A Guerra do Alvorecer

28 Novo guerreiro em cena


— Como foi a luta? — Lembrei de perguntar para Martinato quando conseguimos sair do bosque e avistamos semideuses armados andando em direção aos chalés.

— O Dan interrompeu, mas eu estava confiante. — O tom da voz dele entregou a frustração que ele sentia.

— Entendo... — Eu também me sentia frustrado por ter sido obrigado a tirar dele um tempo de distração.

Enquanto andávamos em direção à casa grande para encontra Jeremiah senti minhas pernas fraquejarem. Lembrei que nem eu e nem Agatha conseguimos tirar nenhum cochilo. Agatha dirigiu até o acampamento e eu não dormi porque não conseguia parar de pensar no que havia acontecido mais cedo onde aquele filho de Íris que mantinha Bianca como prisioneira.

Todos pararam para ver quem nós levávamos amarrados. Cochichavam, apontavam e pareciam muito surpresos. Ouvi um grito e logo avistei uma menina desesperada, chorando e berrando algumas coisas em uma língua que eu não sabia qual era. Mas bastava olhar para ela que era possível saber sua nacionalidade. Ela tinha típicas características Indianas. Logo percebi que o garoto que Leonardo levava estava de cabeça baixa, mas visivelmente chorando.

Lelo percebeu rápido o que estava acontecendo, e como se meus olhos falassem ele entendeu que eu queria olhar no rosto daquele garoto.

— Levanta a cabeça. — Falou o filho de Hades como um toque de espada nas costas do garoto.

Quando olhei no rosto dele tudo fez mais sentido. Ele era idêntico à menina que chorava e gritava. Só podiam ser irmãos gêmeos.

Caminhava na nossa direção com sua espada na mão e peito estufado, Jude, o conselheiro do chalé 1.

— What's happening in here? (O que está acontecendo aqui?) — Perguntou o garoto passeando seus olhos de rosto em rosto como se procurasse um culpado. Automaticamente olhei para Lelo, ele encarava o filho de Zeus. Seus olhos faiscavam, ele odiava pessoas pessoas prepotentes. Alguém surgiu pegou o sátiro do colo de Dan e o levou em direção a enfermaria.

— Jude, this one is Leonardo Veronezi, son of Hades. He's our friend. (Jude, este é Leonardo Veronezi, filho de Hades. Ele é nosso amigo.) — Considerando o que estava acontecendo eu aposto que qualquer outro explicaria sobre a invasão dos garotos que fizeram Bianca a Agatha de refém para depois explicar sobre Leonardo, já que ele é amigo. Mas eu sabia que se Jude encarasse Leonardo com aquele nível de prepotência, a situação ficaria muito feia. Afinal, estávamos falando de um Ariano com poderes imensos.

— I found these five with their swords on the neck of Bianca and Agatha near the lake. (Eu encontrei esses cinco com suas espadas no pescoço de Bianca e Agatha perto do lago.) — Continuei a explicação resumida, pois eu só tinha obrigação de contar tudo a Jeremiah.

— Tell me everything that happened. (Conte-me tudo o que aconteceu.) — Ordenou o filho de Zeus olhando dentro dos meus olhos. Agora sim ele conseguiu me incomodar. Cerrei os olhos e calmamente falei:

— I'll tell the details to Jeremiah. So you can ask him if you can listen too. (Eu vou contar os detalhes para Jeremiah. Então você pode perguntar a ele se você também pode ouvir.) — Parece que ele recebeu uma um tapa na cara. Ele ia falar algo, mas o som não saiu. Neste momento Jeremiah apareceu e com um sobressalto, Jude deu espaço para que o sátiro pudesse falar comigo.

— I want all of you to follow me. (Eu quero que todos vocês me sigam.) — Falou Jeremiah olhando nos meus olhos. Não vou negar que essa encarada não foi nada amigável. Quando Jeremiah percebeu que Jude também o seguia, o sátiro se virou e falou:

— You stay, Jude. (Você fica, Jude.) — Agora o garoto parecia que tinha sido nocauteado. Me segurei para não rir.

Seguimos o sátiro praticamente correndo. Ele estava realmente muito ansioso. Passamos do que eu tinha certeza que era o caminho para a casa grande e um pouco mais adiante paramos em frente uma porta no chão. Jeremiah puxou a fechadura e revelou uma escada que levava para um nível abaixo do solo. Ele entrou e fomos atrás.

Estávamos numa prisão. Quinze minúsculas celas nos circundavam.

