Notas iniciais
Notas Iniciais da Autora 📝✨ Queridos leitores, Chegamos ao terceiro capítulo da jornada de Morgana! Hoje acompanharemos seu último dia em casa antes da grande viagem ao Beco Diagonal. Este capítulo é um mergulho profundo em sua rotina, seus medos e sua relação com a família que a moldou. Veremos de perto suas batalhas silenciosas contra a ansiedade, sua fobia de sangue e o trauma que ainda ecoa em sua alma. Preparem-se para conhecer cada detalhe da manhã de Morgana, desde o café da manhã até o momento em que ela coloca os pés no mundo mágico que a espera. Boa leitura! 💫🌙 Música Tema do Capítulo: The Climb - Miley Cyrus








Capítulo 3 — O Primeiro Passo


A luz da manhã começava a entrar pela janela em arco como um fio de mel derretido, desenhando um retângulo dourado no chão do quarto de Morgana. A garota já estava acordada há horas — o que não era novidade para ninguém na mansão Blackwood. Sua mente nunca a deixava dormir além das seis da manhã, mesmo quando seu corpo implorava por mais alguns minutos de descanso. Era como se houvesse um mecanismo interno, uma engrenagem invisível que disparava um alarme silencioso em seus pensamentos: acorde, há coisas para se preocupar, há coisas para planejar, você não pode perder tempo.

Nimbus estava enroscada em seu colo, seu corpo quente e macio pulsando com o ronronar constante que a ancorava no presente. Seus olhos verdes estavam semi-abertos, observando-a com aquela sabedoria felina que parecia dizer: você está pensando demais de novo, humana.

— Eu sei — sussurrou Morgana, passando a mão por seu pelo cinza-azulado. — Não consigo desligar.

Nimbus miou baixinho, como se concordasse, e enterrou a cabeça contra sua barriga.

Lá embaixo, na cozinha da mansão, Misty — a elfa doméstica da família Blackwood — já estava em plena atividade desde as cinco da manhã. Seus grandes olhos castanhos, do tamanho de bolas de tênis, brilhavam com a intensidade de quem dedicava cada fibra de seu ser ao serviço da família. Suas orelhas pontudas tremiam levemente enquanto ela apitava uma panela de ferro, onde a massa das panquecas borbulhava em perfeita sincronia. Usava uma fronha de linho branco, cuidadosamente engomada e amarrada na cintura com um barbante azul — um presente de Ravenna, que insistira que Misty merecia algo melhor do que as trapos sujos que a maioria dos elfos domésticos era forçada a usar.

— Misty vai fazer as panquecas perfeitas hoje — murmurou a elfa para si mesma, seus dedos ágeis virando cada panqueca no momento exato. — A pequena Morgana precisa de um bom café da manhã antes do grande dia. Sim, sim, Misty sabe disso.

Seus pés descalços faziam um som suave contra o piso de pedra enquanto ela se movia pela cozinha com uma agilidade que desafiava a compreensão. Em uma bancada, uma jarra de suco de abóbora gelado já estava preparada. Em outra, uma travessa de frutas frescas — morangos, framboesas e mirtilos colhidos no jardim da mansão — aguardava para ser servida.

— A Maeve gosta de geleia de morango — lembrou-se Misty, estalando os dedos. Imediatamente, um pote de geleia vermelha brilhante apareceu na mesa, acompanhado por um pequeno prato de manteiga fresca. — E o Draco gosta de mel. Sim, sim, Misty não se esquece de nada.

Ao longe, Misty ouviu os passos de Drake descendo as escadas e sorriu. Ela gostava do filho mais velho dos Blackwood, apesar de suas reclamações constantes. Ele sempre a tratava com respeito — algo que nem todos os bruxos faziam com elfos domésticos — e nunca deixava de agradecê-la por suas refeições.

O quarto de Morgana estava em silêncio. Através da janela, a garota podia ver o jardim da mansão coberto por uma fina camada de orvalho, as flores silvestres balançando com a brisa matinal, os galhos da velha árvore de carvalho se estendendo em direção ao céu como braços acolhedores. A paisagem era pacífica, quase idílica, e Morgana sabia que deveria sentir calma.

Mas não sentia.

Em vez disso, havia um nó em seu estômago. Não era o nó da ansiedade — aquele ela conhecia bem, aquele que se instalava no fundo de sua garganta e se recusava a sair. Era um nó diferente. Um nó de antecipação. De quase.

Porque hoje era o dia.

Hoje ela iria para o Beco Diagonal.

Morgana Selene Blackwood finalmente iria comprar seus materiais escolares. Caldeirão, livros, balança, varinha... tudo o que ela precisava para começar sua vida em Hogwarts. A ideia era tão grande, tão avassaladora, que ela mal conseguia processá-la completamente. Era como tentar abraçar o céu — impossível, mas tentador.

Do outro lado da porta, Drake Blackwood observava o corredor com uma expressão de impaciência mal disfarçada. Ele conhecia sua irmã o suficiente para saber que ela estava perdida em seus próprios pensamentos novamente — uma qualidade que ele admirava em silêncio, mas que também o frustrava quando atrasava o café da manhã. Bateu com os nós dos dedos na madeira, três batidas rápidas e impacientes.

— Você vai ficar aí o dia inteiro? Já são quase oito horas. Mamãe está fazendo panquecas. As suas panquecas, Morgs.

Morgana sorriu, apesar do nó no estômago. Drake sempre sabia como tirá-la da cabeça — ou, pelo menos, tentava.

— Já vou! — gritou de volta, e Nimbus ergueu a cabeça com uma expressão de desaprovação felina. — Desculpa, Nimbus. Mas hoje é dia de panquecas.

A gata bufou, saltou de seu colo com a graça de uma sombra líquida e foi se instalar no banco da janela, onde começou a se lamber com uma dignidade ofendida.

Morgana se levantou da cama e olhou para o espelho em sua escrivaninha. A garota que a encarou de volta parecia cansada — olheiras sutis abaixo dos olhos azuis, cabelos castanhos escuros bagunçados pelo sono, uma expressão de alerta constante que já se tornara parte dela, como uma máscara que não conseguia tirar.

Mas havia algo diferente hoje.

Havia um brilho em seus olhos. Pequeno, quase imperceptível, mas real. Era a promessa do novo, a esperança de que talvez, só talvez, Hogwarts pudesse ser o começo de algo que ela não precisava temer.

— Você pode fazer isso — disse ao seu reflexo. — Você pode.

Em seu escritório no andar de baixo, Magnus Blackwood ergueu a cabeça do relatório do Ministério, como se tivesse ouvido algo — talvez a voz de sua filha ecoando através das paredes antigas da mansão, talvez apenas a intuição de um pai que conhecia cada batida do coração de sua família. Uma antiga lembrança invadiu sua mente: um dia, anos atrás, ele dissera a Morgana: "Use essa dor, essa raiva, essa determinação. Deixe que ela te fortaleça."

Ele não sabia se ela se lembrava daquelas palavras. Mas ele as repetia em silêncio para si mesmo todas as manhãs, como uma oração.

No banheiro em seu quarto — pequeno para os padrões Blackwood, apenas o suficiente para uma pia de mármore branco, uma banheira de pés de garra e um espelho oval emoldurado por prata — Morgana ficou em frente à pia, observando seu rosto no espelho. O rosto que sua mãe dizia ser "angelical", com o formato de coração, a pele clara salpicada de algumas poucas sardas no verão, os lábios que se curvavam em um sorriso fácil quando ela estava feliz.

Hoje, ela estava determinada a estar feliz.

Lavou o rosto com água fria, sentindo o choque acordar seus sentidos adormecidos. A rinite alérgica que a acompanhava desde a infância estava mais calma hoje — o que significava que ela não estava com o nariz entupido ou espirrando a cada dois minutos. Pequenas vitórias, pensou, enquanto pegava sua escova de dentes.

