A Guerra das Cápsulas

38 Escondendo sentimentos


Notas iniciais
Yoo mina-san! Aproveitem o capítulo de hoje!

Levou mais ou menos uns quinze dias para Bulma se acostumar com a gravidade do Planeta Vegeta. Os "exercícios" que ela fazia com o príncipe toda noite a ajudaram muito a ganhar resistência. Bulma reclamava que os itens de toucador deles não eram em nada parecidos com os que ela tinha na Terra. Sentia falta dos seus shampoos, cremes, e principalmente das suas roupas, já que Vegeta havia transformado em um hobby a arte de queimar as calcinhas, sutiãs e blusinhas dela sempre que transavam. Fora as que ele rasgava quando perdia a paciência diante de um fecho mais complicado.

Certa dia, ele chegou com uma caixinha de cápsulas para ela.

— O que é isso? — ela perguntou.

— Eu achei por acaso. Assim você para de me encher o saco por causa das suas roupas.

Bulma abriu o conteúdo já fora do castelo, e lá estava. Sua velha casa, que ela sempre carregava para onde fosse. Suas roupas, cosméticos, a banheira, tudo estava intacto.

— Onde você achou?

— Veio junto com o carregamento da Terra.

— Carregamento? Saque, você quer dizer.

— Eu pedi pra ele me dar tudo, ele deu tudo mesmo.

A verdade é que Vegeta havia armado uma verdadeira força tarefa para encontrar a caixinha de cápsulas de Bulma, que havia sido roubada por ele mesmo junto com todas as outras coisas da Terra. Os saiyajins passaram vários dias abrindo várias cápsulas e checando o seu conteúdo, até que encontrou a dela.

Sua nave terrestre também, bem como a motoca que ela usou para atropelar o príncipe no dia em que se conheceram e o laboratório particular que ela usava de vez em quando. Lembrou de todas as aventuras que passou na Terra com os amigos, as inúmeras noites em que Yamcha dividiu com ela aquela cama, os vários momentos compartilhados com Chichi. Os teatrinhos que montavam, quando trocavam as roupas uma da outra, e Bulma vestia-se com toda a pompa e circunstância com os vestidos caríssimos da princesa, e esta usava os macacões surrados que Bulma usava para trabalhar, e uma fingia que era a outra. Abriu a penteadeira e lá estava, uma infinidade de produtos de beleza, dos mais diversos aromas e texturas. Na gaveta do guarda roupa encontrou um embrulho. Era um macacãozinho de bebê que havia comprado e daria para Chichi discretamente quando ela partisse da Terra. Um presente para o bebê que Bulma nunca teria a chance de conhecer.

Ela abriu o presente e Vegeta ficou olhando. Bateu um remorso absurdo quando ele viu o conteúdo.

— Você sabia desde o início? — ele perguntou.

— Ela me contou naquele dia quando desmaiou na praia deserta... mas eu pensei que você tivesse aceitado. Parecia tão óbvio que eles estavam apaixonados, como você não percebeu?

Vegeta deu de ombros. Não queria admitir que Chichi o fez realmente acreditar que ele era o favorito dela. Nunca havia considerado Goku como um rival de nada, muito menos de mulher. Enquanto Vegeta ficava com as de alta classe, o soldado se contentava com as de baixo nível. Se Vegeta colocava os olhos em uma de baixo nível, Goku saía do seu caminho. Sempre foi assim, e ele acreditava que era esse o caso entre ele e Chichi.

— Agora ela está lá, coitadinha da Chichi — Bulma suspirou — sempre cercada dos mais diversos luxos, agora deve estar precisando de um monte de coisas nesse momento tão delicado e importante da vida de uma mulher.

Vegeta se espantou em ouvir Bulma falando assim.

— Você não está com raiva? Ela mentiu pra você também.

— E daí? Se fosse eu no lugar dela teria feito o mesmo.

— Teria é?

— Pra me livrar de um casamento arranjado com um cara detestável como você eu mentiria sim!

Aquelas palavras ácidas, cheias da verdade que Vegeta não queria enxergar. Ele cruzou os braços e virando o rosto, usou o seu tom mais arrogante.

— Eu nunca me casaria com você, terráquea.

Ela também se ofendeu com aquilo, mas não deixou barato.

— Muito obrigada, príncipe. Você não tem ideia de como me sinto aliviada em saber disso.

