Passei a mão em minha franja, a mesma escondia um pouco meus olhos e começava a me incomodar, desci minha mão para minha barriga, a mesma doía um pouco e tinha algo gelado ali, prendi um pouco minha respiração e olhei para fora do carro, algumas crianças corriam em um parque pequeno, todas rindo e se divertindo.

– Não consigo respirar. — sussurrei, abaixando minha cabeça.

– É fácil. — Santana disse, parando em um sinal. — Puxe todo o ar do carro.

– Você vai ficar sem ar.

– Eu posso ficar sem ar por um tempo. — ela sorriu. — Respire.

Puxei um pouco de ar, abri minha boca e olhei para ela, Santana parecia confusa.

– Eu não consigo. O ar fica preso aqui. — apontei para minha garganta.

– Relaxe, Rachel.

– M-mas... E se não gostarem de mim?

– Você é incrível, é claro que gostarão de você!

– Eu sou autista, Santana. Ninguém gosta de altistas.

– Eu gosto. — ela parou o carro lentamente, fazendo minha barriga doer mais. — Rachel, eu te amo, Quinn, Brittany e Andrea também. Se nós lhe amamos, com certeza, eles lhe amarão.

– Tudo bem. — suspirei pesado, olhei para o campus ao lado e gemi. — Eu não consigo, Santana...

– Olhe, você enfrentou o colegial, a época mais difícil da vida de qualquer um. Agora você pode enfrentar a faculdade.

– Mamãe esteve comigo no colegial.

– Rachel, você não precisa da sua mãe, nem mesmo de mim. Você é corajosa demais, vai conseguir entrar lá e enfrentar todos.

Afirmei com minha cabeça, molhei meus lábios e suspirei, abri a porta do carro rapidamente, me preparei para sair, mas senti Santana segurar minha mão, me fazendo virar para ela. Seu sorriso era lindo, seus olhos brilhavam, os mesmos continham lágrimas. Rapidamente, ela se aproximou mais de mim e me beijou, passando a outra mão em meu pescoço. Assim que ela se afastou, mordi meu lábio inferior e respirei fundo.

– Obrigada. — murmurei.

Saí do carro rapidamente, dei alguns passos até o campus e parei, vendo várias pessoas conversarem, alguns garotos pulavam um em cima do outro, algumas garotas cochichavam e mostravam suas saias plissadas. Senti minhas pernas tremerem, minhas mãos começaram a suar e minha respiração ficou presa em minha garganta.

– Respire... — ouvi Santana sussurrar atrás de mim. — Você vai ficar bem.

– E-eu não...

Uma de suas mãos pousaram em minha cintura, tentando me proteger, mas eu me afastei, como se algum choque tivesse atingido meu corpo.

– Quer que eu lhe acompanhe até lá?

– Eu acho que... — abaixei minha cabeça. — Podemos voltar para casa?

– Rachel...

– Eles irão rir de mim, eu sei.

– Eu não irei deixar.

Santana passou a minha frente, percebi minha mochila em uma de suas mãos, me aproximei dela e me escondi atrás dela, com a cabeça baixa. Entramos na faculdade, alguns olharam para nós duas, paramos em frente à uma sala e Santana se virou para mim.

– Obrigada. — murmurei, pegando minha mochila.

– Consegue seguir daqui?

– Acho que sim.

Ela beijou minha testa, entrei na sala e me sentei na frente, sendo observada por alguns. Virei meu rosto para a porta, Santana ainda estava ali, sorrindo para mim.

– Bom dia, novatos. — uma mulher loira disse, entrando na sala. — Sou Holy Holiday.

Olhei para a porta novamente, Santana olhava para minha professora. De repente, alguém esbarrou em Santana, arregalei um pouco meus olhos, uma garota loira de olhos verdes entrou na sala, depois de se desculpar com Santana, e suspirou pesado.

– Com licença. — ela começou, olhando para a professora. — Aqui é a primeira aula da Educação Especial?

– Sim. — Senhorita Holiday respondeu, colocando uma de suas mãos em sua cintura fina. — Você seria...

– Millicent. — a garota respondeu, tombando um pouco sua cabeça. — Prazer em conhecê-la, senhorita...

– Holiday.

– Holiday. — Millicent repetiu, sorrindo.

– Sente-se, Millicent, já começarei a aula.

Millicent se atrapalhou um pouco com sua bolsa, olhou em volta e depois para mim, seu sorriso era lindo e não saía de seu rosto. Rapidamente, ela sentou ao meu lado, colocou suas coisas em cima da mesa e olhou para mim novamente.

– Oi!

Abaixei minha cabeça, corando, ela estendeu sua mão para mim e eu olhei para a mesma.

– Qual é o seu nome?

– Hum... — levantei um pouco meu olhar, Santana não estava mais na porta. — R-Rachel...

– Prazer em conhecê-la, Rachel. — sua mão tocou a minha, mas eu me afastei rapidamente, olhando para seu queixo. — Autismo?

Franzi minha testa ao máximo, Millicent ainda sorria.

– C-como você sabe? — murmurei.

– Eu também sou autista.

– Você não é autista. — resmunguei, cruzando meus braços.

