A Guerra Do Amor
8 Surpresas
Notas iniciais
Capítulo 8 — Surpresa
– Rose, eu acho melhor apenas voltarmos a dormir. Não sabemos o que pode estar do lado de fora. – Lissa agora tinha levantado e estava ao meu lado tentando me convencer. Mas eu estava decidida.
– Está tudo bem Lissa. Nada pode nos machucar aqui. O castelo está totalmente vigiado, ninguém pode entrar. – eu estava tentando me tranquilizar na verdade. Empurrei as cortinas que cobriam as portas francesas que abriam passagem para uma pequena sacada. Destranquei as fechaduras e estava prestes a empurrar as portas abertas, quando Lissa segurou a minha mão.
– Por favor Rose, vamos ao menos chamar o Adrian. – eu pensei por um momento.
– Não posso simplesmente aparecer em seus aposentos no meio da madrugada Lissa. – disse andando até a minha cama. Debaixo do colchão eu tinha uma espada que Christian havia me presenteado alguns anos atrás. – Mas se isso te deixa mais segura. – sorri girando a espada na minha frente.
Lissa engasgou com sua respiração.
– Jesus cristo, você tem uma espada debaixo do colchão. – ela parecia um pouco assustada e chocada. Eu não a culpava.
– Lissa essa é Excalibur. – Christian dizia que mais importante que os guerreiros eram suas espadas, e que por isso era importante eu nomeá-la. Eu passei por Lissa novamente e desta vez ela não fez nada para me impedir.
Assim que eu abri as portas duplas um vento frio fez Lissa gemer atrás de mim. Mas ela não se aproximou mais. Levantando a espada eu me aproximei da sacada. E quando olhei para baixo.
– Dimitri? – Eu coloquei a espada no chão e me debrucei sobre o parapeito para que ele me ouvisse. – O que você está fazendo aqui? – eu sussurrava para ele. Será que eu ainda estava sonhando?
– Surpreendendo você, milady. – respondeu com um sorriso enorme, ele era louco o que?
– Rose, quem está ai? – eu tirei minha atenção de Dimitri por um momento e me voltei para Lissa. Droga, ela não deveria descobrir assim.
– Ah, é... É um amigo. Ele veio... Veio me visitar. – eu mesma não me convenci. Mas antes que ela pudesse responder, uma nova pedra acertou a janela ao lado.
– Você pode parar de fazer isso?– eu gemi para Dimitri me voltando novamente para a sacada. Ele estava com a mão cheia de pedrinhas e pronto para lançar outra. – Você vai acordar o castelo todo.
– Eu já acordei quem eu queria. – ele jogou a pedras no chão. – Você pode descer agora.
– Você é maluco Dimitri belikov. Eu não vou descer. – disse cruzando os braços.
– Rose, o que está acontecendo? – Finalmente Lissa tomou coragem e se aproximou do parapeito. – Ai meu Deus, o que o príncipe Belikov está fazendo na sua janela?
– Eu realmente preciso te ensinar palavrões Lissa.
– Não mude de assunto Rose. O que ele está fazendo aqui? – eu mordi o lábio para me calar. – Responda Rose, ou eu vou chamar o Adrian.
– Lissa, por favor. Ele está aqui para me ver. Nós só vamos conversar, eu preciso esclarecer algumas coisas. – eu suplicava.
Ela me olhava desconfiada, mas por fim acenou com a cabeça. Voltei minha atenção para Dimitri.
– Eu preciso falar com você. – estávamos conversando aos sussurros.
– Eu sei Roza, eu preciso falar com você também. Mas você precisa descer até aqui. Eu não tenho muito tempo, o guarda da vigia vai passar aqui a qualquer momento. – As saídas do castelo estavam todas vigiadas, não tinha como sair.
– Todas as saídas são impossíveis. – malditos guardas.
– Você pode descer pela trepadeira. – Lissa sugeriu tímida. Descendo da sacada até o chão havia uma trepadeira de flor de jade. Eu deveria estar a uns 10 metros de altura. Engoli em seco, mas Rose Hathaway jamais recua.
– Tudo bem. Isso tem que funcionar. – Dimitri estava olhando inquieto para os lados, eu precisa me apressar. Corri dentro do quarto e peguei uma pequena bota, calçando-a. Então respirando fundo sai para fora novamente.
Eu me sentei no parapeito e fui me arrastando até o tronco mais grosso. Depois de me firmar com os pés nos galhos, me soltei completamente da sacada.
– Rose, o que você está fazendo? – Dimitri parecia preocupado.
– Não me desconcentre Dimitri. – bravejei. Eu tateava com o pé para confirmar que o próximo passo seria seguro.
– Só tenha cuidado. – eu podia sentir seus olhos atentos em mim.
Quando eu estava a uns quatro metros do chão eu estava tendo dificuldades em encontrar um apoio descente. Minha mão já estava dolorida e suando. Quando eu tentei forçar minha perna um pouco mais para baixo, minhas mãos não aguentaram o peso e eu acabei escorregando. Soltei um grito feminino e senti braços fortes me pegarem, antes de desmoronarmos no chão.
