A Guerra Do Amor
10 O velho
Notas iniciais
Capítulo 10 – O velho.
Acordei muito cedo na manhã seguinte. Todos estavam se preparando para partir para o castelo dos Ivashkov. Minhas criadas, Jillian e Mia, me ajudaram a embalar os pertences que eu levaria, o que não era muita coisa, visto que minha estadia seria de apenas dois dias.
Foram necessárias seis carruagens mais uma enorme quantidade de guardas reais. Depois do enorme passo que Adrian e eu demos em nosso relacionamento na noite passada, ele se sentia a vontade para me fazer companhia na viagem, por isso estaríamos dividindo a carruagem. Abe e Lissa teriam suas próprias enquanto as demais seriam ocupadas por trabalhadores do castelo que seriam úteis nos preparativos do baile, incluindo Mia, Jill e os músicos. Quando nossa comitiva saiu pelos enormes portões de ferro do castelo o sol ainda estava surgindo no horizonte.
Adrian estava sentando à minha frente com os braços apoiados no encosto de couro vermelho, olhando pela pequena janela e parecendo muito relaxado. Eu fingia estar lendo um livro, enquanto na verdade eu estava o observando por cima das páginas. Não poderia negar que Adrian era um homem bonito, mas eu não conseguia deixar de compará-lo com certo russo que fazia meu coração palpitar. Seus olhos verdes não eram tão profundos e misteriosos, nem sua voz suave e imponente.
– Esse livro não parece interessante. – Adrian cortou meus pensamentos, me fazendo apoiar o livro no colo e o encarar por completo.
– O quê?
– Você está me observando. – ele tinha um sorriso.
– Desculpe, eu estava perdida em pensamentos. – eu estava envergonhada por ser pega no flagra.
– Rose, você é minha noiva, eu gosto quando me olha assim. – ele não era o único em meus pensamentos, mas ele não precisava saber. Dei-lhe um sorriso e voltei para o livro, desta vez realmente lendo as palavras.
Quando enfim chegamos, algumas horas mais tarde, depois de todos os cumprimentos e formalidades eu estava no quarto que seria meu para os próximos dois dias.
– Onde quer que coloquemos os vestidos Vossa Alteza?– Eu lancei um olhar aborrecido para Jill. – Quer dizer, Rose. — ela se corrigiu.
– Podem colocar no armário. – eu disse enquanto organizava minha escova, perfumes e chapéus na penteadeira.
Depois de tudo desempacotado e organizado eu desci para fazer a refeição. Todos já estavam sentados a uma enorme mesa de madeira servida com diferentes pratos. O enorme salão estava iluminado por enormes janelas de cristal que permaneciam abertas, e o cheiro de assado fez meu estomago roncar. Havia um lugar vago ao lado de Adrian, onde eu me sentei.
– Só estávamos esperando sua ilustre presença princesa. – Nathan disse sorrindo, mas eu sentia certo desconforto em como ele disse as palavras.
– Eu terminava de desempacotar meus pertences. – eu sorri agradecida assim que um dos serviçais me serviu uma taça com vinho.
– E para isso que suas criadas estão aqui querida. – Daniela também tinha um sorriso nada convincente.
– Eu sei, e é para isso que eu tenho mãos. – Lhe devolvi um sorriso semelhante.
– Rosemarie. – meu pai e Adrian vociferam juntos.
– Adrian você deve ensinar modos a sua futura esposa. – Nathan dizia enquanto devorava uma enorme coxa de peru. Como se ele já não estivesse gordo o bastante.
– Rose está apenas tendo um mal dia pai. – Adrian dizia me lançando um olhar suplicante. Dessa vez eu não tinha começado.
– E eu digo que você deve impor respeito, sendo mal dia ou não. – eu queria arremessar meu prato de prata em sua testa gorda. – Ou você quer todos dizendo que sua esposa é o homem da relação. – Adrian pensou por um momento, abaixou o garfo e olhou para mim.
– Meu pai tem razão Rose, a partir de agora quero que se pronuncie apenas se lhe for pedido. – eu lhe lancei um olhar incrédulo. Ele não podia estar falando sério.