No corredor, Drake desceu as escadas com passos pesados, sua mente já vagando para as panquecas e para o dia que o aguardava. Ele sabia que Morgana estava nervosa — ele podia sentir isso, mesmo que ela nunca dissesse. E ele já havia decidido, na noite anterior, que faria de tudo para que aquele dia fosse perfeito para ela.

Na cozinha, Misty ouviu os passos de Drake e sorriu com satisfação. Ela já havia colocado a mesa com uma precisão impecável: pratos de porcelana branca com as bordas douradas, talheres de prata polidos até brilharem, guardanapos de linho dobrados em forma de cisnes. No centro da mesa, um vaso com flores recém-colhidas do jardim — lírios brancos e rosas azuis — exalava um perfume suave.

— O café da manhã está pronto, jovem mestre Drake — disse Misty, fazendo uma reverência enquanto ele entrava. — Misty preparou as panquecas de chocolate para a pequena Morgana, e as de morango para a pequena Maeve. E para o jovem mestre Drake, Misty fez panquecas com mel e nozes, como ele gosta.

Drake parou, surpreso.

— Você lembra disso, Misty?

— Misty lembra de tudo o que a família gosta — respondeu a elfa, seus olhos brilhando com orgulho. — Misty serve os Blackwood há vinte anos. Misty não se esquece de nada.

Drake sorriu, um sorriso genuíno que raramente mostrava para os outros.

— Você é incrível, Misty. Obrigado.

A elfa praticamente vibrou de felicidade com o elogio. Seus olhos grandes se encheram de lágrimas de alegria, e ela começou a esfregar as mãos com um entusiasmo quase frenético.

— Misty vai fazer o melhor café da manhã de todos! — declarou, estalando os dedos para que uma jarra de suco de abóbora gelado aparecesse na mesa. — Misty quer que a pequena Morgana tenha um dia perfeito!

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Quando Morgana terminou sua rotina matinal, voltou ao quarto e abriu o armário. Sua mão passou pelas roupas penduradas — vestidos de algodão, blusas de renda, saias plissadas — até encontrar o que estava procurando. Era um vestido azul-claro, de mangas longas e cintura alta, com pequenas flores bordadas em tom mais escuro na barra. Sua mãe o comprara na loja da tia Freya no verão anterior, e ela o guardava para ocasiões especiais.

Esta é uma ocasião especial, pensou, tirando-o do cabide com cuidado.

O ritual de arrumação de Morgana era sempre o mesmo, uma sequência de gestos que a acalmavam como um mantra. Primeiro, o vestido. Depois, as meias-calças brancas, finas como teia de aranha, que ela calçava com a precisão de quem tem medo de rasgá-las. Em seguida, as sapatilhas de couro bege, confortáveis e elegantes, que combinavam com tudo.

Por último, as fitas.

Ela as guardava em uma caixa de madeira entalhada, um presente da tia Freya. Dentro, em fileiras organizadas por cor e ocasião, havia dezenas de fitas de cetim e veludo: azuis, rosas, lilases, brancas, verdes, prateadas. Cada uma delas guardava uma memória, uma história, um pedacinho de quem ela era.

Hoje, escolheu uma fita azul-marinho — a mesma cor do edredom que sua avó Ceridwen bordara antes de partir para as estrelas. Amarrou-a em torno de seu cabelo, prendendo uma mecha solta atrás da orelha, e se olhou no espelho.

— Pronta — disse a si mesma, e quase acreditou.

Então, como um lembrete cruel, uma imagem indesejada invadiu sua mente: o sangue escorrendo pelas pedras do Beco Diagonal. O grito. O clarão verde.

Sua mão tremeu, e a fita azul-marinho escorregou de seus dedos.

— Não — sussurrou, fechando os olhos com força. — Não hoje. Não hoje.

Morgana respirou fundo. Inspirou pelo nariz, segurou, expirou pela boca. Seu pai a ensinara essa técnica para os momentos em que a ansiedade ameaçava engoli-la, e ela nunca falhava — ou, pelo menos, nunca falhava completamente.

Uma vez. Duas. Três.

A imagem do sangue começou a se dissipar, substituída pela visão do jardim ensolarado além da janela.

Não hoje, repetiu mentalmente. Hoje é um dia bom.

Agarrou a fita novamente, prendeu-a no cabelo com uma firmeza que não sentia, e desceu as escadas.

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O cheiro de panquecas flutuava pelos corredores como um convite, um fio invisível que a guiava até a cozinha. Lá, Ravenna Blackwood estava em pé diante do fogão ao lado de Misty, supervisionando os preparativos finais. Embora Ravenna adorasse cozinhar, ela sabia que a verdadeira artista da cozinha era Misty — e tinha aprendido, ao longo dos anos, a apreciar o talento da elfa em vez de competir com ele.

— As panquecas estão perfeitas, Misty — disse Ravenna, provando uma pequena porção da massa. — Você superou a si mesma hoje.

A elfa praticamente flutuou de alegria.

— Misty fica muito feliz que a senhora Blackwood goste! — exclamou, suas orelhas tremendo de contentamento. — Misty colocou um pouco mais de baunilha hoje, para deixar mais doce. Para a pequena Morgana.

Ravenna sorriu, tocando o ombro da elfa com carinho.

— Você é uma benção para esta família, Misty. Não sei o que faríamos sem você.

Misty começou a soluçar de emoção, esfregando os olhos com a barra de sua fronha.

— Misty não merece tantos elogios! Misty só faz o que deve fazer!

Quando Morgana entrou na cozinha, encontrou sua mãe em pé diante do fogão, uma espátula na mão, virando as panquecas com a precisão de quem faz aquilo há anos — embora todos soubessem que Misty havia feito a maior parte do trabalho. Ravenna usava um vestido verde-água, de mangas soltas que se moviam como asas quando ela gesticulava, e seus longos cabelos castanhos com reflexos acobreados estavam presos em um coque baixo, com algumas mechas escapando ao redor do rosto.

— Bom dia, minha pequena lua — disse ela, sem se virar. Sua intuição sempre a avisava da presença de seus filhos. — Sente-se. As panquecas estão quase prontas.

Maeve já estava sentada à mesa, seus cachos castanhos ainda molhados do banho, e uma mancha de geleia no canto da boca que ela não parecia notar. Usava um vestido rosa com estampa de margaridas, o mesmo que havia escolhido no Beco Diagonal no outono passado, e seus olhos azuis — tão parecidos com os de Morgana, mas tão mais brilhantes — estavam fixos em um livro ilustrado sobre criaturas mágicas.

— Bom dia, Morgie! — cantou, erguendo os olhos para a irmã. — Você vai comer muitas panquecas hoje? A Misty fez as que você gosta, com pedacinhos de chocolate!

— Vou comer algumas — respondeu Morgana, sentando-se ao lado dela. — E você? Vai comer o quê?

— Eu vou comer panquecas de morango! — Maeve mostrou o prato, onde três panquecas se empilhavam, cobertas por uma geleia vermelha brilhante. — A Misty fez geleia de morango especial. É a minha favorita!

— A sua favorita esta semana, você quer dizer — brincou Morgana, alisando seus cabelos. — Na semana passada era geleia de framboesa.

— Mas a de framboesa é muito azeda! — Maeve fez uma careta adorável. — A de morango é doce. E doce é melhor.

Misty apareceu ao lado da mesa como uma sombra, segurando uma bandeja com mais panquecas.

— A pequena Maeve tem toda razão — disse a elfa, seus olhos brilhando. — A geleia de morango é a mais doce. Misty colheu os morangos esta manhã, bem cedinho, enquanto o orvalho ainda estava nas folhas. Misty quer que a pequena Maeve tenha o melhor café da manhã!

Maeve bateu palmas, encantada.

— Obrigada, Misty! Você é a melhor!

