A Guerra das Cápsulas

105 O discípulo do diabo


Notas iniciais
Yo mina-san! Aproveitem o capítulo de hoje!

Neste ponto da narrativa, Trunks fez uma pausa para tomar um gole de água e assim lubrificar as cordas vocais que haviam trabalhando bastante. Aproveitou para olhar os rostos dos presentes, e todos estavam boquiabertos e apreensivos.

— E o que aconteceu depois disso? — Bulma perguntou.

— Bem — Trunks respondeu pousando o copo após beber — depois disso o Gohan começou a treinar pra valer com o Piccolo. Eu também aproveitei e me juntei à eles, afinal vou lutar contra o Black também.

— E vocês ficaram esse tempo todo treinando? — Chichi perguntou magoada — Por que não me avisaram ou voltaram antes e treinavam aqui? Eu fiquei sofrendo à toa — ela ameaçou chorar.

— Sinto muito, princesa. Acontece que depois que Gohan aceitou começar a treinar, muita coisa aconteceu.

— Conta logo que estamos doidos pra saber! — Bulma pediu excitada.

Então Trunks continuou com a sua narrativa:

"Depois que resolveu começar a treinar, Gohan mudou completamente seu foco. Desenvolver-se nos treinos, nas lutas, e aprimorar suas habilidades físicas passaram a ser a única coisa na vida dele. Eu acompanhava no mesmo ritmo, mas percebi que todo o estudo de Gohan sobre a filosofia dos namekuseijins o ajudavam, pois ele tinha uma percepção diferente da minha em relação às coisas. E, particularmente, me intrigava saber mais daquele povo, principalmente de Piccolo que nos assustou dizendo que era um diabo, mas estava bem longe disso, pelo menos do meu ponto de vista.

Parte dos treinamentos de Piccolo envolvia longas meditações, então, de vez em quando nós nos retirávamos do convívio com o grupo para ficar mais concentrados. Nessas ocasiões seguíamos para as montanhas próximas ao mar. Piccolo dizia que o som do mar ajudava a entrar em um estado de meditação mais profundo, fora isso ali poderia aprimorar as habilidades físicas de Gohan, e aproveitar a brisa pura que vinha do mar. Em uma dessas ocasiões, Gohan sentou-se para meditar e ficou por horas, chegou o horário de comer, mas Piccolo não me deixou o interromper, dizendo que era bom pra ele "ir mais fundo". Então eu fui pescar e preparar o peixe para a gente comer, só eu e o Gohan, porque os namekuseis não comem. Eu levei umas boas duas horas nessas atividades, porque aproveitei para colher alguns frutos e outros complementos para o jantar, quando eu voltei, os dois estavam meditando e não sei se foi a fome ou o cansaço, mas do jeito que eu vi, parecia que o Gohan pairava sobre a montanha sem a tocar no chão. Aquilo me assustou muito, porque uma aura esquisita estava em volta de Piccolo e o Gohan "voando" daquele jeito. Antes mesmo de eu pensar em falar com ele, o Gohan abriu os olhos e disse que estava morrendo de fome e que foi bom eu ter preparado o jantar. Eu fiquei assustado, porque ele havia meditado a tarde inteira, como sabia que eu havia preparado o jantar? Acabei por deixar isso de lado, e nós dois comemos, o Piccolo tomou água e em seguida, Gohan foi se banhar na cachoeira. Normalmente, ele sempre ficava treinando mais ainda durante à noite, mas naquele dia, ele voltou do banho e caiu como um morto e adormeceu diante da fogueira.

— Ele está muito mais equilibrado — o Piccolo falou.

— Como assim? — eu perguntei.

