A Guerra das Cápsulas
91 Um lembrete amargo
Notas iniciais
Novamente rejeitada por Goku, Chichi parou de desejar um retorno no relacionamento. Mas a despeito disso, ela nunca esqueceria Gohan. Amanheceu o dia 18 de maio*, e ela comemorou mais um ano de aniversário do menino, sem saber do paradeiro dele. Ela não parava de pensar no filho, mas aparentemente, Goku nem lembrava que um dia foi pai. Então Chichi resolveu mandar um lembrete para o ex.
***
Goku estava terminando o seu banho e sairia para jantar, se não fosse se deparar com uma imensa bandeja na mesa de café dos seus aposentos.
— O que é isso tudo?
Ele abriu a bandeja e logo um irresistível aroma de comida fresca subiu. Tinha macarrão com legumes, guioza de carne de porco, frango assado, pernil, vegetais no vapor e uma imensa tigela de arroz branco.
— Yata! Que delícia! Então mandaram meu jantar aqui para o quarto! Que ótimo, vou comer até não poder mais!
Ele sentou-se e começou a comer. A visão dos pratos era maravilhosa, mas o aroma e o sabor eram simplesmente sensacionais. Ele não precisou dar mais do que dois bocados para saber quem havia preparado aquela comida para ele.
— Chichi... mas o que será que ela quer? Não pode estar pensando que vai me comprar com comida. Ela sabe que isso não vai mais funcionar comigo.
Então ele começou a lembrar dos inúmeros jantares que compartilhou com a família. Lembrou que Chichi sempre preparava os pratos favoritos dele, e embora ele gostasse de tudo o que ela havia lhe mandado dessa vez, nenhum daqueles eram o seu prato preferido, mas apesar disso, sempre teve aqueles pratos a sua disposição na antiga casa.
— São os pratos favoritos do Gohan — ele concluiu angustiado.
***
Chichi estava confeitando um imenso bolo de chocolate quando Goku entrou na cozinha trazendo de volta as bandejas já vazias.
— Sabe que dia é hoje, Goku? — Chichi perguntou sem emoção.
— Eu sei, é aniversário dele.
Ele largou o bico que usava para confeitar o bolo e o olhou amargurada.
— Pelo meno isso você lembra.
— Eu não me esqueci dele, Chichi.
— Então cadê o meu filho? Já se passou um tempão que voltamos no tempo e não tenho notícias dele! Você deixou tudo na mão do Trunks! Você sabe que a responsabilidade não é dele. Por que está fazendo isso, Goku? Quer me punir, é?
— Não, Chichi, não. Eu também quero ele de volta. Se eu soubesse que ele havia ido escondido para a guerra nunca teria saído pelo universo sem antes levá-lo até você!
Chichi começou a chorar. Goku, largou as bandejas de comida na pia e foi até ela.
— Traz ele pra mim! Traz o meu filho de volta! — ela pedia entre as lágrimas.
Goku não aguentou vendo ela chorar dessa maneira e a abraçou com o máximo de delicadeza que pôde. Chichi o agarrou com força e chorou no seu ombro. Ele massageou os cabelos dela.
— Vai dar tudo certo, você vai ver. Vamos recuperar ele, logo, logo — ele disse sem convicção.
***
Sentado como uma criança, Goku esperava impaciente que Chichi terminasse de confeitar o bolo. Ela já havia secado as lágrimas e se acalmado um pouco a respeito da longa ausência de Gohan.
— Esse é o bolo favorito dele — Chichi disse — eu sempre fazia um igual no aniversário dele.
— Eu lembro. Era tão bom — Goku respondeu nostálgico.
— Lembra daquela vez que ele assoprou todo o bolo para fora da bandeja direto nas nossas caras?
— Sim — Goku riu com a lembrança — ele já estava bem mais forte por todo treinamento, mas ainda não sabia controlar direito a força.
Chichi terminou de confeitar o bolo. Cortou dois pedaços e serviu o maior para o ex. Sentou e comeu demoradamente o seu, enquanto Goku terminava tudo em duas garfadas e pegava mais.
— Quando o Trunks vai entrar em contato conosco? — Chichi perguntou.
— Eu não sei. Ele não deixou o rádio com a gente.
— Como poderia? Voltamos apenas em consciência.
— É verdade... será que não conseguiremos falar com ele nunca mais?
