A Guerra das Cápsulas
92 Chichi mantém a tradição
Notas iniciais
Deitado em sua cama, Goku alisava o lado da face aonde Chichi havia batido.
— Aquela mulher... tão terrível — ele repetiu baixinho.
Chichi sempre o respeitou, dando a ele um tratamento extremamente cordial, usando a terminação —san quando se dirigia à ele, mesmo que ela fosse de uma linhagem muito superior. E quando viviam como marido e mulher na Terra, Chichi o mimava, fazendo as comidas que ele gostava, cuidando de tudo para ele, de modo que Goku não precisava se preocupar com nada além de trazer javalis, dinossauros e peixes para ela cozinhar, lidar com a plantação e brincar com o Gohan. E as noites nas frias Montanhas Paozu eram sempre quentes no quarto deles. Os anos transformaram a tímida princesa em uma amante experiente. O relacionamento deles alternava-se entre Goku indo com tudo, ou Goku sendo dominado. Dos dois jeitos, ele sempre saía ganhando.
Goku continuou alisando a cara enquanto concluía que nunca havia tido uma vida tão feliz e tranquila como quando vivia na Terra com a Chichi. Ela tinha toda a razão em estar chateada com ele, que a estava rejeitando e agindo como um imbecil, fugindo dela como um moleque malcriado. Eles tinham algo maravilhoso juntos, o amor deles era lindo demais e era verdadeiro, ele sabia que ela era séria quanto aos seus sentimentos, tanto que não havia cumprido com as suas obrigações perante o príncipe ainda, e pelo visto nunca cumpriria.
Ele levantou-se decidido a ir resolver de vez aquela questão com a princesa, pediria desculpas e se ajoelharia se preciso. Vegeta sabia de tudo entre eles, então isso não seria mais um problema, eles apenas precisariam ser discretos para não levantar falatórios com a criadagem, como Chichi havia alertado.
O general caminhou resoluto até o quarto da princesa. A ausência de formalidades entre eles, e por considerar a princesa como sua, aliados à natural falta de jeito do general, não permitiu um anúncio na porta, ou mesmo uma batida. Goku foi logo abrindo a porta e chamando pela princesa, mas então viu, deitados e nus, lado a lado na cama como marido e mulher que de fato eram, Chichi e Vegeta, com fortes evidências de que haviam acabado de providenciar o legítimo herdeiro do modo mais tradicional possível.
***
Paciente, Vegeta esperou exatamente uma hora antes de ir até o quarto da princesa. Aproveitou esse tempo para tomar um banho e tomar coragem. Quando deu o horário, bateu na porta, ela abriu. Usava uma combinação simples, apenas funcional, nada atraente.
Vegeta entrou e olhou ao redor. Sabia exatamente o que fazer, mas estava nervoso, ao contrário de Chichi, que parecia senhora de si e de toda a situação.
— Quer beber algo? — ela ofereceu.
— Não... quer dizer sim... ou melhor, acho que não seria bom...
— Você quer ou não quer? — ela perdeu a paciência.
— Me dá alguma coisa aí, vai! — Vegeta respondeu irritado.
Chichi colocou uma dose de bebida em uma taça e serviu à ele. Ela serviu uma para si e sentou-se na beirada da cama.
— Você quer fazer isso como?
— Oras, como? Do jeito tradicional é óbvio — ele disse envergonhado.
— Pinto na buceta? — ela riu.
Vegeta ficou extremamente vermelho. Ele falando era uma coisa, mas ela, uma princesa toda cheia das poses falando vulgaridades era algo completamente diferente.
— Relaxa, príncipe — Chichi sorriu enquanto pousava a taça em uma mesinha — vou deixar tudo com você, afinal você é macho o suficiente para fazer do jeito tradicional, certo?
Vegeta continuou ruborizando. Chichi levantou-se e livrou-se da combinação que usava. As peças não eram bonitas, mas ela as fazia parecer os artigos mais sensuais conforme despia-se. Vegeta estava ficando mais nervoso, virou o copo todo de uma vez e esperou. Chichi deitou na cama e chamou-o com um dedo. Se ainda tivesse um rabo, ele o teria abanado nessa hora. Ele despiu-se rapidamente e foi para a cama com ela, em poucos minutos entendeu porque Kakarotto era tão desobediente, sempre passando por cima da hierarquia e desafiando seu soberano para estar com ela.
***
Esperta, antes mesmo que fosse imperativo, Chichi já havia tomado conhecimento de alguns truques que as mulheres saiyajins usavam quando queriam ludibriar seus maridos. Saiyajins costumavam ter uma vida sexual muito liberal, mas não raro, eles se apaixonavam. Quando isso acontecia, assim como no planeta Terra, eles se casavam, e seguiam a viver juntos e constituir uma família. Mas como quase sempre, estavam em guerra, não era raro também, que as saiyajins tornavam-se viúvas cedo demais. Se isso acontecesse, ela estava livre para voltar aos seus hábitos de solteira, ou se casar novamente. Ocorre, que às vezes, os maridos não morriam tão jovens assim, e um casamento longo entre dois guerreiros de personalidade forte tornava-se insuportável com o passar dos anos. Engravidar e ter filhos saudáveis era importante, porque a necessidade de guerreiros jovens era constante, mas copular por luxúria, quando já não tinham a mesma paixão de antigamente, era exaustivo, então, a grande maioria das saiyajins simplesmente apagavam seus maridos quando não estavam a fim. O remédio usado era barato, simples e facílimo de encontrar. Um comprimidinho pequeno, sem cor e sabor, diluído em qualquer bebida e era capaz de apagar um homem forte. Considerando que o príncipe era extremamente forte e estava no nível de super saiyajin, Chichi usou três por garantia. Enquanto despia-se diante do príncipe, viu ele beber o líquido todo de uma vez. Dizia-se também, que o tal medicamento provocava intensos sonhos eróticos. Então seu plano, era simplesmente esperar que a coisa funcionasse, dormir tranquilamente ao lado dele, e na manhã seguinte, preencher as lacunas da memória do príncipe com uma narrativa cheia de pausas e olhares tímidos e rubor nas bochechas e uma expressão de encantamento, e o ingênuo príncipe acreditaria não apenas em qualquer coisa que ela lhe dissesse, mas também que aquela tinha sido uma noite inesquecível para ela.
Isso tudo, não porque não se importava com as questões que a obrigavam a ter um filho dele, mas porque queria ganhar tempo, para encontrar Gohan, principalmente, e para se preparar para estar de verdade com um homem que a inspirava medo e nojo. Não precisava se desiludir mais ainda com Goku para correr para os braços de Vegeta, desilusões ela já tinha de sobra. Ela precisava pensar e analisar tudo com calma, e estar ciente de cada passo, e estar pronta e antecipada à tudo. Esse era o jeito de pensar de Chichi, e era assim que ela faria.
Ocorre, que não estava nos seus planos que Goku entrasse gritando no quarto atrás dela. A respiração forte e compassada de Vegeta, indicava que ele já estava em um sono profundo, mas o timbre esganiçado do general poderia colocar tudo a perder, então, assim que ouviu a voz do ex a chamando, Chichi sobressaltou-se e pulou da cama.
— Goku! O que está fazendo aqui?
— Chi eu... — então ele se calou ao perceber que Vegeta estava nu na cama da princesa.
— Goku, não é nada disso o que você está pensando! — ela tentou se explicar.
— Não precisa me explicar nada, Chichi — ele disse com a voz pesada.
Antes que ela pudesse correr até ele, Goku saltava pela janela e alçava vôo rapidamente.
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