A Guerra das Cápsulas
40 Planos e arrependimentos
Notas iniciais
Ela quis gritar, mas ele pressionou a sua boca com uma das mãos. Bulma começou a espernear e se debater para se livrar daquele aperto. O homem enfiou as mãos por dentro do vestido dela e começou a apalpar seus seios, desceu a mão pelo corpo da moça e chegou até a calcinha, ficou brincando com os dedos na entrada dela. Bulma conseguiu morder a mão que cobria sua boca com toda a força que podia.
— Mulher insolente! — Vegeta reclamou a soltando.
— Vegeta?! Seu idiota, por que me atacou assim no escuro?
— Você que pediu por isso, ficou se exibindo como uma vulgar no meio do salão!
— Seu grosso, estúpido! Saia daqui agora mesmo!
— Não vou sair, mulher... não enquanto eu não fizer com você o que você veio pedindo a noite toda.
— Eu não pedi nada...
— Pediu sim... praticamente implorou, usando esse vestido indecente. Gostou de ver todos os machos loucos pra te comer?
— Você é tão nojento...
— Vai me dizer que não percebeu? Deixou os saiyajins doidos...
— Não foi essa a intenção.
— Não mesmo?
Ele se aproximou de novo. Passou as mãos pelos cabelos dela e os escondeu atrás da orelha.
— O que é isso preto nos seus olhos? — ele perguntou.
— É maquiagem.
— Não use mais isso.
— Por que não?
— Realça o olhar... me dá vontades.
— Essa é a intenção.
— E depois vai me dizer que não era a sua intenção seduzir a todos? — ele riu.
— Todos não... só um.
— Qual deles?
— O mais idiota.
— Sua mulher vulgar...
Ele a beijou. Ela retribuiu. O que fizeram depois estava cada vez mais parecido com amor.
***
Quando terminou, Vegeta não foi imediatamente para o quarto como sempre fazia. Ficou um tempo abraçado em silêncio com Bulma. Ela deitou com a cabeça pousada no peito dele e ficou ouvindo as batidas do seu coração, a respiração profunda, enquanto ele passeava as mãos pelo corpo dela.
— Eles são tão fofos — Bulma disse quebrando o silêncio.
— Quem?
— Tarble e Gure.
— Humf... meu irmão é um rebelde.
— Rebelde? Achei ele tão educado, tão gentil.
— Isso aí é a maior rebeldia para um saiyajin, ele tinha que ser um guerreiro mortal e maligno, causar medo nas pessoas assim que entrasse no salão — ele falou com um olhar malvado.
— Igual à você?
— Exatamente.
— A graça está justamente nas diferenças.
— Não acho...
— Bem, eu adorei eles. Imagino que os bebês serão lindos.
— Serão aberrações, isso sim.
— Vegeta! Não seja grosseiro!
— Não se mistura raças tão diferentes... não sabemos como as crianças podem nascer.
— Espero que nasçam perfeitos e saudáveis.
Vegeta deu de ombros. Bulma não sabia que ele havia sido contra o casamento de Tarble e Gure, a aparência da noiva pouco o importava. O que desagradou Vegeta foi que Tarble havia sido mandado para aquele planeta para conquistar e escravizar aquele povo, mas ele acabou por se unir à eles e até mesmo engravidou a filha do rei. Quando Vegeta voltou da Terra e pediu notícias, Tarble avisou que ficaria entre aqueles que ele considerava como sua nova família, Vegeta ficou louco de ódio e exigiu que Tarble voltasse, Tarble alegou que só voltaria sob determinadas condições, uma delas era que Vegeta aceitasse a união dele com Gure.
Vegeta não teve escolha a não ser ceder às exigências de Tarble, aceitou Gure como cunhada e os sobrinhos que ainda não tinham nascido. Tarble pelo seu lado, se comprometeu a encabeçar e formar um novo time de estratégia militar e tornar-se conselheiro de Vegeta. Por mais diferentes que fossem, eles eram irmãos, e Vegeta confiava em Tarble. E mesmo que sob o ponto de vista do príncipe, Tarble fosse um rebelde, ele era muito inteligente, e embora Vegeta não quisesse admitir, o comportamento diplomático do irmão seria útil em negociações no futuro.
***
Longe dali, Turles embebedava-se com um grupo de saiyajins. Após cumprir a agenda da noite e comparecer ao casamento do príncipe mais novo, ele deixou o castelo e foi para um dos prostíbulos nos limites da cidade. Ali podia beber, lutar e trepar à vontade. O sangue quente de saiyajin pedia um lugar como aquele, a bebida era forte e ajudava a liberar a raiva contida, as lutas sangrentas, quase sempre alguém morria, e as trepadas eram memoráveis, as prostitutas saiyajins eram as melhores do universo, aguentavam dois, três, algumas até quatro guerreiros de uma vez. E se tivesse sorte poderia trocar umas porradas com elas depois, gostava de mulher que brigava, e aquelas brigavam e fodiam como homens.
