levar Nimbus. Prometo.

Ela subiu para seu quarto. No caminho, passou pela biblioteca e viu o pai sentado em uma poltrona, um livro aberto no colo, seus olhos fixos na janela. Magnus não a viu passar — estava perdido em pensamentos, imaginando o momento em que a coruja finalmente chegaria.

No quarto, Morgana trocou o vestido por roupas de corrida. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo alto e desceu as escadas rapidamente.

O jardim estava radiante sob o sol da manhã. Morgana começou a correr, seus passos ritmados contra o chão de terra batida. Ela seguiu pelo caminho que contornava o lago, passando pelos canteiros de flores, em direção à trilha da floresta.

A corrida era sua meditação. Cada passo a afastava um pouco mais da ansiedade, cada respiração profunda parecia limpar os pensamentos confusos.

Quando finalmente parou, estava na beira do lago. Sentou-se em uma pedra, tirou os tênis e mergulhou os pés na água fria.

Nimbus apareceu de repente, surgindo entre os arbustos. A gata se enroscou em seus pés, ronronando.

— Você nunca me deixa sozinha, não é? — Morgana riu, pegando a gata no colo.

Ficou ali por alguns minutos, sentindo o calor do sol em seu rosto, a brisa suave em seus cabelos, o ronronar tranquilo da gata em seu colo. A ansiedade havia diminuído, substituída por uma calma serena.

Quando voltou à mansão, seus cabelos estavam úmidos de suor. Ela entrou pela porta dos fundos.

— A senhorita Morgana parece melhor — observou Misty, que estava preparando o almoço.

— Estou melhor. A corrida ajudou.

Morgana subiu para tomar banho. A água quente escorreu sobre seus ombros, aliviando a tensão acumulada.

Quando desceu novamente, já vestida com um vestido de algodão rosa-claro com renda na barra, o cabelo ainda úmido caindo sobre os ombros, o ar na mansão parecia diferente. Mais vibrante.

No andar de cima, Magnus sentiu a mudança antes mesmo de vê-la. Ele estava na biblioteca, mas tinha desistido de fingir que lia. Levantou-se e foi até a janela. O céu estava limpo, azul, perfeito.

Hoje, pensou. É hoje.

Ravenna também sentiu. Estava no estúdio, mas não conseguia se concentrar no pergaminho. Sua mão foi instintivamente ao peito, onde o coração batia mais rápido.

Minha filha, pensou ela. Sua hora está chegando.

Morgana sentou-se na sala de estar, Nimbus enroscada em seu colo. Tentou ler um romance trouxa, mas as palavras não faziam sentido.

Foi então que ouviu o som.

Um bater de asas.

Morgana congelou. O livro caiu de suas mãos, e seus olhos se arregalaram.

O som vinha da janela da sala de estar. Ela levantou a cabeça lentamente.

E ali estava.

Uma coruja enorme, com plumagem marrom-avermelhada e olhos dourados que brilhavam como moedas antigas. Ela pousou no parapeito da janela com uma graça surpreendente para seu tamanho. Em seu bico, segurava um envelope de pergaminho amarelado.

O selo vermelho brilhava sob a luz do sol. O brasão: um escudo dividido em quatro partes, com um leão, uma cobra, uma águia e um texugo. Ao redor, as palavras douradas: Draco Dormiens Nunquam Titillandus.

O coração de Morgana disparou.

— Papai! — chamou, e sua voz saiu mais alta do que o esperado. — Mãe! Venham!

Magnus apareceu quase imediatamente. Ele entrou na sala com passos largos, seu rosto iluminado por um sorriso que Morgana raramente via. Ravenna veio logo atrás, seus olhos verdes brilhando com lágrimas. Drake, Maeve, Misty e Lumi se reuniram na sala de estar.

A coruja pousou no parapeito e soltou o envelope, que caiu no chão com um som seco. Morgana levantou-se lentamente, seus pés descalços fazendo pouco barulho contra o tapete.

