A Guerra do Alvorecer

24 A morte e a traição andam de mãos dadas


O tempo que passamos cruzando o Hudson River foi curto, porém, me fez muito bem, ajudou a clarear as ideias. Explicar tudo o que aconteceu no fundo do rio foi engraçado por conta das caras que Agatha, Marti e Jazy faziam. Depois que terminei, todos passaram a olhar a espada em minha bainha com muita curiosidade, inclusive eu. O que me fez perceber que agora ela brilhava mais forte.

Já havíamos descido num porto abandonado na baia de Manhattan a mais ou menos 5 minutos e já seguíamos em direção à Hell's Kitchen. Toda vez que eu lembrava da menina ruiva sozinha e ferida nessa cidade, meu coração apertava e minhas pernas ganhavam força para andar mais rápido. Eu estava determinado e senti que os outros também estavam, e isso fazia meus pêlos eriçarem e minha coragem borbulhar em minhas veias.

Olhei no relógio e já eram 4 da madrugada. Eu não fazia ideia de que horas o sol nascia nessa cidade, mas presumi que não seria antes das 6 da manhã por conta do horário que ele se põe, depois das 7 da noite.

Eu prestava muita atenção em cada rua que entrávamos e gravava todos os pontos que me chamassem atenção como forma de fazer uma trilha na minha cabeça. Depois de mais ou menos 30 minutos andando percebi que estávamos na rua da casa da tia de Bianca Almeida. Meu coração estava disparado e meus sentidos incrivelmente apurados. Sem dizer nada avisei a todos que agora em diante era comigo. Seguimos procurando a casa de número 50 na rua West 47th. Quando a encontramos, paramos em frente à casa. Era óbvio que a garota não estaria mais com sua tia, mas eu sentia que aqui deveria ser nosso primeiro destino.

Avancei e toquei a campainha da casa, mas mesmo com minha audição super apurada, não ouvi nenhum barulho vindo de dentro, então bati forte na porta, porém, não houve resposta. Bati novamente e esperei um pouco, nada novamente. Como não havia tempo a perder, girei a maçaneta já esperando que não houvesse efeito, só que para minha surpresa e de todos, a porta estava aberta. Olhei para os outros atrás de mim e como eu, estavam com a desconfiança estampada em seus rostos. Desembainhamos nossas espadas e lentamente abri a porta. Dei uma olhada para dentro do hall de entrada antes de escancará-la, tudo estava arrumado e incrivelmente quieto. Entramos nos espremendo pelas paredes e revistando todos os cômodos do térreo. Não achamos nada de incomum. Com acenos de mãos chamei Marti para subir comigo para o segundo andar e disse que os outros três ficassem vigiando no hall de entrada.

Subi na frente com storm brilhando na minha mão direita e Marti logo em seguida com um flecha em riste. Haviam 4 portas fechadas neste andar, começamos a olhar o que estava em nossa frente. Um quarto vazio com duas camas de solteiro, um guarda roupas e uma escrivaninha impecavelmente organizados. Fomos para a porta mais próxima. Outro quarto menor com apenas uma cama, um guarda roupas e uma escrivaninha, porém, neste quarto a cama estava bagunçada, com um prato e um copo na escrivaninha. O cheiro de podridão era familiar... Monstro. Mirei a pedra de storm para o chão e lá estava o pó dourado. Era o que restava de um monstro quando atingido por uma arma de bronze celestial. Olhamos mais um pouco para ver se achávamos algo, mas não havia nada, apenas o sentimento de que Bianca esteve naquele quarto.

Fomos em direção à outra porta, era o banheiro que também estava limpo e arrumado. Abrimos a quarta e última porta restante naquele andar. A visão a seguir me embrulhou o estômago e tive que fazer força para não vomitar. Sobre a cama de casal havia um corpo de uma mulher dilacerado e completamente aberto. Pelo cheiro que grudou no meu nariz, havia alguns dias que aquela mulher tinha sido brutalmente assassinada. Lentamente cheguei mais perto do corpo da mulher e reconheci, era Lucy, tia de Bianca.

— Quem é? — Perguntou Marti.

A tia dela.— Respondi com a voz embargada.

Revistamos cada centímetro quadrado do quarto de Lucy, não encontramos nada. Enquanto saíamos do quarto, Marti deu um pulo e falou:

— Falta um lugar. — Não tive tempo de falar nada e ele já foi passando por mim e indo em direção à cama. Ele agarrou o canto do colchão e levantou, e antes que eu pudesse abrir minha boca ele tirou uma pequena flecha lá de baixo.

Uma flecha?! — Falei meio confuso.