– Peguei você Roza. – Dimitri sorria divertido em baixo de mim.
– Não, contendedor, eu peguei você. – ele fez uma careta para o novo apelido. Mas eu podia ver um pequeno sorriso no canto de seus lábios.
– É melhor sairmos daqui antes que alguém apareça. – eu me levantei e Dimitri me seguiu.
– Lissa, eu volto logo. – sussurrei. Ela acenou com a cabeça e voltou para dentro encostando a porta.
Dimitri me puxava pela mão em direção à saída secreta. Depois de cruzarmos todo o pátio e jardins finalmente atravessamos a pequena passagem, nos livrando dos enormes muros do castelo. As árvores cobriam a luz da lua. Estava muito escuro e eu quase não via pra onde estava indo.
– Onde estamos indo? – eu perguntei assim que avistei o cavalo marrom do Dimitri.
– Há uma pequena caverna mais a frente. – Dimitri me pegou pela cintura e me sentou na cela, montando logo depois. Então passou a seguir por uma direção que eu nunca tinha ido antes, mais afundo no bosque.
– Como você conhece tantos lugares por aqui? – Dimitri parecia conhecer o bosque como a palma de sua mão.
– Quando eu era mais jovem, um amigo e eu costumávamos ficar dias vagando pelos bosques em busca de aventura. Fizemos esses caminhos diversas vezes. Eu conheço lugares incríveis que ainda vou levá-la. – seus olhos brilhavam com as lembranças. Esse tal Ivan certamente era uma parte importante da sua vida.
– Que tipos de aventuras? – eu estava curiosa. E para minha surpresa Dimitri parecia nervoso, eu podia sentir seus braços tensos em volta de mim.
– Bem você sabe Rose, caçar animais grandes, arranjar uma boa briga em alguma taverna, ajudar donzelas em perigo...
– Você é um paquerador Belikov. – eu acusei. É claro que ele devia ser. Ele era o homem mais bonito que eu já tinha visto. Um príncipe de um enorme reino. As mulheres com certeza estavam aos seus pés.
– Isso é mais com Ivan. – eu sabia que ele estava sorrindo. — Eu posso ter sido um dia, mas as coisas mudaram agora, nenhuma mulher lá fora me interessa mais. – ele ronronou bem próximo do meu ouvido, me fazendo tremer e me remexer no meu lugar.
– Tudo bem Contendedor, eu entendo que você foi um menino malcriado. – eu tentei fazer uma piada pra aliviar a tensão que eu estava sentindo. Mas tudo que eu recebi em troca foi sua risada ecoando ainda mais próxima da zona de perigo. Deus, quanto tempo mais demoraria em chegar nessa maldita caverna.
Felizmente alguns minutos depois eu avistei uma cachoeira cercada de pedras. Estava localizada em alguma clareira no meio do bosque. A luz da enorme lua refletindo na água tornava o lugar mágico. E o único som que ouvíamos era o da suave queda d’água batendo nas pedras.
– Contendedor se você estiver tentando me ganhar levando-me nesses lugares incríveis, devo dizer que está funcionando. – eu disse observando o lugar enquanto ele me descia do cavalo e o amarrava em uma árvore próxima.
– Espere até eu levá-la aos jardins de cima. – ele disse piscando. Novamente pegou minha mão. – Você deve estar com frio, vamos nos aquecer. – Eu não sabia do que ele estava falando, mas mesmo assim o segui.
Bem próximo a margem do riacho, subimos por uma pedra lisa que ia em direção a queda d’água. No inicio eu achei que estávamos em um local sem saída, mas então Dimitri se encolheu na parede me incentivando a fazer o mesmo, e passou por trás da cachoeira. Assim que passamos pela cascata de água eu avistei uma caverna, assim como Dimitri tinha dito, e havia uma fogueira crepitando e iluminando o local.
– Você fez a fogueira? – eu perguntei. – Ou tem mais alguém aqui?
– Eu fiz. Antes de buscá-la. Eu penso em tudo Rose. – me aproximei do fogo esfregando os braços para me aquecer, eu só usava um robe por cima da camisola. Dimitri veio por trás e me ajudou com suas mãos, causando um atrito que me aquecia mais que o próprio fogo. –Desculpe pelo local úmido, mas aqui é o lugar mais próximo em que podemos conversar em segurança.
– Está tudo bem. Nunca estive em uma caverna antes, é diferente. – eu gostava de como minha voz ecoava pelas paredes, fazendo o som voltar. — Então, por que você se arriscaria tanto para me ver? Disse que tinha algo a dizer? – eu queria ir direto ao ponto.
Ele se sentou ao lado da fogueira tirando sua espada da cintura e a colocando no chão ao seu lado. Eu fiz o mesmo, esperando por sua resposta.