— You may start. (Você pode começar.) — Falou Jeremiah para mim.

Eu comecei a explicar tudo o que aconteceu desde a hora que eu e Dan tivemos aquele pressentimento ruim. Ele escutava atentamente. Quando terminei ele se voltou para Lelo.

And who are you? (E quem é você?)- Perguntou ele para o filho de Hades.

— I'm Leonardo Veronezi, son of Hades, sir. I went to the brazilian camp with Gabriel and the others as I guess you already know what happened. (Eu sou Leonardo Veronezi, filho de Hades, senhor. Eu fui para o acampamento brasileiro com Gabriel e os outros como eu suponho que você já saiba o que aconteceu.) — Falou Lelo olhando nos olhos de Jeremiah.

Yes, I know. (Sim, eu sei.) — Falou Jeremiah sem tirar os olhos do semideus.

But I'm really curious to know how you entered here. (Mas estou realmente curioso para saber como você entrou aqui.) — Continuou o sátiro.

— I entered here by the Dédalo's maze. (Eu entrei aqui pelo labirinto de Dédalo.) — Respondeu Lelo.

You're lying. (Você está mentindo.) — Logo depois dessa frase o sátiro fez um movimento que meus olhos mal conseguiram entender. Um fração de segundos depois Leonardo estava completamente desarmado e o sátiro o tinha de joelhos com sua lâmina no pescoço do garoto.

Eu mal pensei. Quando me dei conta já tinha sacado storm.

Drop this sword, Gabriel. (Largue essa espada, Gabriel.) — Falou o sátiro em tom de conselho.

Let him go, Jeremiah. He's not a liar. (Solte ele, Jeremiah. Ele não é um mentiroso.) — Eu não iria ceder até que ele soltasse o garoto.

Tell me why he's lying. (Me diga porquê ele está mentindo.) — Falei.

All the entrances of the labirint to the camp are closed. (Todas as entradas do labirinto para o acampamento estão fechadas.) — Falou o sátiro.

They are not! (Elas não estão.) — Falou Lelo

How do you think this five entered here too? I followed them throw the maze till' the entrance by the lake. (Como você acha que esse cinco entraram aqui também? Eu os segui pelo labirinto até a entrada ao lado do lago.) — Lelo praticamente cuspia as palavras.

— Six centuries running this place and you still don't know your camp, Jeremiah. That's such a disappointment. (Seis séculos comandando esse lugar e você ainda não conhece seu acampamento, Jeremiah. Que decepção.) — Falou um dos garotos com a cabeça baixa.

— You shitty. I always knew you'd be a traitor. (Seu merda. Eu sempre soube que você seria um traidor.) — Falou o sátiro para o garoto que havia levantado a cabeça com um sorriso malicioso no rosto.

— What's happening here? Do you know them? (O que está acontecendo aqui? Você os conhece?) — Perguntei ainda com a espada apontada para Jeremiah.

— This boy with you is Charlie. With Martinato is Layla. With Bianca is Clary. With Agatha is Drew. And this one that was with Leonardo is Malik. (Esse garoto garoto com você é Charlie. Com Martinato é Layla. Com Bianca é Clary. Com a Agatha é Drew. E esse que estava com Leonardo é Malik.) — Apresentou os, Jeremiah. O garoto que tinha falado com o sátiro era Drew. Ele parecia que ia confirmar o que Leonardo falou.

— Drew, is that true what Leonardo said? (Drew, é verdade o que Leonardo falou?) — Perguntei ao garoto.

— Yes, it is. (Sim, é.) — Respondeu o garoto.

— Jeremiah, let him go. Now. (Jeremiah, solte ele. Agora.) — Falei.

— It doesn't explain what he's doing here. (Isso não explica o que ele estava fazendo aqui.) — Insistiu o sátiro.

— I came because I can't stay in a safe place while my friends are fighting for me. (Eu vim porque eu não posso fica num local seguro enquanto meus amigos estão lutando por mim.) — Falou Lelo quase gritando com o sátiro que apertava sua garganta e fazia o sangue escorrer.

— LET — HIM — GO. (SOLTE — ELE.) — Dan fincou sua espada no chão, e no mesmo momento o chão começou a tremer.

— What? Power don't work here! (O quê? Poderes não funcionam aqui!) — Gritou Jeremiah enquanto tentava se equilibrar e manter Lelo em seu poder.

