Todos no carro já tinham tirado um cochilo. Dan e Martinato permaneciam desacordados. Os únicos que não haviam pregado os olhos nessas quase duas horas de viagem eram eu e Agatha. Usei esse tempo para trabalhar meu psicológico. Não tinha tempo para entrar em crise de culpa ou depressão. Fiz o que havia de ser feito, meus amigos estão vivos e minha missão está quase completa. Não é como se eu fosse uma má pessoa. Ninguém neste carro é um vilão.

Num sobressalto Jazy mandou Agatha estacionar o carro num espaço entre um emaranhado de arbustos. O lugar era muito bem escondido, só quem sabia que ele existia poderia vê-lo. Saímos do carro, todos esperando as direções do sátiro.

— Me sigam. — Chamou o Jazy seguindo um pouco mais adiante e entrando no que me parecia um monte arbustos e árvores.

Chegando mais perto uma névoa que antes não parecia estar ali foi se dissipando e mostrando o começo de uma estrada de terra batida de no máximo 4 metros de largura. Logo eu soube o que era, a névoa mágica usada para esconder o mundo dos deuses e semideuses dos seres humanos comuns.

— Estamos próximos à entrada do acampamento! — Jazy andava rápido à nossa frente, estávamos praticamente correndo para acompanhar a velocidade que aquelas pernas de bode davam a ele. E eu podia entender sua euforia. Ele estava prestes à rever seu amor.

Em menos de 10 minutos paramos em frente um grande arco de galhos entrelaçados com uma tocha acesa em fogo grego em cada lado. Mesmo estando de dia o fogo conseguia iluminar o que havia ao seu redor. Não conseguíamos ver o que havia do outro lado do arco, pois uma espécie de vidro com luzes tremulantes nos impedia.

— Temos que tocar a campainha. — Falou Jazy mais para si mesmo do que para nós. Ele arrancou de sua cabeça alguns fios de cabelo e jogou na tocha do seu lado direito. O fogo crepitou e logo em seguida apareceu um garoto e uma garota em suas armaduras no mesmo estilo que usamos no nosso acampamento. A garota devia ter em torno de um metro e noventa, era um pouco gorda, mas principalmente muito forte. Seu rosto em baixo do elmo era sério e impetuoso. Devia ser filha de Ares. Já o garoto era baixo e magro e tinha um sorriso um tanto quanto esquizofrênico no rosto.

— Well, well, well. Look if it's not our queer satyr. (Ora, ora, ora. Vejam se não é nosso sátiro viado.) — Falou a menina num tom malicioso.

Look if it's not the our more pathetic Ares daughter. Shut your mouth, Julia. (Vejam se essa não é a nossa mais patética filha de Ares. Cale a boca, Julia.) — Jazy pareceu já estar acostumado com esse tipo de coisa. Eu sei que com essa menina vai ser muito fácil eu entrar numa briga.

— The good son to his home returns, right Jazy? (O bom filho à casa torna, certo Jazy?) — Falou o garoto.

— It will not be easy to get rid of me, Marcus. (Não será fácil se livrar de mim, Marcus.) — Falou Jazy. Esse já parecia ser uma cara legal.

— So... Who's that? (Então... Quem são esses?) — Perguntou Julia acenando com a cabeça para nós.

— Hann... This one is Gabriel, son of Poseidon. (Annn... Este é Gabriel, filho de Poseidon.) — Jazy começou nos apresentar.

— This is Danilo, Poseidon as well. Martinato, son of Apolo. Agatha, daughter of Atena and... Bianca, daughter of Apolo. (Este é Danilo, Poseidon também. Martinato, filho de Apolo. Agatha, filha de Atena e... Bianca, filha de Apolo.) — O sátiro voltou-se aos garotos.

— So... You've done your mission!? - (Então... Vocês cumpriram sua missão!) — Julia parecia surpresa.

No, we must take her to Brazil yet! (Não, nós ainda devemos levá-la para o Brasil.) — Corrigiu-a Jazy.

Hmm... I'm not so sure about that. (Hmm... Eu não tenho tanta certeza sobre isso) — Falou a semideusa de Ares para si mesma num quase sussurro, mas foi o suficiente para entendê-la.

— What do y... ( O que v...)- Comecei mas fui interrompido por Marcus...

Come on, come on. I'll take you to Jeremiah. (Vamos, vamos. Vou levá-los para Jeremiah) — Falou Marcus enquanto acenava freneticamente para que o seguíssemos.