A elfa quase chorou novamente de alegria.

Ravenna colocou um prato na frente de Morgana, com três panquecas douradas e fofas, com pedacinhos de chocolate derretido salpicados por cima. O aroma era celestial — baunilha, manteiga, chocolate — e Morgana sentiu a garganta apertar de repente.

— Obrigada, mamãe. Obrigada, Misty — disse, olhando para a elfa com gratidão genuína.

— A pequena Morgana não precisa agradecer! — exclamou Misty, esfregando as mãos nervosamente. — Misty fica feliz em servir! Muito feliz!

Ravenna se inclinou e beijou o topo da cabeça da filha, deixando um traço de perfume de jasmim em seu cabelo.

— Você merece, meu amor. Hoje é um dia importante. O primeiro de muitos.

Morgana pegou o garfo e cortou um pedaço da panqueca. O chocolate derretido escorria lentamente, e o aroma a envolveu. Ela comeu com apetite, saboreando cada mordida, sentindo o conforto de uma refeição preparada com amor — e com a dedicação incansável de Misty.

— Onde está o papai? — perguntou, servindo-se de mais um pedaço.

— Ele está no escritório, terminando alguns relatórios antes de irmos ao Beco Diagonal — respondeu Ravenna, sentando-se à mesa com uma xícara de café preto. — E seu irmão deve estar pronto em alguns minutos, se é que ele conseguiu encontrar uma gravata que não esteja amassada.

Como se tivesse ouvido a provocação, Drake entrou na cozinha naquele instante, vestindo sua melhor camisa branca e uma gravata vermelha que estava, de fato, perfeitamente passada. Seus cabelos pretos, no entanto, continuavam tão desgrenhados quanto sempre, caindo sobre a testa como uma rebelião pessoal contra qualquer tentativa de ordem.

— Minha gravata não está amassada — disse ele, ofendido. — Passei uma hora escolhendo.

— Uma hora? — Maeve ergueu os olhos do livro. — Mas você só tem três gravatas!

— Por isso mesmo! — Drake sentou-se ao lado de Morgana, pegou uma panqueca do prato dela sem pedir permissão e enfiou-a na boca. — Escolher entre três opções é uma decisão muito difícil.

— Você é impossível — murmurou Morgana, mas estava sorrindo.

Misty apareceu novamente, segurando uma jarra de suco de abóbora.

— O jovem mestre Drake quer mais suco? — perguntou, seus olhos brilhando com expectativa.

— Claro, Misty. Obrigado.

A elfa encheu seu copo com um movimento preciso, e Drake lhe ofereceu um sorriso de gratidão. Misty praticamente flutuou de volta para a cozinha, murmurando para si mesma sobre como a família Blackwood era maravilhosa e como ela tinha sorte de servi-los.

Drake mastigou ruidosamente, então se virou para Morgana com os olhos brilhando.

— Então, Morgs. Pronta para o grande dia? Primeira vez no Beco Diagonal como caloura?

— Eu já fui ao Beco Diagonal antes — lembrou Morgana, sentindo o sorriso começar a desvanecer. — No outono passado. Com a tia Freya.

O silêncio que se seguiu foi breve, mas pesado. Todos sabiam o que acontecera naquele dia. Todos sabiam o que ela tinha visto. O que tinha sentido.

Drake colocou a mão sobre a dela, um gesto simples que dizia tudo o que ele não conseguia expressar em palavras.

— Hoje vai ser diferente — disse ele, sua voz mais suave do que o normal. — Hoje você não vai ficar escondida. Hoje você vai entrar em cada loja, vai comprar cada livro, vai escolher sua varinha. E eu vou estar lá. O tempo todo.

— E eu também! — acrescentou Maeve, pulando da cadeira. — Vou segurar sua mão o tempo todo, Morgie. Assim você não fica com medo.

Morgana olhou para sua irmã, para seus olhos azuis cheios de uma confiança que ela não merecia, e sentiu algo se romper dentro de si. Algo que ela vinha segurando há tanto tempo que nem sabia mais que estava ali.

— Obrigada, Mae — sussurrou. — Isso significa muito para mim.

Ravenna se levantou e colocou a mão no ombro de Morgana, uma presença quente e constante.

— Coma mais um pouco, Morgana. Você precisa de energia para o dia de hoje.

A garota olhou para o prato. Ainda havia uma panqueca inteira, com pedaços de chocolate derretido que formavam pequenas poças douradas. Ela a cortou e comeu com calma, sentindo o sabor doce e reconfortante. Maeve pegou sua mão e a apertou, e Morgana sentiu a força de sua confiança fluir em si como uma corrente elétrica.

Do outro lado da cozinha, Misty observava a família com os olhos marejados. Ela sabia que Morgana estava nervosa — podia ver isso em seus olhos, na maneira como seus dedos tremiam levemente ao segurar o garfo. Mas a elfa também sabia que a pequena Morgana era mais forte do que imaginava. Ela havia servido a família Blackwood por vinte anos, e tinha visto Morgana crescer de um bebê frágil para uma jovem bruxa determinada.

— A pequena Morgana vai brilhar em Hogwarts — murmurou Misty para si mesma, enquanto começava a limpar a bancada com um movimento mágico. — Misty tem certeza disso.

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Quando terminaram o café da manhã, Magnus já estava no hall de entrada, usando seu casaco de trabalho — uma capa preta e imponente com a insígnia de Chefe dos Aurores bordada no peito. Seus cabelos negros estavam penteados com esmero, mas os fios grisalhos nas têmporas brilhavam sob a luz que entrava pela janela, um lembrete dos anos de serviço e preocupação.

O orgulho encheu seu peito quando viu Morgana descer as escadas. Ela era tão bonita, tão forte, mesmo sem saber. Mas por trás do orgulho, havia também uma preocupação silenciosa — ele sabia que o Beco Diagonal guardava fantasmas para sua filha.

— Você está linda, Morgana — disse ele, e seu rosto se iluminou com aquele sorriso que sempre fazia o coração da garota se aquecer. — Parece uma verdadeira Blackwood.

— Obrigada, papai — respondeu ela, sentindo suas bochechas corarem. — Você está muito elegante também.

— Elegante? — Drake bufou atrás dela. — Ele parece um modelo de revista. Nunca consigo entender como ele fica tão... perfeito o tempo todo.

Magnus riu, um som grave e caloroso que ecoou pelo hall.

— A prática, meu filho. Anos de prática. — Ele se virou para Ravenna, que descia as escadas atrás deles com Maeve agarrada à sua mão. — E você, Ravenna, está radiante como sempre.

Ravenna sorriu, e o sorriso iluminou seu rosto de uma forma que fazia até a luz do sol parecer sem graça. Ela vestia um casaco azul-petróleo que combinava com seus olhos, e seus brincos de pérola brilhavam como pequenas luas.

— Você só diz isso porque quer me distrair — respondeu ela, mas seus olhos brilhavam. — Eu sei que você esqueceu a lista de materiais em cima da mesa do escritório.

Magnus congelou.

— Eu não esqueci.

— Você esqueceu.

— Eu juro que coloquei no bolso.

— Magnus. — Ravenna ergueu uma sobrancelha, e todo o poder de uma Curandeira-Chefe do St. Mungus se concentrou naquele gesto. — A lista.

Magnus suspirou, derrotado, e correu de volta ao escritório, voltando momentos depois com o pergaminho desdobrado na mão.

— Eu ia pegar antes de sair — disse ele, defensivo.

— Claro que ia. — Ravenna piscou para Morgana, e ela teve que conter o riso.

Nesse momento, Misty apareceu no hall, segurando um pequeno pacote embrulhado em um pano branco.

— A pequena Morgana — disse a elfa, seus olhos brilhando — Misty preparou um lanche para a viagem. São biscoitos de aveia com passas, os favoritos da pequena Morgana. E um pouco de suco de laranja, para quando ela sentir sede.

