A Guerra Do Amor

32 A guerra bate à nossa porta


Notas iniciais
A história recebeu mais uma recomendação!!!! E vai ganhar um post duplo como eu prometi =)) Um agradecimento especial para a Bibilopes pela incríveeeel recomendação!!!! desculpe pela parte em que faço vocês curiosas hahahaha mais um pouco de suspense cai bem =) Esse capítulo é dedicado a você Bibi, espero que aproveite... Boa leitura a todas

Capítulo 32 – A guerra bate à nossa porta

POV Dimitri

– Eu preciso ver os reis agora mesmo. É urgente. – Já estava de madrugada quando eu retornei as pressas ao acampamento do oeste. Vendo minha face séria, o guarda saiu correndo para me conseguir uma reunião com os reis e os marechais. Eu saí em busca do Ivan.

– Ivan. – eu balancei seu ombro tentando acorda-lo.

– Droga Dimitri, não me diga que a Rose veio até aqui de novo para fazer sabe-se o que com você. – ele se levantou já levando sua manta.

– Rose não está aqui. – ele olhou para a minha cama vazia e franziu a testa. – Meu pai vai nos atacar em dois dias. Temos que começar a nos preparar. – ele ficou desperto no mesmo instante, procurando suas botas pelo cômodo escuro e prendendo o cabelo bagunçado.

– Como você sabe? – ele perguntou enquanto nos encaminhávamos para a tenda de reuniões.

– Eu acabei de voltar do acampamento russo.

– Dimitri você é doido? Você declara guerra contra eles, e simplesmente aparece lá. Poderiam ter te matado. – eu nunca tinha visto Ivan preocupado assim antes.

– Rose vai se casar em dois dias, essa é a decisão dela enquanto essa guerra continuar. Eu precisava fazer algo. – disse com um suspiro cansado.

– Deixe-me adivinhar, Victor disse para o mundo se ferrar e ameaçou nos atacar.

– Não foi uma ameaça, ele vai atacar o acampamento caso não o encontremos nos vales de Norton. – nesse momento alcançamos a tenda e sentamo-nos à mesa de reuniões, esperando os outros.

– Finalmente a guerra bate com força na nossa porta. – ele ponderou.

Alguns minutos depois a tenda estava cheia e todos já estavam a par dos conhecimentos. A carta acabou por apresentar o mesmo recado que eu trouxe.

– Vamos preparar as tropas para atacar com força total nos vales, eles não podem chegar ao acampamento. – Abe disse com sua voz imponente.

– E se Victor não nos atacar com força total novamente? – um dos marechais perguntou.

– Nós não sabemos, então temos que estar preparados para tudo. – Nathan completou. Todos estavam sérios e pensativos. Uma sombra tinha descido sobre nós.

– Nathan tem razão, vamos atacar com tudo o que temos. Será uma luta equilibrada, então precisamos de alguma vantagem. – Abe continuou.

Eu pensei sobre isso. Sim, com certeza aconteceria um massacre para os dois lados, uma vez que a quantidade de homens estava equilibrada. Então me veio uma ideia.

– Podemos cerca-los antes de atacarmos. Isso pode nos dar uma vantagem. – eu disse.

– Como faremos isso sem que nos vejam? – Nathan perguntou com cara de quem não gostou da ideia.

– As colinas do vale podem esconder alguns cavaleiros, enquanto os outros esperam na floresta. Quando dermos um sinal todos se reúnem formando um círculo em volta do inimigo, atacando por todos os lados ao invés de frente a frente. – Abe coçava a barba, pensativo.

– Isso pode funcionar. É uma grande ideia e a melhor que temos em tão pouco tempo.

– Ainda acho arriscado. – Nathan se pronunciou.

– Eu conheço aquelas colinas e poderia liderar um dos grupos. – Adrian disse me surpreendendo.

Durante as próximas horas passamos elaborando as táticas e os grupos que ficariam separados. E também elaboramos planos B caso algo saísse errado. A grande maioria estava satisfeita com o nosso plano e todos estavam dispostos a liderar seus grupos e fazer seu melhor.

Por conhecer a floresta eu ficaria com esse grupo e meu co-capitão seria Eddie. Ivan acompanharia Adrian em um dos grupos das colinas. E os reis estariam juntos no grupo principal, que não se esconderia.

Estava amanhecendo quando deixamos a tenda. Eu estava exausto e precisa dormir para me preparar para lutar, partiríamos na madrugada de amanhã.