Ficaram se medindo com os olhares. Ninguém daria o braço a torcer. Nenhum dos dois admitiria abertamente que as coisas já haviam mudado e muito desde que se conheceram. Se antes Vegeta queria matar Bulma, agora o seu pensamento mais constante era de ter o corpo da terráquea. Seu corpo e seus beijos povoavam a mente do príncipe. Quando tinha a oportunidade de colocar as mãos nela, a beijava até que ela implorasse para ter um pouco de ar para respirar. Então ele brincava com aquele corpo, realizava todos os seus desejos mais obscenos, todas as delícias que antes precisava ameaçar as mulheres para conseguir, Bulma as realizava, e propunha outras novas. Ele embarcou nessa de cabeça, embora jurasse a si mesmo que aquilo não significava nada.

E Bulma, que antes queria que ele a deixasse em paz, agora queria ser atormentada o tempo todo por Vegeta. Adorava as perseguições dele, o seu mau humor, que ela dissipava com a maior facilidade do mundo assim que encostava os lábios nos dele. E chegava à limites inexplorados do prazer sexual, fazendo coisas que antes ela sequer imaginava serem possíveis. Nada era feio, ou sujo, ou vulgar ou impróprio. Tudo era permitido entre eles. Exceto admitir que ali existia mais do que um mero jogo sexual.

Mas se Vegeta era marrento, Bulma era mil vezes mais. Principalmente porque agora estava sozinha entre uma raça de alienígenas extremamente violentos. Nunca deixaria Vegeta perceber que suas palavras o magoavam, pois se ele foi capaz de a raptar e roubar injustamente as pessoas inocentes do seu planeta, ela não queria imaginar o que ele faria com ela se descobrisse dos seus sentimentos. Estava em uma situação de constante perigo vivendo ali, e ainda não tinha desistido completamente de voltar para a Terra.

Vegeta não sabia claramente das intenções dela, mas temia que ela pudesse tentar fugir à qualquer momento. Então falou:

— Me dê a cápsula onde guarda a sua nave.

— Por quê?

— Não quero que você tente fugir.

— Mas a nave que eu tenho não consegue sair da órbita do planeta — ela alegou.

— Não quero saber, me dê ela.

Ela se resignou e deu.

— O que mais você tem aí? — ele perguntou.

— Só a minha moto e esse carro que voa.

— Me dê o carro. A moto você pode ficar.

Ela reclamou mas entregou a cápsula com o carro mesmo assim. Não se importava com o valor das coisas, mas se irritava com as imposições dele.

— Saia por favor, eu quero ficar sozinha — ela pediu.

Ele resmungou e a deixou sozinha. Ficou pensando nas palavras dela. Se ela descobrisse que ele havia matado Chichi, com certeza ela arrumaria um jeito de fugir. Já havia dado ordens aos seus homens para não abrirem a boca quanto àquele assunto, mas não dava pra garantir que uma hora ou outra alguém não falaria nada. Com isso em mente, foi até o alojamento dos soldados. Lá executou todos os homens e mulheres que o acompanharam na viagem para a Terra. Perdia um bom contingente de excelentes soldados, mas não correria mais risco de ter um dos seus piores crimes revelado.

***

Turles estava prestes a entrar no alojamento dos soldados, quando viu o príncipe. Imediatamente retesou-se, o príncipe quase nunca aparecia por ali. Observou quando ele mandou um grupo fazer uma fila e mirando um raio no primeiro, transpassou todos os homens e mulheres de uma vez, os corpos caíram incinerados e Vegeta deixou o local sem dizer uma palavra.

A tirania do príncipe era conhecida por todos, mas Turles nunca havia visto Vegeta matar assim sem nenhuma explicação. Observou os corpos caídos no chão, eram todos guerreiros de elite da guarda pessoal do príncipe, além disso eram os mesmos que haviam escoltado o príncipe na sua viagem para a Terra. Viagem essa que pelo visto mostrou-se infrutífera, já que o príncipe voltou pra casa sem sua esposa. Turles não sabia dos detalhes, mas agora estava disposto a descobrir o que havia acontecido na Terra, mesmo que ali no chão jaziam as mais importantes fontes da informação.

***

Na Terra, o povo se organizava. Vários meses já haviam se passado desde a morte de Chichi e a fuga covarde do príncipe. O Dr. Briefs ficou muito feliz quando viu uma vultuosa soma em dinheiro aparecer na conta da Capsule Corporation. Ele imaginou que fosse o dinheiro que Vegeta pagou pela encomenda de cápsulas. Afinal, o dinheiro ainda não estava na conta da empresa quando o príncipe roubou tudo, então ainda não fazia parte das riquezas da Terra.