— É a carta — sussurrou Maeve. — Como no meu sonho.

Morgana se aproximou da janela. Cada passo parecia levar uma eternidade. Ela podia sentir os olhos de todos sobre ela.

— Pegue, Morgana — disse Magnus, sua voz rouca de emoção.

Ela se abaixou e pegou o envelope. Sentiu o peso do pergaminho em suas mãos. O papel era grosso e texturizado, e o selo de cera vermelha ainda estava quente.

Seus olhos percorreram as palavras escritas em tinta esmeralda:

Sra. M. S. Blackwood

Quarto do Terceiro Andar

Mansão Blackwood

Colinas da Escócia

— É seu — disse Magnus. — Abra, Morgana.

Ela olhou para a família reunida ao seu redor. Os olhos de todos estavam fixos nela. Drake estava com um sorriso orgulhoso. Maeve segurava a mão de Ravenna, seus olhos arregalados.

Morgana respirou fundo e quebrou o selo. O som da cera se partindo pareceu ecoar pela sala.

Com dedos trêmulos, ela desdobrou o pergaminho.

ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS

Diretor: Alvo Dumbledore

Caro(a) Sra. Blackwood,

Temos o prazer de informá-la que a senhora foi aceita na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. As aulas terão início em 1º de setembro. Uma coruja lhe entregará a lista de livros e equipamentos necessários até o dia 31 de julho.

Aguardamos sua resposta até o dia 15 de agosto.

Atenciosamente,

Minerva McGonagall

Diretora Adjunta

Morgana leu o pergaminho três vezes. Na primeira, as palavras eram um borrão. Na segunda, elas começaram a fazer sentido. Na terceira, elas se gravaram em sua memória.

Quando terminou, levantou os olhos para a família.

— Estou aceita — disse, e sua voz saiu um sussurro. — Vou para Hogwarts.

O silêncio durou apenas um segundo.

Maeve soltou um grito de alegria e correu para abraçar Morgana. Drake a puxou para um abraço de irmão, batendo em suas costas com mais força do que o necessário. Ravenna a envolveu em um abraço apertado, e Morgana sentiu lágrimas quentes em seu cabelo.

Magnus foi o último. Ele a puxou para um abraço forte, os braços envolvendo-a como uma fortaleza. Naquele momento, todas as suas preocupações, todas as suas ansiedades, todos os seus medos se dissolveram.

— Eu sabia — sussurrou ele. — Eu sabia que você ia conseguir. Desde o dia em que você nasceu, eu sabia que você faria grandes coisas.

Morgana sentiu as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. Abraçou cada membro da família, cada um por sua vez.

— Senhorita Morgana! — Misty finalmente falou, sua voz trêmula. — Misty sabia! Misty sempre soube que a senhorita seria uma grande bruxa!

— A senhorita Morgana vai fazer coisas incríveis em Hogwarts! — acrescentou Lumi. — Lumi vai fazer uma festa! Uma festa para celebrar! Com bolo e doces!

— Lumi está certa — concordou Ravenna, enxugando os olhos. — Vamos celebrar.

A lareira da sala de estar explodiu em chamas verdes.

— Elijah! — Magnus correu para a lareira com um sorriso.

O homem que emergiu das chamas era alto e esguio, com cabelos castanho-claros que caíam sobre a testa em ondas desordenadas. Vestia uma túnica de veludo verde-escuro com detalhes dourados.

— Como eu poderia perder a festa da minha sobrinha favorita? — Elijah abriu os braços.

Morgana correu para abraçá-lo.

— Tio Elijah, eu cresci cinco centímetros desde o Natal!

— Cinco centímetros! — Ele a girou no ar. — Em breve você vai ser mais alta que eu.

— Isso não é difícil, você é magro que nem um palito — provocou Drake.

Elijah fingiu estar ofendido.

— Sou magro porque sou um intelectual, Drake. O cérebro precisa de espaço para se desenvolver.

— Ei!

— É verdade e você sabe.