Quando a farra terminou, sentou-se com um saiyajin mais velho, ele já havia conseguido boa parte das informações que Turles precisava. Um dos seus filhos integrava a guarda pessoal do príncipe e havia sido morto sem nenhuma explicação, mas esse velho saiyajin sabia dos motivos. Sorte de Turles que esse filho havia conversado bastante com o pai antes de morrer. O príncipe não sabia, mas Turles estava arregimentando um grupo de rebeldes, que insatisfeitos com os métodos de governo de Vegeta, encontravam-se semanalmente para planejar um golpe e derrubar o príncipe.
Turles já sabia sobre a traição de Goku, a gravidez da princesa e posterior assassinato desta por Vegeta, e que ainda depois o príncipe roubou todas as riquezas do planeta usando um dragão mágico para isso. Ficou sabendo também que a princesa era a melhor amiga da terráquea de cabelos azuis que Vegeta trouxe, e que ela não sabia da morte da amiga, apenas do roubo das tais cápsulas, soube que o príncipe havia proibido que se falasse qualquer coisa sobre a morte da princesa perto da terráquea.
Turles ficou sabendo pelos próprios saiyajins que vasculharam as cápsulas em busca das coisas da terráquea, que as riquezas que Vegeta roubou da Terra eram inigualáveis. Esses saiyajins cresceram os olhos naquelas riquezas todas, mas debaixo do olhar implacável de Vegeta foi impossível tentar surrupiar alguma coisa.
Esse grupo de rebeldes estava crescendo silenciosamente a cada dia, e Turles, agora como chefe da guarda pessoal do príncipe, estava responsável por escolher os melhores soldados e treiná-los. Todos os homens escolhidos por Turles faziam parte do grupo de rebeldes. Dessa forma seria mais fácil para ele dar cabo do seu plano, que era roubar as cápsulas, matar o príncipe, tomar o governo do planeta e até mesmo pegar para si aquela apetitosa terráquea de cabelos azuis.
***
Na Terra, Goku treinava. A lembrança de Chichi era a sua força diária para manter o foco naquele treinamento. Para não se perder na loucura desse propósito, ele começou a treinar com os outros saiyajins, Raditz e com quem mais quisesse aprender com ele. Sendo um conhecedor de artes marciais, o Rei Ox apenas observava. Embora não confiasse em Goku, ele tinha que admitir que o rapaz era esforçado. Sob a tutela dele, muitos haviam melhorado consideravelmente, o rei passou a acreditar que agora teriam uma chance verdadeira contra Vegeta.
O Dr. Briefs continuava com a sua luta de construir as tecnologias mais avançadas do nada. Com o resto do dinheiro pelo pagamento das cápsulas, ele comprou metais de outros planetas para construir naves. Levaria muito tempo para conseguir algo sem Bulma. Se tudo corresse bem, talvez em cinco anos eles teriam naves boas e rápidas o suficiente para viajarem até o planeta Vegeta e assim conseguirem sua vingança. O Rei Ox não gostou desse prazo. Em cinco anos, Vegeta já estaria muito mais poderoso.
Certa madrugada, o rei não conseguia dormir. Lembrava de Chichi quando era uma criança arteira e briguenta, depois tornou-se uma bela e geniosa jovem. Amargurava a culpa de não ter dado ouvidos à ela quando ela pediu que ele a liberasse do compromisso do casamento, e por todos os acontecimentos posteriores.
Por mais que culpasse Goku, ele sabia que era ele mesmo o grande responsável pela morte da própria filha. Depois que a rainha morreu ele não se preocupou em tomar uma nova esposa que o ajudasse a terminar de criar Chichi. Na adolescência, quando a curiosidade natural da menina sobre as coisas do mundo surgiu, ele simplesmente jogou-a nas mãos de tutores para resolver o assunto.
Proibiu que ela tivesse namorados, e seu círculo de amizades estava restrito à Bulma, Yamcha, Kuririn e os outros amigos do Mestre Kame. Nunca poderia imaginar que justamente Goku fosse despertar a sua primeira paixão da juventude na sua filha, que quase sempre é intensa e inconsequente. Pensava que Chichi já havia aceitado o seu destino, seu casamento arranjado com o príncipe dos saiyajins, e que eventualmente se apaixonaria por ele, como esperado de uma princesa submissa.
Como pai, havia errado fortemente em não reconhecer que sua filha nunca seria submissa. Chichi sempre encontrou maneiras de dobrar as regras e fazer valer sua vontade. Fora que convivendo em uma corte cheia de políticos corruptos e pessoas dissimuladas com os mais diversos interesses, ela havia aprendido a mentir e manipular como ninguém. Foi com muita vergonha que ele admitiu que a culpa de Goku em relação à morte de Chichi era nenhuma, já ele era culpado desde o cerne. Ele praticamente condenou a filha à morte quando aceitou aquele casamento arranjado.
Cansado e abatido por esses pensamentos, ele pegou um gole de bebida e saiu para a varanda do palácio. Este havia se tornado como uma base militar para os saiyajins e quem mais quisesse engrossar o caldo e se unir àquele exército improvisado que eles montaram. Assim que olhou para os campos de treino, viu algo que o encheu de medo e esperança. Goku, envolto em uma luz dourada, treinava como um louco, sozinho na madrugada.
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