Morgana sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

— Obrigada, Misty. Você não precisava...

— Misty queria fazer — interrompeu a elfa, esfregando as mãos com timidez. — A pequena Morgana vai para Hogwarts. Misty vai sentir saudades. Mas Misty sabe que ela vai ser uma grande bruxa.

Morgana se ajoelhou e abraçou a elfa, sentindo seu corpo pequeno e frágil contra o seu. Misty congelou por um momento, surpresa com o gesto, e então começou a soluçar silenciosamente.

— Misty vai cuidar do quarto da pequena Morgana — disse a elfa, secando os olhos com a fronha. — Vai deixar tudo arrumado para quando ela voltar nas férias. Misty promete.

— Eu sei que vai, Misty — respondeu Morgana, sorrindo. — Você sempre cuida de tudo.

Apesar de tudo, apesar da ansiedade e do nó no estômago, naquele momento Morgana se sentiu segura. Cercada por sua família e por Misty — que era mais do que uma elfa doméstica, era parte da família — ela sabia que nada de realmente ruim poderia acontecer.

Ou pelo menos, ela queria acreditar nisso.

— Como vamos chegar ao Beco Diagonal? — perguntou enquanto saíam pela porta da frente, com Nimbus seguindo-a como uma sombra de pelo cinza-azulado.

— Aparatação — respondeu Magnus. — É a maneira mais rápida e segura.

Morgana estremeceu. Aparatação sempre a deixava enjoada, com aquela sensação de ser comprimida por dentro e puxada por todos os lados ao mesmo tempo.

— Você pode segurar minha mão, Morgs — ofereceu Drake, colocando a mão em seu ombro. — Não é tão ruim quando você se acostuma.

— Eu nunca vou me acostumar — murmurou ela.

— Nem eu — disse Maeve, agarrando a mão da mãe com força. — Mas a mamãe disse que a gente pode fechar os olhos e contar até três, e aí já chegou!

— É uma boa técnica — concordou Ravenna, sorrindo. — Vamos tentar juntas.

Formaram um círculo no jardim da mansão, os pés na grama molhada pelo orvalho. Morgana segurou a mão de Drake com uma mão e a de Maeve com a outra, sentindo o calor de seus dedos a ancorar no presente.

Na porta da mansão, Misty observava com os olhos marejados, segurando o pequeno pacote de biscoitos contra o peito.

— Voltem logo — sussurrou a elfa. — Misty vai estar esperando.

— Em três — disse Magnus, estendendo a mão para Ravenna. — Um... dois...

A sensação de aparatação era sempre a mesma: uma compressão que começava no estômago e se espalhava para todo o corpo, uma torção do espaço ao redor, um ruído abafado nos ouvidos como se estivesse submersa em água.

Morgana fechou os olhos e contou até três.

Um...

Dois...

Três...

Quando os abriu novamente, estavam no Beco Diagonal.



A rua de paralelepípedos estava mais movimentada do que Morgana lembrava. Bruxos e bruxas iam e vinham, carregando pacotes e conversando animadamente, suas vestes coloridas criando um caleidoscópio de cores que se movia como um rio vivo. Os postes de luz tremeluziam com uma luz suave e constante, e o som de risadas e conversas preenchia o ar.

Enquanto a família Blackwood se ajustava à chegada, o Beco Diagonal pulsava ao seu redor com sua energia característica. O cheiro do lugar era inconfundível — havia o aroma de pão fresco saindo da padaria, mas também o odor terroso da farmácia, o perfume floral das lojas de vestes, e um toque sutil de mágica — como eletricidade estática, mas mais quente.

— Parece que a gente entrou em outro mundo — disse Maeve, seus olhos arregalados.

— Porque entramos — respondeu Magnus, sorrindo. — Bem-vindas ao coração do mundo bruxo, meninas.

Maeve correu para a frente, puxando a mão de Ravenna, apontando para tudo que via — uma vassoura flutuando em uma vitrine, uma coruja empoleirada em um letreiro, um grupo de crianças correndo com varinhas de brinquedo. Drake foi atrás delas, reclamando em voz alta que Maeve ia se perder se continuasse correndo, mas o sorriso em seu rosto dizia outra coisa.

Morgana ficou para trás, com seu pai.

Magnus observou a expressão de sua filha e sentiu um aperto no coração. Ele sabia que este lugar não era apenas mágico para ela — era também o cenário de seu maior trauma.

— Você está bem, Morgana? — perguntou ele, sua voz baixa e calma. — Sei que este lugar pode trazer lembranças...

— Eu estou bem — respondeu ela, e para sua surpresa, era verdade. — Quer dizer... estou um pouco ansiosa. Mas também estou animada. É estranho, sentir as duas coisas ao mesmo tempo.

— Não é estranho. É humano. — Magnus colocou a mão no ombro da filha. — Você pode sentir medo e coragem ao mesmo tempo. Uma não anula a outra.

— Mas às vezes parece que o medo é mais forte.

— Porque você deixa ele ocupar mais espaço. — Magnus se ajoelhou na frente dela, seus olhos castanhos encontrando os dela. — Lembra do que eu te disse depois daquele dia? Use essa dor. Use essa raiva. Use essa determinação. O medo vai estar sempre lá, Morgana. Mas você pode decidir quanto espaço ele ocupa.

Morgana engoliu em seco, sentindo as lágrimas ameaçarem vir.

— E se eu não conseguir?

— Você vai conseguir. — Magnus apertou seu ombro com firmeza. — Porque você é uma Blackwood. E Blackwoods nunca desistem.

Ela sorriu, um sorriso pequeno mas genuíno.

— Promete que vai ficar perto de mim?

— Prometo.

Ele se levantou e estendeu a mão. Morgana a agarrou, e juntos seguiram o resto da família em direção ao Gringotes.

O Banco de Bruxos, Gringotes, era tão imponente quanto Morgana lembrava. A fachada de mármore branco brilhava sob a luz do sol, e as portas de bronze polido refletiam sua imagem enquanto subiam os degraus. Os duendes que guardavam a entrada — pequenos, de faces inteligentes e barbas pontiagudas — os observaram com olhos atentos enquanto passavam.

— Lembrem-se — disse Magnus, baixando a voz — não façam comentários sobre a aparência dos duendes. Eles são extremamente orgulhosos.

— E extremamente perigosos — acrescentou Ravenna. — Se um duende oferecer ajuda, aceitem. Mas nunca, jamais, tentem enganar um.

O interior do banco era um espetáculo à parte. O saguão de mármore se estendia diante deles, com centenas de duendes sentados em banquinhos altos atrás de um longo balcão, escrevendo em grandes livros-caixa e pesando moedas em balanças de latão. O som de suas penas raspando no pergaminho criava uma sinfonia constante, entrecortada pelo tilintar de moedas e o sussurro de conversas.

— Parece uma cidade inteira aqui dentro — disse Maeve, seus olhos arregalados.

— Porque é — respondeu Ravenna. — Gringotes é o coração financeiro do mundo bruxo. Quase todos os bruxos e bruxas da Grã-Bretanha têm um cofre aqui.

Dirigiram-se ao balcão, onde um duende de olhos negros e expressão severa os aguardava. Ele usava um uniforme verde e dourado, e seus dedos compridos tamborilavam impacientemente sobre o balcão.

— Bom dia — disse Magnus, colocando a mão no bolso do casaco. — Venho sacar fundos para minha filha. Ela começa em Hogwarts este ano.

O duende examinou Magnus com um olhar cético.

— E o senhor tem a chave do cofre?

Magnus entregou uma chave pequena e dourada, com o brasão dos Blackwood gravado no cabo. O duende pegou-a com um movimento ágil, examinando-a sob uma lente de aumento mágica que surgiu do nada.

