A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
33 Capítulo 32
Notas iniciais
Chegamos ao centro de convenções e logo na entrada, um letreiro dava a ideia de que aquilo não era somente uma exposição para os amantes do rock, ou unicamente, uma homenagem a esse estilo de música. Mais do que isso, aquela exposição era um verdadeiro resgate da história musical.
"É dedicado a explorar o passado, o presente e o futuro da música e do contexto cultural da qual ela emerge". Dizia o texto exposto bem na entrada do lugar.
—Nossa, eu tô mega animada pra entrar aí!
—Eu devo admitir que estou empolgado pra isso também.
Olhei pra Sara e ambos sorrimos.
Logo em seguida, nós entramos no centro. O lugar estava lotado. Gente de todas as idades, gêneros e estilos circulando ali. E a extrema organização do lugar impressionava.
De cara a gente se deparou com posters enormes de diversas bandas expostos nas paredes do lugar, havia também carros antigos pendurados no teto e seguros por cabos de aço, e alguns instrumentos musicais como, por exemplo: guitarra, bateria, baixo entre outros, que estavam suspenso que nem os carros. Várias pessoas estavam tirando fotos dos instrumentos, dos carros e em frente dos posters das bandas. Inclusive, Sara era uma dessas pessoas. Depois da sessão de fotos dela, começamos a circular pelo lugar. O centro de convenções era enorme e possuía três andares.
O primeiro que era onde nos encontrávamos, ficavam vários estandes e lojinhas que vendem desde de CDs à ímãs de geladeira, e outras inúmeras variedades de coisas. Entramos em muitos estandes e lojinhas pra ver as coisas que vendiam, outros apenas passávamos na frente.
Tudo o que você podia imaginar e que tivesse relação com rock ou com a música, podia ser encontrado. Teve um loja que entramos que vendia umas camisetas que eram muito legais. Camisas com diversas estampas de bandas consagradas e de bandas atuais que fazem sucesso. E, se não tivesse a da banda que você queria, os caras da loja buscavam a imagem da banda na internet e depois, numa máquina própria que havia na loja, eles estampavam a camiseta ali na hora pra pessoa.
Outra loja maneira que entramos foi uma que vendia CD's e vinis de vários artistas. Desde os que fizeram sucesso na década de 50/60 logo quando o rock surgiu, até os dos dias atuais.
Sara parecia fascinada com cada coisa que via ali. Tudo arrancava um sorriso dela e eu estava gostando disso. Ela ficava bonita sorrindo daquele jeito espontâneo e alegre.
Seguimos passeando por mais e mais estandes e lojas. Inclusive, compramos algumas coisas. Sara, por exemplo, comprou uns botons pra prender na mochila dela, uma munhequeira com o símbolo da banda Rolling Stones, e uma miniatura de um boneco do Hendrix segurando sua guitarra. Quanto à mim, comprei apenas um chaveiro com uma guitarra e um boné preto que trazia na frente o nome da banda Beatles e seu submarino amarelo bordado.
E depois desse tour pelas lojas e estandes, resolvemos fazer uma pausa pra comer algo, já que passada da hora do almoço. Decidimos almoçar antes de subir para visitar as pequenas salas dedicadas aos artistas que marcaram a história do rock, bem como, o cinema que contava a história desse estilo desde o seu surgimento até os tipos de músicas que influenciaram o rock e suas vertentes.
Fomos a praça de alimentação, montada na parte de trás do centro de convenções, numa área aberta e espaçosa, onde ficavam diversos e variados food-trucks e quiosques de lanchonetes e pequenos restaurantes.
—E aí, o que quer comer?
—Qualquer coisa que não tenha carne, tá valendo.
A gente rodou o lugar e encontrou um food-truck que atendia tanto quem era vegetariano quanto quem não era. E foi ali mesmo que almoçamos.
Um tempo depois já estávamos no segundo andar, nos acomodando nas poltronas do cinema pra assistir ao curta de 30 minutos. Nele podemos ver as origens do estilo musical, os tipos de música que influenciaram o rock. Foram mostradas algumas canções de gêneros como rythim 'n blues e jazz.
Em seguida, vimos o estouro do rock'n roll acontecer! E também, foram citados e mostrados os discos das bandas e artistas que marcaram o início do gênero, como: The Turtles e James Taylor.
Foi também mencionado no curta, o fato do rock ter enfrentado protestos de parte da sociedade em seu início, sendo considerado por muitos como um estilo subversivo, depravado.
Tão logo, o curta terminou, nós partimos pra visitar as salas dedicadas aos artistas. E a primeira, de todas ali, não podia ter sido outra senão a do inigualável Élvis Presley, o "rei do rock".
Sara e eu encontramos ali exposto: três carros do Élvis, bem como, algumas letras originais de canções dele escrita pelo próprio rei, guitarras, documentários, roupas de shows, e nas pequenas telas LCD espalhadas pela parede da sala, passavam imagens de shows do Élvis em cidades diferentes. Era muito maneiro aquilo. Um verdadeiro deleite pra quem é fã dele ou apenas um admirador seu.
Partimos pra sala seguinte que mostrava a relação entre a música e as cidades. Chicago, New Orleans , Memphis e Detroit (sede da icônica gravadora Motown ), foram os destaques já que são considerados locais musicalmente ricos.
Veio a sala só dos Beatles. Nela era possível encontrar em exposição: roupas, instrumentos e discos da banda. Além de vídeos interativos, pôsteres, reportagens da época do sucesso da banda, entre outros itens variados.