— É o que parece.- Respondeu Marti observando a flecha de ouro.

Ele sobressaltou e me chamou:

— Rê, olha aqui, rápido. — Fui até ele e olhei a flecha com atenção, mas não vi nada.

— Espera que vai aparecer de novo. — Falou o filho de Apolo.

Esperamos atentos alguns segundos, quando uma cena passou rapidamente pela ponta da flecha. Era o rosto de Bianca. Ela estava sangrando pelo nariz, suja e completamente descabelada. O rosto dela sumiu rapidamente e reapareceu. Agora ela corria por uma rua deserta com pequenas casas bem separadas umas das outras. Ela não estava mais na cidade. Pelo estilo das ruas e a organização das casinhas, deu para saber que ela estava no interior do estado.

Vamos.— Falei pro Marti e descemos as escadas correndo.

Todos ainda estavam com espadas em punho e atentos à porta.

Precisamos nos apressar.— Falei sem olhar diretamente para ninguém e indo em direção a porta.

— Irmão. — Falou Dan e eu parei segurando a maçaneta da porta. — O que vocês encontraram lá em cima? — Perguntou ele. Doeu lembrar da cena.

A tia dela está morta.— Pude sentir o choque de todos mesmo olhando para a porta — Encontramos algo que pode nos levar até ela. Mostre à eles, Marti. Enquanto isso vou arrumar um carro. — E sai da casa.

Do outro lado da rua havia um carro sedan preto estacionado. Fui até ele e enquanto o rodeava, pensava em um jeito de abri-lo e ligá-lo depois. Mas nada vinha à minha cabeça, apenas a mulher morta e a menina correndo ferida. A raiva tampou meus ouvidos e com um golpe cego acertei o vidro do carro com um soco e seu alarme disparou. Os outros quatro saíram abruptamente da casa. Agatha vinha na frente correndo. Rapidamente abri a porta do motorista por dentro, entrei e logo abri as outras. Agatha entrou e sentou do meu lado. Ela deu um soco na parte de baixo do volante e arrancou a parte que protegia alguns fios. E em menos de um minuto o alarme tinha parado e o carro estava ligado.

-Só tem mais uma coisa...Eu não sei dirigir.— Falei.

— Nem eu. — falou Marti, Jazy e Dan ao mesmo tempo.

— Eu sei, falou Agatha. — Mas no seus olhos pairava a incerteza.

Desde quando?— Perguntei, já que ela tinha apenas 17 anos.

— Não importa Gabriel. Passe pra cá. — Nos esprememos e trocamos de lugar.

A filha de Atena fechou os olhos e agarrou no volante com tanta força que as dobras de seus dedos ficaram brancas. Todos estavam apreensivos, pois a qualquer hora a policia poderia chegar. De repente ela levantou a cabeça e a incerteza em seu rosto deu lugar a determinação. Ela puxou o freio de mão e deu uma partida brusca que fez todos serem jogados para trás e se segurarem no que estivesse ao alcance.

Nos primeiros minutos eu realmente achei que iríamos todos morrer. Seria uma vergonha ser lembrado como o filho de Poseidon que morreu num acidente de carro. Mas conforme Jazy e Marti iam guiando a nossa motorista com a ajuda da flecha de ouro, a direção dela melhorava gradativamente.

— Ela está indo para o acampamento! — Falou Jazy — Claro! Agatha entre à esquerda agora. — E assim ela fez. Vi na placa que acabamos de entrar na rodovia 684.

Seguimos naquela rodovia por volta de uma hora. Jazy e Marti não desgrudaram os olhos da flecha um momento sequer. E segundo o que aparecia nela, agora Bianca havia encontrado alguém que à alimentou e deixou que ela descansasse. De repente Agatha parou o carro no encostamento da rodovia.

O que foi? — Perguntei.

— Nada. Só vou pedir uma ajudinha. — Respondeu ela descendo do carro e então fiz o mesmo.

Ela deu um piado de coruja e dentro de instantes a mesma coruja que nos ajudou a roubar o barco vinha em nossa direção e pousou no braço da garota. Trocaram alguns piados entre si e então Agatha se virou para Marti dentro do carro.

— Ela quer um agrado. — Falou a garota.

— E o que eu tenho haver? — Respondeu Marti. Agatha bufou e explicou

— Preciso que vocês casse algum roedor na mata para mim.

Marti não respondeu, apenas saiu do carro com a flecha em riste, se concentrou um pouco e disparou. O filho de Apolo entrou no mato e logo saiu com o que parecia um esquilo só que maior, ninguém parecia conhecer aquele animal. A coruja se agitou no braço de Agatha e esperou que o garoto entregasse seu lanche em seu bico. Em seguida a ave abriu voo e desapareceu no céu escuro.

