A Guerra das Cápsulas
52 Alguns problemas no paraíso
Notas iniciais
Bulma sorriu ao ouvir a proposta romântica do príncipe.
— Eu falei que você era romântico — ela brincou.
— Isso foi romântico? — ele ruborizou.
— Muito.
— Posso te beijar?
Ela observou aqueles olhos negros, tão intensos e mornos. Já estava completamente derretida pelas palavras dele, e sentia falta de quando ele a beijava com toda paixão, e deixava de lado aquele comportamento grotesco e as atitudes egoístas.
— Pode... eu quero.
Vegeta passeou os dedos pelos lábios dela. Com cuidado, deslizou as mãos pelo rosto e cabelos da jovem. Bulma suspirou, fechou os olhos e deixou-se ser tocada com carinho. Ele se aproximou e roçou os lábios nos dela. Ela separou os lábios e ele entrou com a língua na sua boca. Imediatamente, ela sentiu o corpo todo se aquecer, o agarrou e retribuiu aquele beijo com toda a paixão e desejo que ele a inspirava.
— Te amo tanto, Vegeta — ela sussurrou entre os beijos.
Vegeta não sabia o que responder. Aquilo era muito novo e assustador para ele, e, de certo modo, era difícil também. Era difícil para ele ser amado, ele nunca recebeu isso na sua vida, não sabia o que dar em troca. Até aquele momento nunca sentiu que havia amor dentro de si para dar para alguém. E agora Bulma chegava com aquela enxurrada de sentimentos e jogava tudo em cima dele, e o afogava, e destruía as bases de tudo o que ele sabia sobre si mesmo.
— Bulma, eu... eu não... eu não sei — ele respondeu atrapalhado, entre os beijos que trocavam.
Então Bulma salvou-o daquele embaraço.
— Só fale quando sentir de verdade...
Ele a abraçou com força e intensificou o beijo. Estavam ali trocando um beijo apaixonado, quando a porta foi aberta com um estrondo. Tarble entrou no aposento ofegante.
— Eles a levaram!
— O quê? Levaram quem? — Vegeta perguntou ainda abraçado à Bulma.
— Os homens de Turles agiram... eles sequestraram Gure e os bebês.
***
Tarble, pálido e assustado, relatou que foi nos poucos minutos em que tomava seu banho matinal, que os homens de Turles agiram.
— Quando saí do banho, eles não estavam mais no quarto. No lugar, estava apenas essa carta.
Ele estendeu a folha para Vegeta, mas Bulma pegou bruscamente e leu em voz alta.
— "Entreguem as cápsulas, ou a alienígena e os príncipes morrerão".
— Filhos da puta! — Vegeta praguejou.
— Vamos resgatá-los logo! — Bulma estava tão desesperada quanto Tarble.
Vegeta não queria dar as cápsulas em troca da vida da cunhada e dos sobrinhos. Se fosse só ele e Tarble ali, ele não ocultaria isso do irmão, mas com Bulma por perto ele não poderia agir como um canalha. Não jogaria para o alto tudo o que conseguiu com ela.
— Claro, vamos agora mesmo — ele respondeu simplesmente.
Seguiram as coordenadas da carta, o local escolhido era nos limites das áreas habitadas da cidade. Vegeta levou os mesmos saiyajins que o ajudou da primeira vez contra Turles. Ele insistiu muito para ela não ir, mas Bulma não deu ouvidos à ele.
Quando chegaram, um grupo de não mais do que trinta saiyajins, estavam pelo lado de fora de uma nave. Ao centro, eles podiam ver a figura pequena e delicada de Gure de joelhos no chão, enquanto os três príncipes deitados em uma manta fina, choravam.
Tarble quis correr para eles, mas Vegeta o segurou firmemente.
— Não assim... eles o matarão se for sozinho.
O grupo todo se aproximou. Numericamente falando, eles excediam e muito aos rebeldes, mas a vantagem desses era ter a vida de Gure e dos príncipes nas suas mãos.