— O que você viu hoje à tarde foi apenas ele meditando, mas acontece que na sua mente, Gohan estava lutando comigo e eu meditando, também lutei contra ele. Por isso ele está tão cansado, ele finalmente atingiu o nível que eu queria que ele atingisse. Não adianta só treinar o corpo e ter a mente bagunçada cheia de pensamentos, um guerreiro de verdade possui o perfeito equilíbrio de lutar com a mente com a mesma intensidade que luta com o corpo. A luta acontece simultaneamente na cabeça, mas com a vantagem de quanto mais ele treinar, melhor o corpo dele fica. Só treinar o corpo nunca fará da mente dele uma mente melhor, por isso é importante treinar os dois. É isso que fará ele ganhar de Black.

— Me ensina isso também — eu pedi.

— Mas é claro... apenas pare de se preocupar tanto com o que vocês vão comer. Olhe ao redor e veja como esse mundo é abundante, tem tudo o que precisamos aqui, a minha água, a sua comida, nunca vai faltar. Você só tem que se levantar e pegar.

— Eu sei, mas é que pensei que é bom ele comer bem, já que precisa treinar tanto.

— Se por um dia o jantar atrasar, ele não vai morrer, e se ficar um ou dois dias sem comer, melhor ainda, sua mente se tornará mais pura.

Com ele falando assim, Piccolo se parecia mais com um ser iluminado, e não com um diabo, como ele havia dito que era. A curiosidade ainda estava ali, e a convivência com ele naqueles dias, me fez ter coragem de perguntar.

— Você é mesmo um demônio?

— Um demônio não. Eu sou o diabo. Existe uma diferença. Um demônio pode ser qualquer um que trabalhe para as forças do mal. No meu caso eu fui rebaixado a diabo, que é o chefe de todos os demônios, pois não estava pronto para ser Kami-sama. Quando terminei meus estudos achei que já sabia de tudo, estava arrogante e desprezava os seres que considerava inferiores a mim. Então não pude governar como um Kami, mas como o conhecimento nunca pode ser desperdiçado, fui designado a ser o diabo do planeta Terra, justamente o planeta onde Gohan nasceu. Eu parti de lá assim que Black surgiu, pois se eu morresse o Kami-sama atual também morreria.

— Uau. Pensei que fosse apenas a maneira de dizer — eu disse.

— Pra quê falar se não for pra dizer exatamente o que é? Vocês humanos ficam engendrando suas palavras e pensamentos por caminhos tortuosos, depois se complicam e não sabe como sair das confusões. Se falassem apenas a verdade quando fosse absolutamente necessário, não teriam tantos problemas.

Fiquei com um pouco de raiva do Piccolo querer dar sermão da montanha em mim, sendo que ele é quem havia sido rebaixado por pensar que já sabia de tudo. Então provoquei:

— E você vai se tornar Kami-sama quando? Quando te promovem? — brinquei.

— Nunca mais. É uma chance única e eu perdi. Agora me resta ser um guerreiro. Mas não tem problema por que eu sou bom pra caramba, sou acima da média não importa de que ângulo você olhe — ele deu um sorriso com aqueles dentes pontudos.

Pensei que de fato, a arrogância o havia afastado de ser um Kami. Inimaginável um Kami-sama arrogante, mas um diabo, um diabinho... acabei por sorrir com o pensamento.

Nos dias que se seguiram, passei a treinar meditação com eles, e logo eu estava em um nível bom o suficiente para me unir mentalmente na luta de treinamento contra Gohan. Então dividíamos nosso treinamento entre corpo e mente, mente e corpo. Depois de alguns meses, voltamos para junto dos outros namekuseijins. Assim que o Grande Patriarca viu o Gohan, ficou assustado. De acordo com ele, Gohan havia superado o nível do maior guerreiro namekusei que já havia existido. Piccolo ficou orgulhoso, e eu também por ter ajudado. Então o Grande Patriarca disse que havia chegado a hora de despertar os poderes ocultos do Gohan. Eles falaram tanto daquilo que eu pensei que seria uma cerimônia trabalhosa, mas não foi. O Grande Patriarca apenas tocou na cabeça do Gohan, e disse umas palavras estranhas, então uma luz forte saiu das mãos dele. E foi isso. O Gohan parecia exatamente o mesmo pra mim, não havia mudado nada, mas só até o nosso próximo treino, pois ele estava completamente transformado, era outra pessoa, parecia um adulto, mas com o corpo levinho de criança, rápido, forte, mortal.

