Notas iniciais
Olá amores, como vão? Bem, estou feliz em estar aqui novamente, escrevendo essa fic para vocês. Prometo que demorarei menos ainda da próxima vez. Gostaria de agradecer pelos reviews e, é claro, pedir que continuem a comentar. As que ainda não comentaram, podem começar agora. Enfim, boa leitura a todas (em todos os sentidos porque dá uma bizoiada no título do capítulo). Beijos, até os comentários!

A tensão se espalhava por todos os cômodos da mansão. Desde os proprietários até os empregados. Os presentes tomavam o desjejum em absoluto silêncio, apenas os talheres batendo nos pratos podiam ser ouvidos. E havia também as respirações, ambas descompassadas. Nervosos e ansiosos demais para conversarem, aos poucos iam se retirando da mesa. Hugo tomou como destino a escola, Rose daria carona a ele, pois estava indo à faculdade. Scorpius, Moira e Daphne dirigiram-se aos seus respectivos aposentos e Diana daria um passeio pela propriedade. Havia muito o que se admirar ali.

Existia uma razão para que os sentimentos estivessem borbulhando, seja por medo ou esperança. Era o dia da leitura do testamento de Draco e era certo que sua fortuna poderia beneficiar a todos ali, embora o que estivesse realmente em jogo fosse o poder. O senhor Malfoy era um homem venerado por outros empresários de sucesso bem como pela população geral. Além de excelente empreendedor, era um bom homem, que contribuía com o que fosse necessário para o progresso de seus funcionários. De modo oposto a seu pai, ele não abusava de nenhum de seus funcionários e seu objetivo era que os filhos deles não tomassem o mesmo rumo na vida e pudessem estudar, se alimentar e se divertir da mesma forma que o seu Scorpius.

Por isso ficou feliz em reconhecer nos filhos de Ronald que seu esforço valera a pena. Eram duas crianças educadas e inteligentes, que compreendiam com clareza o que acontecia em seu redor. Mais tarde, teve de aceitar que, embora o auxílio que a Construtora Malfoy oferecia para a compra de livros e material escolar em geral, o incentivo da mãe daqueles dois ruivinhos era a grande arma que possuíam. Ao descobrir que a senhora Weasley era professora, Draco fez questão de investigar a escola na qual ela lecionava e prover auxílio financeiro mensal à instituição, além de patrocinar excursões da mesma em sua empresa, visando, de alguma forma, demonstrar que com esforço e dedicação aos estudos, todos poderiam um dia trabalhar dentro do prédio. Seja como contador, engenheiro, arquiteto. Sua intenção era mostrar a eles que a educação valia a pena. Na maioria dos passeios ele estava presente e procurava ser gentil e atencioso com as crianças, respondendo suas perguntas, até mesmo as mais bobas, como: “quando é a hora do lanche?”. Divertia-se ao notar a vergonha das professoras, que prontamente pediam-lhe inumeráveis desculpas.

Não se pode dizer que ele não fez o que pôde por aqueles que, apesar de não serem seus filhos, tomaram grande parte de seu tempo e dedicação. Ele manteve a casa que lhes pertencia limpa e com a mesma composição. Não permitia que mudassem qualquer móvel de lugar e os produtos de limpeza utilizados eram os mesmos que Hermione comprava. Apenas três pessoas possuíam a chave da casa. Rose, Hugo e Zoe, a jovem que costumava acompanhar Rose e Hugo à escola. Ela ficou encarregada de abrir as janelas da casa todas as manhãs e fechá-las todas as noites, além de mantê-la sem nenhum resquício de sujeira, mofo ou pó. Malfoy pagava bem mais do que o valor de seus serviços prestados, porém a confiança que depositava nela era gigantesca. E tanto Hugo quanto Rose afeiçoavam-se a ela. Draco passou a compartilhar desse sentimento também.