Eles usaram esse dinheiro para negociar com povos de outros planetas. Compraram os suprimentos mais básicos para suprir as necessidades de alimentos e água do povo terráqueo, refizeram plantações e o gado, rapidamente, o grave problema a falta de alimentos foi resolvido. Vendo que tanto o Dr. Briefs, como o Rei Ox estavam empenhados no seu plano de vingança, as pessoas começaram a se voluntariar para ajudar no que podiam, todos queriam não só a vingança pela morte da princesa, mas queriam também suas riquezas de volta.

Raditz e os saiyajins que o acompanhavam na escolta da Terra estavam também engajados na vingança, mas o objetivo principal destes era recuperar as suas riquezas que também foram roubadas pelo príncipe.

Sozinho, Goku treinava dia e noite. Ele não se importava com cápsulas ou riquezas, só queria a vida do tirano que matou Chichi e seu filho. Depois seu plano era continuar treinando cada vez mais para se tornar mais forte ainda. Com a ajuda do Mestre Kame, os amigos de Chichi queriam reencontrar as Dragon Balls que estavam perdidas no mundo e assim tentar ressuscitá-la. Ninguém sabia se daria certo, mas consideravam possível, uma vez que as Dragon Balls podiam realizar qualquer desejo. A tarefa difícil foi facilitada assim que o Dr. Briefs aperfeiçoou uma antiga invenção de Bulma e o transformou em um Dragon Radar. Mesmo assim, Goku não queria pôr esperança naquilo. Entendia que reunir objetos para roubar era algo possível, mas ressuscitar alguém dos mortos, para ele era algo que nunca daria certo. Embora toda vez que falavam disso, ele sentia uma forte esperança crescendo no peito. Só não queria dar vazão à essa esperança e depois se ela não se consolidasse, era ele quem sofreria duas vezes.

***

Muito longe dali, em uma galáxia infinitamente distante, um Dai-Kaioshin observava as ações dos terráqueos e dos saiyajins. Ele não estava nada contente com o rumo que as coisas estavam tomando, mas como um deus, optou por não interferir nas ações humanas. No passado isso revelou-se um erro, não havia motivos para errar de novo na atualidade. Chamou Zamasu, seu atencioso aprendiz.

— Gowasu-sama — Zamasu faz uma suave reverência.

— Pegue aquele velho contrato que foi firmado entre saiyajins e terráqueos, quero ver uma coisa.

Zamasu procurou o documento e o encontrou, empoeirado e esquecido em um canto da biblioteca. Levou até o velho deus.

— Leia-o — Gowasu pediu.

Zamasu leu. Quando estava quase no final, Gowasu pediu para ele repetir aquela parte. Zamasu repetiu.

Está destinado que o guerreiro místico que derrotará o ser maléfico que assolará o universo, será o primeiro filho mestiço da princesa terráquea com um saiyajin — Zamasu completou a leitura.

— Está errado — Gowasu diz.

— Não, é o que diz aqui: Está destinado que o guerreiro místico que derrotará o ser maléfico que assolará o universo, será o filho mestiço da princesa terráquea com um saiyajin.

— Mas não foi isso que nós havíamos combinado. O combinado foi que o guerreiro místico seria o primeiro filho do príncipe saiyajin com uma terráquea, não o contrário.

— Bem... aqui consta dessa maneira.

— Quem foi que redigiu essa merda?

— Fui eu mesmo, Gowasu-sama.

— Mas é um idiota! Trocou os termos príncipe por princesa, agora deu no que deu.

— Perdoe meu erro, Gowasu-sama — Zamasu fez uma profunda reverência. Odiava o tratamento que recebia, embora também fosse um Kaioshin, ali ele era um mero aprendiz.

— Perdoar eu perdoo. O problema é que o tal guerreiro místico já foi gerado — Gowasu respondeu.

— Então a situação foi resolvida?

— Não, porque no final das contas o príncipe enciumado pela traição acabou matando a princesa grávida.

— E agora, o que faremos, Gowasu-sama?

— Agora vamos ter que ressuscitar a princesa terráquea e seu filho, de qualquer jeito.

Notas finais
Pessoal, comemorem! A Chichi vai ser ressuscitada! Quando e como eu ainda não vou revelar, mas já vou avisando que ela vai voltar para a história bem diferente de como ela era antes. Aguardo comentários, abraços!