A lareira verdeou novamente. Lilith Blackwood, a bibliotecária de Hogwarts, surgiu das chamas. Seus cabelos negros como a noite estavam presos em um coque severo, e seus olhos escuros penetravam tudo ao seu redor. Vestia uma túnica preta simples e trazia um livro debaixo do braço.

— Lilith! — Ravenna foi a primeira a cumprimentá-la. — Que bom que você veio.

— Claro que vim. — A voz de Lilith era baixa e serena. — Minha sobrinha está entrando em Hogwarts. Isso merece celebração.

Ela se aproximou de Morgana e, para surpresa de todos, a puxou para um abraço. Era um gesto raro vindo de Lilith.

— Estou orgulhosa de você, Morgana. — Sua voz era quase um sussurro. — E estou ansiosa para vê-la na minha biblioteca.

— Sua biblioteca, tia Lilith?

— A biblioteca de Hogwarts é, para todos os efeitos, minha. — Um sorriso raro apareceu em seus lábios. — E eu tenho um lugar especial reservado para você.

A lareira verdeou pela terceira vez. Blaze Nightshade, o irmão mais novo de Ravenna, emergiu das chamas. Seus cabelos loiros estavam grisalhos nas têmporas, e seus olhos azuis-claros pareciam olhar através das pessoas.

— Blaze! — Ravenna correu para abraçar o irmão. — Você veio!

— Eu sempre venho quando é importante. — A voz de Blaze era suave e distante. — E isso é importante. — Virou-se para Morgana. — Morgana. Você está prestes a embarcar em uma jornada extraordinária.

— Blaze, não assuste a menina — disse Magnus.

— Não estou assustando. Estou preparando. — Blaze se ajoelhou para ficar na altura dela. — Você tem um dom, Morgana. Intuição. Sensitividade. Você sente coisas que os outros não sentem. Isso é um presente e uma maldição. Mas se você aprender a controlar, será uma das bruxas mais poderosas de sua geração.

— Como você sabe disso? — perguntou Morgana.

— Porque eu vejo. — Blaze tocou a têmpora. — E você, Morgana, está além de todos nós. — Ele se levantou. — Mas isso é uma conversa para outro dia. Hoje é para celebrar.

Enquanto Elijah contava casos engraçados de suas aulas e Lilith observava tudo de seu canto, a porta da frente se abriu. A voz de Magnus ecoou pelo corredor.

— Morgana! Venha aqui. Temos visitas!

Morgana já estava a caminho. Seus pés descalços batiam no mármore frio. Quando chegou ao saguão, seu coração deu um salto.

Harry Potter estava ali.

Ele estava exatamente como ela se lembrava das fotos — cabelos pretos bagunçados, óculos redondos levemente tortos, e um sorriso tão largo que parecia iluminar todo o saguão. Seus olhos verdes brilhavam com uma alegria tímida.

— Morgana! — Harry deu um passo à frente.

Ela correu em sua direção. Eles se abraçaram com a força de anos de amizade cultivada por cartas, fotos e corujas.

— Harry! — Ela riu. — Eu não acredito que você veio!

— Meus tios trouxeram. — Ele se afastou o suficiente para olhá-la. — Quando soubemos que sua carta tinha chegado, eu disse que não perderia isso por nada. Você merece uma celebração enorme, Morgana.

— Seus tios são sábios. — Morgana olhou para trás dele e viu Alaric e Miriam entrando. — Tio Alaric! Tia Miriam!

Alaric inclinou-se para beijar sua testa.

— Morgana, querida. Você está radiante. E ouvi dizer que hoje é um dia muito especial!

— Acabei de receber minha carta, tio Alaric.

— E eu não poderia estar mais feliz por você. — Miriam a abraçou com ternura. — Você e Harry vão para Hogwarts juntos, Morgana. Isso é especial. Vocês vão ter um ao outro.

Harry balançou a cabeça com um sorriso.

— Tia, ela só vai ter algumas semanas a mais de experiência que eu. E eu só vou fazer onze anos no dia 31 de julho.

