A Guerra Do Amor
7 Visitantes
Notas iniciais
Capítulo 7 — Visitantes
– Vamos princesa, Acorde! – Eu podia ouvir uma voz ao fundo me chamando enquanto eu me afundava ainda mais em meus cobertores. – Você tem visitas, e uma princesa não deve deixar a visita esperando por muito tempo. Levante-se, já mandei que chamassem as criadas para ajudá-la com o vestido. – dessa vez reconheci a voz autoritária de Alberta.
– Quem está me esperando a essa hora? –resmunguei.
– Príncipe Adrian e a Duquesa Vasilisa vieram passar o dia na sua companhia. – Neste momento duas criadas entraram no quarto e me reverenciaram. Eu revirei os olhos.
– Alberta por que elas estão aqui? Eu sempre me aprontei sozinha, sem querer ofender, mas elas não são necessárias.
– Seu pai, o Rei, pediu que daqui para frente elas a acompanhem. Você será rainha em algumas semanas, é preciso se acostumar. Elas farão tudo o que lhes for pedido.
– Mas e você? – Era Alberta quem sempre esteve presente.
– Rosemarie, eu lhe ensinei leitura e etiquetas como sua mãe um dia me pediu. Quando você se casar e passar a morar com seu marido, eu não irei, mas suas novas criadas sim. A rainha Daniela escolherá damas de companhia para você, mulheres nobres que lhe ensinarão tudo. Eu não serei mais bem vinda lá. – Alberta era como uma mãe para mim, eu não queria ela longe da minha vida.
– E para onde você vai depois?
– Eu continuarei trabalhando para seu pai. Você poderá me visitar menina, eu sempre estarei aqui. Vou cuidar de você como sua mãe me pediu. – sai da cama e a abracei. Eu estava triste que ela me deixaria, mas pelo menos eu tinha alguém de confiança vivendo com meu pai.
– Tudo bem, eu vou pedir para servirem o chá para os convidados. Se apresse. – Ela voltou ao modo sério e autoritário, mas tinha lágrimas nos olhos. – Estas são Mia Rinaldi e Jillian Mastrano, suas novas criadas. – Com isso ela saiu pela porta. Mia era bem baixa, tinha os olhos azuis, e o cabelo loiro cacheado estava preso por uma touca. Enquanto Jillian era alta e muito magra. Seus cabelos castanhos claro estavam presos em uma trança que ia até sua cintura e seus olhos me lembravam do verde jade de Lissa.
– Com o que podemos ajudá-la princesa? – Jillian perguntou. As duas pareciam nervosas em seu primeiro dia de trabalho.
– Por favor, me chamem de Rose. – disse com um sorriso. – Vocês podem começar me ajudando com o espartilho.
Enquanto elas apertavam os laços até que eu ficasse com uma cintura perfeita, pedi que me falassem sobre elas. Mia vivia com os pais no vilarejo ao lado do castelo e Jillian disse que tinha vindo de uma pequena aldeia no reino dos Ivashkov, mas que agora morava aqui no castelo.
Depois do espartilho, coloquei um vestido azul claro, fiz minha higiene pessoal e desci para o chá.
Lissa e Adrian me esperavam em uma das salas de visitas do castelo. Estavam sentados em um sofá de couro escuro e pareciam estar tendo uma conversa séria.
– Desculpem a demora. – Disse limpando a garganta. Lissa veio correndo em minha direção e me deu um forte abraço.
– Estou tão feliz de estar aqui Rose. Nem acredito que a rainha permitiu que eu viesse.
– Minha mãe disse que Lissa será uma de suas damas de companhia, e por isso era adequado que vocês se conheçam melhor. Lissa vai lhe ensinar alguns dos nossos costumes. – Adrian disse se aproximando. – Está encantadora essa manhã pequena princesa. – então ele beijou minha mão.
– Obrigada Adrian. Vai se juntar a nós no chá?
– Não esta manhã. A situação não está das melhores hoje. – Adrian estava vestindo sua armadura de soldado.
– O que aconteceu?