Encarei Julia no fundo dos olhos, mas parecia que ninguém mais tinha escutado o que ela falou. Ela me encarou de volta. Seus olhos pareciam faiscar. Não nego, ela me intimida de um jeito que um arrepio subiu na minha espinha. Mas não demonstrei fraqueza, a encarei até ela dar de ombros e voltar sua visão para o caminho. E ali naquele momento minha intuição apitou... Eu não deixaria o lado de Bianca sequer um momento enquanto estivéssemos lá.

As construções do acampamento americano não se diferenciava muito das do nosso. Mas havia muita diferença na vegetação, claro, e no comportamento das pessoas. O ambiente estava muito estranho, o céu parecia instável e algo tremulava no interior das matas. A ausência de Hécate causava efeitos colaterais aqui também.

Paramos ao lado de um grande chafariz com a estátua de algumas ninfas. Em nossa direção vinha um sátiro como eu nunca havia visto. Ele usava armadura e carregava em sua mão esquerda uma grande lança. Ele tinha muitos músculos apertados em baixo da armadura, um elmo na mão direita, grandes chifres na cabeça e um rosto intimidador, mas amigável.

Ele parou na nossa frente e curvou-se levemente.

It's such a pleasure to get to know you, brave demigods. (É um grande prazer conhecê-los, semideuses corajosos.) — A voz do sátiro é grave, mas ele fala lentamente e coloca muito bem suas palavras quase como se estivesse cantando.

— I'm Jeremiah. I run this camp since 1.400. (Eu sou Jeremiah. Gerencio este acampamento desde 1.400) — Continuou ele.

I've been following your steps since you arrived at New York. I deeply congratulate you for your bravery. (Sigo seus passos desde que chegaram em Nova Iorque. Eu vos parabenizo profundamente por sua bravura.)

— Hann... Thank you, sir. (Hann... Obrigado, senhor.) — Agatha foi a única que se manifestou, o restante (inclusive eu e exceto Jazy) pareciam ter perdido a voz.

— Bianca, I have to apologize to you, my dear. (Bianca, eu tenho que me desculpar com você, minha querida.) — Jeremiah falava diretamente com a filha de Apolo.

— Bu... Bu... But why, sir? (Ma... Ma... Mas porquê, senhor?) — Perguntou, Bianca. Eu também não havia entendido.

— First, I'm deeply sorry for your mom and aunt. I have to apologize because I've been watching you since your mom was killed, but I couldn't do nothing to help you and avoid your aunt to be killed as well. (Primeiro, sinto muitíssimo por sua mãe e tia. Eu tenho que me desculpar porquê eu venho te assistindo desde que sua mãe foi assassinada, mas eu não podia fazer nada para evitar que sua tia fosse morta também.) — Falou o diretor do acampamento.

Olhei para o rosto de todos meus amigos e todos estavam chocados, incluindo a mim mesmo. Mas Bianca derramava lágrimas que misturava tristeza, desapontamento, cansaço e raiva.

— So... My aunt is dead, I almost was dead and you with this number of demigods couldn't save us? (Então... Minha tia está morta, eu quase fui morta e você com esse número de semideuses não pode nos salvar?) — Perguntou Bianca.

— This was not my mission, so I couldn't interfere. I got in contact with Dionisio immediately so he send his demigods. (Esta não era nossa missão, então eu não podia interferir. Entrei em contato com Dionísio imediatamente para que ele enviasse seus semideuses.) — Explicou Jeremiah.

But why did it could not be your mission? (Mas porquê essa não podia ser sua missão?) — Perguntou a garota com a voz se elevando.

— I can't tell you this, honey. I'm sorry. (Eu não posso te contar isso, querida. Sinto muito.)

Bianca parecia que ia desabar, então a abracei. Jeremiah deu uma última triste olhada para a menina e virou de costas fazendo um sinal com a mão para que o seguíssemos.

Paramos em frente ao chalé de Afrodite.

— The girls can stay here while you are at the camp. You'll be very welcome. (As garotas podem ficar aqui enquanto estão no acampamento. Vocês serão muito bem vindas.) — Falou o sátiro.

— Sorry, sir, but we are all gonna stay together. (Desculpe, senhor, mas nós ficaremos juntos.) — Falei.

— Son, there are rules here. We all have to follow it. (Filho, há regras aqui. Nós todos temos que segui-las.) — Sentenciou Jeremiah.