— Vamos. Ela não vai nos esperar. — Falou a filha de Atena entrando no carro.

O que você pediu à ela?— perguntei enquanto Agatha dava partida no carro.

— Só que identificasse algum semi deus pelas proximidades. — Falou a garota.

Espero que ela não nos leve a outro semideus que queira nos matar. — Falei.

Passamos mais meia hora naquela estrada e eu nem sequer vi rastros daquela coruja. Mas Agatha olhava para o céu e parecia ver a ave. Resolvi não questionar, afinal o gênio era ela, não eu.

Não se passou nem dez minutos quando Agatha estacionou numa esquina de uma rua de terra com uma grande densidade de árvores dos dois lados. Já era quase 6 da manhã mas o céu continuava escuro e naquela rua a única luz era de nossas armas.

— É nessa rua. — Falou Agatha.

Então vamos descobrir se ela está aqui ou não.— Falei mergulhando na escuridão da rua.

Nós não conseguíamos enxergar nada mais que o pedaço de chão que nossas armas conseguiam iluminar. O vento balançava as árvores e alguns barulhos estranhos vinham dos dois lados, mas continuávamos andando. E então enxergamos a primeira luz que não provinha de nossas armas. Fomos nos aproximando por entre as árvores até que conseguimos enxergar uma velha casa de madeira.

— Eu vou dar a volta por dentro e ver se acho algum celeiro. — Falou Marti.

— Eu vou com você. — Falou Jazy.

Vão. Vamos ficar aqui espiando.— Falei.

A luz acesa era do banheiro da casa, mas não conseguia ouvir nada e nem ver movimentação de sombras dentro do banheiro. Se passou dez minutos e nada aconteceu. Sem falar nada adentrei mais o emaranhado de árvores e parei de frente a uma janela. Observei um pouco até que a luz do cômodo se acendeu. Me abaixei rapidamente, mas fui subindo aos poucos para enxergar lá dentro. Era um quarto e havia um homem sentado e eu consegui enxergar um arco-iris dentro do quarto. Então o homem fez um movimento com a mão direita, falou alguma coisa, e logo uma imagem apareceu. Ele estava mandando uma mensagem de íris. Jazy surgiu ao meu lado e percebi que ele se concentrava para escutar o que o homem falava. Será que ele era o semideus que a coruja identificou? Resolvi esperar para descobrir.

Jazy fez um movimento brusco ao mesmo tempo que o homem olhou em nossa direção e atacou. Um raio de arco-iris explodiu a janela e veio em nossa direção. Rolei para um lado e Jazy para o outro. Quando levantei já estava com a storm em mãos preparado para ser atacado. Nada aconteceu até que um raio iluminou os fundos da casa e pude ouvir Marti gritar. Dan e Agatha já estavam ao meu lado, então nós quatro corremos para os fundos da casa.

Quando chegamos Martinato e Bianca, os dois filhos de Apolo estavam com o pescoço sob as lâminas do filho de Íris. Ele era um homem de estatura média, magro, branco e cabelos longos pretos. E aparentava estar chegando na meia idade.

— So, you've found the girl. (Então, vocês acharam a garota) — Falou ele zombando — It's a pitty I've found her first. Better, she has found me. (Pena que eu a achei primeiro. Ou melhor, ela me achou.) — Ele ria maldoso.

Who are you? (Quem é você?) — Perguntei com a raiva subindo a cabeça.

— I'm Jack Rainbowling. Son of Iris. (Sou Jack Rainbowling. Filho de Iris.) — Respondeu o semideus — And you? (E vocês?) — Perguntou ele.

It doesn't matter, your asshole (Não importa. Seu cuzão). — Storm vibrava com a força da minha raiva, ele tinha meu amigo e a garota de nossa missão sob suas adagas.

Ele apertou as adagas e o sangue escorreu no pescoço de ambos.

STOP! (Pare!) — Gritei.

— So, introduce yourselfs, please. Don't be impolite. (Então, apresentem-se, por favor. Não sejam mal educados) — Pediu ele novamente.

I'm Gabriel Rezende, son of Poseidon. (Sou Gabriel Rezende, filho de Poseidon) — Me apresentei e quando falei o nome de meu pai olimpiano pude perceber que ele estremeceu mas não deixou muito aparente.

— Agatha Hurba, daughter of Atena. (Agatha Hurba, filha de Atena.)

— Dan Pinheiro, son of Poseidon. (Dan Pinheiro, filho de Poseidon) — Agora sim ele deixou aparente o quanto dois filhos de um dos três maiores o amedrontam.

