Notas iniciais
Tia Beth tá enxergando longe e vai fazer o Gil passar aquela vergonha na frente de Sara.

—Você o quê??

—Contei à minha mãe sobre o que rolou entre a gente ontem.

Pela terceira vez repeti aquilo a Sara após ficarmos sozinhos na sala. Aproveitei a oportunidade em que minha mãe tinha subido pra tomar banho e contei logo a Sara.

—Então é por isso que ela tá me olhando de um jeito esquisito?

—Certamente!

Acho que minha mãe estava ensaiando dizer algo a Sara ou a gente mesmo, mas não estava sabendo como nos abordar a respeito.

—Por que contou a ela?

—Você também contou a suas primas sobre a gente e eu não reclamei.

—Não estou reclamando.

—Ela me perguntou sobre ontem e eu tive que contar. Além do mais, eu já tinha dito à ela um dia antes sobre o que sinto por você. Ela sabia que eu aproveitaria o passeio de ontem pra te contar que havia terminado com Heather e sobre os meus sentimentos por você, então...

—Quer dizer que me contar tudo aquilo ontem já estava programado por você?

—De certa forma, sim. Todavia, eu não sabia se teria coragem suficiente pra te contar. Principalmente, a segunda parte, pois achava que você ia zombar de mim e também, por conta da timidez. Mas, o intuito principal do passeio de ontem era te contar as coisas que contei.

—Você me pegou totalmente de surpresa ontem. Não esperava por aquilo!

Ela confessou, bagunçando o meu cabelo ao passar uma de suas mãos por ele.

—Ficou bem evidente isso. Quase não acreditou no que eu disse.

—Pois é. Mas voltando à sua mãe... o que ela achou da... gente?

—Eu adorei!

A voz da minha mãe reverberou atrás da gente nos assustando.

Prontamente, eu troquei um rápido olhar com Sara e logo em seguida, ambos nos viramos no sofá e encontramos a minha mãe parada nas escadas.

—Mãe, a senhora não tinha subido pra tomar banho?

—Eu tinha. No entanto, no meio do caminho lembrei que estava na hora do meu remédio e voltei pra ir a cozinha pegar água e não deixei de escutar a conversa de vocês. Desculpa!

De canto de olho notei Sara com uma expressão surpresa pela presença da minha mãe ali e o fato dela ter ouvido nossa conversa. Confesso que eu também estava do mesmo jeito que minha hóspede.

—A verdade é que muito antes de se entenderem, eu já fazia muito gosto que vocês ficassem juntos, pois formam um casal tão bonito.

—Mãe!!

—Mãe nada!! E aproveitando essa ocasião, eu quero ter uma conversa séria com vocês.

Não gostei nada do tom dela ao nos dirigir tais palavras. Novamente, olhei de soslaio a Sara e ela parecia agora preocupada.

Vimos minha mãe vir e se acomodar no sofá que se encontrava ao lado do que Sara e eu, estávamos. Era o mesmo em que mamãe se encontrava acomodada momentos atrás.

—Olha, eu estou contente com o fato de terem se entendido e terem, como vocês chamam mesmo hoje em dia, o que aconteceu ontem?

—Ficado! — Sara se adiantou na resposta.

—Isso! Terem ficado. E creio que vão continuar "ficando", não é isso?

—Sim!

Foi minha vez de adiantar a resposta. Não fazia ideia se essa era a vontade de Sara também, mas era a minha. Esperava que fosse a dela.

—Onde a senhora quer chegar com essa conversa?

Não estava entendendo direito o rumo que ela pretendia dar àquela prosa toda, mas algo me dizia que coisa boa não viria.

—Não me levem a mau no que vou dizer, mas acho necessário e pertinente essa conversa. Gostaria de pedir que se comportem aqui dentro. Nada de tanto agarramento pela casa. Sei que são adolescentes e com os hormônios à flor da pele...

Quando ela disse isso, eu já comecei a prevê o que viria depois.

—... Mas espero que sejam comportados. E caso, os hormônios falem alto, e vocês acabem indo muito além do que trocar apenas beijos e abraços, que sejam cuidadosos o bastante então. Não quero ser avó tão precocemente.

—Mãe!!!