— JEREMIAH. THIS'S GONNA TUMBLING DOWN. (JEREMIAH. ISSO VAI DESMORONAR!) — Gritei para o sátiro e logo em seguida ele largou Lelo. Olhei para Dan e quando ele olhou para mim o lugar foi parando de tremer.

Quando tudo se acalmou Dan sumiu da minha visão. Quando o reencontrei ele estava com a espada no pescoço de Jeremiah e o empurrava contra a parede.

— DAN! NÃO! — Gritei.

— You will never put a sword in a my friends neck again! Or I swear for the estige... I will kill you! (Você nunca vai colocar uma espada no pescoço de um amigo meu novamente! Ou eu juro pelo estige... Que vou te matar!) — O ar ficou pesado quando meu meio irmão terminou a frase, e alguns segundos muito tensos se passaram.

— Oh... Calm down. I'm on your side, buddy. (Oh... Se acalme. Estou do seu lado, amigão.) — Falou Jeremiah com as duas mãos para cima em sinal de rendição paz.

— I'm not your buddy. (Eu não sou seu amigão.) — Falou Dan o largando no chão.

Jeremiah levantou meio trêmulo e sem dizer uma palavra colocou os cinco intrusos nas celas.

— We're leaving. (Nós estamos partindo.) — Falei ao mesmo tempo que ia em direção à escada.

— Leaving? Like leaving the camp? (Partindo? Tipo partindo do acampamento?) — Perguntou o sátiro surpreso enquanto arrastava Drew para uma cela.

— Leaving the camp, Jeremiah. (Partindo do acampamento, Jeremiah.) — Confirmei.

— Oh, no. Don't do that. Let's forget what happened here. Listen, Leonardo... I apologize to you. I'm sorry for being so stupid! (Oh, não. Não façam isso. Vamos esquecer o que aconteceu aqui. Escute, Leonardo... Eu me desculpo com você. Me desculpe por ser tão estúpido!) — Falou o sátiro apressado.

Antes que Lelo pudesse dizer algo eu continuei...

— I don't feel here's a safe place for us anymore. (Eu não sinto que aqui seja um lugar seguro para nós, não mais.) — Falei. O sátiro fez menção de falar algo, mas não saiu nenhum som de sua boca.

Subimos as escadas e quando abri a porta acima de mim, lá estava Jazy, o sátiro que nos trouxe até aqui e atrás dele o acampamento inteiro esperando que alguém saísse dali. No mesmo momento que me coloquei em pé fora das escadas o sátiro me abraçou chorando.

— Você o salvou! Obrigado! — Falava ele repetidamente chorando no meu ombro.

— Salvei quem? — Perguntei. Ele me soltou do abraço e respondeu.

— Calias. — Respondeu Jazy. No primeiro momento eu não entendi nada, mas seu olhar me respondeu. Calias era seu namorado.

— Você deve agradecer também à ninfa criança que eu não sei o nome, e o Martinato que realmente o salvou. — Falei.

— Sim, eu vou agradecê-los. Mas se você não tivesse estancado o ferimento dele, ele não teria aguentado a chegada de Martinato. — Falou Jazy algo que provavelmente era um fato. Calias estava sangrando muito quando o encontrei.

— Agora me conte tudo o que aconteceu. O que foi aquele tremor. — Falou o sátiro na hora que Jeremiah fechou a porta atrás de nós. Jude saiu do meio da multidão e foi correndo em direção a Jeremiah.

— Vamos sair daqui e eu te conto tudo. — Falei abrindo caminho entre multidão com meus amigos atrás.

Enquanto caminhávamos apressados em direção do chalé de Hera para pegar nossas coisas, contei tudo o que havia acontecido lá embaixo para Jazy. Ele não entendeu muito bem a reação de Jeremiah em relação a Lelo, mas disse que iria conversar com os outros sátiros para tentar entender o porquê dele ter feito aquilo.

-... e por causa disso estamos voltando para o Brasil agora. — Falei.

— O QUÊ? — Gritou o Jazy, mas em seguida ele pareceu entender que não tinha como permanecermos ali nem por mais uma hora, quanto mais por uma dia inteiro.

— É que eu pensei que teria o dia de hoje aqui... Entende? — Ele continuou.

Tomei uma decisão. Parei e segurei-o nos ombros.

— Ei! Você fica e nós vamos. Não tem problema nenhum. Nós vamos nos virar e tudo dará certo.

— De jeito nenhum. Não vou deixar vocês saírem nessa cidade sozinhos. — Ele parecia decidido.