— E isso é suficiente — disse Miriam, sorrindo. — Ela já sabe o que é receber a carta. Você vai ter alguém para dividir a ansiedade quando a sua chegar.

— Falando nisso — Morgana olhou para Harry —, você está ansioso? A sua carta vai chegar no fim de julho, né?

Harry deu de ombros, mas seu sorriso era genuíno.

— Um pouco. Mas ver você recebendo a sua hoje meio que... me acalmou.

— Claro que vai. — Morgana deu um tapinha no braço dele. — E quando sua carta chegar, eu vou estar aqui para comemorar com você.

— Combinado. — Harry segurou a mão dela brevemente.

Gideon apareceu ao lado de Harry, seu sorriso largo e fácil. Ele era mais alto que Harry, e seus olhos verdes brilhavam com inteligência e travessura.

— Finalmente! — Gideon estendeu a mão. — Harry não para de falar sobre você. Prazer em conhecer a famosa Morgana Blackwood.

— Meio assustador, para ser sincera. — Morgana riu. — Mas também maravilhoso.

— Você merece. — Gideon soltou a mão e olhou ao redor. — E que lugar incrível!

— Você já tinha ouvido falar?

— Claro! Drake não para de falar daqui. — Gideon apontou para o irmão de Morgana. — Nós dois somos amigos em Hogwarts, sabia?

Drake se aproximou com um sorriso.

— Gideon! Não acredito que você veio!

— E perder a chance de ver sua irmã recebendo a carta? — Gideon deu de ombros. — Nem pensar.

— Vamos, vou te mostrar o jardim. A árvore que eu te falei.

— Árvore? — Gideon se animou. — A que você disse que tem uma casa na copa?

— Essa mesma.

— Vamos!

Drake e Gideon saíram correndo em direção ao jardim. Morgana observou os dois com um sorriso.

— Eles são amigos em Hogwarts? — perguntou Harry.

— São. — Harry riu. — Drake é um ano mais velho que Gideon, mas eles se conheceram no trem no primeiro ano do Gideon. Desde então, são inseparáveis.

Mirian se aproximou de Morgana.

— Morgana, querida, você sabe que a casa em Godric's Hollow está sempre aberta para você, não sabe?

— Obrigada, tia Miriam. — Morgana sentiu o coração se aquecer. — Harry me contou tanto sobre aí que eu quase sinto que já conheço.

— Ele fala muito de você também. — Miriam sorriu. — E fala com tanto carinho que a gente já sente que você é da família.

Alaric se juntou à conversa.

— A casa é antiga. Foi dos avós de Harry. Tem pedra, jardim, um galinheiro com galinhas mágicas que botam ovos dourados. Minha esposa cuida das ervas no jardim — poções caseiras, remédios, coisas assim.

— E o porão — Harry acrescentou com entusiasmo — o tio Alaric transformou em uma sala de treino de magia defensiva. Ele já me ensinou alguns feitiços.

— É verdade. — Charlus sorriu. — Um bruxo precisa se preparar, mesmo antes de Hogwarts.

— E a vila? — Morgana perguntou. — Como é Godric's Hollow?

Harry se animou.

— É pequena, mas muito bonita. Tem uma igreja antiga, um cemitério com túmulos de várias famílias bruxas — incluindo os Potter — e uma praça no centro. Aos domingos, a tia Miriam faz torta de ruibarbo e a vizinhança toda aparece.

— É meio caótico, mas é bom — completou Mirian, rindo. — E todo mundo se conhece. É um lugar seguro.

— E o Sirius? — Morgana perguntou. — Ele mora perto?

Harry balançou a cabeça, mas seu sorriso não diminuiu.

— Ele tem uma casa em Londres, mas vive viajando. — Ele fez uma pausa. — No momento, ele está em uma missão. Não sei exatamente onde. Tio Alaric disse que ele está procurando alguém — um homem chamado Pedro Pettigrew. Mas não me contaram muitos detalhes. Só sei que é importante.