– Vai dar ouvidos ao que eles falam? – apontei para os dois que sentavam à ponta da mesa. — E sobre o que você me prometeu ontem?
– Você não está facilitando Rose. Agora volte para sua refeição e coma calada. – ele se voltou para o prato
– Mas...
– Eu disse calada. — para evitar mais discussões eu lhe dei um olhar raivoso e voltei para minha refeição, ninguém ia arruinar meu apetite. Nathan bateu no ombro do filho e sorriu orgulhoso. Já meu pai nem sequer me olhava, estava concentrado em seu prato. Agora eu sabia qual era o problema do Adrian. Seus pais.
Durante a tarde Daniela, Lissa e eu ficamos supervisionando a preparação do baile, mesmo sob meus protestos. A decoração estava luxuosa. Tapetes vermelhos cobriam o piso de pedra lisa e preta, enormes candelabros de metal circulavam todo o salão iluminando o local, uma enorme mesa estava no canto com um banquete que iam desde assados, frutas e pães até tortas coloridas e esculturais, e arranjos florais disputavam espaço com tanta comida. Músicos e salão de danças ficavam ao lado oposto, onde também havia uma enorme porta de madeira desenhada que dava acesso ao jardim que estava iluminado por postes de óleo e fogo. Bandeiras e estandartes representando a união dos dois reinos foram espalhados pelas altas paredes do salão circular. Tudo havia sido aprovado pela exigente Daniela que dizia estar à altura de um futuro rei.
Agora eu estava no quarto em frente ao espelho vendo Mia apertar meu espartilho.
– Respire fundo Rose. –ela disse. E assim que eu fiz senti uma fisgada na minha cintura quando Mia apertou os laços.
– Eu não consigo respirar. — na verdade eu mal podia falar.
– O vestido que Daniela escolheu não caberá se eu afrouxar os nós, desculpe-me.
– Eu odeio essa bruxa. – resmunguei e Jill se aproximou me ajudando com o vestido.
– Daniela pode ser uma bruxa, mas até você tem que admitir que ela tenha bom gosto Rose. Você está linda. – Mia disse me olhando de cima a baixo.
Assim que me voltei para o espelho me surpreendi. O vestido vermelho era lindo. Descia em camadas de seda e algodão até o chão, deixando uma pequena cauda atrás. As mangas mais largas e abertas se contrastavam com a cintura fina e colo e ombros a mostras em um decote avantajado. Rubis estavam encrustados dos seios até a cintura quando o vestido caia rodado e volumoso.
– A bruxa tinha que ter alguma qualidade. – eu disse me sentando em um banco para que meu cabelo fosse preparado. Por fim decidimos prendê-lo em um coque todo trançado deixando alguns fios soltos pelo meu rosto. Depois da maquiagem, perfume e sapatos eu estava completamente pronta.
– Você se parece com uma verdadeira rainha Rose.
– Eu ainda preferiria meus velhos vestidos jill. – apesar de bonito eu mal podia respirar ou me mexer com tanto tecido. – Você pode ficar com ele assim que esse maldito baile acabar.
– Eu não poderia aceitar algo assim, eu nem teria onde usá-lo. – Jill disse tímida, mas eu via seus olhos brilhando com a ideia.
– O vestido é seu. Sem mais discussões. – pelo menos alguém seria feliz essa noite.
– Ai meu deus! Obrigada Rose, eu nem sei o que dizer. – ela me deu um abraço apertado.
– Não precisa dizer nada. – ouvi baterem na porta e Mia foi atendê-la.
– Rose! Você está linda. – Era Lissa.
– Créditos para a bruxa. – Lissa soltou uma risada.
– Rose você realmente deve parar de chamá-la assim.
– Sugere algo mais apropriado?
– Você é impossível. Eu vim porque Adrian já está esperando. Vamos?
– Que a tortura comece.
Guardas nos acompanharam até o salão onde Adrian estava. Um deles estava encarando meus peitos descaradamente, limpei a garganta e ele saiu de seu transe voltando sua postura séria.
– Rose, você é a mulher mais bonita que eu já vi. – assim que chegamos ao salão Adrian veio ao nosso encontro e tentou me beijar nos lábios. Eu desviei e ele me deu um olhar questionador.