– Eu temo por sua segurança Rose e eu precisava alertá-la. Meu pai planeja alguma coisa. Eles montaram um acampamento na fronteira das nossas terras e mais aliados chegam a cada dia. Ele está se movendo mais rápido do que imaginávamos. – Eu não tinha medo por mim. Tinha medo pelos outros.
– Por que está me dizendo isso? Quer dizer, é a sua família que está do outro lado Dimitri. – eu precisava de respostas. Ele pegou meu rosto em suas mãos e me fez olhar em seus olhos.
– Roza, eu me preocupo com você. Mais do que eu deveria. Eu temo pela minha família também, eu os amo mais que qualquer coisa. Mas eles estão seguros por enquanto e você não está. E eu vou fazer tudo ao meu alcance para mudar isso, eu prometo Roza. – sua voz estava carregada de emoções, então ele beijou minha testa me puxando contra o seu peito. Esse era o lugar em que eu me sentia mais segura.
– Me prometa uma coisa Roza? – ele perguntou enquanto acariciava meus cabelos.
– O quê?
– Continue seu treinamento com o Chritian, eu sinto que você irá precisar disso mais cedo do que pensamos.
– Eu amo os treinamentos, mas eu não sei se Chritian terá tempo para mim. Ele está cuidando da segurança do castelo. Estamos em alerta, ele não pode simplesmente fazer uma pausa. – Desde que a guerra foi anunciada não tínhamos saído para treinar.
Dimitri pensou por um tempo.
– Então eu vou te ensinar. Vou treiná-la Roza. Assim me sentirei mais aliviado. – ele tinha paixão em seus olhos. Ele realmente faria qualquer coisa por mim. – O que você me diz?
– Eu adoraria chutar a sua bunda. – eu respondi com um sorriso. Ele me abraçou mais apertado enquanto abria um sorriso completo.
– Eu não acho que isso vai acontecer. – eu tinha certeza que Dimitri era um soldado incrível só de olhar para ele, mas eu não podia esperar até comprovar isso.
Combinamos que Dimitri me esperaria em nosso ponto de escape, a passagem secreta do castelo, e de lá viríamos até aqui. Onde, segundo Dimitri, era seguro, aberto e próximo o suficiente do castelo caso algo acontecesse.
Agora que meu pai passaria a maior parte do tempo no acampamento que estavam montando, eu conseguiria sair. Mas teria que estar de volta até antes do pôr-do-sol para não causar suspeita.
– Eu preciso me casar com Adrian. – eu murmurei depois de um tempo. Senti Dimitri estremecer. – É a melhor forma de unir forças contra o Rei Victor.
– Eu sei. – ele assentiu. – Eu estive pensando sobre isso também. Mas se for pela sua segurança... — ele nem terminou. Eu sabia o que ele queria dizer. Nós nunca estaríamos juntos assim depois que eu me casasse. Eu queria aproveitar o pouco tempo que eu tinha com ele até lá, foi por isso que eu o puxei para os meus lábios. Dimitri era tão gentil, ele me beijava como se eu fosse feita de cristal e pudesse quebrar a qualquer momento. Eu tentei demonstrar no beijo tudo o que eu sentia. O medo pelo o que viria, a paixão que ele me despertava, as incertezas se o veria novamente. E eu também podia sentir Dimitri fazendo a mesma coisa, eu sentia seu amor por mim e sua promessa oculta de que tudo ficaria bem. Senti sua língua nos meus lábios, e permiti sua passagem. Ele era tão bom. Nossas línguas agora brigavam por controle, o que eu cedi facilmente para ele. Suas mãos desceram para meus quadris me fazendo montar de frente para ele. As coisas estavam esquentando rapidamente. Nossos corpos estavam colados o máximo que era permitido. Eu sentia a mãos dele me apertando na cintura enquanto as minhas passeavam pelo seu cabelo sedoso, tirando a fita de couro que os prendia e os revirando.
Eu não achei que poderia ficar melhor até que eu senti seus lábios quentes descendo pelo meu maxilar e pescoço, deixando mordidas leves e beijos demorados. Eu segurava seus ombros com força tentando me controlar, mas acabei soltando um gemido. Isso parecia incentivar ainda mais Dimitri, suas mãos subiam ainda mais por meus lados e seus lábios voltaram para minha boca urgentes. Eu estava no céu. Sentia um fogo se acender no meu interior que não sabia que era possível. Eu também podia sentir algo crescendo embaixo de mim que fazendo arrepiar. Eu queria Dimitri Belikov, eu queria que ele me tornasse mulher.
Eu estava prestes a dizer a ele quando ouvimos um barulho vindo de fora. Nos afastamos rápido e levantamos. Dimitri colocou seu corpo na minha frente me protegendo e pegou sua espada que descansava no chão. Seu cabelo estava todo bagunçado e minhas roupas amassadas. Eu teria rido se não fosse pela ameaça desconhecida do lado de fora. Ouvimos passos se aproximando, e escutei alguém murmurando em uma língua desconhecida. Oh não, isso não era nada bom.
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