Sério que ela falou aquilo?!

Não tava acreditando que ela tenha aberto a boca pra dizer aquela coisa mesmo.

Minha vontade era cavar um buraco naquele instante e me esconder lá pelos próximos cinco anos, quando, certamente, Sara terá me esquecido. Não imaginei que ouviria coisa pior assim da minha mãe.

—A senhora só pode estar querendo me matar de vergonha dizendo isso, não é?

—Por que vergonha?

Engraçada as mães, né? Elas fazem a gente pagar cada mico, mas, geralmente, não se dão conta disso. Pra elas é coisa mais normal fazer certos tipos de comentários ou dizer algo que faz com que a gente, filhos, queira sumir na hora.

—Mãe, a senhora se deu conta exatamente do que disse pra gente?

—Perfeitamente. E qual é a vergonha nisso? Por acaso falei alguma coisa de outro mundo, Sara?

Tanto eu quanto minha mãe olhamos pra Sara que se encontrava sentada ao meu lado.

—Falar a senhora não falou! — Sara respondeu tentando segurar a vontade de rir daquela situação ridícula a qual minha mãe estava fazendo a gente passar. _Pelo contrário, está nos prevenindo apenas. E, pode ficar tranquila que vamos nos comportar e também seremos "cuidadosos" o suficiente pra não lhe darmos... um netinho, não é quatro olhos?

Ao terminar de falar isso, Sara não aguentou e riu, como se não tivesse dito nada de mais.

Eu não sabia o que era pior ali. Se era ter ouvido a minha mãe ou aguentar a Sara tirando sarro daquilo. Eu aqui querendo me enterrar de vergonha e ela brincando com aquela situação e com o que a minha mãe disse.

Achei que a minha hóspede ia ficar mais sem graça do que eu com o que ouviu da minha adorável mãe, mas ela estava levando na brincadeira aquilo.

—Responde pra ela não ficar preocupada e achando que seremos irresponsáveis.

Sara bateu de leve no meu braço pra exigir uma resposta minha.

—A gente vai se comportar e ser cuidadosos. Não que... a gente vá... fazer isso, mas... "se" for fazer... vamos ter cuidado.

Eu falei todo sem graça e me embolando naquela explicação. Que situação mais embaraçosa estava sendo essa de ter esse tipo de conversa com a minha mãe e, ainda por cima, tendo a presença de Sara ali. Quer vergonha maior que essa?

—Assim espero mesmo!

Foi tudo o que ela nos disse antes de se levantar e dar àquela desagradável conversa, seu devido fim. Graças a Deus que ela não prolongou mais aquele papo desconsertante. Já estava até apavorado achando que viesse mais coisas piores. Que bom que não veio!

Depois de dar o papo por encerrado, minha mãe saiu da sala, mas antes nos recomendou novamente: "Comportem-se".

O que minha mãe acha? Que vou me atracar com a Sara aqui no sofá, ainda mais, sabendo que ela se encontra em casa? Claro que não! Que idéia!

—Acho que tem alguém aqui que se pudesse se enfiar num buraco, se enfiaria de tanta vergonha!

Sara não conseguia esconder o sorriso de divertimento ao me dirigir aquelas palavras.

—A minha mãe foi completamente sem noção ao dizer aquilo.

—Ai, relaxe! Ela só estava preocupada ora.

—Mas ela não tinha nada que ficar dizendo essas coisas. E, você ainda deu corda pra ela, né?

—Eu não resisti. — Sara me disse rindo. _Além do mais foi divertido ver você ficar todo errado com o que sua mãe disse. — Ela apertou minha bochecha, algo que eu detestava que fizessem em mim.

—Divertido? Foi constrangedor isso sim!

—Constrangedor pra você, porque pra mim isso que aconteceu aqui foi bem engraçado!

Eu apenas balancei a cabeça em discordância de Sara que ria.

Vimos minha mãe passar de volta da cozinha e seguir as escadas pra agora sim, ir tomar o banho que ela anunciou momentos atrás que iria tomar.

Assim que ela sumiu e ficamos Sara e eu novamente a sós na sala, eu achei que deveria aproveitar a oportunidade pra tratar com a garota sentada próxima a mim, sobre a "questão" que minha mãe havia me abordado ontem.