— Esta chave é válida — confirmou ele, com uma nota de surpresa em sua voz. — O cofre da família Blackwood. Número seiscentos e quarenta e dois.

— Isso mesmo — confirmou Magnus.

O duende assentiu e chamou outro funcionário — um duende mais jovem, com orelhas pontudas e olhos verdes brilhantes que pareciam faiscar com uma energia inquieta.

— Ripa vai acompanhá-los até o cofre — disse ele. — E, se a Srta. Blackwood desejar abrir uma conta pessoal, posso providenciar os formulários.

— Não hoje, obrigado — respondeu Ravenna. — Talvez no futuro.

O duende chamado Ripa os guiou através de uma porta de ferro e para dentro de uma passagem estreita, iluminada por archotes que queimavam com uma chama verde-azulada. O ar era fresco e úmido, e o som de seus passos ecoava nas paredes de pedra.

— Vocês vão ver o vagonete? — perguntou Maeve, seus olhos brilhando de excitação. — A mamãe disse que a gente vai andar de vagonete!

— Vamos, sim — confirmou Magnus, sorrindo. — E é bem emocionante.

Ripa assobiou, e um vagonete de ferro apareceu nos trilhos, vindo de algum lugar escuro nas profundezas. Era aberto, com assentos de madeira desgastada e uma lanterna mágica na frente que emitia um brilho azul.

— Entrem — disse Ripa, sua voz aguda e impaciente. — Não temos o dia inteiro.

Subiram no vagonete — com alguma dificuldade, dado o espaço apertado — e Ripa se sentou na frente, segurando uma alavanca. O vagonete sacudiu e disparou pelos trilhos, ganhando velocidade rapidamente.

As paredes de pedra se tornaram um borrão à sua volta, e o ar frio e úmido os atingiu em cheio. Maeve gritou de alegria, erguendo os braços como se estivesse voando. Drake agarrou a borda do vagonete com uma expressão de pura empolgação, e Ravenna segurou Magnus com força.

Morgana fechou os olhos, sentindo o vento em seu rosto. A aparatação sempre a deixava enjoada, mas o vagonete era diferente — era emocionante, quase libertador. Como se ela pudesse deixar todos os seus medos para trás nos trilhos.

— Estamos chegando! — anunciou Ripa, puxando a alavanca.

O vagonete desacelerou e parou em uma plataforma de pedra, diante de uma porta de ferro coberta de runas brilhantes.

— Cofre seiscentos e quarenta e dois — disse Ripa, descendo do vagonete com um salto. — A chave, por favor.

Magnus entregou a chave, e Ripa a inseriu em uma fechadura invisível na superfície da porta. As runas brilharam intensamente, e a porta se abriu com um rangido metálico.

Dentro, havia montanhas de moedas.

Galeões de ouro brilhavam como pequenos sóis, pilhas de sicles de prata criavam ondas cintilantes, e nuques de bronze se espalhavam como um tapete metálico.

— É... é tudo nosso? — perguntou Morgana, sem fôlego.

— Sim — respondeu Magnus, sorrindo. — Ou pelo menos, a parte que sua mãe e eu reservamos para suas despesas escolares.

— Isso é muita coisa — murmurou ela.

— Você vai precisar para os próximos sete anos, Morgana. Livros, materiais, vestes, suprimentos... e também para pequenos luxos de vez em quando. — Ele piscou. — Sua mãe insistiu que você tivesse um orçamento para sorvetes e doces.

Ravenna sorriu.

— Uma garota precisa de suas pequenas indulgências.

Morgana pegou um galeão, sentindo seu peso em sua mão. Era mais pesado do que parecia, e o ouro brilhava como uma promessa.

— O que você vai comprar primeiro? — perguntou Drake, colocando a mão no ombro dela. — Livros? Varinha? Uma vassoura de corrida proibida?

— Não posso comprar vassoura — lembrou Morgana. — A carta disse que alunos do primeiro ano não podem ter vassouras.

— Isso é uma regra idiota — declarou ele. — Mas tudo bem. Você pode compartilhar a minha quando estivermos em Hogwarts.

— Você confiaria em mim com sua vassoura?

— Claro que não. — Ele riu, bagunçando seus cabelos. — Vou deixar você admirar de longe.

Morgana revirou os olhos, mas estava sorrindo.

Pegaram algumas sacolas de moedas — o suficiente para as compras do dia — e voltaram ao vagonete. A viagem de volta foi menos emocionante, mas ainda assim divertida, com Maeve cantarolando uma música infantil enquanto o vento soprava em seus cachos.

Quando finalmente saíram de Gringotes, a luz do sol os atingiu como um abraço quente. O Beco Diagonal continuava tão movimentado quanto antes, mas agora Morgana se sentia parte dele, não apenas uma observadora.

— Por onde começamos? — perguntou ela.

— Pela loja de vestes — respondeu Ravenna. — A tia Freya vai querer ver você, e ela pode nos ajudar a escolher as roupas de inverno.

— E depois a Floreios e Borrões? — perguntou Morgana, mal conseguindo conter a empolgação em sua voz.

— Depois a Floreios e Borrões — confirmou Magnus. — E, finalmente, Olivaras. A loja de varinhas.

Morgana sentiu seu coração acelerar. A varinha. A sua varinha. Ela tinha esperado por esse momento a vida inteira.

— Vamos — disse ela, puxando a mão de Drake. — Não vamos perder tempo.

A loja da tia Freya, "Crescente de Prata", era uma explosão de cores e tecidos. O nome, escolhido pela própria tia anos atrás, combinava perfeitamente com a elegância etérea de suas criações — uma referência à lua crescente que guiava os navegantes e à prata que brilhava como a luz lunar. A fachada, pintada em tons de lilás com detalhes prateados, brilhava sob o sol, e a vitrine exibia um vestido de baile azul-celeste que parecia ter sido tecido com o próprio céu.

— Morgie! — A tia Freya apareceu na porta, seus cabelos ruivos vibrantes presos em um coque alto, e seu sorriso iluminando toda a rua. — Eu sabia que você viria hoje! Entre, entre!

Ela puxou Morgana para dentro, e o cheiro de tecidos novos e perfume floral a envolveu. A loja era ainda mais bonita do que ela lembrava — manequins mágicos desfilavam com as últimas criações, araras se moviam sozinhas oferecendo opções aos clientes, e uma fonte de canto tocava uma melodia suave.

— Sua mãe me enviou uma coruja ontem à noite — disse Freya, puxando-a para um canto onde uma pilha de vestes de inverno estava cuidadosamente arrumada. — Disse que você precisa de roupas novas para Hogwarts. Não é verdade?

— É verdade — confirmou Morgana, sentindo um calor subir às suas bochechas.

— Então vamos ver. — Freya começou a puxar vestes da pilha, segurando-as contra Morgana. — Esta é linda... e esta combina com seus olhos... ah, esta! Esta é perfeita!

Ela entregou a Morgana uma veste de inverno preta, com fivelas prateadas brilhantes e uma gola de veludo que parecia macia ao toque. Morgana experimentou-a sobre seu vestido, e Freya deu um passo para trás, avaliando o resultado com olhos de especialista.

— Você parece uma verdadeira Blackwood — disse ela, orgulhosa. — Perfeita.

— Obrigada, tia Freya.

— Não me agradeça ainda. — Ela piscou. — Vamos provar mais algumas.

As horas seguintes foram um borrão de tecidos, fitas e risadas. Freya fez Morgana experimentar dezenas de vestes, desde as mais simples para uso diário até as mais elaboradas para ocasiões especiais. Maeve também se divertiu, escolhendo um vestido de inverno rosa com mangas bufantes e um casaco de lã branco que a fazia parecer uma pequena nuvem.

Drake, para variar, ficou sentado em uma poltrona, reclamando que estava entediado e que "garotas demoravam uma eternidade para escolher roupa". Mas Morgana o viu sorrir quando Maeve fez uma pirueta com seu novo vestido, e soube que ele não estava realmente incomodado.