Miriam colocou a mão no ombro de Harry.

— Ele vai voltar, Harry. E quando voltar, vai querer saber de tudo — inclusive da sua melhor amiga recebendo a carta de Hogwarts.

Harry sorriu.

— É verdade. Ele vai ficar orgulhoso de você, Morgana.

— De mim?

— Claro. — Harry a olhou com seriedade. — Você é corajosa, inteligente, e vai ser uma bruxa incrível. Sirius adora gente corajosa.

Mais tarde, enquanto os adultos conversavam sobre planos para o Beco Diagonal, Morgana e Harry se sentaram no jardim, observando o pôr do sol.

— Obrigado por ter feito isso, Morgana. — Harry disse, sua voz baixa. — Por ter deixado a gente vir.

— Deixado? — Morgana riu. — Harry, vocês são sempre bem-vindos aqui.

— Eu sei. Mas isso é importante. Sua carta. Seu momento. — Ele olhou para ela. — Você merece.

Morgana pegou a mão dele.

— Você é um dos melhores amigos que alguém poderia ter.

— Você também, Morgana. — Ele apertou a mão dela. — E quando minha carta chegar, em julho, eu quero que você esteja lá.

— Estarei. — Ela sorriu. — Prometo.

Eles ficaram ali, sentados na grama, vendo as estrelas aparecerem.

A festa terminou tarde da noite. Os tios de Morgana se despediram com abraços e promessas. A família Potter partiu com sorrisos e promessas de se encontrarem no Expresso de Hogwarts.

Morgana sentou-se em seu quarto, a carta de Hogwarts em uma moldura sobre a escrivaninha, ao lado de uma foto de Harry e agora também de Gideon e Maeve abraçados. Na foto, Harry sorria e acenava, e Gideon fazia uma careta engraçada.

— Harry — sussurrou. — Vamos para Hogwarts juntos.

Nimbus pulou em seu colo, ronronando.

Morgana riu, acariciando a cabeça da gata.

— Você tem razão. Eu estou pensando demais.

Ela se deitou na cama, Nimbus enroscada em seu peito, e olhou para o teto.

— Hogwarts — sussurrou. — Vou para Hogwarts.

No andar de baixo, Magnus e Ravenna estavam sentados na sala de estar, as mãos entrelaçadas. O silêncio entre eles era confortável, cheio de significado.

— Ela vai longe — disse Magnus finalmente.

— Eu sei. — Ravenna apertou a mão do marido. — Ela sempre foi especial. Desde o dia em que nasceu.

Magnus olhou para a lareira, onde as chamas dançavam.

— Ela vai fazer coisas incríveis, Ravenna. Eu sinto isso.

— Eu também.

Na cozinha, Misty e Lumi arrumavam os pratos da festa. As duas elfas trabalhavam em silêncio, mas havia um brilho em seus olhos.

— A senhorita Morgana vai ser uma grande bruxa — disse Lumi.

— Misty sabe. — A elfa mais velha sorriu. — Misty sempre soube.

E, pela primeira vez em muito tempo, na Mansão Blackwood, todos sentiram que o futuro estava finalmente começando.

Prontos para o próximo passo.

Prontos para Hogwarts.




Notas finais
Notas Finais da Autora 🌙✨ E assim, a carta de Morgana chegou e a festa se tornou inesquecível. Vimos Godric's Hollow ganhar vida através das palavras de Harry, Miriam e Alaric — um lar acolhedor, cheio de histórias e de amor. Gideon e Drake mostraram uma amizade que atravessa as estações. E Sirius foi mencionado como o padrinho presente, mesmo em missão. Morgana descobriu que não está mais sozinha: ela tem sua família, tem Harry, tem Gideon, e tem um mundo de possibilidades à sua frente. No próximo capítulo: o Beco Diagonal, a compra de varinhas e os primeiros passos rumo a Hogwarts. 🚂✨ Beijos literários, Chacha 💫