A Guerra Do Amor
12 Procurada
Notas iniciais
Capítulo 12 — Procurada
Eu tinha minha respiração muito mais rápida agora. Meu corpo estava suado e dolorido. Dimitri não estava tão diferente. Seu corpo escultural e suado em cima do meu estava me esmagando de uma forma gostosa. Eu tentava ficar por cima, mas Dimitri gostava de estar no controle o tempo todo.
– Tudo bem contendedor, eu perdi novamente. Agora saia de cima de mim. – eu empurrei seu peito. Eu estava nervosa porque hoje eu não o tinha vencido nenhuma vez, e sempre acabava no chão com ele em cima de mim.
Dimitri se levantou e ofereceu sua mão, mas eu a ignorei e me levantei por conta própria.
– Rose, talvez se você crescesse uns trinta centímetros reverteria a situação. –Ivan provocava da pedra onde estava sentado assistindo minha derrota.
–Se você abrir a boca de novo, eu juro Ivan, você não será capaz de visitar um prostíbulo novamente. – ele ficou branco com o pensamento.
– É melhor você ouvi-la Ivan. Ela nunca faz ameaças vazias. – Dimitri estava rindo da cara de pavor que o amigo fazia.
Fazia nove dias desde o nosso primeiro dia de treinamento. Eu já me sentia muito mais resistente. Dimitri era um ótimo mentor, tirando os momentos em que ele citava filósofos e suas filosofias de vida, eu só queria afogá-lo no riacho nessas horas. Até agora tínhamos treinado luta com espadas e arco e flecha, o que eu sempre ia muito bem, a propósito. Mas hoje estávamos tendo luta corporal e eu estava levando uma surra, o que estava me deixando com raiva.
Alguns dias, Ivan viria nos assistir. Hoje não era um bom dia, visto que eu descontei minha raiva toda nele.
Mason ficava ao meu enlace praticamente o tempo todo. Então agora, sempre que eu ia me encontrar com Dimitri eu dizia que ia descansar nos meus aposentos e descia pela trepadeira de jade. No primeiro dia eu cai de costas, e aquilo realmente doeu. Mas agora eu já tinha pegado a tática e descia facilmente. Tudo para passar um tempo com meu deus russo. Estando tão próxima dele esses dias eu sentia meus sentimentos aumentando cada dia mais. O que no começo pode ter sido apenas uma atração, estava me confundindo agora. Diversas vezes eu tentei começar o assunto Barton com ele, mas eu nunca conseguia por um motivo desconhecido. Talvez por medo das respostas. Por fim, o assunto ficou fora de contexto e eu decidi colocá-lo no fundo da minha mente. Tirando esses pensamentos da cabeça me voltei ao presente.
– Eu não sei o que estou fazendo de errado Dimitri. – peguei uma garrafa de água jogando um pouco no meu rosto e nuca para me refrescar.
– Você não está fazendo nada de errado Rose. É o primeiro dia que você faz algo assim, enquanto eu treino minha vida toda, com o tempo você irá ficando mais experiente. – Dimitri tirou sua camisa de linho, ficando com seu peito bronzeado e musculoso nu, era a primeira vez que eu o via assim. Eu não conseguia desviar os olhos. E quando ele se abaixou e pegou sua própria garrafa, jogando a água pelo seu rosto, Deus, eu estava praticamente babando agora. A água escorrendo por seu peito, abdômen e se perdendo por um caminho proibido.
– Feche a boca Rose, moscas podem entrar. – Ivan tinha que estragar meu momento. Eu lhe lancei um olhar raivoso e o vi ficar branco novamente, eu adoro ter esse poder sobre ele.
Voltei meu olhar para Dimitri que agora tinha seu famoso sorriso convencido. Isso não vai ficar assim. Sentei-me em uma das pedras na beira do rio e comecei a tirar minha bota.
– O que está fazendo? – Dimitri tinha uma sobrancelha arqueada, enquanto Ivan apenas parecia curioso.