— Isso não me preocupa, Goku. Trunks é um menino responsável, se ele já tivesse encontrado Gohan teria arrumado um jeito de entrar em contato conosco. Se ele ainda não fez é porque não o achou.
— Ele pode ter o encontrado, mas pode ser que não conseguiu fazer a máquina do tempo funcionar.
— Nem fale uma coisa dessas.
— Chichi, eu não quero ser pessimista, mas estou realmente preocupado agora. Nós estamos totalmente dependentes da sorte.
— Eu sabia que algo assim poderia acontecer! Eu deveria ter sido mais dura e ter insistido para encontrarmos ele antes de aceitar essa maluquice de voltar no tempo! — Chichi disse angustiada.
— Mas a gente tinha que vir, a ameça do Black é verdadeira.
— Foda-se esse Black! É o nosso filho que está lá, um menino apenas, uma criança! Não me importo que o nascimento dele não foi planejado pelos deuses! Ele é meu filho e eu quero ele aqui comigo! Se você não der um jeito de trazer ele aqui, eu mesma vou dar um jeito de achá-lo! Vou pegar uma dessas naves e sair por aí!
Goku terminou de comer o resto do bolo e levantou-se.
— Não vai adiantar, Chichi. Ele não está nesse mesmo mundo temporal que a gente.
— Você me desanima, Goku. Nem parece que liga. Não me importo que agora você me odeie, mas ele é seu filho também.
— Eu não te odeio.
— Não mesmo? Por que sempre me ignora quando eu apareço? Por que foge de mim como um idiota? — ela inquiriu.
— Você sabe o porquê. A nossa relação nem deveria ter começado, pra início de conversa.
— Mas você bem que gostou enquanto estava comigo, ou vai mentir?
— Você é uma mulher bonita e sedutora, não consegui resistir... mas você e o Vegeta precisam resolver a questão do filho de vocês, por isso prefiro ficar de fora. Eu percebi que vocês não estão mais brigando, por acaso já resolveram? — ele perguntou enciumado.
— Essa foi a obrigação que jogaram em cima de mim, eu não tive escolha! — ela se defendeu.
— Então não nega? O herdeiro já foi gerado?
Chichi não queria ter que discutir esse assunto delicado com o ex, principalmente ele já a havia ferido muito, ela pensou que estava na hora de começar a manter alguma dignidade.
— O que acontece no leito conjugal de dois príncipes não diz respeito à você! — ela disse se levantando.
—Se é assim porque está tão desesperada pra me repreender pelo Gohan? Aposto que quando o moleque nascer você vai ser a primeira a esquecer do nosso filho.
Chichi deu um forte tapa no rosto de Goku. Era a primeira vez que fazia isso. Goku a olhou irritado, mas logo a irritação perdeu lugar para tristeza, aquela mulher já não o amava como antes. Isso era algo que estava acima da obrigação, e mesmo assim, ela deixou de amá-lo com toda a facilidade do mundo assim que Vegeta apresentou o mundo mágico de príncipes para ela. Goku massageou o local onde ela batera.
— A gente acaba por aqui, Chichi. Eu vou achar o menino porque ele é meu filho também, mas você acabou pra mim — ele disse secamente.
Goku saiu deixando Chichi chorando sozinha.
***
Alheio às confusões da princesa e do general, Vegeta reunira-se naquela tarde com seu conselho, e as notícias não foram das melhores. As regras diziam que o príncipe regente tinha que se casar e gerar um herdeiro legítimo em até 20 anos, caso contrário, perderia o direito ao trono. Vegeta bateu o pé dizendo que o prazo era de 25 anos, mas os conselheiros continuaram alegando que era 20. O príncipe tanto fez que mandou trazer a papelada da constituição, e lá estava, o prazo correto era de 20 anos, como estava escrito. Só que Vegeta lembrava-se muito bem que na outra linha de tempo, o prazo informado foi de 25 anos. Ele havia passado a tarde toda preocupado com isso, mas acabou entendendo que podia ser as pequenas mudanças na história que a volta no tempo provocava, ele só não sabia se isso traria mais consequências no futuro.
