A Guerra Do Amor
31 Reunião de família
Notas iniciais
Capítulo 31 – Reunião de família
– Rose você está simplesmente linda nesse vestido. – era manhã, a três dias do meu casamento. Eu estava dando os últimos retoques no meu vestido de noiva.
– Eu ainda acho um pouco exagerado Daniela. – O vestido era azul escuro e tinha mais tecidos do que pelo menos uns quatro vestidos meus juntos. Linhas de prata estavam bordadas em todo o corpete apertado e com mangas curtas e uma saia de anágua volumosa deixava uma grande cauda para trás.
– Bobagem, esse é o vestido mais bonito que eu já vi.
– É lindo. – Lissa concordou, alisando minha saia. – Eu adoraria me casar com algo assim. – ela deveria estar sonhando acordada com Christian.
– Mas não é algo que eu vejo a Rose usando. – eu amava Vikka.
– Não temos tempo para fazer outro vestido. E você deve se vestir para agradar seu marido Rosemarie, e eu tenho certeza de que Adrian vai amar.
– Só vamos acabar logo com isso. – eu gemi.
As próximas horas do dia eu passei revisando os passos das danças e a cerimonia complicada de Menfis, experimentando comidas e bebidas e aprovando a decoração dos salões.
– Vinhos somente os produzidos na primavera. – Daniela esbravejava com um criado. – É tradição, não me faça repetir.
– Eu estou cheia dessas tradições. – resmunguei fazendo Vikka e Lissa rirem. – Durante a dança com seu noivo não gire para a esquerda, beba ao menos três copos de vinho ou seu casamento será cheio de adultério, dance com todos os homens solteiros para trazer harmonia para o seu lar. – eu disse tentando imitar a voz aguda e com sotaque nobre da rainha. – Até parece que eu vou me lembrar de tudo isso.
– Agora eu vejo a sorte que eu tenho de ter nascido na Rússia, nossas tradições são bem mais simples. – Vikka disse rindo da minha desgraça.
– Eu estou aqui para ajuda-la Rose, não se preocupe com a Daniela. – Lissa tentou amenizar minha frustração, mas não estava ajudando muito.
– Venha Rose, eu vou mostrar os lugares onde todos os nobres se sentarão, você precisará decorá-los. – eu gemi me arrastando atrás da rainha má.
Quando finalmente Daniela se retirou para seu chá da tarde com as mulheres da nobreza, Vikka, Lissa e eu decidimos por fazer uma volta ao castelo. Eu nunca tinha ido até os jardins do lado de fora e como o frio hoje estava mais ameno, aproveitamos a oportunidade.
– Esse é o labirinto da rainha. – Lissa apontou para o mar de arbustos que se ergueu na minha frente.
– Eu imaginei que Daniela teria algo assim. — Lissa riu.
– Na verdade não foi ela quem construiu. Ele está aqui a centenas de anos. Desde os antigos reis.
Eu avancei um pouco, observando os arbustos com formas estranhas. A altura deles dava duas de mim e as ruas eram estreitas e tortas.
– Rose não avance muito, já ouvi historias de pessoas que entraram ai e nunca mais foram vistas. – eu revirei os olhos para Lissa e continuei avançando, as duas me seguiram quando se viram sem opção. Eu tentava memorizar o caminho de volta, e marcava minha saída guardando as formas dos arbustos.
– O que são essas pedras deformando o chão? – perguntei. Parecia haver uma construção abaixo de nós em certo ponto.
– É o antigo mausoléu. Grandes reis do passado estão enterrados ai dentro. – Lissa explicou.
– Onde fica a entrada? – Vikka perguntou lendo meus pensamentos.
– Há uma escada que desce do chão, fica um pouco a frente. – Lissa nos guiou até nos depararmos com um alçapão coberto por neve.
– Vamos dar uma olhada lá em baixo. – eu disse com entusiasmo. Era a coisa mais legal que eu tinha feito aqui até agora.