— Pronto — anunciou Freya, colocando a última veste em uma sacola. — Agora você tem tudo o que precisa para passar o inverno em Hogwarts com estilo.

— Obrigada, tia Freya — disse Morgana, abraçando-a. — Você é a melhor.

— Eu sei, meu amor. — Freya beijou sua testa. — Agora vá. Seu pai está ficando impaciente do lado de fora.

Saíram da loja com sacolas cheias, e Magnus ergueu uma sobrancelha ao ver a quantidade de pacotes.

— Ela te convenceu a comprar a loja inteira?

— Só metade — respondeu Morgana, sorrindo.

Ele riu e os conduziu em direção à Floreios e Borrões.

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A livraria era um labirinto de prateleiras que se estendiam até o teto, abarrotadas de livros de todos os tamanhos e cores. Havia livros que se moviam sozinhos, livros que sussurravam em voz alta, e livros que pareciam estar vivos, com capas que se abriam e fechavam lentamente, como se respirassem.

— Onde estão os livros de História da Magia? — perguntou Morgana, seus olhos percorrendo as prateleiras com avidez.

— Na seção de história — respondeu Ravenna, apontando para um canto da loja. — E ali estão os de Poções. E ali os de Feitiços.

— Eu vou pegar os meus! — disse Maeve, correndo em direção à seção infantil.

— Vem, Mae, eu vou com você! — Drake correu atrás dela, e Morgana ouviu sua voz gritando "não toque nisso!".

Olhou para sua mãe, que apenas sorriu e balançou a cabeça.

— Eles vão se matar um dia.

— Mas vão se divertir fazendo isso.

Morgana se virou para a seção de livros didáticos, sentindo uma onda de excitação. Sua lista dizia: O Livro Padrão de Feitiços, 1ª Série, de Miranda Goshawk. História da Magia, de Batilda Bagshot. Teoria da Magia, de Adalberto Waffling. Guia de Transfiguração para Iniciantes, de Emeric Switch. Mil Ervas e Fungos Mágicos, de Phyllida Spore. Bebidas e Poções Mágicas, de Arsenius Jigger. Animais Fantásticos e Onde Encontrá-los, de Newt Scamander. Forças das Trevas: Um Guia de Autoproteção, de Quentin Trimble.

Ela os encontrou um por um, colocando-os em uma pilha que crescia rapidamente. Quando terminou, estava carregando uma montanha de livros tão alta que mal conseguia ver por cima.

— Deixe-me ajudar — ofereceu Magnus, pegando metade da pilha. — Você vai precisar de uma sacola para levar tudo isso.

— Eu vou levar! — Maeve apareceu ao lado dela, segurando um livro ilustrado sobre criaturas mágicas e uma caixa de giz de cera que brilhava no escuro. — Olha, Morgie! Essas gizes são mágicas! A tia Freya disse que a gente pode desenhar estrelas que brilham de verdade!

— Que legal, Mae — disse Morgana, genuinamente impressionada. — Você vai desenhar muitas estrelas?

— Vou desenhar todas! Aí a gente pode colocar no teto do quarto, e vai parecer que a gente está debaixo do céu!

Morgana abraçou a irmã, sentindo seu corpo pequeno e quente contra o seu.

— Isso vai ser lindo.

Depois de pagar pelos livros e guardá-los em sua sacola encantada (que agora era muito mais leve graças a um feitiço de redução de peso), seguiram em direção à loja de varinhas.

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"Olivaras: Artesãos de Varinhas de Qualidade desde 382 a.C.".

A placa era discreta, quase modesta, mas o nome ecoava no mundo bruxo como uma lenda. Ali, naquela lojinha estreita e empoeirada, as varinhas mais poderosas do mundo eram feitas.

A mão de Morgana tremeu quando empurrou a porta. Um sininho tocou em algum lugar no fundo da loja, e uma voz suave disse:

— Boa tarde. Já estava esperando por vocês.

O Sr. Olivaras surgiu das sombras, seus olhos prateados brilhando como duas luas na penumbra. Seus cabelos brancos estavam desalinhados, e seu rosto magro era iluminado por um sorriso enigmático.

— Srta. Blackwood — disse ele, e Morgana não sabia se era uma pergunta ou uma afirmação. — Achei que a veria em breve.

— Eu... sim — respondeu ela, sua voz saindo em um sussurro. — Eu estou aqui para comprar minha varinha.

— Claro. — Ele se virou e começou a examinar as fileiras de caixas nas prateleiras. — Sua mãe veio aqui quando tinha sua idade, sabia? Escolheu uma varinha de salgueiro, vinte e seis centímetros, farfalhante. Uma boa varinha para encantamentos.

Ravenna sorriu, mas não disse nada. Seus olhos verdes estavam úmidos, e ela segurou a mão de Magnus com força.

— E seu pai — continuou Olivaras, tirando uma caixa da prateleira — escolheu uma varinha de nogueira. Muito parecida com a que você vai usar, se minha intuição não me falha.

— Como o senhor sabe?

— Eu sei tudo sobre varinhas, Srta. Blackwood. — Ele abriu a caixa, revelando uma varinha de madeira escura que emanava uma beleza inconfundível. A nogueira negra brilhava como âmbar polido, e um sutil arabesco prateado percorria seu comprimento, como veios de luz aprisionados na madeira. O cabo era levemente entalhado com runas protetoras que pareciam se mover quando a luz incidia sobre elas. — Nogueira Negra e fibra de coração de Galho de Relâmpago. Vinte e sete centímetros e três milímetros. Flexível, mas com uma determinação inabalável, assim como sua dona. Cada fio do núcleo foi extraído de um único Galho de Relâmpago — uma criatura tão rara que muitos bruxos duvidam de sua existência. Dizem que esses seres dançam nas tempestades mais violentas, e que suas fibras cardíacas absorvem a própria essência do relâmpago.

O Sr. Olivaras ergueu a varinha com a reverência de quem segura um tesouro sagrado.

— A madeira de nogueira negra é conhecida por escolher bruxos de intuição aguçada e coragem silenciosa. Aqueles que a empunham são frequentemente estrategistas brilhantes, capazes de ver além do óbvio. E o núcleo do Galho de Relâmpago... — seus olhos prateados brilharam — ...é excepcionalmente sensível a emoções. Esta varinha reagirá não apenas aos seus feitiços, mas aos seus sentimentos mais profundos. Em momentos de ansiedade, você verá faíscas de energia estática dançarem em sua ponta. Em momentos de amor, um brilho quente e dourado. E em momentos de perigo...

Ele fez uma pausa, seus olhos encontrando os de Morgana.

— ...ela se tornará uma extensão de sua vontade, uma arma tão poderosa quanto a própria tempestade.

A varinha parecia chamar por Morgana. Quando a pegou, sentiu um formigamento percorrer sua mão, como se uma corrente elétrica suave estivesse fluindo através de seus dedos. A madeira era lisa e quente ao toque, e as runas gravadas no cabo brilharam suavemente, como se tivessem acordado de um longo sono.

Ela a ergueu, sentindo o peso perfeito em sua mão, e fez um movimento rápido no ar. Uma torrente de faíscas prateadas e azuis irrompeu da ponta, formando um redemoinho que dançou ao seu redor antes de se dissipar em uma chuva de luz.

— Perfeito — murmurou o Sr. Olivaras. — Simplesmente perfeito. — Ele deu um passo para trás, seus olhos prateados brilhando. — Essa varinha escolheu você, Srta. Blackwood. Ela pertence a você.

Morgana segurou a varinha contra seu peito, sentindo-a vibrar com uma energia que parecia viva.

— Obrigada — sussurrou.

— Não me agradeça — respondeu ele, sorrindo. — Agradeça à varinha. Ela sabia que você estava chegando.

