Notas iniciais
Olá, meninas! Hoje eu quero aproveitar essas notas pra falar com uma leitora em especial. Querida Ana Camila, eu não poderia deixar de atender ao seu pedido. E, sendo assim, cá estou pra te oferecer esse capítulo e o de Another Life que postarei à seguir, ambos são como um singelo presente nessa data especial pra você. Coração, que Deus te abençoe sempre, ilumine seus caminhos e guie seus passos nessa estrada da vida. Saúde, felicidades e tudo do melhor não só hoje, mas todos os dias. Um grande beijo e espero que o presente esteja bom o suficiente pra você. PS: Menina, você acertou em cheio o que ia acontecer.

—O quê??

A cara de Sara depois do que eu disse empalideceu. Por um momento achei que ela fosse ter um troço. Tava branca feito uma cera.

—Sara, você tá bem?

—Acho que não.

Ela parecia meio descrente e me encarava com uma clara confusão na expressão.

—Vem. Vamos sentar lá no banco. — Propus.

—Não, não quero sentar!... E que espécie de brincadeira sem graça é essa, quatro olhos?

Ela agora parecia brava e irritada.

—Não é brincadeira nenhuma. O que eu disse é verdade. Pode parecer meio inacreditável, mas... eu tô apaixonado por você!

—Tá?

Eu esbocei um sorriso pela incredulidade dela. Ela ainda parecia não acreditar em mim.

—Como nunca estive por nenhuma garota antes. — Confessei.

—Fala sério! Você tá me zoando. E saiba que isso não tá sendo nada engraçado.

Muito mais irritada ainda, ela me bateu no braço.

Diante daquela reação dela e sua descrença total, eu então resolvi agir. Deixando a timidez de lado, eu a agarrei e anulei a distância entre a gente dando um beijo em Sara. E sem perder tempo, eu já fui logo pedindo passagem com a língua pra aprofundar o nosso beijo, ao que Sara me concedeu sem muita resistência. E assim que nossas línguas se tocaram no instante seguinte, eu senti o corpo se arrepiar da cabeça aos pés.

Um emaranhado de sensações tomaram conta de mim, explodiram em mim!

Era algo diferente de tudo o que já havia sentido antes ao beijar uma garota. Era como se eu tivesse uma conexão enorme com Sara. O gosto dos lábios dela nos meus era viciante. Eu podia jurar que sentia borboletas voando dentro do meu estômago e que meus pés não mais tocavam o chão. Nem quando beijei Heather, eu senti tão intensamente aquilo tudo que sentia agora.

Suas mãos foram parar em minha nuca e seus dedos se enroscaram em meus cabelos, enquanto os meus braços circundaram sua cintura, juntando nossos corpos.

A minha vontade era não parar mais de beijá-la. Ela beijava realmente bem como Nick me disseram certa vez. Imediatamente deletei aquela lembrança. Nada a ver trazer a lembrança de quê Nick já a tinha beijado enquanto eu fazia isso naquele momento.

Eu queria que aquele meu beijo apagasse dela, as lembranças de qualquer outro beijo que ela tivesse trocado antes de mim. Assim como, seu beijo estava apagando de mim, os outros beijos que já dei antes dela.

Não faço ideia de quanto tempo aquele beijo durou, mas posso afirmar que foi bem mais do que qualquer outro beijo que já dei em outra garota. E, também, ele só terminou porque a necessidade de respirar pegou à mim e a Sara.

—Será que agora, você acredita em mim?

Ofegante, eu lhe murmurei logo após minha boca se separar da dela. Se não fosse pela necessidade de ar, juro que ainda a estaria beijando. Ela tem um beijo viciante.

—Acredito que você não é o quatro olhos que eu conheço. Acho que foi abduzido e por isso me tascou esse beijo e disse aquelas coisas.

Eu não pude evitar de rir daquele absurdo que ela disse.

Quer dizer que ela ainda continuava duvidando de mim e do que eu disse, mesmo depois desse mega beijo que trocamos?

—Sara sou eu mesmo. Não fui abduzido coisa alguma. — Eu ainda ria daquele disparate que ela ria. Já Sara ainda parecia duvidar daquilo.

—Você não era tipo... mega apaixonado pela ruiva.

—Bom... eu realmente era, mas isso foi antes de você aparecer e bagunçar meus sentimentos. — Sorri pra Sara que pela primeira vez desde que eu falei o que sentia, sorriu-me de volta.

Ela e somente ela era a maior responsável por aquilo tudo!

—Isso... — Ela apontou pra gente juntos, enquanto eu ainda a mantinha presa em meus braços. _... Não te parece irreal demais, não?

Bota irreal nisso! Eu jamais imaginei que algo assim fosse acontecer. Mas aconteceu e eu estava gostando disso.

—Um pouco. Quem ia imaginar isso, né?

—Confesso que eu nunca.

—Nossa quanta sinceridade!

Nós acabamos rindo juntos. Mas, eu também tinha esse mesmo pensamento que ela.

