Notas iniciais
Oi pessoas que estão acompanhando A Herdeira. Saibam que eu estou amando escrever essa fic, e gostaria muito de saber o que vocês estão achando, então, não recuso reviews. Sintam-se à vontade, toda opinião é bem-vinda. Se assim como eu, você tem alguma coisa que te identifique com o capítulo, sinta-se à vontade para dizer. Eu amo relatos pessoais, me faz conhecer vocês. Bem, sem mais enrolações, vamos ao capítulo. Boa leitura a todos, até mais!

Fazia apenas algumas horas desde a chegada das integrantes da família Greengrass, no entanto, neste curto período, o clima da casa mudara drasticamente. Scorpius havia se trancado no quarto, Rose decidiu sair para resolver problemas burocráticos na faculdade, e Hugo, ao chegar em casa e notar que sua irmã não se encontrava, saiu novamente sem ser notado.

Os únicos sons presentes no ambiente eram os sussurros de Moira e as risadas excessivamente altas de Daphne. Diana bufava vez ou outra, porém não se considerava de grande importância para a mãe e a avó. As duas não apresentavam paciência alguma para com a garota desde que esta se recusou a tentar seduzir seu primo Scorpius.

A pressão sobre o futuro matrimonial da Zabini mais nova era discutido insistentemente pelos seus pais. Muitos eram os pretendentes, entretanto, os progenitores concordavam que o jovem Malfoy era a melhor opção. Sequer perguntavam se ela aprovava a escolha de seu destino. A verdade era que Diana nunca quis se casar ou ter filhos, ou melhor, herdeiros. Ela queria estudar arquitetura e trabalhar de verdade. Gostaria de ser protagonista da própria vida, não coadjuvante, atuando atrás de um homem de poder. Sua vontade era enfrentar esses homens de igual para igual, encará-los sem medo, assustá-los. Mostrar a eles que ela poderia ser elegante e inteligente, bonita e sensata, e que essas características, de forma alguma, eram opostas. Diana possuía espirito independente, todavia era privada pelos pais de praticar sua liberdade. Não tinha permissão nem mesmo para namorar, pois isso poderia manchar sua imagem diante de futuros pretendentes ou até mesmo estragar os negócios do marido, o qual não podia decidir quem seria.

Um dos poucos lugares em que sentia-se livre era ali, na mansão Malfoy, ou na casa da tia Ast. Diana cresceu num apartamento de luxo. Invejava Scorpius por este possuir um quintal em que pudesse se sujar e um jardim em que pudesse apanhar flores para a mãe. Toda vez que pensava nisso, Zabini forçava-se a recordar que sua mãe não gostava de flores e de nada que, de alguma forma, atraísse abelhas. Daphne não era muito fã de coisas vivas. Tia Ast era completamente o oposto, amava flores, animais e crianças. Se pudesse, teria vinte filhos. Mas para ter um, já havia sofrido tanto, que acabou desistindo. Dizia que quando Scorpius estivesse crescido, adotaria mais uma criança. Uma menina. Diana sonhava que essa menina era ela. Ser filha de Astoria era muito melhor. Muito mais divertido. Ela parecia uma rainha. Elegante, gentil, poderosa e linda. Muito linda. Nascera loira, mas com o tempo, decidiu que mechas escuras combinavam muito mais com seu jeito caloroso e seus olhos azuis. Há um bom tempo, a filha de Daphne fizera o mesmo, o que deixou sua mãe muito irritada. Num contexto geral, Diana gostava muito do ambiente da mansão, e gostava mais ainda do primo. Ele era muito parecido com a mãe, ao passo que ela deixava bem claro que repugnava a sua. Por isso se davam tão bem.

Devido a esse relacionamento favorável, a morena determinou-se a conversar com ele. Bateu na porta do quarto do rapaz e não tardou a ser atendida pelo mesmo, que apresentava expressão mau-humorada.

– Dia difícil? – perguntou a garota, encostando-se ao batente da porta.

– Mais ou menos. – resmungou, voltando à sua cama, onde estava acomodado antes.

Diana adentrou o recinto e trancou a porta novamente. Já conhecia bem o local, entretanto, sentia que a cada vez que entrava ali, algo estava diferente. Mais maduro, mais homem. Mais Scorpius Malfoy, o futuro médico e menos o Scorp, o garoto fascinado por super-heróis.

– Da última vez que entrei aqui você estava com duas garotas. – recordou – Nunca mais quis voltar.

O loiro sorriu fraco.

– Estávamos conversando. – defendeu-se – Uma delas gostava do Longbottom.

– Acredito. – mentiu, sentando-se ao seu lado – A vovó anda atazanando você?

– Não dei nenhuma brecha para ela fazer isso.

– Acho que ela sentiu-se um pouco ofendida por isso. Queria ficar perto de você.

– Você sabe que é teatro, não é? – insinuou um tanto rude.

– Desta vez notei um pouco de verdade. – discordou – Ela está deprimida, sem energia sequer para gritar com os empregados.

– Pode estar fingindo.

– Para mim? A vovó me acha insuportável, por que ela mentiria para mim, Scorpius? – retrucou irritada – Você é agradável, Scorp. Por mais que a vovó importune você, ou até aquela garota, a Rose, ela não odeia vocês, porque são boas pessoas. Você saberia se odiasse. – terminou, um pouco mais calma.

– Você também é uma boa pessoa, Di. – afirmou, sem duvida alguma. Era a verdade.

– Obrigada, Scorp. – sorriu genuinamente – Mas ainda sou uma garota má.

Declarou já se levantando. Diana era sempre assim: rápida, direta e sincera.

– Di. – o homem chamou antes que ela se afastasse demais – Você deveria ficar num quarto mais perto de mim.