— I understand, sir. But we are in a excepcional situation. I'm the leader of this mission and I have decided that we are staying together till' we get our camp again. You can show us any place we can sleep for tonight or we are leaving. (Eu entendo, senhor. Mas estamos numa situação excepcional. Eu sou o líder dessa missão e eu decidi que nós vamos permanecer juntos até chegarmos ao nosso acampamento novamente. Você pode nos mostrar qualquer lugar que possamos dormir esta noite ou nós partiremos.) — Eu sentenciei.

— Hm... I get it. Stubborn Poseidon's son. Typical. (Hm... Entendi. Filho de Poseidon teimoso. Típico.) — Falou ele para mim olhando de cima para baixo coçando seu queixo com seu longo cavanhaque.

Ok. I won't spare you. So, follow me. (Ok. Não vou separá-los. Então, me sigam.) — Jeremiah parecia uma pessoa fácil de lidar.

Enquanto andávamos pelo acampamento seguindo o sátiro. Os semideuses que passavam por nós cochichavam para seus colegas. Aquilo me incomodava, claro, mas é normal já que estamos numa grande crise e até agora somos nós os responsáveis por salvar o mundo do que quer que esteja nos ameaçando. Eu apenas ignorei todos os olhares e voltei minha atenção para quem estava comigo. Bianca andava ao meu lado, quase que agarrada em mim. Vendo de perto, a menina é muito mais branca do que parecia. Dava para ver claramente suas veias ao longo de seu braço. Seu cabelo ruivo brilhava em contato com os raios de sol assim como seus olhos que agora puder reparar que são castanho escuro.

— Ei... Tudo vai ficar bem, ok? Eu te prometo. — Falei olhando para o grande chalé que tínhamos acabado de parar na frente. Sem olhar para a garota, pude perceber que ela estava olhando para mim, e então senti sua mão quente segurar meu braço.

Estávamos em frente ao chalé 2, Hera, esposa de Zeus, rei do Olimpo.

We use this one to shelter who's in need. (Nós usamos esse para abrigar aqueles que precisam.) — Falou Jeremiah admirando a grande construção.

Ele avançou para a varanda do chalé e empurrou as grandes portas e pudemos ver por dentro. Era basicamente a mesma coisa que os chalés brasileiros; fileiras de camas beliches, cômodas, escrivaninhas, grandes janelas e os banheiros na outra extremidade do espaço.

— I guess you how it works, right?! The place will provide anything you need. (Acho que vocês sabem com isso funciona, certo?! O lugar vai prover tudo que precisarem.) — Falou o sátiro já se afastando — Now you can make yourselfs comfortable. In 30 minutes the breakfast will be served. Excuse me. (Agora se acomodem. Em 30 minutos o café da manhã vai ser servido. Com licença.) — Ele se retirou rapidamente e nos deixou sozinho no chalé da rainha do Olimpo.

Agora percebi que Jazy não estava mais conosco. Eu nem sequer vi ele se afastar de nós, mas posso imaginar para onde ele tenha ido.

— Vamos tomar um banho, tirar essa roupa e ir comer. — Falei enquanto largava minhas coisas em qualquer cama.

— Não estou com fome. — Falou Bianca e todos olharam pra ela. Agatha que estava mais perto dela colocou a mão em seu ombro e gentilmente falou:

— Eu posso imaginar, mas você precisa se alimentar, mesmo que seja empurrado. Você está em estado de choque ainda, mas quando passar seu corpo talvez não suporte todo o cansaço e fome acumulada. — A filha de Atena era boa com as palavras, mas principalmente passava muita confiança.

A filha de Apolo apenas consentiu com a cabeça e virou-se para pegar uma toalha na cômoda ao lado da cama que ela estava. Agatha estava logo ao seu lado, em seguida Martinato, Dan e eu.

Cada um pegou uma toalha e foi em direção do banheiro. A hora do banho era sagrada para mim, era o momento em que eu me revigorava. Fui o último a sair do banho

Abri a primeira gaveta da cômoda e peguei uma camisa laranja como a do nosso acampamento, mas em vez do desenho de um centauro havia uma sátiro com grandes chifres e em cima do desenho estava escrito: Camp Half-blood. Nas outras gavetas achei cuecas, meias, calças e bermudas jeans e tênis. Vesti uma cueca, uma bermuda e peguei um tênis novo.

Todos já estavam trocados e prontos, então deixamos o chalé.

— Será que os americanos são metidos como dizem? — Perguntou Marti.