– Rose, ninguém vem aqui. Eu não sei se vamos conseguiu abr... – ela se calou quando eu puxei a alça de ferro, revelando uma escada de pedra, suja e com teias de aranha.
– Isso responde a sua pergunta? – eu disse levantando as saias para descer.
– Rose eu não gosto desse lugar, ele me dá arrepios. – Assim que descemos as escadas vimos câmaras erguidas sobre enormes colunas cinza. Apenas a luz que vinha do alçapão iluminava o local, então não podíamos ver muito. Eu tossia me acostumando com o cheiro de mofo.
– Você tem medo de antigos reis mortos? – Vikka perguntou olhando para os túmulos abertos, apenas véus cobriam os esqueletos deitados. Podia-se ver a poeira pairando no ar, e o local era úmido e frio.
– Eu já ouvi historias ruins sobre esse lugar. – ela murmurou olhando atenta como se algo fosse pular no seu pescoço a qualquer momento.
– São apenas isso Lissa, histórias. – eu gemi.
Depois de explorarmos um pouco mais, voltamos para cima, fechando o alçapão.
– Eu adoro respirar esse ar limpo daqui. – Lissa agradeceu tirando as teias do cabelo.
– Será que se eu me trancar aqui Daniela me encontrará? – As duas riram enquanto voltávamos para dentro.
POV Dimitri.
– Você não está se concentrando Dimitri. – eu ouvi a voz do Ivan na minha cabeça.
Eu avancei nele com a espada, mas ele foi rápido em bloquear meu golpe. Eu girei a espada dando mais alguns golpes e ele já estava suando e com dificuldades de defesa.
– Já chega, eu perdi de novo. – ele pediu se rendendo. Eu abaixei a espada, meu cabelo ainda estava no mesmo lugar e eu nem tinha começado a suar.
– Não sou eu quem não estou concentrado. – falei bebendo um longo gole de água de uma garrafa de couro.
–Você está perdido em pensamentos desde que a Rose foi embora.
– Só estou pensando em uma coisa que ela me disse. – por que ela havia pedido desculpas?
– Espero que isso não tenha nada a ver com as noites em que vocês me expulsaram da minha própria cama. – se ao menos fosse isso, eu até podia imaginar Rose falando alguma frase suja no meu ouvido.
– Não tem nada a ver. Mais uma vez? – eu disse apontando para a espada.
– Eu já tive o suficiente de perder por um dia. Agora vou fazer uma visita às cozinhas.
– Cozinhas?- ergui uma sobrancelha.
– Nem todo mundo tem a sorte de ter uma mulher invadindo sua tenda durante a noite, então eu tenho que ir a caça por conta própria. Você precisa ver as cozinheiras que eles têm aqui, eu até mesmo tenho visto Adrian por lá nos últimos dias. – ele disse com malícia.
– Como você disse eu sou um homem sortudo e não preciso disso. – Eu ignorei a parte sobre o Adrian, eu não queria falar sobre isso no momento.
– Sobram mais para mim. – ele disse seguindo o caminho que levava para a cozinha.
Eu já tive notícias de que a Rose e a minha irmã chegaram bem ao castelo, mas algo deixava meu coração inquieto, eu sentia que ia acontecer alguma coisa. Eu decidi conversar com Mazur.
– Vossa Majestade. – eu entrei na tenda me curvando.
– Belikov, em que posso ajuda-lo? – Mazur se virou para mim acendendo um cachimbo longo e soprando a fumaça pela tenda.
– Eu estava pensando se não seria melhor redobrar a guarda no palácio de Menfis.- ele pensou sobre isso por um tempo.
– Não vejo motivos para falar a verdade. Mas como estamos partindo depois de amanhã, levo guardas extras e os deixo lá se te faz sentir melhor.
– O brigado, isso me deixa mais aliviado.
– Você se preocupa muito com a sua irmã não é mesmo? – eu concordei. E com sua filha também. – Eu sinto que fiz tudo errado Belikov, Janine não estaria satisfeita comigo.