– O que aconteceu?
– Você esta brincando ou tem algum problema de memória? – eu estava gritando.
– Adrian, Rose, nós devemos ir para o salão de festa. – Lissa tentou nos interromper, mas foi totalmente ignorada.
– Rose, o que você queria que eu fizesse? Meu pai é o Rei.
– Eu estou me casando com você ou com seu pai? – cruzei os braços na altura dos seios.
– Eu prometo que isso é temporário, eu não queria tratá-la daquela forma. Acredite em mim. Estou apenas...
– Está apenas sendo um covarde. – eu terminei.
– É melhor descermos. – Lissa voltou a falar.
– Sim, é melhor. – Adrian pediu que nos anunciassem.
Estávamos no topo da escadaria que dava para o salão do baile. Muitos convidados estavam espalhados pelo salão. Eu via muitos casais nobres, mulheres solteiras e desesperadas em busca de um príncipe, mas acima de tudo apenas os pertencentes aos mais altos títulos da nobreza estavam presentes. Eu também avistei Daniela e Nathan cumprimentando alguns convidados.
Adrian me deu o braço de apoio e fomos anunciados. A música parou e todos dirigiam seus olhares para nós.
– Apresento príncipe Adrian Ivashkov e sua noiva princesa Rosemarie Mazur Hathaway, futuros reis do reino de Menfis e Teremur, confirmando seu noivado real. – O orador real nos anunciou com voz firme e clara. O salão encheu de aplausos e reverencias enquanto descíamos os degraus.
Daniela e Nathan agora estavam no final da escadaria para nos dar a sua benção junto ao meu pai.
– Eu Rei do reino de Menfis, da dinastia Ivashkov, dou-lhes a minha benção. – Nathan tinha a voz firme e alta.
– E eu Rei do reino de Teremur, da dinastia Mazur, dou-lhes a minha benção. Que este casamento nos traga a paz. – Abe com certeza era um rei mais imponente que Nathan.
Assim que os dois reis tiraram a espada um corredor de guardas, que eu nem tinha percebido, fizeram os mesmo. Suas espadas formavam um túnel. Adrian me arrastou para seguirmos pelo caminho de espadas, e cada guarda descia em seus joelhos assim que passávamos por eles. Assim que chegamos ao final, o salão inteiro desceu aos seus joelhos.
– Vida longa aos futuros rei e rainha. – todos disseram em uníssono.
A fé que essas pessoas tinham em nós era assustadora. Mas eu mantive meu rosto firme e sério, como Daniela havia me instruído.
Depois disso Adrian e eu andamos pelo salão como um casal, cumprimentando todos. Meus pés já estavam doendo e eu me sentia sufocada de tanta gente.
– Senhor Duque de Elder. – Nos aproximamos de um homem que devia ter uns 70 anos. – É uma honra tê-lo presente em meu noivado. – Adrian era cortês e gentil com todos. — Duquesa. –Adrian acenou para a jovem ruiva que estava sendo apertada contra o corpo do velho. Ela aparentava ter uns 14 anos no máximo. Eu tive pena dela.
– Não vai me apresentar a sua adorável dama? – o velho disse olhando meu decote. Senti-me enjoada sob seu olhar.
– Senhor Duque está é a princesa Rosemarie, minha noiva e futura rainha. – a voz de Adrian já não era mais tão gentil.
Ele pegou minha mão e deu um longo beijo molhado.
– Encantado com sua beleza senhorita Mazur. É uma pena que já esteja comprometida. – o velho tinha um sorriso sádico.
– Assim como você também já é Barton. – Adrian estava furioso a ponto de chamar o Duque pelo primeiro nome. Ele me tirou de perto do velho e me puxou pela cintura para estar ao seu lado. Eu já não gostava desse tal Duque de Elder.
– O que está acontecendo aqui? – Nathan apareceu colocando a mão sobre o ombro do filho.
– Seu filho, o futuro Rei, deveria aprender a controlar a língua Vossa Alteza. – Barton parecia ofendido.
– Isso não irá acontecer novamente não é filho?
Eu lancei um olhar para Adrian e levantei minhas sobrancelhas.