— Jazy.

— Your's, son of Apolo? (E o seu, filho de Apolo?) — Perguntou ele no ouvido de Marti.

— Vinicius Martinato.

Bianca estava aparentemente abatida. Tínhamos que agir rápido.

— You, satyr. I know you've heard what I've said at the bedroom. (Você, sátiro. Eu sei que ouviu o que eu falei dentro do quarto) — Falou ele para Jazy mas sem desgrudar os olhos de mim — Repeat that, please. (Repita, por favor) — Pediu o semideus.

— You called other demi gods to come to take Bianca. You're going to kill her. (Você chamou outros semideuses para vir pegar Bianca. Vocês vão matá-la) — Falou Jazy com o medo aparente em sua voz.

— Oh no, no. I'm not going to kill her. They are. (Ah não, não. Eu não vou matá-la. Eles vão) — Falou o filho de Íris. Bianca parecia que ia desmaiar sob a lâmina da adaga. Estava tão fraca que não esboçou nenhuma reação sob a revelação dos planos de que sua própria raça à está caçando para matá-la.

— They are arriving, and I fear that all of you is going to die. (Eles estão chegando, e eu temo que todos vocês irão morrer) — Falou carrasco com falso pesar na voz.

HAHAHA. I wouldn't count with that If I were you. (HAHAHA. Eu não contava com isso se eu fosse você) — Essa frase me fez tremer de raiva e apertei storm com mais força e isso a fez acender em luz azul.

— ATRÁS DE VOCÊS! — Gritou Marti.

O tempo foi exato para que eu conseguisse desviar a flecha que vinha em direção à minha cabeça graças aos meus reflexos de semideus. Com o tempo de um piscar de olhos, fomos cercados por dez semideuses armados e prontos para atacar. Não tínhamos como saber se apenas nós quatro conseguiríamos derrotar todos. Não sabíamos se eram experientes e nem quais eram seus poderes. Mas não pareciam ter mais de 17 anos, pelos menos em idade estávamos empatados. Imediatamente quatro deles avançaram, cada um com um alvo. Eles não queriam conversa e muitos menos apenas nos derrotar. Atacavam para matar.

O que veio em minha direção parecia o mais velho dentre todos. Devia ter mais de 1,80 de altura, cabeça raspada e cicatrizes pelo rosto. Estava armado com uma espada longa e uma adaga na cintura. Num golpe de cima para baixo em direção a minha cabeça, ele acertou storm com toda sua força. Minhas pernas cederam, mas a força do conflito entre as duas lâminas o jogou para trás o desequilibrando. Não havia o que esperar, ele vai me matar na primeira chance que tiver. Farei o possível para não matar ninguém, não quero aquela sensação novamente, mas se for preciso, o farei.

Me levantei com a velocidade de um gato e me joguei em sua direção, e antes que ele pudesse se recuperar do impacto eu acertei um chute lateral em cheio na sua orelha direita. Ele foi jogado para a esquerda enquanto eu terminava o giro já preparando storm para uma nova investida. Caso eu acertasse o golpe, seria seu fim, mas eu sabia que ele não seria derrotado tão fácil.

Quando terminei o giro, minha espada cortou o ar no lugar onde era para ele estar. Não tive tempo de procurá-lo quando senti uma presença atrás de mim. Me agachei rapidamente e pude ver a espada estocando o ar na altura do meu estômago enquanto eu girava com uma rasteira. Ele pulou e não foi atingido. Rapidamente me joguei para trás tomando espaço. E em outro piscar de olhos ele estava na minha frente. Só consegui ver seu punho fechado acertando meu rosto. Minha cabeça girou rapidamente e eu senti a maçã do lado esquerdo do meu rosto inchar. Seria preciso mais força para me derrubar com um soco. Para me equilibrar depois do golpe, apoiei minha perna direita atrás, e foi com ela que o acertei um chute frontal no estômago. Ele cambaleou para trás, e sem dar tempo para ele recuperar o fôlego avancei com um joelhada em seu rosto, foi certeiro e o sangue espirrou de seu nariz. Sem que eu percebesse ele preparou um golpe lateral com sua espada, mas o parei com storm.