– Sim, eu sou. Comecei a fazer tratamentos desde pequena, por isso sou mais... desenvolvida? — eu sorri, ela também. — Às vezes me sinto como uma bomba relógio.

– Como assim?

– Eu consigo falar com todos à minha volta normalmente, consigo encarar todos nos olhos, mesmo que me incomodando, consigo tocar outras pessoas, além de minha família, mas... sempre tenho um dia ou outro que quero tudo longe de mim, sabe? Isso é normal em um autista.

– Senhoritas... — senhorita Holiday murmurou, me assustando. — Sei que o primeiro dia é animador, mas vocês terão três anos para se conhecerem totalmente.

– Nos desculpe. — Millicent disse.

Abaixei minha cabeça e suspirei, ouvindo senhorita Holiday falar coisas, talvez interessantes.

***

– O lançador se prepara para jogar a bola, toda a torcida está em silêncio, é o final do campeonato, último ponto e tudo estará ganho, já que o jogo está empatado... O lançador lança a bola, ela vai diretamente para o bastão, Rachel rebate com perfeição, jogando a bola para fora do campo! Todos gritam seu nome! Rachel! Rachel! A rebatedora corre até a primeira base, o outro time já não insiste, sabendo que não irá mais ganhar. Segunda base! Seus companheiros ficam loucos! Terceira base! A torcida pula nas grades, gritando com todo o fôlego! Rachel! Rachel! Quarta base, e é um home run! — pulei na última base e sorri, vendo o campo vazio. — Rachel é a mais nova rebatedora, estrela de todo o time! Todos se orgulham dela por...

– Ora, ora, ora... — uma voz grossa disse, fazendo eu me calar e pular de susto. — Belo jogo, rebatedora.

Abaixei minha cabeça, corando fortemente, o garoto à minha frente se aproximou mais de mim e colocou suas mãos nos bolsos de sua calça.

– Não fique tímida, linda. — ele murmurou. — Você estava incrível.

Dei alguns passos para trás, ele me seguiu e soltou uma pequena risada.

– Você não devia estar em casa? As aulas terminaram em meia hora.

– M-minha carona n-não chegou... — sussurrei.

– Você disse carona? — afirmei com minha cabeça, ele tirou a mão do bolso e levantou um pouco meu rosto, me fazendo encarar seus lábios. — Sua mãe vem lhe buscar?

– N-não...

– Bom. — seu sorriso era pequeno, mas bonito. — Se quiser, posso lhe dar uma carona. — puxei meu queixo de sua mão. — Ou não...

– Não precisa.

– Tudo bem. — cruzei meus braços e franzi meus lábios. — Sou Elliot, caso queira saber.

– Não quero saber. — resmunguei, o fazendo rir.

– Me parece que você gosta de Baseball. Nunca pensou em jogar?

Fechei minhas mãos com um pouco de força, nervosa. Eu não gostava de pessoas estranhas falando comigo, principalmente quando eu ficava sozinha.

– Acho que você não é de falar muito.

– Rachel!

Peguei minha mochila rapidamente e corri até Santana, deixando Elliot para trás, a abracei com força e suspirei pesado.

– Santana... eu não quero mais ficar sozinha.

– Aquele garoto lhe fez algo?

– Não, mas... Ele faz perguntas demais.

– Tudo bem.

Ela beijou minha testa e nós seguimos para fora do campus, até seu carro.

– Rachel! — me virei rapidamente, junto com Santana. — Sei que nos conhecemos apenas hoje, e que você não confia em mim. Na verdade, eu também não confio em você, e não somos amigas, mas... Hoje à noite terá uma festa para os calouros, os veteranos irão pagar tudo. — Millicent parecia não parar de falar. — Você está convidada, e sua irmã também.

– Oh! Não sou irmã dela. — Santana disse. — Nós somos...

– Me desculpe. Leve sua amiga, e algumas outras, caso queira se sentir confortável.

– Namorada. — murmurei, chamando sua atenção. — Santana é minha namorada.

– Certo... — Millicent abaixou a cabeça, corando. — Me desculpe novamente. Ah! Prazer em conhecê-la, Santana. Sou Millicent. Rachel e eu somos da mesma turma.

– Hum... Tudo bem. — Santana murmurou, séria. — Me desculpe, mas precisamos ir.

– Claro, claro! Não quero tomar o tempo de vocês. Se quiserem aparecer, será à noite, e... Bem, até mais.

Acenei para ela, Santana soltou uma pequena risada e fomos para seu carro.

– Sua amiga é bem... animadinha.

– Ela é autista. — respondi, sorrindo. — Acredita nisso?

– Mesmo? Legal!

– Acho que você não precisa entrar comigo amanhã.

– Fico feliz por isso, querida.

– E... Santana? — ela murmurou algo, eu me encolhi. — Nós podemos vir à essa festa?

– Você quer?

– Sim.

– Então nós viremos.

Notas finais
Millicent: http://data2.whicdn.com/images/50450565/large.jpg Elliot: http://i45.photobucket.com/albums/f87/Priestess_Khariaya/chris-hemsworth.jpg Eu ia fazer um cap das meninas do primeiro dia na nova casa, mas fiquei sem ideia e tal. Quando tiver algum cap delas no apartamento, eu mostro ele pra vocês. xoxo