— Se forem ou não, tanto faz pra mim. Amanhã de manhã já vamos estar voltando para o Brasil. Não é, Re? — Dan perguntou como se eu não concordasse ele começaria a chorar ali mesmo.

— Sim, esse é plano. — Falei. Não queria me comprometer, pois eu sentia que algo aconteceria e pude ver nos olhos de Bianca que ela pressentia o mesmo.

Todos os campistas estavam indo na mesma direção, só podia ser em sentido refeitório, então os seguimos.

Logo chegamos numa grande espaço coberto com dezenas de mesas e centenas de bancos. Cada mesa comportava 6 pessoas de uma vez. Percorri os olhos pelo salão e percebi que quase todas as mesas já estavam ocupadas e 99% das pessoas que ali estavam presentes estavam olhando para nós e cochichando. Respirei fundo para não mandar todo mundo se foder.

Good morning, children. (Bom dia, crianças.) — Era Jeremiah. Ele mal abriu a boca mas foi o suficiente para fazer todos se calarem e finalmente tirarem a atenção da minha mesa e a voltarem para o ele.

— As you guys can see, we have brazilian guests today. They arrive with Jazy this morning and they are in a very special and dangerous mission and will be with us by tomorrow. So, be nice to them.(Como vocês podem ver, hoje nós temos convidados brasileiros. Eles chegaram com Jazy hoje de manhã, eles estão numa missão especial e perigosa e ficaram conosco até amanhã. Então, sejam legais com eles.) — Pronunciou Jeremiah.

Depois disso ele continuou falando sobre coisas rotineiras do acampamento, então voltei a atenção para minha mesa novamente, mas logo em seguida senti uma mão no meu ombro direito, me virei e parado ao meu lado estava um garoto bem alto, cabelos claros meio bagunçados, olhos cinzas, maxilar muito bem desenhado e peitoral malhado marcando a camisa. A definição de deus grego. Ele era exageradamente lindo, não tinha como não admirar ou negar.

— I'm Jude. Conseulor of the cabin of Zeus. (Eu sou Jude. Conselheiro do chalé de Zeus.) — O garoto me estendeu a mão e eu fiz o mesmo.

— Gabriel. Son of Poseidon. (Gabriel. Filho de Poseidon.) — Me apresentei meio sem jeito.

— It's so nice to meet more half cousins. (É muito bom conhecer mais meio primos.) — Ele não parava de sorrir e o brilho dos dentes dele já estava me incomodando.

— Oh... Thank you, Jude. That's nice to meet you too. (Oh... Obrigado, Jude. É bom te conhecer também.) — Falei.

— Introduce me your friends. (Me apresente seus amigos.) — Pediu o garoto.

— Oh, of course. (Eu estava tão sem jeito que por uma fração de segundo eu esqueci o nome dos meus amigos.) — Maldito filho de bonitão de Zeus.

This one right beside me is Bianca, son of Apolo. (Esta ao meu lado é Bianca, filha de Apolo.) — Me virei para olhar no rosto de Jude e seus olhos brilhavam num interesse aparente por Bianca. O deus grego tinha um defeito. Era hétero.

Continuei a apresentar os outros, mas ele só balançava a cabeça e mal tirava os olhos de Bianca. Percebi que a garota já estava vermelha como um pimentão e não conseguia manter contato visual com ele.

Alguns momentos bem constrangedores depois que terminei de apresentar meus amigos enquanto o filho de Zeus não tirava os olhos de Bianca, o garoto voltou a realidade.

After breakfast me and some veterans will make a small fencing championship near the forge. Show up. (Depois do café da manhã eu e alguns veteranos vamos fazer um pequenos campeonato de esgrima perto da forja. Apareçam.) — Nos convidou, Jude.

Of course. We'll be there.— Dan levantou e praticamente gritou essas palavras que foi meio complicado de entender. Eu só concordei com a cabeça e não me dei o trabalho de pensar numa resposta.

O garoto deu uma última olhada para Bianca e se afastou. Quando me virei novamente para a mesa ela já estava cheia de comida. Uma grande tigela com ovos mexidos, um grande prato com tiras de bacon, panquecas, waffles, hamburguers, leite, café, chás, sucos, pães, manteiga de amendoim e queijo.

Bianca já estava comendo um sanduíche de ovo com bacon e tomando um suco de morango, assim como Agatha que não misturava muito as coisas. Peguei um pão e dentro coloquei queijo e ovo. Me servi um copo de café com leite e depois comi algumas frutas.