– Não, gosto do meu quarto. Sua mãe o reservava para mim e tenho grande apreço por isso.

– Então faça como quiser. – disse, sem esperar resposta alguma.

Mas ela veio. Ali, no batente da porta, Diana proclamou as palavras que mudariam o dia de Scorpius, e a maneira como ele via aquela garota.

– Sobre o seu pai. – começou – Foi o único pai que eu já conheci Scorpius. Os outros são todos como o meu. Quando tiver um filho, seja como o tio Draco. Ensine a ele o que é amor. Eu aprendi isso muito bem nessa casa. Garanta que a lição perdure. – Malfoy assentiu, e observou Diana sair, fechando a porta. Mesmo abafada, ele escutou a voz dela dizendo: – Olá Weasley.

Também ouviu sua irmã cumprimentando-a de volta, e os saltos da morena se afastando. Passaram-se alguns minutos, até que Rose reuniu coragem para girar a maçaneta e invadir o cômodo do modo mais educado possível.

– Eu sabia que estava ali. – Scorpius pronunciou sem mover um músculo.

– Imaginei que soubesse. – tornou firme, parada à sua frente – Você tem uma semana de faltas justificadas. Conversei com o coordenador e ele entende que você precisa de tempo para pensar e resolver os problemas relacionados às empresas. Avisou que se precisar de mais auxílio, é preciso que ligue para ele, somente isso.

– E você? – levantou os olhos para a moça – Quanto tempo ganhou?

– Nenhum. Não preciso. Volto às aulas amanhã.

– Isso não é justo. – indignou-se.

– Muitas coisas não são justas, nem por isso estou reclamando. Vamos lá, Malfoy, aproveite. – falou baixo, porém selvagemente.

– O que há com você? – indagou claramente confuso, levantando-se para encará-la. – Por que está me tratando dessa maneira?

– Porque você merece! – elevou o tom de voz.

Rose respirou fundo e se jogou numa das poltronas de cor preta dispostas ali. Ela sentia raiva, amargura. Não queria tolerar aquela situação de indiferença familiar. Sentia que precisava fazer algo a respeito, no entanto não imaginava por onde começar. Hugo era ótimo em dizer coisas pesadas de modo leve. Ela, infelizmente, não possuía o mesmo dom.

– Rose. – chamou vagarosamente, temendo a reação da ruiva – O que houve?

– Você está sendo cruel. – despejou de uma só vez.

– Eu? – questionou descrente.

– Sim. Acabei de passar pela sua avó e ela lançou um sorriso para mim. E o pior, um sorriso tristonho. – revelou com desespero evidente, quase aos prantos – Isso não está certo.

– E por que isso é ruim? Moira praticamente só xinga você.

– E daí? Pelo menos ela sabe quem eu sou, sabe as razões pelas quais não gosta de mim. Isso é um bom sinal.

– Não compreendo bulhufas do que diz, Rose.

A garota foi até ele, segurando suas mãos.

– Ela chama você pelo nome completo quando está zangada. – pontuou serenamente– E conta as malcriações que você fazia quando era pequeno. E ainda fala da sua mãe. Do quanto ela era teimosa. – fungou, os olhos lacrimejando.

– Rose... – sussurrou.

– A minha avó Granger não se lembra de mim, ou do Hugo. Muito menos da mamãe. – confessou – Isso é doloroso. Porque quando a mamãe ainda era viva, ela se esquecia de muitas coisas, contudo não das pessoas. – livrou-se do rapaz e sentou-se na cama – Imagine todas as vezes em que o meu irmão e eu fomos visitá-la. Há pouco mais de um ano ela não nos reconhece mais. – sua voz começou a ficar embargada – Foi quando ela perguntou quem nós éramos. Dissemos que éramos seus netos e, de súbito, ela perguntou onde estava Hermione. – soluçou – Pense no que é dizer a uma mulher que sua filha está morta há anos. É de dar pena.

“Depois desse dia, tivemos que repetir a história várias vezes. Explicar o que havia acontecido. O acidente, a neve, a história dos presentes de Natal e a sua mãe. Tudo. Chegou uma hora que não suportávamos mais, então o vovô Granger sugeriu que inventássemos histórias. E é isso o que fazemos até hoje. Dizemos que nossos pais estão viajando para o Caribe, Havaí, Brasil. Dizemos até que estão fazendo testes para uma viagem à lua. E a vovó ri. Ela ri muito. Eu pensava que estávamos nos aproveitando da ingenuidade dela, abusando da doença. O Alzheimer destruiu Elizabeth Granger. O que vemos hoje é uma sombra do que ela era. E a cada nova história inventada, nos sentimos mais destruídos. Porque sabemos que não é a verdade, mesmo que quiséssemos que fosse. Só que é o melhor que podemos fazer para que ela não sofra. Você está fazendo a sua avó sofrer, Scorpius. Não deveria ligar nem se ela batesse em você todas as vezes que o visse. Se eu tivesse escolha, preferiria que a minha avó me insultasse todos os dias a essa realidade que temos que encarar. Ela é como a minha avó. Perdeu a filha, e isso destrói qualquer um. Ela foi forte, Scorp, ainda é. Não sei se é por ela mesma, pela filha que ainda vive ou pelos netos, mas ela se mantém de pé sozinha. Quando eu crescer, gostaria de ser um pouco como ela. Pense nisso.”

Assim como Diana, Rose saiu dali. Não se despediu, não discutiu mais.

Scorpius pensou naquilo. Pensou bastante. E resolveu descer para jantar, sentar-se ao lado de sua avó rigorosa e durona. Mas era a sua avó, a única que possuía, e ele não poderia reclamar tanto assim.