Os meses seguintes foram apenas para aprimorar essas habilidades e fazer o Gohan ganhar mais peso em massa muscular. Eu estava no mesmo caminho, então o Grande Patriarca liberou meus poderes ocultos também. Comigo a coisa foi mais simples, não teve a tal luz nas mãos do Grande Patriarca, o que pareceu ter deixado ele preocupado. Piccolo também, começou a olhar estranho para o Gohan. Depois de uns dias onde ele se ausentou dos treinos para ficar conversando com o Grande Patriarca, o Piccolo veio até mim. Ele estava assustado, de verdade, coisa difícil de ver naquele diabo arrogante.

— Trunks, não podemos deixar o Gohan lutar contra o Black — ele disse.

— O quê? Por quê?

— Ele vai morrer.

— Mas ele está preparado, mais do que preparado na verdade.

— Ele está, mas Black é infinitamente mais poderoso que Gohan. Acontece que nós seduzimos o garoto e o convencemos a lutar, ele está mesmo acreditando que vai ganhar, mas isso é impossível. Ele não vai ganhar do Black de jeito nenhum, o Grande Patriarca viu a diferença entre vocês quando liberou o seu poder. Existe uma profecia que liga vocês dois à batalha contra Black, porém você sobrevive, mas o Gohan não. A luz que saiu das mãos dele era o sinal, por isso não teve luz quando ele liberou o seu poder.

Eu sabia das profecias todas, mas não sabia que Gohan morria em uma delas.

— Isso é certo? — eu perguntei.

— Sim.

— E o que faremos?

— Vamos tentar dissuadi-lo de lutar contra Black.

— Agora depois de todo esse treinamento? Depois de a gente mesmo ter insistido para ele começar a treinar?

— Olha, eu não sei de tudo, ok? — Piccolo respondeu irritado — Os poderes do Grande Patriarca não foram capazes de ver antes, ele, assim como eu e você, também achou que Gohan venceria.

— Bem, eu tenho que levar o Gohan até a mãe dele. E pelo pouco que eu a conheço, acho que é a única que pode fazer o Gohan mudar de ideia sobre lutar.

— Onde ela está?

— No Planeta Vegeta, porém em uma época do passado, antes de toda essa confusão acontecer.

— E você tem a tecnologia para uma viagem dessas? — o Piccolo perguntou.

— Não tinha, mas a nave que os tsufurujins me deu é capaz de voltar no tempo.

— Então faça isso, se o fizer talvez evite o encontro dele com Black e ele possa viver lá.

A partir daí que a minha missão começou a ficar mais complicada, porque o Gohan não queria saber de jeito nenhum de deixar a luta contra Black de lado. Ele não somente estava convencido, mas também determinado a lutar, então não tive escolha a não ser revelar que de acordo com a visão do Grande Patriarca, ele morreria se lutasse contra Black.

— Eu não me importo — Gohan respondeu — se tiver que morrer para salvar a minha mãe e a todos, eu morrerei.

Eu ainda tentei argumentar, mas não tinha mais jeito, ele realmente estava disposto até mesmo a morrer se fosse preciso. Então, como eu sabia que a Princesa Chichi arrancaria o meu fígado caso eu não trouxesse o Gohan pra cá para vê-la, e que talvez ela pudesse fazer ele mudar de ideia, eu pedi para ele voltar no tempo comigo usando a nave dos tsufurujins. O Gohan concordou em ver a sua mãe, mas disse que nem ela o faria mudar de ideia. Quando eu estava arrumando nossas coisas para a viagem, recebi um contato muito estranho de um ser que dizia ser o Kaioh do Norte, onde estava localizado o planeta Terra antes de Black o destruir. Vocês podem não acreditar no que eu vou falar, mas eu estava bem de boa organizando a comida da viagem, quando ouvi umas risadas, seguida de um pigarro, e obviamente a tentativa se parecer sério quando na verdade, a pessoa parecia estar brincando com a minha cara.