Dan e Marti pareciam estar numa competição de quem conseguia comer mais coisas diferentes ao mesmo tempo e em grandes quantidades. Assustador.

Jazy acabou de sentar ao lado de Marti com uma lata de metal na mão e logo em seguida a devorou. Preferi não falar nada.

Depois do grande banquete, nos levantamos e fomos para o lado de fora do pavilhão. Jazy sentou no pé de uma árvore e começou tocar sua flauta. A melodia era feliz e aos poucos foram surgindo pássaros, borboletas, esquilos e coelhos ao redor do sátiro. Me aproximei devagar, o sátiro parou de tocar quando me viu e os animais foram embora.

— Acho que alguém viu o boy, né!? — Falei sentando ao seu lado.

Olhei para ele e um insistente sorriso estava estampado em sua cara.

— Sim. Eu finalmente o revi. — Concordou o sátiro.

— Quero conhecer esse boy antes de partir. — Falei e logo o sorriso sumiu de seu rosto — O que foi?

— Partir... Amanhã teremos que partir e sabe-se lá quando vou voltar de novo. — Desabafou Jazy.

Eu não tinha o que falar. Posso imaginar como é horrível rever a pessoa que você ama depois de meses e no dia seguinte já ter que ir embora novamente sem data para voltar.

Dan e Marti vinham na minha direção. Enquanto Agatha estava com Bianca.

— Levanta essa bunda gorda daí. Vamos mostrar pra esses gringos como é que se luta. — Marti sempre bem doce pegou no meu braço e me arrastou em direção do chalé de Hera onde estavam nossas armas. Jazy ficou sentado com o olhar triste que o dei.

Peguei meu escudo e Storm. Dan pegou sua lança, seu escudo e sua espada média que estava na bainha. Martinato pegou seu arco e flecha e sua adaga que estava na bainha também. Seguimos os campistas armados. Eles nos levariam à forja.

Quando chegamos o lugar já estava lotado de semideuses, incluindo Bianca e Agatha que não iam lutar, pois eram mais novas. Jude vinha na nossa direção.

Come on. We were just waiting for you, guys. (Vamos. Só estávamos esperando por vocês.) — Falou o garoto nos conduzindo para a grande roda que se formava em frente ao grande pavilhão que era a forja.

Jude foi ao centro da roda, limpou a garganta e começou a falar:

— Welcome to our bimestral fencing championship. These are the rules:

— Only archery is not allowed.

— It's forbidden to use powers other than force, speed, intelligence, elasticity or sharp senses.

— We are not fighting to kill. We are fighting to defeat.

— Only older than sixteen is allowed to fight.

(- Bem-vindo ao nosso campeonato bimestral de esgrima. Estas são as regras: — Qualquer arma é permitida.

— É proibido usar poderes além de força, velocidade, inteligência, elasticidade ou sentidos aguçados.

— Não estamos lutando para matar. Estamos lutando para derrotar.

— Somente maiores de dezesseis anos é permitido lutar.

Martinato ficou nervoso, pois suas chances de ganhar haviam diminuído. Mas era óbvio que arco e flecha não seria permitido, porquê além de ser uma arma com maior chance de ferir alguém, tínhamos platéia.

— The firsts fights have been already chosen. (As primeiras lutas já foram escolhidas.) — Informou Jude.

— And the two firsts is me and the son of Hefestus, Justin. (E os dois primeiros é eu e o filho de Hefesto, Justin.) — Anunciou o filho de Zeus procurando na multidão seu primeiro oponente.

Do meio da multidão saiu uma montanha de músculos. Justin tinha a pele levemente bronzeada, mesma altura que Jude, cabelos pretos cacheados e bagunçados. Estava vestido em sua armadura e seu elmo na mão esquerda. Na mão direita estava sua espada de bronze de no mínimo setenta centímetros e na cintura duas adagas. Ele era confiante.

Jude também estava com sua armadura, e seu elmo já estava na cabeça. Sua espada era prateada e devia medir uns sententa centímetros. No seu braço esquerdo estava seu escudo.

Os dois se encaram, tocaram espadas e pularam para trás para ganhar espaço. Preparados para atacar ou defender os dois circularam o espaço por alguns segundos. O primeiro a atacar foi Jude. O garoto deu um grande salto que deve ter alcançado três metros de altura e venceu uma distância de dez metros até seu oponente. Seu ataque foi violento. Sua espada desceu para encontrar a de Justin que defendia sua cabeça. Pelo nível de prepotência de Jude, eu acho que ele não esperava o que aconteceu em seguida. Justin permaneceu firme depois da colisão entre as duas espadas. Já Jude foi lançado com violência para trás. Ele rolou e parou em pé.

