A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
30 Capítulo 29
Notas iniciais
—Meu nome é Heather, Gil!
Seu tom pareceu aborrecido e sentido ao falar.
—Eu sei! Por que está me dizendo isso?
Olhei pra ela sem entender direito a razão pela qual ela estava me dizendo seu nome, sendo que eu sabia perfeitamente disso.
—Porque você acabou de me chamar de Sara.
Arregalei os olhos assustado. Eu não posso ter cometido essa gafe absurda!
—Chamei?
—Sim!
Ela confirmou com tristeza e ressentimento na voz.
Juro que nem me dei conta de que tinha trocado o nome dela. Mais que tremendo idiota eu sou! Como cometo uma estupidez dessas? Meu Deus!
—Heather... mil perdões! — Pedi, segurando em suas mãos. _Eu não sei onde eu tava com a cabeça por trocar seu nome desse jeito.
—Eu acho que você e eu sabemos perfeitamente, onde estava com a cabeça. Estava nela, na Sara, não é?!
Eu não podia responder aquilo, pois de certo a magoaria mais do que via que já tinha magoado ao trocar seu nome. Que mulher perdoa um engano desses? Nenhuma!
—Heather, olha...
—Era com ela que você falava ao celular e não quis me dizer, não era?
Como ela chegou àquela conclusão?
Talvez, ela estivesse à mais tempo perto de mim do que eu pensava e ouvido mais da conversa do quê eu imaginava. E se esse fosse o caso, não pegaria nada bem, eu tentar mentir de novo.
—Era ela sim! — Confirmei, baixando a cabeça.
—Você gosta dela Gil?
Eu sabia a resposta. Dois dias longe dela foram o bastante pra me descobrir, na verdade, ter certeza disso. Todavia, mais uma vez, eu achei que não podia responder isso, pra não magoar a garota ao meu lado. Ela não merecia isso!
—De verdade, me desculpa, Heather. Sei que esse engano é imperdoável...
—Você não me respondeu.
—Eu não posso responder isso.
—Acho que nem precisa mais.
Ela havia matado a charada!
Nem foi necessário eu confirmar ou tentar mentir. Ela era esperta suficiente pra concluir aquilo sozinha.
Extremamente envergonhado pelo meu erro, e aquela situação toda que se formou ali, eu sequer conseguia mais encarar Heather. Meu olhar estava preso no chão. Nunca me passou pela cabeça que estaria passando por algo assim.
—Sabe, eu tentei fechar os olhos pra isso e ignorar o fato de que estava vendo coisas que não existiam, mas depois de hoje. Não dá mais!
—O que você tá querendo dizer com isso?
Resmunguei, apertando os olhos pressentindo o que viria, ou melhor, o que ouviria.
—Você tá apaixonado pela Sara. Então não faz mais sentido você e eu juntos.
—Tá terminando comigo?
Eu não posso acreditar nisso! Quando que eu imaginar uma situação dessas? Nem nos meus pesadelos, isso aconteceria. Era era louco por ela e achei que quando tivesse a chance de ficar com ela, isso fosse durar bem mais do que uma semana e meia!
—É com ela que você tem que ficar. Tá na cara que vocês dois se gostam. Desde o dia no parque que eu fiquei com essa impressão. E eu não fui a única. Seu amigo Nick também. Enquanto você e Sara estavam na montanha-russa, ele se aborreceu ao notar que vocês pareciam visivelmente próximos demais. Por isso a cara dele quando vocês saíram do brinquedo.
—Eu não sei o que dizer em minha defesa depois disso.
Quando mais preciso das palavras, elas me abandonam. Era frustante isso!
—E nem precisa dizer.
—Você deve estar me odiando, não é?
Ela tinha todo o direito disso.
—Odiar é algo tão forte. Mas eu tô magoada, sim. Você podia ter sido honesto comigo em relação aos seus sentimentos, quanto te perguntei àquele dia na sua casa.