***

Modelagem organizacional era uma das disciplinas que Rose mais gostava, porém, naquele dia específico ela não conseguia prestar atenção em absolutamente nada do que o professor Sheppard dizia. Sua capacidade de aprendizado naquela manhã era nula, no entanto não se arrependia de ter ido à faculdade. Ficar em casa seria angustiante. A leitura do testamento aconteceria naquela tarde às cinco horas, momento do chá. A ruiva havia pedido para Winky organizasse o que fosse necessário no escritório de Draco. Teriam mais alguns convidados para a leitura do documento, como alguns acionistas da empresa e o marido de Daphne, Blásio Zabini, além das testemunhas presentes no momento em que Draco redigia o testamento: sua enfermeira Phoebe Marshall e sua advogada, Minerva McGonnagall. Elas eram de total confiança de Malfoy e Rose imaginava que não deixariam que ele fizesse alguma besteira, contudo sentia medo. Medo da fortuna ser dirigida a alguém que não gostasse dela e retirasse-lhe tudo o que possuía. De novo. Ainda não havia mexido no dinheiro do seguro de seus pais e, além dele, possuía um fundo financeiro que mantinha para algum imprevisto. Com isso, conseguiria terminar de pagar sua faculdade e metade da do seu irmão. Até lá pretendia ter conseguido um emprego que pudesse sustentá-los. Mas havia a casa. Rose não permitiria caso tentassem tirar a casa de seus pais dela. Estava em seu nome, todavia lidaria com poderosos, e eles sempre conseguem o que querem, especialmente se não gostassem da garota. Nesse caso, se dedicariam em abalar seu emocional, e a Weasley não estava preparada para isso.

– Rose, está viajando? – sua amiga Dominique chamou sua atenção.

– Desculpe, perdi algo importante? – indagou um tanto confusa ao perceber que os colegas retiravam-se da sala de aula.

– Nada que não possa entender sozinha mais tarde. – respondeu preocupada – O que está acontecendo?

– Nada, só estou preocupada com Hugo na escola. – mentiu lançando-a um sorriso que não convenceu.

– Sei que está mentindo. – resmungou levantando-se e recolhendo seus pertences – Respeito se não quiser falar, mas não minta para mim. – avisou.

Dominique era loira, alta e magricela. Tinha tudo para ser desengonçada, entretanto sua mãe era professora de balé da famosa Academia Beauxbatons e obrigou a filha a praticar a dança até seus oito anos de idade, quando quebrou um dedo do pé tentando equilibrar-se nas sapatilhas. Depois disso ficou traumatizada e nunca mais entrou no local de trabalho da mãe. Sua irmã, por outro lado, aparentava possuir talento nato para os palcos e era aclamada em demasia pelos críticos. Domi não sentia-se incomodada ou diminuída por isso. Sua mãe também não cobrava tanto dela. Dizia que, depois de criar três filhos praticamente sozinha, eles poderiam seguir qualquer carreira – contanto que não fosse ilegal – e ela ficaria mais do que orgulhosa.

– Vamos cabular as próximas aulas. – a loira sugeriu piscando seus olhos azuis – Você está avoada, vai acabar fazendo besteira cedo ou tarde. Podemos caminhar um pouco e conversar a respeito de séries e filmes, algo que tive você da realidade.

– Não é certo. – tentou argumentar – Eu já perdi conteúdo demais.

– E vai absorver o que se continuar aqui? Tristeza? Não mesmo, não sei o que está se passando em sua cabeça, e não me interessa, mas você precisa se distrair um pouco e eu posso oferecer isso a você.

Mesmo relutante, Rose aceitou acompanhar a amiga e não se arrependeu. A manhã correu tranquila e a tarde também. Nesse meio tempo, Rose sentiu-se à vontade para discutir o que lhe afligia com a amiga e ficou realmente emocionada quando Dominique ofereceu-lhe todo apoio que precisasse, seja financeiro ou emocional.