Chichi não representava nada mais para ele do que um estorvo, e apesar de ter decidido que não precisaria dela e nem de ter um filho com ela para derrotar Black, agora ele tinha essa questão do trono a ser resolvida. Não dava para simplesmente mandar as próprias leis do planeta às favas e correr o risco de sofrer um motim como aconteceu na outra linha do tempo. Ele agora desfrutava de prestígio entre o seu povo, e queria se manter assim, sendo amado. Isso era muito mais interessante do que antes, quando era temido, e todos tentavam passar ele para trás o tempo todo. Então, para manter a paz no seu reino, e para se tornar o rei definitivamente, Vegeta teria que engravidar Chichi.
Ele passou a mão vigorosamente pelo queixo, e decidiu que aquela noite quente e estrelada seria a noite perfeita para gerar um herdeiro legítimo.
***
Encontrou-a choramingando na cozinha, sobre uma bandeja de bolo ainda com farelos.
— O que é essa choradeira? — Vegeta perguntou.
Chichi secou as lágrimas rapidamente.
— Não é nada.
Vegeta passou um dedo pela bandeja de bolo e lambeu.
— Chocolate?
— É... eu fiz um bolo.
— E cadê ele? Esse eu queria experimentar — Vegeta disse.
— O Goku comeu...
— É claro... Kakarotto parece ser especialista em comer tudo antes de mim.
Chichi ruborizou fortemente. Tratou de recolher as bandejas, colocou tudo na pia, o criado limparia tudo depois. Tirou o avental e foi saindo. Precisava esquecer tudo referente àquele dia.
Passou rapidamente pelo príncipe, e ele a segurou pelo braço.
— Prepare-se para mim hoje.
— O quê?! — Chichi disse espantada.
— É o que ouviu... nós temos que resolver a questão do herdeiro, eu pretendo fazer isso hoje.
— Mas eu...
— Mas eu o quê? Eu já sei de tudo, não tem porque tentar me enganar, eu sei de tudo sobre você e Kakarotto. E quer saber? Pouco me importa o que vocês fazem. Acontece que tenho assuntos políticos a tratar com você, entendeu? Enxergue a questão como isso, e vamos resolver essa merda de uma vez!
— Assuntos políticos...?
— É, considere que o que vamos fazer é meramente um assunto político — Vegeta disse.
Chichi sabia que inevitavelmente esse dia chegaria. Pra ter um filho com o príncipe, teria que ir para a cama com ele, mas ela não queria isso.
— Eu não quero ter que fazer isso — Chichi respondeu secamente.
— Ah, mas você vai fazer! Nem que eu tenha que te forçar! — ele já estava perdendo a paciência.
— Faça isso então, mas saiba que eu posso tomar os remédios certos depois, assim eu evitaria a gravidez.
— É? O que acha de eu preparar uma nave cheia de saiyajins assassinos e mandá-los todos para a Terra para matar o seu pai e seus amigos?
— Vegeta... você também não quer ter que fazer isso! Por que me obriga? — ela tentou negociar.
— Acontece, sua idiota, que eu tenho leis e regras a cumprir, entendeu? Você deveria saber, afinal é uma princesa também, mas parece ter se esquecido disso, afinal só fica ralando a barriga nesse fogão e correndo atrás do Kakarotto igual uma puta. Não se trata do que eu ou você queremos, é o que temos que fazer, não só pela profecia, mas agora tem uma questão legal também.
— Que questão legal?
— Se eu não tiver um filho legítimo, eu posso esquecer de ser rei.
Chichi sabia muito bem das suas obrigações, mas era inimaginável que tivesse que ir para a cama justamente com ele, que a havia matado. Sabia que só estavam ali por causa disso, só voltaram no tempo pra isso, mas agora que o momento chegava, queria deixar tudo como estava.
— Não tem outro jeito de fazer isso? — Chichi perguntou — talvez uma inseminação, sei lá...
— Que inseminação o quê? O príncipe é macho o suficiente pra fazer as coisas do modo tradicional!
— Então vai ter que ser do jeito normal mesmo?
— É... pinto na buceta, o melhor jeito que existe.
Chichi olhou-o enojada, mas ele tinha razão. Como príncipes, tinham obrigações a cumprir. Nessa hora ela tinha que deixar suas vontades de lado, para o bem de todos, pela vida do pai e dos amigos que estavam na Terra, pela vida de Gohan que ela tinha esperança de encontrar, mas agora também porque isso deixaria um certo saiyajin que a estava humilhando tanto, extremamente enciumado.
— Então está certo, príncipe — Chichi respondeu — Vamos fazer do seu jeito, o jeito tradicional. Me dê uma hora e me encontre nos meus aposentos.
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