Seguíamos a estrada sentindo ao acampamento meio sangue de Nova Iorque. Na minha cabeça pairava a escuridão, e no meio dela, eventualmente aparecia flashs do momento em que decapitei Jack. Eu sentia como se eu não fosse mais capaz de sentir compaixão ou bondade novamente. Era como se o momento em que eu já senti isso, não passasse de um sonho perturbado.

O sol nascia ao meu lado e seguíamos para o norte do estado enquanto o vento batia em meu rosto. Bianca Almeida estava à salvo, alimentada e com seus ferimentos curados por Martinato. Conseguimos salvá-la, nossa missão estaria cumprida quando voltássemos com ela para o Brasil. Mas isso não parecia fazer diferença para mim. Mas num lampejo de consciência eu consegui reagir e submergir daquela escuridão que a morte trazia.

Num sobressalto fui em direção ao painel do carro e liguei o rádio. Os primeiros acordes de violão da música que estava tocando já conseguiram me arrepiar. O mais engraçado foi perceber que aquela música havia tocado nós seis naquele carro.

"Twenty-five years and my life is still

I'm trying to get up that great big hill of hope"

Nos entreolhamos sem dizer nada.

"And so I cry sometimes when I'm lying in bed

Just to get it all out what's in my head

And I, I am feeling a little peculiar"

Eu sentia ao olhar nos olhos de cada um que apesar de tudo, estávamos juntos e sempre estaríamos.

" And so I wake in the morning and I step outside

And I take deep breath

And I get real high

And I scream from the top of my lungs

What's going on?

And I sing, hey, yeah, yeah-eah

Hey, yeah, yeah

Todos nós estávamos com lágrimas a escorrer em nossos rostos, mas sorríamos. Era um momento feliz, de união e apoio. Tínhamos um ao outro.

"I said, hey! What's goin' on?"

Era nós contra o mundo.

Nos últimos segundos da música ainda consegui ver seu artista e o nome dela no painel do carro. Era "4 non Blondes — What's up?". Agradeci aos deuses e gravei aquele nome na memória.