—Sara, a gente precisa conversar sobre o Nick.

Eu confesso que estava me sentindo mal pelo meu amigo, pois sei que ele estava de verdade a fim da Sara. Só que eu não tinha a menor pretensão de abrir mão dela por ele. Podíamos ser amigos como fosse, mas eu também me apaixonei pela Sara e não ia desistir dela pelo meu amigo.

—O quê a gente precisa conversar a respeito dele?

—Como o quê?... Ele é meu amigo. Você tava, ou melhor, tá ficando com ele. E agora, nós dois... — Apontei pra ela e pra mim. _... Ficamos ontem. E como afirmei a pouco à minha mãe, eu quero continuar "ficando" com você. Mas tem o Nick no meio disso. E eu quero saber o que pretende fazer com relação à ele e à gente depois do que houve ontem.

Eu quis perguntar mesmo é se ela terminaria com ele pra ficar comigo, mas não tive coragem pra tanto.

Admito que lá no fundo, eu estava meio com medo dela dizer que não pretendia terminar com ele e pior, que se arrependia por ontem.

—Grissom...

O celular dela tocou sobre a mesinha de centro e interrompeu a sua fala. Ela apanhou o aparelho e ao verificar quem ligava, Sara me olhou com uma das sobrancelhas arqueadas.

—O que foi?

—É o Nick! — Ela me disse sem ainda ter atendido o celular que continuava a tocar em sua mão.

—Atendi!

Queria ver como ela falaria com ele na minha frente.

—Não se importa?

Importar, eu me importava, logicamente, mas fazer o quê?!

—Vai em frente!

—Ok!... Oi, cowboy! — Ela disse atendente a ligação.

Eu fiquei calado e só olhando-a conversar com ele. Ela falava normalmente com meu amigo, mas em alguns momentos, eu a ouvia muito monossilábica ao telefone ou sentia que ela ficava desconfortável, e me olhava meio sem graça. Vai ver porque Nick lhe dizia algo que causasse isso. Talvez, ele tenha confessado que "sentia a sua falta", ou que " não via a hora de estar de volta pra vê-la", esse tipo de coisas que caras apaixonados dizem quando estão longe da garota que gostam.

E, quando, ela encerrou a ligação uns bons minutos após tê-la atendido, devo admitir que me encontrava frustrado, pois ela não tinha terminado com ele e nem sequer tinha feito menção disso.

—Ele disse que tá divertido lá, mas que não vê a hora de voltar pra Vegas.

—Claro! Posso até imaginar bem a razão pela qual ele quer tanto voltar pra cá. — Comentei com certo sarcasmo. Depois sem conseguir me conter eu a questionei: _Você pretende continuar com ele depois do que rolou entre a gente ontem?

—Claro que não!... Que espécie de garota acha que eu sou? Por acaso pensa que sou dessas que fica com dois, três ou mais, ao mesmo tempo?

Pela forma como ela me falou aquelas coisas, percebi que minha pergunta foi infeliz demais e que a ofendeu.

—Foi mal, eu não quis te ofender.

—Mas infelizmente, você ofendeu!

Eu já ia pedir desculpas por isso, mas o surgimento da minha mãe de volta a sala, me impediu disso.

—Aconteceu alguma coisa por aqui?

Ela sacou de imediato pelas nossas caras que algo de errado tinha acontecido ali.

—Vou deixar pro seu filhinho lhe explicar sozinho o que houve, tia Beth. — Sara se adiantou em dizer à minha mãe. _Enquanto isso, eu vou subir e colocar o meu celular pra carregar. Com licença.

Vi Sara se levantar e sair dali sem me dirigir o olhar. Será que era pra tanto assim? Eu acho que era sim!

—Tô esperando você começar a se explicar, Gilbert.

—Mãe foi só um mal-entendido que vou consertar agora. — Contei já levantando do sofá e indo atrás de Sara. Precisava me desculpar pelo ocorrido. Eu a ofendi.

Notas finais
Gil sempre metendo os pés pelas mãos. Vai ter que consertar essa situação com Sara. Vai conseguir? Saberemos no próximo . Um grande beijo e até breve.