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Quando saíram da loja de varinhas, o sol já começava a se pôr, pintando o céu de tons de laranja e rosa. O Beco Diagonal estava se esvaziando lentamente, e a luz suave da tarde criava sombras dançantes nas paredes de pedra.

Morgana segurava sua varinha em uma mão e a sacola com os livros na outra, sentindo o peso de suas compras como uma promessa.

— Foi um dia bom — disse Maeve, puxando sua mão. — O melhor dia!

— Foi mesmo — concordou Morgana. — O melhor dia.

— Ainda temos que ir ao Empório de Mascotes Mágicos — lembrou Magnus. — Sua mãe e eu achamos que você deveria escolher um animal de estimação para levar para Hogwarts.

Morgana sentiu seu coração acelerar. Ela sempre quis um gato. Sempre soube que, quando fosse para Hogwarts, teria um companheiro felino ao seu lado.

— Vamos — disse ela, puxando Maeve em direção à loja. — Não quero perder tempo.

O Empório de Mascotes Mágicos era uma loja encantadora, com gaiolas empilhadas até o teto contendo corujas de todos os tamanhos e cores, sapos que coaxavam em coro, e uma seção especial para gatos no fundo da loja. Havia também animais mais exóticos — furões de pelo prateado, ratos que brilhavam no escuro, e até mesmo um pequeno dragão-de-compressão que dormia enrolado em uma almofada.

— Onde estão os gatos? — perguntou Morgana, olhando ao redor.

— Na parte de trás — respondeu o dono da loja, um homem baixo e atarracado com um avental coberto de penas. — Temos gatos de todas as cores. E alguns bem especiais.

Morgana foi até a parte de trás, onde uma fileira de gaiolas continha gatos de todos os tamanhos e pelagens. Havia gatos laranjas, gatos pretos, gatos brancos, gatos malhados. Mas um deles chamou sua atenção imediatamente.

Era um gato de pelo cinza-azulado, com olhos verdes penetrantes que pareciam observá-la com uma inteligência incomum. Estava sentado calmamente em sua gaiola, a cauda enrolada em torno de suas patas, e quando Morgana se aproximou, ele miou baixinho, como se a reconhecesse.

— Este aqui — disse o lojista, abrindo a gaiola. — É um gato muito especial. Foi trazido aqui por um viajante do Oriente, e ele nunca se adaptou bem a este lugar. Parece que estava esperando por você.

O gato saiu da gaiola com uma graça felina e se esfregou contra a perna de Morgana, ronronando com uma intensidade que vibrou através dela.

— Ele é lindo — sussurrou ela, agachando-se para acariciá-lo. Seu pelo era macio como seda, e seus olhos verdes a fitavam com uma expressão que parecia dizer finalmente.

— Vai levá-lo? — perguntou Maeve, seus olhos brilhando.

— Vou. — Morgana olhou para seus pais. — Posso ficar com ele?

Magnus sorriu.

— Ele parece gostar de você. E você parece gostar dele. — Ele se virou para o lojista. — Quanto custa?

— Cinco galeões — respondeu ele. — É um preço justo para um gato tão especial.

Magnus pagou, e Morgana pegou o gato no colo, sentindo seu corpo quente e macio contra o seu. Ele ronronava cada vez mais alto, e ela sentia a vibração contra seu peito, como uma promessa de conforto.

— Você vai ter um nome especial — disse a ele. — Como você se chama?

O gato a olhou, e por um momento, Morgana teve a estranha sensação de que ele estava respondendo. Seus olhos verdes brilhavam com uma sabedoria antiga, e a palavra veio à sua mente como se ele a tivesse colocado lá.

— Sombra — sussurrou. — Você se chama Sombra.

O gato piscou lentamente, como se concordasse, e enterrou a cabeça contra seu peito.

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Ravenna sugeriu que fossem ao Caldeirão Furado para tomar um chá antes de voltarem para casa, e todos concordaram animadamente. O bar estava mais movimentado do que no outono passado, cheio de bruxos conversando animadamente e famílias comprando suprimentos para o início do ano letivo.

Enquanto caminhavam em direção a uma mesa no canto, Maeve puxou a mão de Morgana, apontando para um garoto sentado sozinho em uma mesa próxima à janela. Ele tinha cabelos castanhos escuros e olhos cinzentos profundos, e usava vestes simples, mas bem-feitas. Não parecia triste, exatamente — apenas pensativo, como se estivesse resolvendo um quebra-cabeça em sua mente.

— Por que ele está sozinho? — perguntou Maeve, sua voz infantil e curiosa.

— Talvez esteja esperando alguém — respondeu Morgana, mas algo em sua expressão fez com que ela sentisse que não era isso. Ele parecia... perdido. Como se estivesse em um lugar que não era o seu.

Magnus seguiu seu olhar e fez uma pausa.

— Aquele é Neville Longbottom — disse ele, e havia um tom de respeito em sua voz. — O neto de Augusta Longbottom. Seus pais eram Aurores, como eu. — Ele fez uma pausa, e sua voz ficou mais suave. — Eles foram torturados até a loucura por Comensais da Morte, poucos anos depois de você nascer.

Morgana sentiu um aperto no peito. Torturados. Até a loucura. As palavras ecoaram em sua mente, e ela pensou no que seu pai lhe dissera sobre o dia em que vira o sangue no Beco Diagonal. Sobre a sensação do prazer do mal. Sobre a determinação que nascera nela naquele momento.

— Posso falar com ele? — perguntou, surpreendendo a si mesma. Talvez fosse sua intuição falando. Talvez fosse a empatia que sempre a fazia querer ajudar os outros. Talvez fosse apenas a sensação de que ele precisava de alguém.

Magnus olhou para ela com uma expressão que ela não conseguia decifrar.

— Você quer?

— Sim. — A palavra saiu mais firme do que ela esperava. — Acho que ele precisa de um amigo.

Magnus assentiu lentamente.

— Vá. Nós vamos ficar aqui.

Com Sombra ainda no colo, Morgana atravessou o bar em direção à mesa do garoto. Seu coração batia rápido, mas não era ansiedade — era determinação. Uma determinação que ela não sabia que tinha.

— Com licença — disse ela, parando ao lado de sua mesa. — Posso me sentar?

O garoto ergueu os olhos, surpreso. Seus olhos cinzentos eram profundos, mais velhos do que sua idade sugeria.

— Eu... claro — respondeu ele, hesitante.

Morgana sentou-se na cadeira em frente a ele, colocando Sombra no colo. O gato se aninhou contra ela, ronronando suavemente.

— Eu sou Morgana — disse, estendendo a mão. — Morgana Blackwood.

Ele hesitou por um momento, depois apertou sua mão. Seu aperto era firme, surpreendentemente forte para um garoto de sua aparência.

— Neville Longbottom — respondeu ele. — É um prazer conhecê-la.

— Você está esperando alguém? — perguntou Morgana, tentando soar casual.

— Minha avó — disse ele, um sorriso triste aparecendo em seus lábios. — Ela foi falar com o dono do bar sobre uma encomenda. Ela sempre faz questão de cuidar de tudo pessoalmente.

— Ela parece ser muito dedicada a você.

— É. — Ele baixou os olhos. — Ela faz o melhor que pode. Desde que meus pais...

Ele não terminou a frase, mas não precisava. Morgana entendeu.

— Eu sei como é — disse suavemente. — Quer dizer, meus pais estão vivos, mas... eu já vi coisas ruins. Coisas que não consigo esquecer.

Neville ergueu os olhos, e havia algo novo neles. Reconhecimento, talvez. Ou esperança.

— Você também? — perguntou ele.

— Também — confirmou ela. — Mas acho que a gente não precisa enfrentar essas coisas sozinho.

Houve um silêncio entre eles, mas não era desconfortável. Era um silêncio de compreensão, de duas almas que reconheciam a dor uma na outra.