Ao se aproximar, Vegeta reconheceu o odioso saiyajin que liderava os traidores. Alto e corpulento, quase gordo para os padrões de um saiyajin, e a total ausência de cabelos e o bigode fino, faziam dele inconfundível.
— Nappa — Vegeta falou com desprezo — imaginei que um verme como você nos trairia uma hora ou outra.
— É o que se ganha por agir como um tirano, principezinho — Nappa disso irônico.
— Entregue a mulher e as crianças e você morrerá depressa e sem dor — Vegeta avisou.
— Eu não morrerei de jeito algum, Vegeta. Me dê as cápsulas.
— Nii-san, entregue as cápsulas logo! — Tarble pediu desesperado.
— Não vamos ser chantageados por essa escória, Tarble. Vamos levar Gure e as crianças sem dar nada à esses lixos, exceto a morte que eles merecem.
Então Nappa puxou Gure pelo braço e a jogou na frente de si, somente esse impacto foi suficiente para machucar o corpo delicado da moça.
— Desgraçado! Se a machucar eu vou... — Tarble gritou.
— Vai fazer o quê? Chorar? — Nappa gargalhou.
— Vegeta, entrega logo essas cápsulas! — Bulma gritou.
— Fique fora disso, Bulma — Vegeta falou secamente.
Então um dos homens de Nappa pegou um dos bebês pelo pé e o ergueu de ponta cabeça. A criancinha chorou muito, o homem ficou a balançando de um lado para o outro. Gure, vendo o sofrimento do filho, correu para o homem e o tentou impedir, ele a chutou, e ela caiu com o rosto ao chão. O baque causou ferimentos no nariz e na boca dela. Tarble, vendo a família ser vítima da violência daquele animal, correu até ele e o golpeou, o dano causado foi mínimo, somente aumentou a ira do agressor, que revidou com toda a força e machucou seriamente o jovem príncipe.
Agora estavam Gure e Tarble no chão, machucados, enquanto o homem ria e continuava balançando o bebê que esgoelava até quase perder o fôlego.
— Malditos! — Tarble praguejou.
— O culpado é o seu nii-san, Tarble — Nappa disse — assim que ele nos der as cápsulas, entregamos esses merdinhas pra você.
— Como vocês conseguiram? — Tarble quis saber.
— A babá está do nosso lado, ela facilitou tudo — Nappa respondeu — parece que a irmã dela era a antiga babá de vocês, e foi jogada para os cães ou algo assim.
— Vegeta, entregue logo essas cápsulas antes que eles machuquem as crianças! — Bulma ao lado dele continuou insistindo, agora mais preocupada ainda que as ações do namorado haviam resultado em tudo aquilo.
Vegeta sequer a ouvia, estava calculando mentalmente a distância entre entre ele, Nappa e o saiyajin que segurava um dos bebês pelo pé. Se Tarble não tivesse se excedido e corrido até eles, a vantagem seria maior. Ele estava ponderando em atingir Nappa com um raio, se fizesse isso, o saiyajin que segurava o bebê poderia matar a criança de vez, ou alguém atingiria Tarble e Gure, ou até mesmo os outros dois bebês no chão. Vegeta estava analisando que se agisse rapidamente, um dos cinco morreria, queria um confronto para eliminar aqueles vermes traidores de uma vez por todas, e nesse confronto, era melhor que se fosse para um dos cinco morrer, que fosse um dos bebês que ainda eram meros insignificantes.
Então Vegeta agiu, atingiu com um raio o saiyajin que segurava o bebê pelo pé, e esse caiu morto. Assim que o saiyajin veio ao chão, Tarble se adiantou e pegou o bebê impedindo que ele caísse e se machucasse. Ele se antecipou e correu para os dois filhos que choravam largados no chão, porém outro saiyajin também foi rápido e pegou um dos bebês antes que Tarble pudesse pegá-lo. Agora Tarble estava com dois dos filhos seguros consigo, então correu para perto de Vegeta e o resto do seu grupo, enquanto o outro filho estava cativo do saiyajin. Nesse meio tempo, Nappa pegou Gure e a pressionava pelo pescoço.