– Eu quero tomar um banho de rio. – disse sorrindo inocentemente. Ivan se engasgou e começou a tossir incontrolavelmente.
– Mas para isso você deve tirar a...tirar a roupa. – ele conseguiu disser em meio à tosse.
– Eu sei, é isso que estou fazendo. –terminei minha bota e me virei para os dois homens me olhando de olhos arregalados. – Se importam de se virarem. – disse rodando o dedo.
Dimitri se virou rapidamente, mas Ivan parecia relutante. Percebendo isso meu russo o puxou pela camisa.
– Não acho que isso seja uma boa ideia Rose. A água deve estar gelada. — Dimitri tentou me convencer, ainda de costas. Até agora eu já tinha tirado a calça e o espartilho, restando apenas uma camisa indiana branca e roupas de baixo.
– Eu aguento contendedor. – sussurrei com uma voz baixa e rouca. Eu tive o prazer de ver seus ombros se contraírem em resposta.
Tirei a roupa restante e dei uma ponta no rio. A água realmente estava muito gelada, ao ponto de sentir minha pele formigando. Mas eu nunca admitiria isso para Dimitri.
– Vocês podem olhar agora. – As águas escuras do rio não deixavam meu corpo amostra.
Ivan correu até a beirada do rio e olhou para minhas roupas todas jogadas.
– Eu não acredito que você fez isso. – Ivan sendo Ivan tinha um sorriso safado. – Que tal se eu me juntar a...
– Eu não terminaria isso se fosse você. – um Dimitri mal humorado disse lançando um olhar mortal para o amigo.
– Foi apenas uma sugestão. –ele respondeu encolhendo os ombros.
Eu nadei até a cachoeira e deixei que a água caísse sobre os meus ombros, era relaxante e o frio nem me incomodava tanto agora. Dimitri seguia-me com seus olhos em chamas, era essa reação que eu queria, sorri para mim mesma.
– Você também não está com calor contendedor? – eu provocava.
– Roza...- ele rosnou.
– O que foi? É apenas uma simples pergunta. –Dimitri parecia pronto para pular na água a qualquer momento enquanto Ivan ria.
– Ela será sua perdição Dimitri.
Antes que eu pudesse provocá-lo um pouco mais ouvi um cavalo relinchando. Dimitri mudou totalmente sua postura e pegou sua espada, assim como Ivan.
– Roza, se esconda entre aquelas pedras. – ele apontou para um monte ao lado da cachoeira. Nadei até lá e ainda dentro da água me coloquei entre as pedras, me afundando até o nariz.
– Ivan esconda as roupas dela. – Ouvi Dimitri falar.
Um momento depois ouvi cavalos parando, havia vários deles pelo barulho.
– Sir Vanig. O que está fazendo nessas terras? – Dimitri perguntou, sua voz soando autoritária.
– Príncipe Belikov. – o homem saudou. – Estamos à procura de água para encher nossos barris. Esse riacho me parece ser limpo o bastante.
– A água é potável. – Ivan respondeu.
– Conde Zeklos, então é que aqui que tem se escondido. Eu me perguntava por que não o vi no acampamento russo ainda.
Minha vontade era de ver o que estava acontecendo, mas quando a voz de Dimitri soou com raiva eu me encolhi de volta no lugar.
– E porque você não está no acampamento? O que o traz para as terras do rei Mazur.
– Rei Victor nos mandou atrás da princesa Rosemarie. Parece que ela está sozinha no castelo agora que seu pai tem sido visto no acampamento deles. Ninguém poderá protegê-la agora.
– Quais são as ordens assim que a encontrarem? – Dimitri mantinha a voz calma agora.
– Levá-la com vida até o acampamento. – eu me perguntava o que eles queriam comigo, provavelmente eu serviria como material de troca.