— Você vai para Hogwarts este ano? — perguntou Morgana, mudando de assunto.

— Sim. — Ele sorriu, e o sorriso tornou seu rosto mais jovem, mais esperançoso. — Minha avó já comprou todos os meus livros. E minha varinha. A varinha foi... interessante.

— Interessante?

— O Sr. Olivaras disse que ela escolheu a mim. Uma varinha de cerejeira e pelo de unicórnio. — Ele parecia orgulhoso, mas também um pouco confuso. — Ele disse que é uma varinha para bruxos de coração puro.

— Isso parece muito especial — disse Morgana, genuinamente impressionada. — Ele disse algo sobre a minha também. Que era de nogueira negra, com núcleo de fibra de coração de Galho de Relâmpago.

Os olhos de Neville se arregalaram.

— Galho de Relâmpago? Mas essas criaturas são lendárias!

— Pois é. — Morgana sorriu, sentindo-se de repente mais conectada a ele. — Acho que nós dois temos varinhas bastante incomuns.

Neville riu, e o som era agradável — um riso genuíno, que parecia vir de algum lugar profundo dentro dele.

— Talvez a gente possa estudar juntos em Hogwarts — sugeriu ele. — Quero dizer, se você quiser. Eu não conheço muitas pessoas lá.

— Eu adoraria — respondeu Morgana, e percebeu que era verdade. Havia algo em Neville — uma gentileza, uma força silenciosa — que a fazia querer conhecê-lo melhor. — Acho que todo mundo precisa de um amigo no primeiro dia.

Nesse momento, uma senhora idosa, mas de postura ereta e olhar penetrante, aproximou-se da mesa. Ela usava um vestido verde escuro e um chapéu com uma pena de coruja, e carregava uma sacola cheia de livros.

— Neville — disse ela, sua voz firme mas afetuosa. — Está fazendo amigos?

Neville se levantou imediatamente, e Morgana o imitou.

— Vó, esta é Morgana Blackwood. Morgana, esta é minha avó, Augusta Longbottom.

— Muito prazer, Srta. Blackwood — disse Augusta, e seu olhar era avaliador, mas não hostil. — Os Blackwood são uma família respeitável. Seu pai é um Auror muito talentoso.

— Obrigada, Sra. Longbottom — respondeu Morgana, sentindo-se estranhamente elogiada. — Seu neto parece ser um rapaz muito gentil.

Augusta sorriu — um sorriso raro, mas genuíno.

— Ele é, sim. E é bom ver que ele encontrou uma amiga antes mesmo de chegar a Hogwarts.

Despediram-se com promessas de se encontrarem novamente no Expresso de Hogwarts, e quando Morgana voltou para a mesa de sua família, sentia um calor no peito que não tinha nada a ver com o chá que Ravenna pedira para ela.

— Você fez um amigo? — perguntou Maeve, seus olhos brilhando.

— Acho que sim — respondeu Morgana, e o sorriso em seu rosto era genuíno. — Acho que sim.

Drake olhou para ela com uma expressão de aprovação.

— Você é boa nisso, Morgs. Fazer amigos.

— Não é tão difícil — disse ela, encolhendo os ombros. — Só precisa ouvir.

---

Quando finalmente deixaram o Beco Diagonal, o céu estava escuro, e as estrelas começavam a aparecer como diamantes espalhados em um veludo negro. Magnus aparatou de volta para a mansão com Maeve e Drake, e Ravenna ficou com Morgana para o último trajeto.

— Você está bem, minha pequena lua? — perguntou Ravenna, seu perfume de jasmim envolvendo Morgana enquanto se preparavam para aparatar.

— Estou — respondeu ela, e era verdade. Sombra estava em seus braços, sua varinha estava no bolso, e seu coração estava cheio. — Estou muito bem.

— Você sabe que, se precisar de mim, é só mandar uma coruja. — Ravenna segurou o rosto da filha com ambas as mãos. — Hogwarts pode ser assustadora, mas você é mais forte do que pensa.

— Eu sei, mamãe. — Morgana abraçou a mãe, sentindo seu corpo quente contra o seu. — Eu sei.

Aparataram de volta para a mansão, e quando Morgana abriu os olhos, estava de volta ao seu quarto. Sombra saltou de seus braços e começou a explorar, farejando cada canto com uma curiosidade felina.

— Bem-vindo ao seu novo lar — disse a ele. — É seu também, agora.

Sombra a olhou, seus olhos verdes brilhando na penumbra, e miou baixinho.

— Espere — murmurou ela, lembrando-se de algo importante. — Você não vai ficar sozinho aqui. Nimbus vai adorar ter companhia.

Como se tivesse ouvido seu nome, Nimbus apareceu na porta, seus olhos verdes fixos no novo intruso. Ela se aproximou lentamente, com a dignidade de uma rainha, e Sombra a observou com a mesma cautela.

Por um momento, eles se encararam em silêncio. Depois, Nimbus deu um passo à frente e cheirou Sombra cuidadosamente. Ele correspondeu ao gesto, e então ambos se sentaram, um ao lado do outro, como se tivessem feito um pacto silencioso.

— Vocês vão se dar bem — disse Morgana, sorrindo. — Eu sei que vão.

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, ouviu um estalo familiar. Misty apareceu na porta do quarto, segurando uma bandeja com uma xícara de chocolate quente e um prato de biscoitos de aveia com passas.

— A pequena Morgana deve estar cansada — disse a elfa, seus olhos brilhando com preocupação. — Misty trouxe chocolate quente para ajudar a dormir. E os biscoitos que ela gosta.

Morgana sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

— Obrigada, Misty. Você sempre sabe o que eu preciso.

— Misty cuida da pequena Morgana desde que ela nasceu — respondeu a elfa, colocando a bandeja na escrivanha. — Misty sempre vai cuidar dela.

Morgana se ajoelhou e abraçou Misty novamente, sentindo seu corpo pequeno tremer de emoção.

— Você é parte desta família, Misty. Nunca se esqueça disso.

A elfa soluçou silenciosamente, esfregando os olhos com a barra de sua fronha.

— Misty nunca vai esquecer, pequena Morgana. Misty promete.

Ela soube, naquele momento, que tudo ficaria bem.

Talvez não imediatamente. Talvez houvesse desafios e medos e noites sem dormir. Mas, no final, com sua família, seus amigos, Sombra e Nimbus ao seu lado, e com Misty esperando por ela em casa, ela encontraria uma maneira de seguir em frente.

Morgana era Morgana Selene Blackwood.

E sua história estava apenas começando.





Notas finais
Notas Finais da Autora 🌙✨ E aqui terminamos o terceiro capítulo! Morgana finalmente tem sua varinha, seu gato Sombra, e fez seu primeiro amigo em Hogwarts — Neville Longbottom. Mas sabemos que o caminho não será fácil — seus traumas, suas fobias e sua ansiedade ainda estão presentes, prontos para serem confrontados. Nos próximos capítulos, veremos Morgana em seus últimos dias de férias antes da partida rumo a Hogwarts. Deixem seus comentários, suas teorias e seu carinho! Até o próximo capítulo! 💌🦉 Curiosidade do Capítulo: A varinha de Morgana é feita de Nogueira Negra — a mesma madeira que seu pai escolheu anos atrás, simbolizando a continuidade da linhagem Blackwood. O núcleo de fibra de coração de Galho de Relâmpago torna a varinha excepcionalmente responsiva a emoções, algo que será tanto um dom quanto um desafio para nossa protagonista. Sombra, seu novo gato, foi escolhido não apenas por sua beleza, mas por sua conexão intuitiva com Morgana — uma conexão que se aprofundará ao longo dos anos. E Misty, a elfa doméstica, é mais do que uma serva — ela é o coração silencioso da mansão Blackwood, uma presença constante que Morgana levará consigo mesmo à distância. 🌙✨