Agora a luta era de esgrimistas. Ele avançava rápido como um gato golpeando de todos os lados com uma força superior à minha. Mas a cada golpe sua lâmina sofria um dano enquanto storm brilhava cada vez mais forte. Ele não parava, não abria sequer um brecha para que eu revidasse. E cada vez estava mais perto da parede da casa. Ele queria tirar meu espaço de ação para então poder me finalizar, mas isso não aconteceria tão facilmente. Juntei toda minha força bruta, defendi uma estocada girei storm por cima de minha cabeça e o golpeei lateralmente em direção à suas costelas. Ele colocou sua espada para aparar meu golpe. Storm vibrava em minha mão e seu brilho ofuscava o olhar do inimigo. Quando minha arma encontrou a dele o resultado foi incrível. Onde storm acertou a espada inimiga se despedaçou lançando estilhaços para todos os lados. Consegui levantar o braço esquerdo na altura dos olhos e o senti ser perfurado. Quando abaixei a mão o olho esquerdo do meu oponente sangrava, ao contrário de mim ele não conseguiu defender seu rosto. Ele se afastou e voltou a lutar apenas com um olho. Ele já tinha desembainhado a sua adaga e corria em minha direção, porém sua precisão e velocidade haviam caído demais devido ao uso apenas de um olho. Agora eu conseguia ler seus movimentos claramente. Me preparei e o esperei se aproximar. Quando ele chegou perto o suficiente, desviei de seu golpe e o fiz tropeçar em minha perna o que o fez cair de cara no chão. Girei storm e a desci em direção de seu ombro direito. Mas antes que o golpe fosse finalizado, senti algo se aproximando rapidamente em direção do meu coração. Outra vez consegui desviar da flecha mortal, mas ainda assim deixou um corte profundo na minha costela. A dor foi grande, mas não me desconcentrou.

Só então pude me situar sobre as outras batalhas. Dan lutava com uma menina um tanto bonita, e esse podia ser o motivo de ele não a ter derrotado ainda. Agatha assim como eu tinha problemas com seu oponente, mas ela se virava usando graça e inteligência em seus movimentos. Já Jazy não parecia estar com problemas, pelo contrário, tive a impressão que ele estava enrolando para derrotar seu oponente. Jack, o filho de Íris continuava com Marti e Bianca em seu domínio.

Danilo, Agatha e Jazy. Vamos acabar logo com isso. Chega de piedade.— O sangue me subiu a cabeça. Eles ficaram confusos com o que disse, ninguém parecia entender português ali com exceção de meus companheiros.

Quando me voltei ao meu inimigo determinado a finalizá-lo. Ele já não estava mais ali. Olhei ao redor e não o achei. Ele estava ferido, então o covarde fugiu. Avistei o arqueiro que quase me matou por duas vezes e avancei em sua direção como um touro. Ele atirava em minha direção com uma super velocidade. Mas storm fazia uma belo trabalho partindo ao meio cada flecha que tocasse sua lâmina. Quando cheguei perto o suficiente o arqueiro paralisou, e essa reação fez com que minha piedade viesse à tona, girei storm na mão e acertei seu rosto com a parte chata da espada. O garoto desmaiou no exato momento da colisão. Ele voou metros para a esquerda e atingiu o chão fortemente.

Quando voltei minha atenção para os que sobravam vi que Dan já havia derrotado a garota que lutava antes. Ela estava com um corte profundo na testa, mas estava viva. Já Agatha foi mais impiedosa. Ela acabara de finalizar seu oponente com a parte contrária de sua espada com um golpe na cabeça, porém, ele já estava sem a mão esquerda. Ainda restavam seis, mas não restava tempo para salvar Bianca. Todos avançaram juntos, fechei meus olhos e me concentrei. Dois canos passavam ali debaixo, um de água potável o outro de esgoto. Puxei o dois para cima e a água jorrou deles. Uma grande bolha de água suja e limpa se formou em volta dos seis oponentes restantes. Atrás da bolha, pude ver Jack arrastando Bianca desmaiada e Marti sob sua lâmina. Meu coração disparou e então o ataquei com um chicote d'água. Bianca ficou desmaiada no chão e Marti foi jogado longe por conta da força excessiva que coloquei no ataque. Fiz o chicote se enrolar no pescoço de Jack e o puxei para dentro da bolha. Em seguida sai correndo em direção aos meus prisioneiros e Dan veio ao meu lado. Adentrei a bolha e finalizei três dos oponentes que já não conseguiam respirar, Dan finalizou o outros três. Sobrou apenas Jack. Ele juntou suas mãos e nos suplicou misericórdia. Mas quando olhei adiante e vi a garota desmaiada e com o pescoço sangrando, eu sabia que ele não merecia viver. Dias sem se alimentar, tomar banho, depois de ter visto sua mãe e sua tia serem mortas por um motivo que ela desconhecia, depois de tudo isso achar alguém de sua raça que a fez acreditar que estaria segura e logo depois ser traída... Isso eu não aceitava. Pude sentir sua dor e não consegui controlar. Storm passou pelo seu pescoço como faca quente passa pela manteiga.