Um mensageiro foi enviado até o castelo de Menfis contendo as notícias. O casamento tinha sido adiado até segunda ordem, eu confesso que fiquei aliviado com a notícia. Mas não era assim que eu queria que as coisas acontecessem, meu coração ainda me dizia que Rose estava em perigo e eu estava tentado a deixar a batalha e correr para ficar ao seu lado. Mas a ameaça estava aqui e precisavam de mim.

POV Rose

– Não Rose. Você deve beber mais devagar. Compartilhar o vinho com seu noivo faz parte da cerimonia e é importantíssimo que você faça corretamente. – Eu gemi. Eu já estava ficando louca e não era nem meio dia.

– Eu estou bebendo a droga do vinho não estou? Que diferença faz o modo como eu faço isso? – Daniela me olhou horrorizada pelo palavrão.

– O casamento já é amanhã e parece que nada está certo. – ela resmungou enchendo a taça novamente. – Tente novamente.

Dessa vez eu bebi da taça bem demoradamente, olhando por cima como se estivesse olhando nos olhos do meu noivo.

– Agora você está muito lenta. – Ela está de brincadeira? Eu despejei o restante do vinho no chão.

– Que tal assim? Está bom o suficiente para você? – eu resmunguei a encarando.

– Rose, mantenha a calma. – Vikka pediu se levantando da cadeira em que assistia a tudo.

– Eu concordei com esse casamento, mas estou fazendo as coisas do meu jeito agora. Chega! Eu já aguentei demais. Eu odeio essas tradições estúpidas, eu odeio meu vestido apertado e principalmente eu odeio as pessoas desse lugar. – Eu respirei. Eu queria fazer isso há muito tempo. Daniela tinha os olhos arregalados, mas se recompôs rápido com toda a sua classe.

– Podemos tentar novamente quando se acalmar, perder a paciência antes do casamento trás infertilidade por dois anos. – minhas mãos se fecharam em punhos, eu queria tanto estragar o rosto bonito da rainha.

– Que tal sairmos um pouco Rose. – Lissa pediu tentando ajudar Viktoria a chamar minha atenção.

Eu concordei e quando já estávamos alcançando o grande portal, um guarda do castelo entrou.

– Vossas altezas, trago notícias do acampamento. — Eu esqueci completamente meus pequenos problemas anteriores e foquei minha atenção no homem na minha frente.

– Quais são as notícias? – pedi apressada.

– Creio não serem nada boas. – meu peito se apertou. – Uma batalha acontecerá amanhã ao nascer do sol nos vales de Norton. Os cavaleiros partem durante a madrugada. – eu esperava notícias ruins, mas não tanto.

Lissa soltou um choro baixo ao meu lado, enquanto Vikka se agarrou a ela sussurrando o nome do seu irmão.

– O casamento foi adiado até segunda ordem princesa. O castelo será totalmente fechado. – eu acenei incapaz de falar alguma coisa. Eu me sentia fria e sem vida.

– Há poucos soldados aqui senhorita, mas não há nada a temer. A batalha acontecerá longe o bastante. – ele tentou me confortar achando que era essa a minha preocupação.

– Eu sei que vocês nos protegerão. – eu disse. – E quanto ao Russell, o mensageiro dizia algo?

– Por Russell você quer dizer Robert? – eu acenei. – Ele parece estar estável, não houve melhoras, nem pioras. – eu esperava que isso fosse uma boa notícia.

– Algo mais?

– O príncipe da Rússia deixou uma carta, disse que era para a senhorita e a irmã. – ele me estendeu um pedaço amassado de pergaminho amarelo e com um aceno se afastou.

– Não teremos um casamento? – Daniela disse indignada atrás de mim. De todas as notícias ela só ouviu essa?

– Isso é o menos importante agora. Seu marido e único filho estão prestes a ir para uma guerra e é essa sua preocupação? – Daniela engoliu em seco.

– Tia, eu acho melhor você informar as senhoras da corte que seus maridos podem não voltar. – Lissa disse. Daniela assentiu ainda meio em choque e se arrastou para fora.

Eu desabei em um banco próximo com a mão no abdômen, eu senti uma pontada ali e algo me dizia que ia acontecer alguma coisa.

– Rose você está bem? – Vikka se abaixou ao meu lado, acompanhada de Lissa.

– Eu só tenho um mau pressentimento.

– Guerras trazem sentimentos assim, mas não se preocupe Dimitri é o guerreiro mais incrível que eu já conheci. – Vikka tentou me animar.

