A Hóspede Insuportável Que Roubou Meu Coração!
31 Capítulo 30
Notas iniciais
Quando entrei em casa, a minha mãe já estava lá. Encontrava-se na sala falando ao telefone com Phil. Tão logo me viu, ela se despediu e encerrou a chamada.
—Não precisava desligar só porque cheguei.
—Não fiz isso porque você chegou. Antes mesmo de aparecer, eu já ia me despedir do Phil. Estávamos falando há um tempo razoável.
—Hum...
Resmunguei com displicência e sentando no sofá bem ao lado da minha mãe.
—Que cara triste é essa? Aconteceu alguma coisa?
—Aconteceu que eu magoei uma garota bem legal, que não merecia ser magoada.
—Pode me explicar de quem está falando, querido?
Suspirei e apoiando os cotovelos nas coxas, e escondendo o rosto entre as mãos, eu disse o nome de Heather.
—O que você fez à ela Gil?
Pude sentir o tom levemente preocupado de minha mãe ao me indagar.
—Eu chamei a Heather pelo nome de outra garota!
—Como assim?
Então comecei a lhe contar detalhe por detalhe, o ocorrido de momentos atrás e todas as coisas que Heather me disse. Minha mãe me ouvia calada e quando finalizei contando-lhe o "conselho" em tom de promessa, que Heather me disse, pude ver a surpresa estampar a face de minha mãe.
—Você sabe que nenhuma garota teria a atitude que a Heather teve com você, não sabe?
Assenti. Outra no lugar dela teria de cara me dado uma bela tapa na cara assim que troquei seu nome e depois, me diria 'cobras e lagartos' por isso, pra logo em seguida me abandonar sozinho no shopping.
Eu tive sorte de Heather ser diferente da maioria das garotas. Pois, do contrário, meu estado físico seria outro ao chegar em casa.
—Será que ela foi mais feliz que eu e te convenceu de vez dos sentimentos que tem aí dentro pela Sara?
Antes mesmo que Heather me dissesse tudo o que disse, eu já tinha consciência dos meus sentimentos pela Sara. A ficha já tinha caído! Mas, obviamente, que as palavras dela vieram sacramentar de vez isso pra mim.
Vamos dizer que Heather tirou a pequena venda que eu queria deixar nos olhos.
—Sim!
—Fico feliz então. Tem que conversar com a Sara.
—É, eu sei!
Ia ser a conversa mais complicada pra mim. Se me declarar pra Heather foi difícil, imagina pra Sara? Ainda mais, ela sendo como é!
—E por falar na Sara... ela foi hoje a galeria me visitar. Inclusive, perguntou por você.
Eu sorri pela primeira vez ali. Era bom saber que Sara perguntara por mim.
—Acha que realmente ela gosta de mim?
Fitei minha mãe e esperei por sua resposta. Tudo bem, que ela e Heather achavam que Sara gostava de mim, mas daí a ser de fato verdade isso, era outra coisa. Eu tinha minhas dúvidas.
—Sim! Você não acha o mesmo?
—Tenho sérias dúvidas disso.
—Por que?
—Ah, sei lá, mãe!... Ela é tão estranha comigo. Num momento, ela é uma garota legal e divertida. Em outro momento é irritante, implicante, que chega a me tirar do sério. É, um jeito instável de ser esse dela.
—Mas é o jeito dela, Gil! Ou talvez, ela tenha ficado assim por conta da morte do irmão.
Fazia um pouco de sentido essa última observação feita por minha mãe.
—Pode ser. Mas mesmo gostando dela, eu não sei se vou aguentar esse jeito dela.
—Você disse: "gostando dela"? Foi isso mesmo que eu ouvi? Está admitindo que gosta da Sara?
Ela ria pra mim.
—Mãe!! — Falei sem jeito e em um tom levemente de censura à ela.
—O que foi?? Só estou questionando? Gosta dela?
Ela queria me ouvir dizer aquilo com todas as letras. Então, satisfiz sua vontade.
—Sim! Eu gosto dela. Pronto, falei!
Vi dona Beth bater palmas e abrir um sorriso em comemoração a minha confissão.
—Eu fazia muito gosto disso acontecer, sabia? Vocês têm tudo a ver, mesmo não parecendo.
Nós dois rimos disso.
—Vai procurá-la amanhã?
—Não sei!
Uma coisa era saber que eu tinha que falar com Sara. Outra bem diferente, eu era ir de fato falar com ela.
—Como não sabe, Gil?
—Ah... é complicado, mãe.
—Acho que você é quem está complicando. Então vou te ajudar.
Eu já ia lhe indagar a respeito de como ela pretendia me ajudar, quando vi minha mãe pegar algo de dentro de sua bolsa e me estender logo em seguida.
—O que é isso?
—Pega!
Fiz o que ela pediu e descobri do que se tratava aquilo.
Eram duas entradas para o "Rock and Roll Hall of Fame and Museum", ou uma parte dele que tinha vindo ontem de Cleveland e permaneceria somente uma semana em Las Vegas para visitação do público.
No jornal de ontem tinha passado na televisão sobre a chegada desse museu que estava circulando por diversas cidades dos Estados Unidos para as pessoas visitarem e conhecerem um pouco da história do Rock e seus artistas que marcaram esse estilo musical.
Minha mãe disse que Phillip tinha comprado aquelas entradas para a neta dele ir com uma amiga, mas infelizmente houve um imprevisto e sua neta não poderia ir amanhã. E como o ticket era válido somente para amanhã, Phil resolveu dá-los a minha mãe para que ela desse à mim e à Sara pra irmos aproveitar aquele passeio no museu onde se é possível encontrar diversos objetos ligados ao estilo musical, desde guitarras, roupas e teclados usados por artistas famosos, até a completa discografia de várias bandas e cantores. Sem contar, que mais do que uma galeria de objetos musicais, é uma verdadeira aula sobre a história da música nos Estados Unidos e no mundo.
—Acho que a Sara ia adorar esse lugar. Não é ela que gosta desse tipo de música?
—Sim!
—Então leve-a à esse lugar e aproveite a ocasião pra abrir esse seu coração à ela.
A minha mãe fala isso de "abrir meu coração pra Sara" com o se fosse a coisa mais fácil de se fazer. Não seria mesmo!
—Eu acho que não vou conseguir fazer isso. E se ela debochar de mim?
Do jeito que ela era não seria difícil disso ocorrer.
—Não creio que ela faça isso.
—Sara é imprevisível, mãe.
—E eu não sei?! Mas, olha... se não conseguir falar com ela, ao menos terão saído juntos. Pensa nisso.
Ela piscou pra mim e se levantou do sofá dizendo que ia preparar algo para jantar. Perguntou se eu queria, mas eu disse que não. Já havia comido no shopping e estava sem fome agora.
Minha mãe sumiu pra cozinha e eu fiquei na sala encarando aqueles dois tickets na minha mão. Sara ia pirar com aquilo. Ela adora rock!
Quem sabe, minha mãe estivesse certa e realmente, aquela fosse a oportunidade perfeita pra falar com Sara.
—Se a coragem não me abandonar na hora H, vai ser bom!
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