– Podemos fazer outras coisas também. – uma nova voz disse. – Eu soube que a princesa foi abençoada por deus com dois lindos pares de seios. – vários homens passaram a murmurar em russo. Provavelmente não eram comentários gentis. Eu espiei por entre as pedras e tive uma visão geral do que estava acontecendo. Uns doze soldados russos estavam parados em frente à Dimitri e Ivan, ainda em seus cavalos. Todos vestiam armaduras e traziam consigo a bandeira verde e branca com uma cabeça de urso como símbolo. Dimitri tinha as mãos em punhos, mostrando que estava com raiva dos comentários anteriores, mas teve que se controlar para não levantar suspeitas.
– Peguem a água que precisam. –ele disse. Três homens desceram de seus cavalos carregando três barris e se abaixaram na margem os enchendo.
– O seu pai, o rei, tem perguntado muito de você Vossa Alteza. – o homem, que se parecia com o líder, dirigiu-se para Dimitri.
– Ele não precisa de mim Sir.
– Não lutará por seu reino? – ele continuou.
– Não nessa guerra. – Dimitri virou as costas determinando o fim da discussão.
Quando eu olhei para os três homens enchendo os barris vi que um deles olhava diretamente para mim. Abaixei-me de volta com o coração quase saltando pela boca.
– Você viu aquilo? – o ouvi perguntar, provavelmente para o companheiro ao lado.
– O que?
– Parecia-se com uma mulher naquela pedra. Será uma sereia? – Sereia? Sério?
– Andem logo vocês três, ainda temos que montar um acampamento. – eu reconheci a voz do tal Sir Vanig gritando.
– Capitão, acho que vimos uma sereia no rio. – o soldado que me viu disse.
– Não deve deixar seus homens beberem durante o turno Sir Vanig. – Dimitri disse.
– Estou falando sério, vimos alguma coisa naquelas pedras. Uma mulher.
Eu me mudei entrando ainda mais entre as pedras e me abaixando.
– Provavelmente é algum animal bebendo água. – Ivan disse. – eu vou dar uma olhada.
– Você não. Rurik, vá até as pedras e veja se encontra alguma coisa. – Vanig disse.
Mesmo sem ver eu poderia dizer que provavelmente Ivan e Dimitri estavam nervosos agora. Principalmente por não poderem fazer nada a respeito. Eu mergulhei no pouco espaço que eu tinha, prendendo a respiração ao máximo que eu podia. Eu via apenas a forma de um homem alto olhando atentamente por entre as pedras. Minha respiração já estava acabando e eu começava a desesperar. Minha visão estava começando a ficar turva quando eu vi o homem se afastando. Imediatamente subi até a superfície respirando fundo.
– Não há nada lá. – ouvi alguém dizer.
– Não vamos mais perder tempo aqui. Vamos embora. – Sir Vanig disse. – Se tiverem notícias da princesa nos avisem. – e com isso ouvi o movimento de cavalos se afastando.
Quando achei que era seguro sai do meu esconderijo e avistei Dimitri trazendo minhas roupas, agora ele estava com sua camisa de volta. O que era uma pena.
– Estou te levando para onde é seguro Roza. Se vista. – ele e Ivan se viraram de costas novamente enquanto eu sai da água e me vesti.
– Pronto. Estou vestida. – Os dois imediatamente pegaram seus cavalos e logo estávamos no nosso caminho de volta.
– Isso significa que não teremos nossas aulas mais? – eu perguntei rezando para ele dizer não.
– Agora mais do que nunca você precisará dessas aulas Rose.
– O que você acha que o seu pai quer comigo?
– Você é o que ele precisa para usar chantagem. – ele me apertou contra seu corpo quente. – Isso não vai acontecer, eu não vou permitir.
– Eu acredito em você.
– Eu também estarei aqui para fazer o que for preciso para mantê-la segura Rose. – Ivan acrescentou.
Eu sorri agradecida para ele. Eu não tinha medo de ser capturada, eu tinha medo das ameaças que Victor poderia fazer contra aqueles que eu amava. Eu não suportaria a culpa. Eu me manteria segura por todos eles. Eu não deixaria que me usassem como ponto fraco de ninguém, nem que para isso eu tivesse que morrer.
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