– O que aconteceu?
– Esse casamento. Minha filha está realmente infeliz, como você disse.
– Você pode mudar isso ainda. – eu disse com expectativa.
– Eu tentei, foi por isso que eu conversei com Nathan e com a minha filha antes que ela partisse. – eu estava curioso para saber sobre isso, uma vez que a Rose não terminou de me contar. – Eu disse que era decisão dela se casar ou não, mas que sua resposta traria consequências graves uma vez que Nathan não foi muito a favor.
Meu coração se acelerou, eu sabia a resposta. Era por isso que Rose pediu desculpa. Se ela estivesse aqui agora eu a puxaria para os meus braços e diria que ficaria tudo bem.
– Ela disse que se casaria. – não era uma pergunta, mas ele respondeu.
– Sim, e eu também já sabia a resposta. Ela sempre se colocará depois dos outros, igual sua mãe. A culpa é minha por coloca-la nessa situação.
– Mazur você fez o que qualquer pai faria, tentou protege-la. Você imaginou que essa era a melhor forma de salva-la das tragédias da guerra e optou por isso.
– Ela vai aprender a amar o Adrian, será fácil uma vez que não há ninguém em seu coração. – Se ele soubesse seria pior?
– Isso não é bem verdade. – eu admiti, coçando a parte de trás de cabeça. Era melhor se ele soubesse a verdade.
– Como assim? – ele perguntou confuso.
– Eu e a Rose nos apaixonamos. – Mazur abriu a boca umas três vezes e nenhum som saia.
Quando eu menos esperava senti um punho no meu maxilar. Talvez eu tenha merecido.
– Eu não posso acreditar que você molestou a minha filha inocente. – Rose era tudo, menos inocente. – Ela está noiva Belikov. – ele gritou e eu senti mais um soco, e uma ardência no lábio, provavelmente estava cortado. Mas eu nem tentei me esquivar, eu faria a mesma coisa se fosse com as minhas irmãs.
– Senhor, eu nunca faria nada contra a vontade dela. – tentei argumentar.
– A minha filha também tem sentimentos? – ele perguntou relutante.
– Sim. – eu sorri me lembrando dos movimentos dos seus lábios quando ela dizia que me amava. Mais um soco ia vir, mas dessa vez eu bloqueie por instinto. – Eu mereço isso, pode me bater. – eu disse abaixando as mãos. Mas o soco não veio.
Mazur estava pensativo e me olhando. Mas não havia mais raiva.
– Eu confio no julgamento da minha filha, mas sei que ela foi apenas vítima da situação. – eu não negava que eu sempre dava os primeiros passos, talvez tivessem sido rápidos demais? Eu não podia me conter perto dela.
– Eu me apaixonei por ela e prometi protege-la. Se ela está disposta a se casar em nome da obrigação, eu respeito isso. Mas minha promessa ainda permanecerá enquanto eu viver. – Mazur relaxou um pouco.
– Eu não posso simplesmente romper relações com Menfis, foi a escolha dela. E eu conheço a minha filha o suficiente para saber que se eu fizesse isso ela se sentiria culpada pelo resto da vida, imaginando quanto pessoas morreram por conta dessa decisão.
– Eu não estou pedindo que corte essas relações. Eu apenas achei que gostaria de saber, Rose está abrindo mão de muita coisa. Não podemos perder essa guerra.
– Eu sinto muito por vocês. Eu não imaginava, mas agora o melhor que você pode fazer para ajuda-la é se afastar. Eu não aconselho que você vá nesse casamento.
– Eu não posso fazer isso, eu prometi para a Rose que estaria lá. – eu me sentia oco, sem alma.
– Se você a ama, poupe-a de mais sofrimento. – eu abaixei a cabeça, pensativo.
– Tudo bem, mas diga a ela que ela sempre estará no meu coração. E que eu vou esperar por ela. – Por enquanto ele podia se contentar com essa resposta, mas eu não desistiria tão fácil. Eu sabia que Rose não tinha opções e que não poderia fazer nada onde ela estava, mas eu sim.