– Respeite minha esposa que eu lhe dou o devido respeito senhor Barton. Está na minha casa. A casa do seu futuro Rei. – sorri orgulhosa. Finalmente ele havia deixado que seu pai não o influenciasse.
– Não se esqueça de que tenho fornecido meus cavaleiros para lutar nessa guerra que não é minha, jovem Rei. – O velho virou as costas e saiu arrastando a pobre jovem pela cintura.
Nathan se virou furioso para o filho.
– O que pensa que está fazendo?
– Eu não sou um covarde. – ele tinha pegado o que eu lhe falei.
– Mas é um idiota. Barton nos oferece mais de 500 cavaleiros. Não podemos perder essa aliança. – isso seria um problema. Mas o velho mereceu.
– Eu vou resolver isso. – Adrian disse confiante.
– É bom mesmo. E se você me desobedecer novamente, as coisas não ficaram boas Adrian. – ele disse apertando o ombro do filho. – E quanto a você Rosemarie, eu estou de olho. – fiz uma cara de inocente enquanto ele se afastava.
– Como se sente? – perguntei para o meu noivo.
– Melhor do que eu esperava. Você tem razão Rose, eu não preciso deles.
– Aquele velho mereceu. – eu sorri.
– Ele mereceu. Como ele ousa cortejar minha linda noiva bem na minha frente. – Antes que eu previsse seus lábios estavam nos meus. Eu o beijei de volta para lhe mostrar confiança, Adrian estava fazendo um ótimo trabalho hoje.
Ouvi alguém pigarrear e nos separamos. Meu coração se acelerou quando eu vi quem era. Dimitri estava na minha frente, usando uma farda de couro e botas. Seu cabelo estava solto emoldurando seu belo rosto. Eu senti meu rosto empalidecer quando vi seu rosto. Ele estava sério e sem expressão.
– Principe Belikov. O que faz aqui? Tenho certeza que não fora convidado, nós não confraternizamos com o inimigo. – Adrian estava tenso ao meu lado, mas tenho certeza que não tanto quanto eu.
– Achei que os Ivashkov fossem famosos pela boa recepção. Vejo que são apenas histórias. – Dimitri parecia tranquilo.
– Você não é bem vindo aqui. – meu noivo foi curto e grosso.
– Ainda bem que eu não me importo com sua opinião. – um serviçal que passava com uma bandeja de vinhos foi parado por Dimitri que pegou uma taça e bebeu um longo gole. – Então essa é sua noiva? – ele disse me olhando pela primeira vez.
– Ao contrario de alguns eu tenho capacidade de arranjar um casamento. – Adrian provocou.
– Ao contrario de alguns algumas mulheres me querem de verdade. – Dimitri apontou para um grupo de solteiras que o encaravam. Quando ele piscou para elas, juro que as ouvi suspirar daqui. Revirei os olhos.
– O que está insinuando? Minha noiva está comigo por vontade própria.
– Tenho certeza que está. – ele sorriu e beijou minha mão. – Princesa Rosemarie é um prazer conhecê-la.
– Igualmente... senhor? – eu tinha que entrar no jogo. Mesmo lembrando que eu deveria manter minha raiva por ele.
– Ele é o príncipe Dimitri Belikov, filho do rei Victor do reino da Rússia. – um noivo muito zangado respondeu ao meu lado. – Nosso inimigo.
– Sou muito conhecido também princesa, como pôde observar.
Antes que qualquer um de nós pudesse responder Daniela veio nos avisar que era hora de apresentarmos a dança.
Adrian pediu licença para Dimitri enquanto me guiava pela cintura.
Seguimos até local reservado para a dança e fomos anunciados. Uma música suave começou enquanto dançávamos como da última vez. Logo alguns casais se juntaram a nós e tínhamos mais privacidade por não sermos o centro das atenções. Adrian em um momento tentou me beijar, mas eu desvie sutilmente e lhe lancei um sorriso. Eu não podia beijá-lo sabendo que Dimitri estava aqui. Dancei com meu pai, com Nathan e mais alguns cavalheiros, por fim voltei para os braços do meu noivo.