– Houve um ataque ao povoado de Évora ontem à noite. Incendiaram as casas e mataram todos que não fugiram a tempo. – meu coração se apertou. A guerra tinha começado. Inocentes estavam morrendo enquanto eu tomava chá. – Não se preocupe Rose, seu pai e eu estamos resolvendo isso. O ataque foi inesperado, por isso houve tantas vítimas. Estaremos preparados daqui pra frente. – Eu não estava muito convencida disso.
– Adrian, se houver feridos me deixe saber, eu gostaria de ajudar. – Lissa disse me deixando surpresa.
– Eles serão levados ao acampamento que está sendo montado próximo ao rio Kinzig. Vou ver o que posso fazer. Agora, se me derem licença. – Ele se curvou e saiu acompanhado de alguns guardas.
– É muito gentil da sua parte se oferecer para ajudar com os feridos Lissa. – eu disse enquanto preparava o meu chá de camomila.
– Obrigada Rose. É algo que eu realmente sou boa, sinto que é o mínimo que eu poderia fazer. E eu sei que você quer fazer algo também, eu vejo isso nos seus olhos.
– Na verdade eu queria acabar com a guerra e não tentar minimizar os danos que ela trará. Eu me sinto culpada.
– Rose, está guerra estava fadada a acontecer. Seu casamento foi apenas o estopim. Eu escutei meu tio conversando um dia desses com alguns membros do conselho e as coisas são piores do que parece. Não tem nada a ver com você.
– O que você ouviu? Meu pai me deixa as cegas aqui. – eu estava frustrada por não saber o que estava acontecendo.
– Parece que o rei Victor está envolvido no assassinato dos meus pais e irmão. Eu não sei por que ele faria algo assim. Então meu tio Nathan precisava de uma aliança para se fortalecer, um casamento seria perfeito. Unindo forças é o único jeito de vencer a guerra Rose.
– Então se eu não me casar, não só a guerra continua como quer dizer que iremos perdê-la?
– Eu temo que sim Rose. Victor é um rei poderoso e tem influencias no leste. – Eu me sentia doente. Meu chá descia com um gosto amargo na minha garganta.
– O que ele quer afinal?
– Eu não sei muito bem. Eu acho que poder e submissão dos reis perante a ele. Ele é ambicioso. Mas o que mais me preocupa Rose, é que ele não terá piedade, assim como não teve com a minha família. Ele matará todos para conseguir o que quer. Nossa única chance de viver é vencendo a guerra,
Depois do chá, voltamos até a sala onde Lissa e Adrian estavam essa manhã. Pedi que ligassem a lareira enquanto terminámos umas das colchas do meu enxoval de casamento. As palavras de Lissa ficavam rodando na minha cabeça. Nossa única chance de viver é vencendo a guerra. Eu precisava falar com Dimitri pra saber o que o pai dele queria.
Pensar em Dimitri trouxe pensamentos inquietos na minha cabeça. O que será que ele pensava de toda a guerra? Ele apoiaria seu reino? Será que ele deixaria que me matassem? Eu tinha medo das respostas. Eu tinha o visto apenas duas vezes, mas já sabia que ele era importante na minha vida. Tivemos uma conexão. Entendíamos um ao outro. Ontem a noite tinha sido o momento mais incrível que eu já tive com alguém, e eu ouso dizer que ele estava feliz ao meu lado também. Eu via a verdade quando seus olhos brilhavam pra mim.
Eu havia tomado a decisão de que eu veria Dimitri ontem. Eu não sabia meus reais sentimentos por ele e precisa descobrir até antes do casamento. Eu queria contar a Lissa sobre ele, mas eu queria ter total confiança nela em primeiro lugar. Ela era muito apegada a Adrian e eu tinha medo de como ela reagiria.
Almoçamos juntas e durante a tarde eu fui l mostrar o castelo para ela. Era uma longa caminhada, então aproveitamos para nos conhecermos melhor. Lissa era com certeza a pessoa mais doce e generosa que eu já conheci. E estava se tornando uma grande amiga. Agora estamos caminhando do lado de fora.
– Você tem que visitar o castelo na primavera Lissa. As flores são incríveis. Até poucas semanas tínhamos alguma coisa aqui, agora é tudo seco e cinza.
– Aqui é tudo muito lindo Rose. Entendo porque você não quer ir embora. Eu também... – Lissa se cortou assim que avistou uma grande sombra se aproximando.