—Desculpa!
—Acho que ainda não tinha se dado conta disso naquele dia, não é?
—Não!... Heather... o que acontece é que eu não sou muito bom nisso. Expressar, falar sobre meus sentimentos é algo que eu não sou bom.
—Mas você foi muito bem àquele dia na festa, quando se declarou pra mim.
Realmente, naquela vez, eu me desprovi da minha habitual inabilidade em falar e me saí bem. Mas isso é tão raro de acontecer!
—Aquela foi uma rara exceção. — Confessei sem jeito.
—Fala pra ela o que sente! Como fez naquela noite comigo.
Olhei pela primeira vez para Heather desde que começamos a conversa ali.
—Sério que tá me dizendo isso?
Ela sorriu triste e a via segurar minha mão entrelaçando nossos dedos.
—Eu gosto de você e quero só o melhor pra você. E o melhor é aquela sua hóspede ciumenta. — Heather sorriu levemente ao falar. _Ela muda você sabia? Quando está com ela parece outro. Seus olhos brilham, seu sorriso é diferente. Ela te faz bem, Gil.
Ela estava sendo tão incrível comigo, que me fazia sentir péssimo por aquela situação toda. Acho que nenhuma garota, por mais legal que fosse, estaria agindo daquela maneira que Heather. Ela era fora de sério! Uma exceção talvez! E, por isso mesmo, que eu me sentia mais mal ainda. Como eu podia estar magoando uma garota assim?
—Eu também gosto de você, sabia? — Beijei o dorso da sua mão que eu segurava.
Eu era um idiota! Idiota! Idiota!
—Mas não é mais do jeito como se declarou pra mim naquele dia, não é?
Balancei a cabeça em resposta.
—A gente pode ser amigos pelo menos? — Propus de maneira infeliz e ciente de que aquilo podia ser péssimo pra ela. Mas de verdade, eu queria conservar a amizade entre a gente. Nós tínhamos muito em comum e também tínhamos criado uma amizade enquanto ficamos juntos.
—Acho que vou precisar de um pouco de tempo pra isso. Entende?
—Ok!
É claro que eu entendia. Não devia ser nada fácil pra ela aceitar aquilo que propus, depois de toda essa situação.
—Você pode me levar pra casa? Eu já quero ir.
—Claro!
A nossa volta foi totalmente silenciosa, diferente da ida quando Heather ia falante e sorridente.
Chegamos em frente à casa dela e um clima estranho pairou entre a gente enquanto estávamos calados nos encarando.
Resolvi tomar a iniciativa da palavra.
—Heather... mais uma vez, quero te pedir desculpas pela situação no shopping e tudo mais. Eu tô péssimo por ver que magoei você. Não era a minha intenção. Você é uma garota tão legal! E...
—Gil... Gil... — Ela me interrompeu, colocando dois dedos sobre meus lábios. _Tá tudo bem, ou pelo menos, vai ficar com o tempo. Agora, quero que me prometa que vai falar com ela. Vocês já perderam tempo demais. Ela só vai ficar na cidade por mais duas semanas, não é isso?
—É!
—Então não desperdiça mais tempo, ok?
—E se ela não sentir o mesmo que eu sinto por ela?
—Duvido muito! Ela gosta de você, sim. Fala com ela. — Heather se aproximou de mim e beijou meu rosto. _Boa noite, Gil!
Ela se afastou de mim e seguiu em direção a porta da casa dela.
—Heather! — Chamei-a quando ela já havia se afastado um pouco.
—Oi! — Ela se virou pra me olhar.
—Obrigado!
Ela teria a minha eterna gratidão, carinho e amizade pelas coisas que me disse e por ter agido daquela maneira tão incrível comigo, apesar de eu não merecer aquilo. Eu merecia um tratamento bem pior do que aquele que ela me deu.
—De nada!
—E boa noite pra você também!
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