– E Adrian também sabe se virar, e do seu pai já ouvi historias sobre seus grandes feitos. – eu acenei.

– Vocês têm razão. Vai ficar tudo bem. – minha boca dizia isso, mas meu coração negava. – vamos ver o que Dimitri nos deixou. — Eu desdobrei o papel, e o apoie de uma forma que todas nós pudéssemos ler a caligrafia elegante. Então eu gemi, estava tudo em russo. Eu não entendia uma letra sequer do alfabeto.

– Ele deve ter escrito dessa forma para afastar os curiosos que tentassem ler. Aqui. – Ela puxou o papel da minha mão. – Eu leio.

Viktória,

Eu gostaria de estar ai para dizer para a minha irmãzinha que tudo ficará bem e que amanhã estaremos juntos, viajando para todos os lugares que você sempre sonhou em conhecer. Eu não tenho o dom de prever o futuro, mas uma coisa eu sei, farei o possível e o impossível para abraça-la uma vez mais. Isso é uma promessa, e você sabe como eu sou com elas. Eu amo você Vikka, cuide-se.

Rose,

Você é a mulher que estará nos meus pensamentos quando eu enfrentar o campo de batalha, a mulher por quem eu vou lutar apenas para ver o rosto mais uma última vez. Eu prometi protege-la, mas não posso estar ai agora, então eu te peço, fiquei em segurança para que quando eu retornar eu possa dizer que a guerra acabou e que eu vou finalmente poder me casar com você. Eu te amo minha Roza, mas do que simples palavras podem descrever.

Eu tinha lágrimas se formando nos meus olhos quando terminei de ouvir. Mas eu as limpei depressa e me forcei a consolar Lissa e Vikka que pareciam muito piores, pelo menos do lado de fora.

...

Era madrugada e o castelo estava silencioso. As mulheres que ficaram para trás estavam todas em seus aposentos, aguardando ansiosamente por noticias dos seus maridos. Eu estava sentada na sacada, o sono tinha ido há muito tempo. Eu ficava apenas olhando para a escuridão, vendo os guardas se movimentarem lentamente pela muralha. Tudo parecia o mesmo.

Lissa e Vikka estavam dormindo aqui comigo, o cansaço as venceu fazia pouco tempo. Eu só queria poder dormir para que o tempo passasse e eu acordasse com boas notícias. Mas quando eu fechava os olhos tudo o que eu via eram sangue e morte.

Um vento frio soprava o meu cabelo, mas eu estava dormente e não sentia nada a não ser meu corpo se misturando com o frio da noite. Isso parecia anestesiar ainda mais meus sentimentos negros. Um sol vermelho começou a despontar no leste manchado por seus raios de ouro pálido, um vermelho que me lembrava de sangue, eu estremeci. Então eu ouvi uma trombeta desconhecida, e tudo virou caos.

POV Dimitri

– Yuri e Celeste nos encontrarão no caminho. – Ivan entrou na nossa tenda falando. Eu estava acabando de jogar a cota de malha e armaduras no meu peito. Eu sentia pontadas na minha coxa, mas não podia deixar isso me atrapalhar. Enquanto ninguém soubesse, eu não teria um ponto fraco.

– Eles serão de grande ajuda. E trabalhamos bem em equipe. – eu disse, amarrando meu cabelo em um rabo baixo.

– Concentre-se Dimitri, você precisa se focar no agora. – eu respirei fundo. Ivan tinha razão, essa era a hora de provar que todos os anos que eu passei treinando valeram a pena.

– Desde quando você dá conselhos? – tentei fazer uma piada.

– Eu tenho os meus momentos. – ele riu.

– Nos vemos no campo de batalha, boa sorte meu amigo. – eu disse o abraçando.

Eu peguei o elmo que me foi dado, espada, escudo e saí procurando meu cavalo de guerra. Ainda era o meio da madrugada, e muitas tochas iluminavam o caminho.

O grupo que eu lideraria já estava me esperando. Homens montados em seus cavalos, portando suas grandes lanças afiadas e espadas e tiracolo.

– Vamos atravessar a vau do rio Kinzig e seguir pela floresta. Devemos chegar um pouco depois do grupo principal, então temos de nos apressar o máximo possível. — eu falava alto e forte para ser ouvido por todos. Cerca de 500 homens faziam parte do meu grupo.