— Ei, Jazy. Não é como se eu não conhecesse essa cidade, né!? Já passeei muito por aqui pelo google maps. — Ele deu risada.

— É sério. Nós vamos conseguir chegar no aeroporto! — Falei com uma confiança que me faltava para convencê-lo.

— Cara... Não sei se isso é uma boa ideia.

— Relaxa... Não é sua missão nos levar de volta!

— Eu sei. Mas eu quero ir por vocês!

— Vamos fazer assim? Nos dê as coordenadas para chegar ao aeroporto, já que não temos mais celular. E caso algo aconteça, eu juro que te mando uma mensagem de Íris pedindo sua ajuda. Combinado? — Agora sim ele parecia convencido.

— Você promete que vai fazer isso?

— Prometo! — Respondi.

Continuamos nosso caminho até o chalé de Hera. Quando chegamos lá encontramos nossas mochilas no mesmo lugar que a deixamos. Mas mesmo assim pedi que todos as revistassem para garantir se tudo estava lá. E estavam. Quando peguei no meu passaporte lembrei de uma coisa.

— Lelo, o que vamos fazer para te colocar num avião se você não tem passaporte? — Perguntei sem esperar uma resposta. O garoto tirou sua mochila das costas, a abriu e dela tirou um passaporte.

— Quem disse que eu não tenho passaporte? — Falou ele.

— Pera ai... Foi Dionísio que te mandou? — Perguntei incrédulo.

— Lógico que não. Aquele bêbado não é fácil de se convencer. Eu que invadi a casa grande e roubei... ops, peguei emprestado. — Confessou ele.

— Tu é pica grossa, hein muleque!? — Falou Dan pra ele rindo.

— Tô feliz que você ta aqui, mano. Mas não quero estar na sua pele quando voltarmos. — Eu sabia que a punição não seria leve.

— Que se foda, Re... Tu acha mesmo que eu ia perder isso aqui?! Nunca. — O Lelo não era do tipo que ficava de fora da ação mesmo.

— Se você soubesse o tanto de treta que já aconteceu da hora que colocamos nossos pés nessa cidade até agora... Você se morderia de inveja.- Nós dois somos muito diferentes; ele sentiria inveja, já eu preferiria nunca ter feito o que precisamos fazer.

— Mesmo sabendo que isso é verdade, você vai me contar tudo detalhado! — Falou ele.

— Contarei enquanto nós damos o fora daqui. — Coloquei minha mochila nas costas e peguei meu escudo — Vamos!

Eu era o último dos sete na fila para sair do chalé. Martinato estava na minha frente. Ele parou subitamente e se virou pra mim.

— Re, você tem certeza que nós temos que ir embora hoje? Eu sei da gravidade do que aconteceu hoje, também fiquei bem puto. Mas pensa bem... Nós mal dormimos! — A preocupação dele é totalmente justa e lógica.

— Eu já pensei muito nisso, mas eu não vejo outra coisa a se fazer. — Respirei fundo — Algo dentro de mim está praticamente gritando que nós temos que dar o fora daqui. Meus pressentimentos não falharam desde o momento que fomos reclamados. Não sei se isso acontece com vocês também ou se é um de meus poderes, mas... — Dei uma pausa

— Confie em mim, ok? Nós vamos nos virar. Como sempre.

Pude ver em seus olhos que ele confiava em mim. Facilitava muito liderar uma missão com seus melhores amigos. Por mais que eu esteja acostumado a liderar apenas grupos de estudos na escola e não grupos de missões mortais, eu vou me sair bem e deixar todos a salvo, nem que custe minha vida, pois agora eles são tudo que tenho.

Fechei as portas do chalé atrás de mim e quando me virei Jeremiah estava parado no começo das escadas do chalé esperando por mim com uma cara de cachorro que caiu da mudança.

— Listen to me, please. (Me escute, por favor.)- Falou ele quando me aproximei com olhar de desprezo.

— I'm so sorry for what I did. (Estou muito arrependido pelo o que fiz.) — Continuou ele.

— I don't have a logical explanation for my behavior, but... I have this antipathy for Hades' sons... They... (Eu não tenho uma explicação lógica para meu compartamento, mas... Eu tenho essa antipatia por filhos de Hades... Eles...) — O interrompi.

— ... they are not their father, ok!?(...eles não são o pai deles, ok!?) — Falei entre os dentes para não demonstrar que eu queria enforcar aquele bode.