Depois da dança Nathan pediu que Adrian o acompanhasse para tratar de alguns negócios. Ele beijou minha Buchecha e se afastou. Eu pensei em comer alguma, mas a mesa estava cheia de mulheres nobres que eu não queria ter que ser gentil, então decidi fugir um pouco de toda a agitação e sai do salão. Eu caminhava em uns dos corredores do palácio onde havia armaduras expostas nas paredes. Assim que eu estava chegando à curva alguém me puxou pela cintura.
– Sentiu saudades? – um sotaque russo me fez arrepiar.
– O que você quer? – me soltei do aperto de Dimitri.
– Rose, eu só quero conversar. Esclarecer algumas coisas. – ele mudou seu tom brincalhão e agora parecia triste.
– Eu disse que você não me deve satisfações.
– Sim eu devo. Eu devo satisfações para a mulher que tem meu coração. – era a primeira vez que ele falava algo assim. Meu coração batia mais rápido agora.
– O que tem a dizer?
– Quando eu disse que você era a única mulher que eu queria, eu não estava mentindo. Eu vejo Tasha apenas como uma amiga. De uns tempos para cá ela vem confundindo as coisas, por isso ela age toda possessiva, mas eu nunca lhe dei motivos ou esperanças, eu juro Rose. – ele disse acariciando meu rosto e me dando um olhar suplicante.
– E além de Tasha? – eu ainda desconfiava.
– Não há ninguém Rose. Você é a única mulher na minha vida. Eu vim até aqui hoje porque eu não aguentava pensar que você estava com raiva de mim. O que eu tenho que fazer para provar isso?
Eu sabia que ele dizia a verdade, eu podia ver isso nos seus olhos. Olhando para ele parecendo tão sério e preocupado acendeu um fogo em mim. Eu senti falta dele. Ele deve ter visto a mudança nos meus olhos porque ele me puxou pelo pescoço de encontro aos seus lábios. Minhas mãos foram automaticamente para seus cabelos enquanto eu me apertava mais a ele.
– Você fica ainda mais bonita quando está com ciúmes. – ele disse entre os beijos. Eu me afastei.
– Eu não estou com ciúmes. – ele levantou uma sobrancelha. – Porque as pessoas continuam dizendo isso? Eu estava com ciúmes. Pronto. Satisfeito. Eu não podia suportar a ideia de você tocando outra mulher além de mim. – Dimitri sorriu mostrando todos os seus dentes perfeitos.
– Você é a mulher mais teimosa que eu já conheci. E eu jamais tocaria em outra mulher Roza, você é tudo o que eu quero. Estou até pensando em raptá-la agora mesmo. Podíamos viver na caverna. – ele soava divertido.
– E viveríamos de que?
– De amor. – ele disse me puxando para um beijo novamente. Desta vez mais urgente e pesado. – Eu não posso suportar vê-la com Adrian.
– Sinto muito sobre o beijo que você viu. – ele endureceu.
– Se você algum dia descobrir que tem sentimentos por ele, apenas me diga, eu iria me afastar sem questionar. Eu só quero o seu bem Roza.
– Ele está tentando tornar as coisas mais fáceis para nós dois. Mas não há sentimentos, pelo menos não da minha parte. O casamento está tão próximo, o que faremos Dimitri?
– Nós vamos dar um jeito nisso Roza. Nem que eu tenha que acabar com essa guerra com minhas próprias mãos. – Sua boca na minha era ainda mais urgente.
Eu ouvi passos se aproximando e me afastei.
– É melhor eu voltar antes que sintam minha falta.
– Eu vou procurar onde o Ivan está. Não quero ter que carregá-lo novamente. – ele disse rindo.
– É uma boa ideia. Eu vejo você nos nossos treinos daqui a dois dias.
– Desta vez você irá?
– Desculpe pela ultima vez. – eu disse envergonhada.
– Terá minhas desculpas em dois dias, quando me encontrar. – ele beijou minha testa e seguiu a passos rápidos pelo caminho contrario.
Voltando para o baile vi um guarda fazendo vigia no corredor, provavelmente o dono dos passos. Ele se curvou quando eu passei e continuou seu caminho.