Em seguida, foi a vez de conhecermos a sala própria dos Rolling Stones e de outros ícones do rock como, por exemplo: Jimi Hendrix, Janis Joplin, Genesis, U2, The Police, The Doors, Metallica, Kiss, Bruce Springsteen, Aerosmith, Oasis, e outros tantos artistas consagrados.
Passear por aquelas salas era como viajar no tempo e na história de cada banda. Vimos pertences, descobrimos curiosidades e particularidades desses artistas. Era gratificante e enriquecedor tudo aquilo. Sara pirava com cada coisa que via e tava adorando aquela viagem pela música e as bandas.
Já no terceiro andar podemos ver exposto e retratado no enorme salão, a relação da música com os meios de comunicação. Era fato que o sucesso de qualquer estilo musical do século passado não teria sido o mesmo sem a participação do rádio, através do qual as canções chegavam às grandes massas e se popularizavam. Isso sem falar nos LPs, depois substituídos pelas fitas K-7 e pelos CDs, que hoje em dia deram lugar ao MP3. Toda essa evolução tecnológica também foi retratado naquela sala, sem esquecer dos velhos aparelhos de som.
E, então veio a TV. Quando a televisão surgiu, o que antes era apenas som se tornou também imagem. E começou assim o reinado dos videoclipes. Toda banda que se presava fazia videoclipes de suas músicas, como forma de promover essas mesmas músicas lançadas.
Outro meio exposto e retratado ali foi a imprensa escrita. A história da música não seria a mesma sem a tradicional revista Rolling Stone, por exemplo. Inclusive, havia uma parte daquele salão dedicado somente à essa famosa revista.
Encontramos no salão seguinte e menor, o "Hall da fama do rock". Nele era possível assistir a vídeos de cerimônias antigas mostrando os artistas que entraram para a seleta galeria.
Também encontramos no mesmo salão o "Hall of Fame Jukebox", onde é possível ouvir diversas músicas, dos mais variados artistas. Sara e eu ouvimos algumas ali. E por fim, mais adiante, encontramos reproduzido ali um muro branco, em homenagem ao famoso álbum The Wall, da banda Pink Floyd.
—Caraca! Foi um mega passeio esse.
Sara comentou enquanto estávamos sentados num banco há pouca distância do muro branco.
A gente tava dando um tempo ali pra pegar as escadas e ir de volta para o primeiro do andar. O nosso passeio tinha se encerrado. Havíamos visto tudo o quê foi possível e agora era ir pra casa.
—Bota mega nisso. Acredita que são quase quatro da tarde? — Informei-a após consultar meu relógio.
—Mentira?! Nossa, a gente perdeu a noção total do tempo aqui.
Era verdade. Passamos horas ali e nem vimos e muito menos, sentimos o tempo passar enquanto estávamos ali. Foi extremamente enriquecedor e divertido passar aquelas horas ali ao lado de Sara.
—Temos que agradecer ao Phillip por isso.
—Nesse caso, eu acho que também devemos agradecer à neta dele por não ter podido vir e assim, ele nos deu os ingressos pra vir aqui. — Sara rebateu.
—Sim.
Vimos um animado grupo de adolescentes parar diante do muro e um à um, eles faziam poses e tiravam fotos em frente ao The Wall pra levar de recordação. Instantes atrás, Sara e eu fizemos isso antes de nos acomodar naquele banco e antes do celular dela descarregar.
—Posso te fazer uma pergunta? — Sara me disse ao desviar o olhar do grupo pra me encarar.
—Faz!
—Você só me trouxe pra esse passeio porque o Phil disse que era pra GENTE vir, não é? Aposto que se não fosse por isso, você teria trazido sua namorada, ao invés, de mim, não tô certa?
Quão errada ela estava e nem sabia. Mas eu ia tratar de nesse momento deixá-la ciente da verdade.
—Pior que não. Você não está certa, Sara.
—Como não?
—Não vejo pessoa melhor pra ter me acompanhado nesse passeio senão você.
—Tá bom. Vou fingir que acredito em você, quatro olhos. — Ela socou meu braço rindo. De certo, não estava me levando a sério.
—Eu tô falando a verdade, Sara.
—Tá, legal!... — Ela levantou do banco e foi até a parede de vidro mais adiante pra observar a paisagem lá fora.
Fiquei observando-a por alguns segundos até decidir em também me levantar do banco e ir me juntar à Sara.
—Sua namorada não ficou com ciúmes de você ter vindo comigo?
Ela me indagou logo após eu ter me postado ao seu lado diante da parede de vidro.
Talvez aquela fosse a oportunidade mais do que perfeita pra abrir o jogo com Sara. Falar do meu rompimento com Heather e dos sentimentos que eu nutria pela minha hóspede insuportável.
—Ela não é mais minha namorada, Sara. — Contei sem muita delonga encarando a paisagem da cidade lá fora. _A gente terminou. Ou melhor, ELA terminou comigo.
Mesmo sem olhar ainda pra Sara, eu podia sentir seu olhar em mim tão logo lhe contei aquilo.
—Por que ela fez isso??
Foi a pergunta que Sara me lançou poucos segundos depois do que eu lhe disse.
—Porque eu me apaixonei por outra e ela descobriu isso da pior forma.
—Quê?? Espera aí... — Ela segurou em meu braço e me fez virar pra encará-la. _... Como assim você se apaixonou por outra? Você não era louco pela ruiva?... E que outra é essa, quatro olhos?
Sorri dela e de seu bombardeio de perguntas. Ela parecia visivelmente confusa com o que eu disse e, certamente, ficaria mais ainda com o que eu lhe diria a seguir.
—Dá pra me responder ao invés de ficar só rindo.
—Essa outra é... você, Sara. Eu me apaixonei por você. E foi por isso que a Heather terminou comigo. — Contei sem fazer rodeio.
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