— Se não entregar as cápsulas mataremos essa daqui e o outro merdinha — Nappa avisou.
Tarble olhava desesperado para a esposa e o outro filho nas mãos daqueles monstros.
— Vegeta, entregue logo, o que está esperando? — Tarble perguntou.
— Tarble, pense. Se com um movimento conseguimos recuperar dois, se agirmos depressa podemos recuperar Gure e o outro também — Vegeta disse calmamente — se bem que você tem três filhos, se perder um não será grande problema. O que prefere, a vida da sua mulher ou do seu outro filho? Eles vão tentar matar um deles no meu próximo golpe.
— Vegeta... — Bulma estava horrorizada com a linha de raciocínio dele. Permitir que um dos bebês morresse porque três filhos era muito? Pelo visto ele não tinha mudado nada, ela pensou desconsolada.
— Eu quero todos eles vivos, seu imbecil! Não tem como escolher! — Tarble esbravejou.
Vegeta deu de ombros, continuou analisando a situação. Nappa permaneceu apertando o pescoço de Gure, a jovem estava quase desfalecida. Nappa a ergueu no alto e passou a língua pelo rosto dela.
— Hein, príncipe? O que vai ser? — Nappa disse — se não quiser me dar as cápsulas eu fico com essa daqui, ela parece ser bem apetitosa — ele disse com um sorriso malicioso.
Era inimaginável pensar em Nappa, gigantesco e bruto com uma mocinha tão delicada e miúda como Gure. Isso pareceu lembrar Vegeta do que Turles fez com Bulma. Tarble o odiaria pelo resto da vida se ele permitisse que Gure fosse maculada por um daqueles brutos.
— Ok, façamos assim — Vegeta disse — vou entregar a cápsula e você libera a mulher e o menino, na mesma hora, entendeu? Se hesitar por meio segundo eu mato a todos!
— Ok, principezinho. Estamos de acordo — Nappa respondeu.
Vegeta tirou a cápsula do bolso. Odiaria se livrar do grande símbolo da sua vingança contra Chichi e Kakarotto por causa daquela cunhada insignificante e fraca, e um bebê aberração que não era nada para ele. Mas preferia isso do que perder a mente estratégica de Tarble, pois esse o abandonaria, com toda a certeza, se alguém da sua família morresse.
— No três — Vegeta gritou — Um... dois... três!
Então ele atirou as cápsulas na direção de Nappa, no mesmo momento, este empurrou Gure, e o outro saiyajin atirou o bebê na direção deles. Tarble, que havia deixado os dois filhos sob os cuidados de Bulma, correu e pegou o bebê ainda no ar ao mesmo tempo que acudia a esposa, logo todos estavam à salvo. Mas Vegeta não tinha dado o assunto por encerrado.
Atingiu o máximo de homens de Nappa com seus raios, enquanto os outros saiyajins que estavam consigo, repetiram seu gesto. Nappa correu para a nave, outros de seus homens os seguiram.
— Fujam vocês, que nós vamos recuperar as cápsulas — Vegeta avisou para Tarble, Gure e Bulma.
— Vegeta, deixa isso pra lá! É perigoso! — Bulma pediu.
— Mulher, você não entende? Eu nunca perco! — ele respondeu com um sorriso malvado.
***
Nappa conseguiu fugir, estava muito debilitado por quase ter sido abatido por Vegeta e seus homens. Nenhum dos outros saiyajins que estavam com ele conseguiram sobreviver. O príncipe recuperou as cápsulas, e Nappa fugiu para o único que poderia ajudá-lo com a sua vingança contra Vegeta, o imperador do mal, Freeza.
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