– Eu direi. Você está fazendo a coisa certa. Mas se você corteja-la uma vez mais sem a minha permissão... – eu acenei e saí, deixando Mazur terminando seu cachimbo. Eu sabia que a ameaça era séria e não gostaria de provocar ainda mais o rei de Teremur. Eu sentia que eu tinha deixado metade do meu coração naquela tenda. Eu não conseguiria soluções com Nathan, eu precisava ir para o acampamento russo.
...
Eu cheguei ao acampamento quando já estava escurecendo e pedi para falar com o meu pai, muitos guardas me acompanhavam.
– Meu filho, finalmente o juízo te encontrou? – ele disse assim que eu entrei na tenda luxuosa. Ele estava sentando e escrevendo em um pergaminho, uma pena negra e comprida em sua mão.
– Já chega, acabe com essa guerra Victor. O oeste tem forças suficientes para vencê-lo. Desista e poupamos a morte de milhares de pessoas.
– Estou entendendo agora. – ele disse com um sorriso. – Rosemarie vai se casar quer você queria ou não. Como é ser trocado pelo amor dela pelo povo? – eu respirei fundo para não cometer uma loucura e acabar preso novamente.
– O que eu tenho que fazer para você acabar com isso? – pedi tentando manter a calma.
– Junte-se a mim e acabaremos com isso rápido. Eu até posso poupar a vida da doce Rosemarie e enfim vocês poderão se casar. – eu fiz uma careta. Ele realmente achava que eu poderia concordar com algo assim?
– Que tipo de acordo você quer? Mazur estará disposto a dar o que você quer para ver a felicidade da filha. – isso o fez parar para pensar.
– É uma proposta tentadora, mas eu não quero um acordo. Quero provar a honra da nossa família vencendo por mim mesmo. Não é uma menina apaixonada que tirará todos os meus créditos.
– Não seja tolo. Você terá o que quer de qualquer forma. – eu insisti.
– Mas não será da forma que eu quero. Diga-me, como Robert está? Aquela flecha deveria ser fatal.
– Mais um dos seus objetivos não foi cumprido. – disse com um pouco mais de raiva do que pretendia. Eu esperava que eu ainda estivesse com razão, Robert não parecia muito bem hoje.
– Meu filho, essa é a última vez que eu o chamo para ficar ao meu lado.
– Eu espero que sim, porque não quero ter que repetir a resposta novamente. – ele estreitou os olhos e fechou o pergaminho com um selo de cera verde.
– Você fez a sua escolha meu filho. Eu já disse que eu vou passar por cima de qualquer um. – eu sabia, prova disso era ele ter mandado matar o próprio irmão.
– Você é a pessoa mais arrogante que eu conheço, e só não está morto por minhas mãos até agora porque eu tenho respeito pela minha mãe que o ama.
– Eu devo agradecer a Olena mais tarde então. E sim, posso ser arrogante, mas tenho a minha inteligência que é o que fará diferença no final. É uma pena dizer isso, mas sua querida amada pode estar correndo perigo a partir de agora e como você me deu as costas, eu terei o prazer de ver a vida deixar os olhos dela.
Meu punho desceu com força, acertando seu rosto. Uma, duas, três vezes, até alguém me parar.
Victor ria com a boca sangrando.
– Eu não vou manda-lo para a prisão dessa vez porque preciso de um favor. Leve esse pergaminho para os reis do oeste, diga que nós atacaremos o acampamento na manhã do casamento se eles não nos encontrarem nos vales de Norton. – eu tentei me soltar dos braços que me prendiam para acertá-lo mais algumas vezes.
– E antes que eu me esqueça, aproveite a doce Rosemarie enquanto você ainda pode. – então ele se virou para os guardas. — Levem-no aos limites do acampamento, se ele tentar entrar novamente, mate-o.
Fale com o autor