Encontrei Lissa e juntas fomos até a mesa que agora estava mais vazia. Finalmente eu poderia provar todas essas delícias. Adrian ainda não tinha voltado e Lissa teve que conhecer um jovem chamado Aaron que Daniela queria apresentar. Sozinha novamente eu resolvi dar uma volta no jardim. Eu estava com falta de ar aqui dentro, precisa de ar fresco. Não entendia como essas mulheres conseguiam usar essas roupas.
Ninguém estava aqui, o que eu agradeci. Eu vagava ao redor de uma fonte mal iluminada quando senti dedos nos meus ombros apertando com força. Virei-me assustada e me deparei com os olhos azuis e marcados de rugas de Barton. Rapidamente tirei suas mãos de mim e me afastei.
– O que está fazendo aqui? – perguntei.
– Eu estava vigiando você princesa. – um arrepio passou por mim. E se ele tivesse me visto com Dimitri?
– Você é doente. – murmurei virando as costas e seguindo meu caminho para o interior. Esse homem me dava medo.
Assim que eu dei dois passos senti um metal frio tocar a lateral o meu pescoço, eu parei abruptamente.
– Eu não faria isso se fosse você. Vire-se. Agora. – sua voz rouca era autoritária.
Virei-me lentamente levantando minha mão em sinal de rendição.
– Muito bem. – ele manteve a espada apontada para mim enquanto sua outra mão descia pelo meu pescoço e passava por entre meus seios. – Você é tão bonita. Sabe, seu noivo não deveria ter dito aquilo. Agora eu quero fazê-lo pagar. E infelizmente você é o ponto fraco dele.
– Se você fizer alguma coisa contra mim estará cavando sua própria cova. – disse entre dentes.
– Eu aceito isso, mas antes eu quero prová-la. – ele se aproximava para me beijar, mas eu o acertei com um chute no meio das pernas e sai correndo. O ouvi murmurando de dor, e corri ainda mais. Antes que eu chegasse até a parte iluminada um enorme guarda parou na minha frente, me fazendo bater em sua armadura de ferro e cair para trás.
– Por favor, me ajude. Tem um homem louco que... – eu me interrompi quando ele se abaixou e me pegou pelo braço com força. Eu tentei me soltar, mas contra ele eu não tinha a menor chance. Ele me arrastou de volta até onde Barton estava no chão gemendo de dor.
– Sua vadia. Vai pagar por isso. – ele se aproximou e me deu um tapa, fazendo minha cabeça estalar para o lado. – Tape a boca dela Lord Dorin, não quero ninguém nos interrompendo. – Eu tentei me soltar de seu aperto de ferro enquanto ele tampava minha boca com sua enorme mão. Se ao menos eu tivesse uma espada para me defender. Eu senti mãos passando pelo meu corpo, e beijos sendo colocados no meu pescoço e colo. Lágrimas de raiva desciam pelo meu rosto. Eu tentava gritar, mas tudo saia como um murmúrio. Eu podia senti-lo abaixar as mangas do meu vestido para ter mais acesso ao meu corpo.
Eu estava sem esperanças quando ouvi um barulho de espada sendo puxada. Os braços ao meu redor me soltaram e o guarda caiu no chão com o pescoço cortado e jorrando sangue. Eu olhei para trás esperando ver a guarda real, mas ali estava apenas Dimitri lutando contra mais dois guardas do Barton. Os guardas não tinham a menor chance contra meu deus russo. Dimitri deu uma cotovelada na cabeça de um, enquanto esse estava desnorteado ele girou a espada cortando o pescoço do segundo. Assim que ele encarou o primeiro, que já estava recuperado, seus olhos tinha fogo, ele estava com muita raiva. Desviando dos golpes do guarda, ele mergulhou a espada em seu peito, retirando-a rápido e cortando-lhe a cabeça fora do corpo.
Assim que ele se acalmou e virou em minha direção seus olhos demostravam desespero.
– Roza, você está bem? – ele se aproximou me puxando para seus braços.
– Estou bem agora. – disse abraçando-o e sentindo seu cheiro familiar.
– Sinto muito que algo assim aconteceu, se eu tivesse chegado um pouco mais cedo. – seus olhos mostravam ternura e amor.
– Não aconteceu nada, você chegou na hora certa. – me agarrei ainda mais a ele.