– Nossa função é dar o nosso melhor hoje, coragem homens, vivendo ou morrendo estamos honrando nossas mulheres e crianças que nos esperam em casa. Lute por elas, pelos inocentes que precisam de nós agora.

Os homens levantaram suas lanças gritando em concordância. Isso ajudava a resgatar a coragem que sempre faltava para eles nessas horas. Os outros grupos logo estavam fazendo o mesmo, levantando os braços e gritando vitória. O eco das vozes pelo acampamento retumbava no meu ouvido, fazendo minha espinha gelar.

Trombetas com seu som grave anunciaram que era hora de partir. Eu montei o garanhão liderando o grupo para fora do acampamento. As poucas mulheres e servos que ainda permaneciam ali jogavam flores brancas em seus cavaleiros e desejavam boa sorte com lágrimas nos olhos. Muitos homens não voltariam.

O sentimento que envolvia a todos era pesado e apertava nossos corações não saber o que estava por vir. Eu precisava manter meus homens fortes para quando a hora chegasse.

Atravessamos o rio e a floresta lentamente. O barulho dos cavalos se afundando na fina camada de neve era o único som que nos acompanhava. Precisamos ser discretos agora para que o plano funcionasse. Logo o sol se fez presente, iluminando a floresta escura e gelada aos poucos. A hora estava chegando.

Paramos no ponto estratégico, na borda da floresta, esperando pelas trombetas de guerra. As árvores e as sombras nos escondiam da melhor forma que podiam.

Os homens estavam inquietos, e o medo e ansiedade aumentavam a cada segundo que eles permaneciam ali.

O barulho de um grande exército se aproximando se fez ouvido. A terra tremia devido aos cavalos pisoteando os vales. Mas daqui não podíamos ver nada.

Esperamos. O barulho parou, e cavalos relinchavam. Nada aconteceu por um longo tempo e o aperto no meu coração dizendo que algo estava errado voltou.

Quando o sol nasceu por completo ouvimos uma trombeta de Teremur, mas ela não anunciava a guerra esperada.

Eu deixei Eddie cuidando do grupo de dei a volta para me encontrar com o grupo principal.

Quando atravessei a última colina avistei apenas um grande exército posicionado ali. E era o do oeste.

Mazur estava olhando para o horizonte, inquieto. E Nathan conversava com alguns batedores.

– O que está acontecendo? Onde está o exército russo? – pedi.

– Meus batedores dizem que nada se aproxima daqui em milhas. Um exército grande como o russo se faria ouvido à distância. – Nathan disse.

– O sol já subiu. Algo está errado. – Abe ainda observava o horizonte vermelho, pensativo.

Então eu entendi o que estava acontecendo. Eu entendia porque Rose corria perigo e porque Victor falava de usar a inteligência e acabar logo com isso. O desespero e o medo me consumiram, me gelando os ossos e apertando meu coração.

– É uma armadilha! – eu gritei. Vários pares de olhos se viraram para mim. – Essa batalha é uma distração para afastar os cavaleiros. Victor pretende atacar outro lugar.

– O que ele poderia querer no acampamento? – Mazur perguntou confuso.

– Ele não quer nada no acampamento, e é por isso que não está indo para lá. Ele vai atacar o castelo de Menfis.

O que se seguiu foram suspiros e maldições. Mazur congelou e levou a mão no coração.

– Minha filha...- ele murmurou. – O que eu fiz?

– Temos que organizar o exército e partir agora mesmo, não sabemos a localização deles, mas devem estar próximos , isso se já não chegaram ao castelo. – eu disse com voz autoritária. Eu sabia que o castelo estava sem a proteção necessária, e que os guardas não resistiriam nas muralhas por muito tempo.

Nos organizamos mais rápido do que seria possível em uma situação normal. E então uma corrida contra o tempo e a vida dos que eu amava começou. Eu deveria ter ouvido meus instintos que diziam para aumentar a segurança no castelo e correr para estar com Rose e Vikka. Eu só esperava que o meu erro não custasse muito, e que não fosse tarde demais.

Notas finais
TAN TAN TAN O que acharam??? Estou tensa com o próximo capítulo =// Beijos e até o próximo SPOILER: (...) - Não há para onde ir. Olhe para todas essas pessoas inocentes Rose, estamos cercados e sem proteção. - Ela chorou. – Eu não imaginei que fosse morrer assim. - Não vamos morrer. – eu sussurrei firme. Vikka fechou os olhos se recostando no pilar, era como se ela estivesse desistindo. (...)