Às três horas decidiu voltar para casa. Hugo já teria chegado da escola e Scorpius provavelmente estaria perambulando impaciente. Precisava acalmá-lo. Ao adentrar o recinto, percebeu que suas suposições estavam corretas. Assim que atravessou a porta de entrada, avistou Diana sentada num degrau da escada concentrada no celular e Scorpius, em sua frente, andando de um lado para o outro. Ao fitar Rose, Diana suspirou aliviada.

– Finalmente. – exclamou erguendo-se num instante – Já não sabia mais o que fazer para ele parar.

A morena subiu para o segundo andar deixando os dois encarando-se no hall.

– Já tomou banho? – inquiriu a jovem.

– Pelo menos três. – respondeu – Eu sei que banhos costumam me acalmar, mas desta vez não está dando certo.

– Vá para o quarto, tome um calmante, Scorpius. – aconselhou – Do jeito que está colocará todo mundo pirado!

– É, acho que vou fazer isso. – concordou, subindo as escadas.

Rose fez o mesmo trajeto a fim de ir banhar-se também. Assim que terminou, vestiu uma saia azul-marinho larga que estendia-se até abaixo dos joelhos e uma camisa de botões branca. Conferiu seu relógio e ele marcava três horas e cinquenta e dois minutos. Resolveu que passaria a hora seguinte junto de Hugo.

Às cinco horas pontuais, todos acomodavam-se em cadeiras dispostas defronte à mesa de madeira maciça no escritório de Draco. Havia-se formado algumas fileiras devido à falta de espaço, cada uma com quatro cadeiras. Na primeira leva estavam Moira, Daphne, Diana e Scorpius. Na segunda, Hugo, eu, a enfermeira e a advogada, e na terceira, Blásio Zabini e mais dois acionistas da empresa.

– Podemos dar início à leitura do testamento? – perguntou o homem sentado por trás da mesa.

Todos concordaram. Ele, então, retirou um papel simples de um envelope lacrado e pôs-se a lê-lo.

– “Eu, Draco Black Malfoy, encontrando-me no meu mais perfeito juízo, gozando plenamente de minhas faculdades mentais e sem qualquer tipo de coação, tomei a iniciativa de redigir meu testamento particular, na presença de duas testemunhas, como manda a lei, sendo estas Phoebe Anastasia Marshall e Minerva McGonnagall, as quais aqui neste momento se acham reunidas em minha presença. Conforme as exigências legais, manifesto minha ultima vontade da forma a seguir:

Para minha amada sobrinha Diana Greengrass Zabini, ofereço o apartamento em Paris, a casa em Cancun e minha parte nas ações dos hotéis Four Seasons, para que sinta-se confortável onde quer que esteja.” – Diana sorria abertamente. Seu tio sabia de seus planos e sua atitude indicava que apoiava-a – “Por ser um filho exemplar e por ter despertado em mim a máxima felicidade que um homem pode alcançar, deixo para Scorpius Hyperion Malfoy a parcela que é sua por direito de todos os meus bens por ser meu único herdeiro legítimo. No entanto, por ter a sabedoria de que seus planos não incluem administrar nossa empresa familiar, reconheço que ele entenderá e concordará com minha decisão.” – Scorpius segurava as lágrimas. Não imaginava que o pai o conhecia tão bem. Mais atrás dele, Blásio Zabini mantinha-se pomposo, a ponto de quase gargalhar, afinal, Draco era um homem previsível e, depois de anos bajulando-o, estava na hora de ser reconhecido – “A parte restante de meus bens, isto é, a maioria, incluindo a Construtora Malfoy e Associados, entrego nas cuidadosas mãos de Rosalie Granger Weasley, a qual despertou em mim enorme carinho e que, com plena certeza, saberá administrar nossa empresa como ninguém.

Declaro que minhas as exigências expressas deverão ser cumpridas sem qualquer tipo de interferência ou objeção e as designações indicadas não poderão ser recorridas.

Em vida, firmo serem verídicas as afirmações acima.

Draco Malfoy."