— I know some things about Hades! He's not gentle at all. But how do you expect me to keep in a place with a guy that will cut my friend's throat if he sneeze too loud?! (Eu sei algumas coisas sobre Hades! Ele não é nem um pouco gentil. Mas como vocês espera que eu permaneça num lugar com um cara que irá cortar a garganta do meu amigo se ele espirrar muito alto?!) — Praticamente cuspi as palavras na cara dele.

— I just don't want Dionysus to think that it was my fault if you die. (Eu só não quero que Dionísio pense que foi minha culpa se vocês morrerem.) — Agora ele falava baixo e mal olhava nos meus olhos.

— HAHAHAHA. — Eu ri alto com tom de ironia. Ele olhou para mim sem entender nada.

So all this regret is because you are afraid of Dionysus. (Então todo esse arrependimento é porquê você está com medo de Dionísio.) — Falei sorrindo.

— No... no, no, no. (Não... não, não, não.) — Falou ele.

— You can cool off... We are not gonna die. (Você pode relaxar... Nós não vamos morrer.) — O tom de ironia continuava.

— But... Of course Dionysus' gonna know everything that happened here! (Mas... Com certeza Dionísio vai saber de tudo que aconteceu aqui!) — Agora o ar era ameaçador. Dei uma última olhada nos olhos dele e o deixei parado aos pés do chalé 2.

Enquanto andávamos na direção da saída, Jady me alcançou e veio andando ao meu lado:

— Eu vou levar vocês até o carro. — Ele informou

No mesmo lugar estava Marcus e Julia. Eles guardavam a entrada do acampamento quando chegamos aqui. Pelo visto o turno deles ainda não havia chegado ao fim.

— Already leaving, han!? (Já estão partindo, né!?) — Falou a filha de Ares com uma risada maliciosa.

Eu não havia esquecido do que ela disse quando chegamos. A encarei enquanto Marcus fazia algo para abrir o caminho que não prestei muita atenção o que era porquê olhava no fundo dos olhos daquela garota. Eu senti storm vibrar quando ela pousou seus olhos na espada que herdei de Poseidon. Quando seus olhos voltaram para os meus, no seu rosto pousava um sorriso maníaco. Naquele momento eu soube que nossos destinos se cruzariam, assim como nossas espadas.

Nosso caminho estava livre, então seguimos nosso caminho para fora daquele acampamento. Pouco antes de chegar na estrada, Jazy entrou num estreito caminho entre árvores à nossa esquerda.

— Pra onde você vai? — Perguntei.

— Me esperem na beira da estrada que em um minuto encontro vocês. — Respondeu ele.

Eu não iria questionar. Tinha plena confiança naquele sátiro. Continuamos a andar e chegamos na beira da estrada. Não passava sequer um carro, até que um veio em nossa direção. Estranhei, pois ele vinha devagar, mas quando se aproximou o suficiente pude reconhecer que era Jazy no volante. Ele parou na nossa frente e desceu do carro.

— Onde você arrumou? — Perguntei para ele. O carro era azul escuro, grande e alto. Uma Landrover com sete lugares.

— É um dos carros do acampamento. — Respondeu ele lustrando o carro com a manga da camisa.

— Vocês não podem continuar a andar com aquele que vocês vieram. Além de pequeno, é roubado. — Lembrou ele desse último detalhe que eu tinha esquecido completamente.

— Mas... Jeremiah vai ficar bem puto quando perceber que você nos emprestou esse carro, não vai!? — Agatha expressou sua preocupação.

— Levando em conta o quanto ele está com medo sobre o que Dionísio vai fazer depois que descobrir o que ele fez... Eu tenho quase certeza que ele não vai abrir a boca. — Falou Jazy.

— É... Faz sentido. — Concordou a filha de Atena.

Jazy deu a volta no carro e parou na minha frente. Seus olhos demonstravam tristeza por não ir conosco e felicidade por ficar em casa. Ele era tão novo quanto nós, levando em conta que sátiros vivem muito mais, mas mesmo assim foi muito corajoso e fez total diferença na nossa missão até agora. Além de ter me permitido olhar seu lado mais pessoal e sensível. Nosso laço estava criado, e nada poderia quebrá-lo. O abracei.

Todos tinham se despedido do sátiro, então seguimos estrada sentido Long Island. Lá está o maior aeroporto internacional de Nova Iorque, o aeroporto de John F. Kennedy. Nele teremos mais opções de pegar um vôo para o Brazil o mais rápido possível.