– Christian. – eu sorri animada para ele. – O que está fazendo aqui? Achei que acompanharia meu pai.
– Princesa. – ele fez uma reverencia. Quando não estávamos sozinhos ele sempre me tratava formalmente. – Duquesa Vasilisa. – ele lhe deu um aceno educado. – O Rei me pediu que assumisse a defesa do castelo. Só sairei em casos de emergência. – Eu sabia que por casos de emergências ele queria dizer batalhas.
– Eu não poderia me sentir mais segura. – ele nos deu um aceno e se afastou. Na verdade ele acenou olhando diretamente para Lissa.
Quando ele estava longe o suficiente para não nos ouvir, Lissa se virou pra mim.
– Quem é ele? — eu tentei levantar uma sobrancelha, mas ao contrario de Dimitri, saiu como uma careta. – É que parece que eu já o vi antes. – essa foi a desculpa dela.
– Ele está no comando do exército real. E é um grande amigo meu.
– O cargo dele deve ser importante. – eu ri.
– Ele é um dos homens de maior confiança do meu pai. – pensei em todas as aulas que tivemos, talvez não total confiança.
– Ele é bonito. – ela estava tão vermelha quanto aos morangos de julho. Agora eu tive que parar que tanto que eu estava rindo. – Rose, você está me constrangendo. Vai dizer que não o acha atraente também. – Eu cortei o riso na hora.
– De jeito nenhum. Ele é todo seu, obrigada Lissa. – se possível ela ficou ainda mais vermelha.
Ao entardecer Adrian e meu pai voltaram. Eles pareciam exaustos. E por medo de viajarem a noite, Lissa e Adrian dormiriam no castelo. Durante o jantar eu tentei tirar algumas informações do meu pai sobre a guerra, mas ele se esquivava o tempo dizendo que estava tudo sob controle e que eu não deveria me preocupar. Terminado o jantar eu pedi licença e disse que me recolheria aos meus aposentos. Lissa veio comigo, já que ela queria dividir o quarto comigo.
Pedi a Mia e Jillian que preparassem um banho, e que depois poderiam ir para seus respectivos quartos. Depois de vestir uma camisola de seda comprida, me acomodei ao lado de Lissa na minha enorme cama de dossel, dormindo instantaneamente.
Eu estava tendo um sonho. Minha mãe estava viva. E parecia que eu estava me casando. Ela estava ao meu lado, arrumando meu vestido branco e eu vi seu sorriso triste do espelho à minha frente.
– Você está linda Rose.
– Obrigada mãe. Estou tão feliz que esteja aqui. — antes que ela pudesse responder um guarda com um brasão verde e branco entrou no quarto e saiu me puxando pelo braço.
– Está na hora. Meu rei está esperando.
Eu estava confusa. O brasão dos Ivashvok era vermelho e branco. O que estava acontecendo? O guarda continuou me arrastando com força. Era um lugar totalmente desconhecido, até que paramos em uma enorme porta. Ela devia ter uns cinco metros de altura. Assim que a guarda a abriu e congelei. No altar, me esperando, estava Victor Belikov.
– Eu não quero ir até lá. – eu pedi ao guarda. O que fez com que ele me pegasse pelo braço em um aperto de ferro e me levasse em direção ao altar. De frente para Victor.
– Desculpe pela falta de convidados Rosemarie. Mas você entende porque eu tive que matar todos eles não é minha rainha?
Assim que ele estava prestes a me tirar do lado do guarda eu acordei suando e respirando rápido. Bebi um pouco de água que estava em um copo ao lado da minha cama para me acalmar. Assim me minha respiração voltou ao normal eu ouvi um baralho na minha janela. Era como uma batida rápida. Mas considerando que estávamos no terceiro andar eu ignorei e voltei a me deitar.
Assim que eu estava fechando os olhos novamente, eu escutei o mesmo baralho. Dessa vez, seguido de outro logo depois.
– Mas o que é isso? – perguntei pra mim mesma me levantando e vestindo um robe. O baralho vinha em intervalos.
– Rose, o que está acontecendo? – Uma Lissa sonolenta perguntou se sentando na cama.
– Eu não sei. Mas já vou descobrir.
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