No rosto do filho de Zeus pairava a incredibilidade. Eu tive a impressão de que ele iria parar a luta, pois não só ele, mas todos ali estavam boquiabertos. De onde vinha tamanha força? Tudo que eu sabia a partir daquele momento era que no primeiro golpe certeiro que Jude recebesse, ele seria finalizado.

O filho de Zeus continuou a se movimentar. Mas dessa vez eu sabia que ele não atacaria, presumindo que ele seja inteligente, claro.

Justin disparou em corrida na direção de Jude. Mas como era de se esperar, o garoto é lento demais e Jude percebeu isso, então ele apenas esperou que seu oponente se aproximasse. No momento que Justin ia acertar o filho de Zeus, o garoto pulou na velocidade e graça de um gato e enquanto estava sobre o filho de Hefesto, ele aproveitou para acertar sua cabeça com seu escudo. Justin desequilibrou e sem olhar atacou acima com sua longa espada. Mas só restava o ar onde Jude estava há meio segundo atrás.

Jude não cessou os ataques. No momento que ele colocou os pés no chão, ele chutou a parte de trás do joelho esquerdo de Justin. A perna do garoto se dobrou e ele ficou com um joelho no chão. Em seguida o filho de Hefesto girou sua espada e golpeou atrás, mas Jude não estava no alcance da arma.

Acho que a intenção de Jude quando golpeou novamente a espada de Justin, era desarmá-lo, mas ele foi surpreendido novamente quando sua arma foi expelida pela a espada do filho de Hefesto. Acho que agora ele não irá mais atacar a espada de seu oponente.

Justin voltou para sua guarda e encarou o filho de Zeus. Sem dar muito tempo para respirar ou pensar, Jude correu como um gato na direção do filho de Hefesto. Nessa hora eu tive certeza que ele era burro de verdade por atacar Justin dessa forma novamente. Justin preparou um ataque vertical de cima para baixo quando o garoto estava próximo o bastante dele. Sua espada desceu e eu vi metade dos ali presentes fechando os olhos, mas eu nem sequer pisquei.

Justin tinha certeza que aquele seria o golpe final quando virou sua espada com a parte chata para baixo. Mas faltando um centímetro para o fim da luta, Jude desviou para o lado esquerdo de Justin, saindo do caminho que a espada percorreria. Jude estava preparando um soco certeiro no rosto de Justin, mas dessa vez o filho de Hefesto não deixou a desejar quando tirou sua mão esquerda da espada e golpeou seu oponente com a parte de trás da mão.

Jude teve apenas o tempo de erguer seu escudo, mas de pouco adiantou, pois ele não conseguiu sustentar o golpe. O escudo foi atingido e acertou a testa do filho de Zeus. E novamente ele rolou metros para trás. Todos pensavam que o filho de Zeus havia sido derrotado ali quando ele começou a se levantar com dificuldade e com sangue escorrendo de sua testa no seu rosto inteiro.

O resistente filho de Zeus limpou o sangue dos olhos e largou sua espada e escudo no chão. A boca de todos se abriram quando ele atacou novamente.

O orgulho de Justin falou mais alto e ele fez o mesmo. Largou sua espada e levantou sua guarda em quanto Jude se aproximava. Quando o filho de Zeus chegou perto o suficiente, Justin pulou para encaixar um chute giratória no rosto de Jude, mas o garoto se abaixou e deu uma rasteira no seu oponente que caiu de costas no chão. Rapidamente Jude montou sobre Justin e acertou três socos seguidos no rosto do filho de Hefesto que tentou acertar seu soco, mas acabou dando seu braço direito para receber um armlock, pois foi lento demais. Justin puxava seu braço para escapar enquanto socava as pernas de Jude. Tive a impressão que o filho de Zeus iria explodir por conta do incrível esforço que ele estava fazendo. Até que Justin cedeu e deu três tapinhas na perna de Jude que o soltou imediatamente.

Justin se levantou rapidamente apenas nervoso e com as duas maçãs do rosto inchadas, mas Jude permaneceu no chão. Ele estava desmaiado e todo ensangüentado. Marti logo correu para ajudar o garoto.