—Eu já disse que o sinto por você, agora falta você me dizer exatamente o que sente por mim. Se é que sente alguma coisa, sei lá.

A julgar pela forma como ela correspondeu ao beijo, eu podia apostar que o sentimento era recíproco. Mas também podia não ser. Ela podia não sentir nada e apenas ter correspondido ao beijo só por corresponder. No entanto, ninguém corresponde da forma que ela me correspondeu sem sentir nada.

—Eu...

—Você...?

A instiguei já que ela parou de falar e ficou em silêncio me encarando. Eu podia ver nos seus olhos a luta interna a qual ela passava pra me dizer seus sentimentos. Talvez, falar e se abrir daquele jeito, não fosse algo tão fácil assim pra ela, como também, geralmente, não era pra mim.

Levou um par de segundos até que ela falou o que fez o meu coração pular dentro do peito.

—Eu também me apaixonei por você, quatro olhos sem graça.

Sem deixar de ser, ela me golpeou no braço após sua declaração. Um sorriso escapou dos meus lábios e dos dela também. Acho que mais nada precisava ser dito ali. O que eu precisava ouvir e saber dela, já foi o bastante. Tenho quase certeza de que ela não conseguiria dizer mais nada, então sendo assim, eu a beijei mais uma vez, sentindo-a corresponder no mesmo instante em que aprofundei, mais uma vez, o novo beijo que lhe dei.

—Aí, vão pra um motel, indecentes.

Ouvimos alguém dizer e interrompemos o beijo pra ver o mesmo grupo que tirava fotos em frente ao muro branco, rindo da gente.

—James, pára com isso!... Desculpa aí, o sem noção do meu amigo, gente.

Disse-nos uma moça que era a única do grupo que não ria da 'gracinha' feita pelo amigo dela.

—Vem, Sara. Vamos sair daqui. — Segurei na mão dela e seguimos em direção as escadas rolantes. Ao fundo ainda ouvi o palhaço do garoto gritar pra gente: "vão pro motel mesmo?". Vi Sara virar pra responder ao cara, mas disse pra ela não falar nada.

—Ele tá zoando a gente.

—Deixa esse cara pra lá.

Pegamos as escadas e descemos para o segundo andar e depois, chegamos ao primeiro.

—Devia ter deixado, eu dizer algo aquele cara.

—Pra arranjar confusão com os outros? Esquece aquele babaca.

—Mas...

—Sem "mas". Agora, que tal se antes de irmos, a gente tomar um sorvete? Tá afim?

—Tô. Vamos!

Fomos pra praça de alimentação, onde seguimos direto à um quiosque de uma famosa sorveteria que tinha ali.

—Do quê você quer?

—Chocolate.

—Veja um sorvete de chocolate e outro de pistache.

A atendente assentiu e foi ver o meu pedido.

—Pistache?

—Eu gosto. Algum problema nisso?

—Não! Cada qual com seu gosto!

A moça logo já trazia os nossos sorvetes e eu lhe pagava pelos mesmos. Depois disso, Sara e eu, então, seguimos pra saída do centro de convenções apreciando nossos sorvetes.

—Você disse que a ruiva terminou com você porque ela descobriu da pior forma que você gostava de outra. Como foi isso?

—Eu troquei o nome dela pelo seu quando estávamos juntos no shopping.

A cara de Sara foi impagável. Cheguei até a rir dela.

—Você tá brincando que fez isso?

—Bem que eu gostaria de está, mas não. Isso aconteceu de verdade.

—Aposto que ela te deu uma bela tapa na cara por ter trocado o nome dela, não foi?

Bem que eu merecia isso mesmo, mas...

—Não!

—Como não?... Ela não fez isso?

—Não fez.

—Pois você tem sorte. Se fosse eu, não só te daria um bom tabefe na cara, como também, te diria umas poucas e boas e depois, ainda te largaria sozinho no shopping.

—Não tenho a menor dúvida de quê você faria isso mesmo. A grande maioria das garotas faria isso, essa é a verdade. Dei sorte da Heather fugir a regra da maioria.

—Ah, deu mesmo!

Olhei pra ela e ri de sua resposta.

—Ela foi muito legal comigo, sabe? Inclusive, ela mesma me incentivou a falar pra você o que eu sinto.

—Só falta agora você dizer pra eu virar amiga dela.

—Qual é problema em ser amiga dela? Heather é uma pessoa legal.

—Mas eu não gosto dela.

—Por que? — Parei na frente de Sara impedindo-a de seguir caminhando em direção ao ponto de ônibus.

—Porque não. Meu santo não bateu com o dela. Acontece isso com algumas pessoas, sabia?

Eu não tava acreditando nada nessa 'desculpa' furada dela. Pra mim a justificativa pra ela não gostar da Heather era outra.

—Será que é isso mesmo ou você não gosta dela por ciúmes de mim?

Sara parou de apreciar seu sorvete e me encarou no mesmo instante em que lhe lancei a pergunta.

—Ciúmes de você?... Mas você se acha não é, quatro olhos?