— Trunks-kun! Trunks-kun! — a voz disse.

Eu olhei ao redor procurando, mas não vi ninguém, tentei ignorar, mas ele continuou me chamando:
— Trunks-kun! Trunks-kun!

Achei que fosse alguns dos meninos namekusei tentando me pregar uma peça, então entrei na brincadeira e respondi. Mas a resposta veio mais estranha ainda que o chamado.

— Trunks-kun, não volte para o passado onde está a Princesa Chichi! Aquele universo está prestes a ser destruído por Bills-sama o Deus da Destruição!

Eu fiquei estarrecido. Ninguém além de Gohan, Piccolo, o Grande Patriarca e eu sabiam dos nosso planos de voltar no tempo.

— Quem é que está falando?

Um novo pigarro, risadas abafadas e a voz forçosamente solene respondeu:

— Eu sou o Senhor Kaioh, responsável pela região norte do universo, o local onde o planeta Terra costumava ficar. Acredite em mim, eu tenho poderes psíquicos para conversar com quem quiser pelo universo, outras dimensões, tempo ou espaço.

Eu ainda estava achando que era zoeira, então resolvi testá-lo para ver se realmente não era uma das crianças.

— Ok, se é assim, o que eu estou pensando nesse exato momento?

— Quer mesmo que eu fale?

— Mas é claro!

— Bom, você está se forçando a pensar na capa branca que o Gohan usa, mas na verdade você está pensando nas belas pernas de uma jovem tsufurujin que você conheceu em outro planeta.

— Não fale isso alto! — eu respondi bravo.

— Fica tranquilo, que ninguém além de você ouviu — várias risadas e cochichos — bom, pelo menos desse lado aí.

Com isso eu acreditei nele e comecei a conversar com ele. Eu disse que o plano era levar o Gohan para ver a Chichi para que ela o fizesse mudar de ideia sobre lutar contra Black, mas ele disse que isso não seria bom para nós, pois essa dimensão onde Chichi estava seria destruída por Bills-sama. Eu expliquei que Gohan estava determinado a lutar, mas que a mãe dele me mataria se eu não o levasse antes para ela. Então, o senhor Kaioh disse que tentaria se comunicar com alguém da dimensão onde Chichi estava, para assim lançar uma informação falsa e tentar enganar Black, pois ele temia que Black nos seguisse nessa dimensão também. Algum tempo depois ele disse que havia falado com um jovem saiyajin chamado Kyabe, mas não sabia se o rapaz tinha entendido a gravidade da situação. Eu, que já estava cansado daquela conversa toda na minha cabeça, e estava prestes a embarcar com o Gohan, acabei não dando mais atenção à ele, e ficou por isso mesmo. Nós entramos na nave e viemos para cá. A viagem que era impossível de ser feita foi realizada em setenta e seis horas, o que equivale a pouco mais de três dias no tempo comum do planeta Terra. Então chegamos aqui e o resto vocês sabem."

Trunks encerrou a narrativa e sentou-se em uma das cadeiras. Todos ao redor pareciam mais confusos do que antes. Principalmente Chichi.

— Quer dizer que meu filho vai morrer se lutar contra Black? — ela perguntou com a voz pesada.

— De acordo com a profecia e a visão do Grande Patriarca, sim — Trunks respondeu.

— Então eu não vou deixar que ele lute. De maneira alguma o Gohan vai lutar contra o Black, não importa o que eu faça, não vou permitir isso de maneira alguma — Chichi disse decidida, e todos perceberam que ela realmente falava sério.

Notas finais
Deixem comentários, abraços! PS: desculpem o atraso na postagem... sorry, sorry, mil vezes sorry!