– Oh Roza. Eu vou matar o desgraçado do Barton. – Suas mãos estavam em punho e ele tremia, eu nunca o tinha visto assim.
– Onde ele está? – olhei para os lados encontrando apenas escuridão.
– Provavelmente fugiu enquanto eu estava distraído com seus guardas. Ele não voltaria para o interior o castelo. – eu senti raiva e desejava sua morte também.
– Obrigada por aparecer aqui e me salvar.
– Eu farei qualquer coisa para mantê-la segura Roza, lembre-se. – ele se afastou um pouco para me olhar e passou o dedo delicadamente onde Barton havia me batido, provavelmente estava vermelho. – O que ele fez com você? – ele rosnou
Senti lágrimas se formando, mas as empurrei de volta.
– Ele queria deixar Adrian com raiva e estava me usando para isso. – eu não queria entrar em detalhes com medo de sua reação.
– Ele tocou em você? – ele insistiu. E eu resolvi dizer a verdade.
– Quando eu tentei fugir ele me bateu. Depois que o guarda dele me segurou eu sentia suas mãos e lábios pelo meu corpo. – Dimitri fechou os punhos e andou de um lado para o outro nervoso.
– Está tudo bem. Ele não fez nada mais do que isso, você apareceu a tempo. – eu segurei seu rosto em minhas mãos e o fiz olhar em meus olhos.
– Ele vai pagar por isso. – ele disse agora mais calmo.
– Rose! Rose, onde você está? – ouvi alguém me gritando.
– Estou aqui. – eu gritei.
Adrian apareceu acompanhado de mais oito guardas e quando viu quem era minha companhia, parecia muito surpreso.
– O que está acontecendo?
– O velho nojento do Barton aconteceu. Ele tentou me agarrar, se não fosse por Dimitri eu não sei o que teria acontecido. – Adrian olhou para Dimitri e parecia ainda mais surpreso.
– Você a salvou?
– Eu disse que estava aqui em paz. – ele disse presunçoso.
– Sendo assim, meus agradecimentos por defender minha noiva.
– Eu faria tudo de novo se fosse preciso.
– Os guardas vieram informar que Barton saiu às pressas pelos portões. Eu sabia que havia algo errado e quando vi que você estava faltando fiquei tão preocupado Rose. – Adrian me puxou para seu abraço e eu tentei parecer menos desconfortável possível. – Você está bem?
– Estou bem. – eu assegurei.
– Levem-na até seus aposentos. Acho que por hoje é o suficiente. Descanse pequena princesa, eu vou ver como está mais tarde. – assenti e segui três guardas, mas não sem antes sorrir para Dimitri.
Pedi para tomar um banho. Eu me sentia suja em pensar que aquele velho teve suas mãos em mim. Eu esfregava minha pele com uma esponja até que ficasse vermelha. Quando eu achei que era o suficiente me vesti e segui para o quarto. Sentada na minha cama estava Lissa, ainda com as roupas luxuosas do baile.
– Rose, estava preocupa. Como você está? Adrian me contou o que aconteceu. – ela veio ao meu encontro me abraçando.
– Eu só precisava de um banho, estou bem.
– Eu nunca gostei daquele velho. Há dois anos ele me queria como sua esposa, eu tive sorte que meus tios não aceitaram. Ele já foi casado mais de quinze vezes. Sempre com moças bem mais jovens que ele. Eu não deveria me sentir feliz por sua morte, mas estou. – choque correu por mim.
– Ele está morto? O que aconteceu?
– Os guardas reais foram atrás de sua carruagem, mas a encontraram abandonada e seu corpo todo ensanguentado lá dentro.
– Eles não sabem quem é o responsável?
– Eles acham que foram os cavaleiros da Alvorada. Ninguém mais faria algo assim. – eu conhecia alguém.
– Dimitri estava aqui hoje. Ele me salvou e jurou que mataria Barton. Poderia ter sido ele?
– Pelo que eu ouvi foi um trabalho em grupo, ele não faria isso sozinho. Havia muitos guardas com o duque. Provavelmente foi apenas coincidência.
Eu assenti. Algo me dizia que Dimitri estava envolvido nisso. Eu só não esperava que da forma que eu estava imaginando.
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