Eu abri um sorriso dessa suas palavras e Sara me acompanhou nisso.

...

—Bom, chegamos!

Nós estávamos diante da casa da tia da Sara.

—É, chegamos mesmo. Foi um dia surpreendente pra mim.

—Um "surpreendente" bom?

—É!

—Ótimo então!

Eu ainda não queria me despedir dela, não queria ir. Eu queria ficar mais um pouco com ela.

—Quer entrar?

Parece que ela leu meus pensamentos. Ou talvez, ela também quisesse a minha companhia por mais algum tempo, assim como, eu queria a sua.

—E as suas primas?

—Elas não estão. A gente tinha marcado de sair lá pelas três da tarde e acredito que elas foram sem mim mesmo.

—Se é assim, eu aceito o convite pra entrar.

Nós então seguimos pra dentro da casa e já lá dentro nos acomodamos no sofá depois de Sara ter ido a cozinha beber água e eu a acompanhar nisso.

—Quanto tempo ainda pretende ficar aqui na casa da sua tia?

—Mais uns três dias. Eu tinha combinado com as minhas primas de a gente fazer algumas coisas. E elas ainda querem que eu vá com elas à uma festa depois de amanhã na casa de um amigo da faculdade delas, que mora aqui perto. Mas por que a pergunta?

—Queria saber quanto tempo mais eu vou ter que ficar sozinho lá em casa. — Contei tocando a mão dela que pousava ao seu lado sobre o sofá. _Queria que hoje mesmo voltasse pra casa comigo. Aquela casa não é mais a mesma sem você!

—Uau! Quanta diferença de duas semanas atrás! Acho que antes você daria tudo pra eu sair da sua casa.

—As coisas mudaram.

—Tô vendo!

—Volta comigo pra casa. — Pedi, chegando bem perto de Sara.

A verdade é que agora que a gente se acertou, eu queria que ela fosse embora comigo pra minha casa. Não queria mais passar um dia sequer longe dela, pois tínhamos tão pouco tempo pra ficarmos juntos antes dela ir embora pra cidade dela. E, desse modo, eu queria aproveitar a companhia dela nesses dias todos que restavam da sua permanência em Vegas.

—Eu até gostaria, juro, mas não dá. Já tinha combinado com Leslie e May de ficar. Daqui fica melhor pra elas e pra mim, da gente ir aos lugares que combinamos, do que eu estando na sua casa. Elas teriam que passar lá primeiro pra me apanhar e fica contramão pra elas.

—Ok, então.

Se ela não podia, paciência! Teria que esperar passar esses dias pra então ter sua companhia de novo em casa.

—Quer ir comigo a festa? Posso perguntar a Leslie se você pode ir me acompanhando.

—Valeu, mas festa não é pra mim. Eu não curto muito isso, ainda mais, quando é de quem não conheço. Aquele dia só fui com a Catherine, porque...

—Ela é sua melhor amiga?

—Na verdade, foi mais porque ela me obrigou mesmo.

Nós rimos e logo em seguida, ouvimos vozes e a porta de entrada era aberta, e pela mesma vimos passar as primas de Sara.

—Olha só quem está aqui?! E aí, como foi o passeio?

—Foi ótimo!

Sara se adiantou em responder a pergunta de Leslie.

—E vocês, não eram pra estar no cinema?

—Desistimos. Só demos mesmo uma circulada pelo shopping e comemos alguma coisa por lá. — Explicou a outra prima de Sara.

Com a chegada das primas de Sara, eu achei melhor ir embora, pois não teríamos mais chance de ficar sozinhos ali.

—Sara, eu já vou!

—Vou te acompanhar até a porta.

—Tchau, meninas! — Despedi-me das primas de Sara.

—Tchau!

Sara fez questão de me acompanhar até lá fora da casa, pra assim fugir dos olhares curiosos das primas que não tiravam os olhos da gente. Achei bom isso, porque do contrário não me sentiria confortável suficiente pra me despedir direito de Sara tendo suas primas como expectadores da gente.

—Daqui a três dias eu tô de volta lá na sua casa pra te perturbar e acabar com o seu sossêgo, quatro olhos.

Ela me bateu de leve.

—Ok. Vou estar te esperando então.

—Enquanto isso não acontece a gente vai se falando por SMS.

—Tá!

Eu tomei a iniciativa de dar um beijo rápido nela.

—Me manda uma mensagem quando chegar em casa, pra eu saber que chegou.

—Pode deixar... garota insuportável.

Ela me fuzilou com os olhos quando a chamei assim. E eu não resisti e ri disso. Ela ficava engraçada de cara amarrada.

—Quatro olhos, sem graça!

—Tchau pra você também.

Notas finais
O que acharam? Os dois se entenderam enfim. Mas e o Nick onde fica ou não nisso? O mais novo casal não lembrou ou sequer mencionou sobre o rapaz, que não somente é o ficante de Sara, como também amigo de Gil. Teremos grandes problemas ou não com isso? Hum... só acompanhando pra saber. Um grande beijo e até o próximo.