A Guerra Do Amor
6 O penhasco
Notas iniciais
Capítulo 6 — O penhasco
Se arrependimento matasse, eu com certeza estaria a sete palmos de chão.
Porque eu não havia pegado uma capa para me aquecer? Agora eu me lembro, foi porque a única coisa que estava na minha cabeça é que em breve eu estaria olhando para lindos olhos castanhos. E agora eu estava com frio. Na verdade muito frio. Eu andava o mais rápido me meu vestido permitia por entre as árvores do bosque. Nesse momento o frio era o que menos importava.
Quando cheguei ao lugar combinado, Dimitri estava sentado de costas, na mesma pedra em que nos beijamos. Seu cavalo estava ao lado, amarrado em uma árvore. Ele olhava para o céu, parecia perdido em seus pensamentos e eu tive vontade de saber o que ele pensava.
Ele ouviu o baralho do meu andar e se virou rápido desembainhando sua espada . Assim que ele me viu, deu um enorme sorriso, como sempre convencido e guardou a espada no cinto.
– Sabia que você viria. – A forma de ele dizia o R me dava arrepios.
– Olá pra você também. – Ele se aproximou e pegou minha mão na sua a levando aos lábios sem tirar os olhos dos meus.
– Estou tão feliz em vê-la de novo Rose, você não faz ideia, essa noite mal dormi de ansiedade para vê-la novamente. Estou feliz que você veio. – eu corei. Porque ele continuava fazendo isso?
– Não se gabe Dimitri, eu vim pela adrenalina. Sabe o trabalho que da chegar até aqui sem ser vista por todos aqueles guardas? É muito mais emocionante que ficar no quarto bordando meu enxoval. Espero que você faça valer todo o esforço – ele levantou uma sobrancelha pra mim e se possível ele ficou ainda mais bonito.
– Você não vai se arrepender. Eu prometo – ele estendeu a mão pra mim – Vamos? Quero te mostrar um lugar. – aceitei sua mão e ele nos guiou até seu cavalo. E como da última vez ele me manteve bem próximo do seu corpo quente enquanto seguíamos mais adentro do bosque. O silêncio entre nós não era algo estranho e constrangedor, era natural e bom. Mais eu estava ficando ansiosa porque nunca chegávamos.
– Onde estamos indo? – perguntei acho que pela décima vez.
– Você já vai ver. – essa era sempre sua resposta.
Depois de passarmos por todo bosque nos deparamos com um enorme penhasco aberto e eu podia ouvir o baralho do mar furioso batendo nas rochas. Aqui o vento gelado não tinha um obstáculo e eu me encolhi ainda mais nos braços do homem ao meu lado. Ele deve ter percebido, pois passou um braço a minha volta e me puxou ainda mais perto.
– Estamos aqui. – Ele disse descendo do cavalo primeiro e me ajudando em seguida.
– É isso? Você me trouxe pra ver um penhasco? Eu acho que eu deveria ter ficado com os enxovais e... – ele não me deixou terminar, porque gentilmente pegou meu queixo e o virou em direção ao mar me deixando sem fala.
– É lindo! – foi tudo que eu conseguir dizer. O sol estava começando a se deitar e o céu estava manchado de laranja, vermelho e roxo. Tinhamos uma vista privilegiado, era mágico. Quando eu finalmente voltei meus olhos pra ele vi que tinha um sorriso convencido no rosto.
– Se quiser posso leva-la de volta minha donzela, já que seus enxovais são tão interessantes. – ele disse sorrindo de brincadeira.
– Pensando bem, eu não posso privá-lo da minha companhia. Seria egoísmo.
– Claro que não pode. – Ele tirou uma manta de pelos que estava amarrada na cela do cavalo e a colocou no chão me chamando para me sentar ao seu lado. – Vamos apreciar o espetáculo.
Depois de tirar a capa que o aquecia e colocar sobre meu pequeno corpo ele me puxou para os seus braços e nos sentamos lado a lado. O frio foi todo substituído por seu calor.
Enquanto assistíamos ao fim de mais um dia, ele me contou sobre sua família. Ele idolatrava sua mãe Olena Belikova. Disse que tinha três irmãs, duas delas mais velhas e que já eram casadas e tinham filhos. A mais nova, Viktoria, segundo ele era muita parecida comigo, ela havia fugido duas vezes com um camponês chamado Nikolai por quem era apaixonada. Mas durante a última fuga seu pai Victor os capturou e mandou que matassem Nikolai. Eu senti um aperto no coração pensando que isso poderia acontecer com Dimitri.
Eu falei sobre minha mãe com ele. Contei sobre Christian e nossas aulas e quando cheguei à parte do meu pai, ele fechou os punhos e parecia com raiva, então decidi mudar de assunto.
– Então você é o próximo herdeiro do trono do seu pai?
– Sou. – foi tudo o que ele disse. Percebi que ele não tinha uma boa relação com o pai.
– Você e Victor não se dão bem não é? É por isso que você fica tão pouco no castelo. – ele pareceu surpreso por eu saber tanto sobre ele.
– Rose, você me surpreende cada vez mais. Como você sabe essas coisas?
– Eu apenas sei. Eu olho nos seus olhos e sei. – ele sorriu e passou os dedos delicadamente pelo meu rosto, como se me guardando em sua memória.
– Eu não concordo com as atitudes dele. O meu povo passa fome. O inverno chegou e pessoas vão morrer de fome e frio enquanto ele foge pro seu castelo de inverno e não faz nada. Eu quero mudar isso Rose. – ele novamente fechou os punhos com raiva. Tentando acalmá-lo peguei sua mão na minha.
– Ei, você será um rei incrível um dia Dimitri. Você é bom para os outros. E eu amo isso em você. É incrível o quão altruísta você é.
– Mas eu não tenho feito o suficiente ainda. – ele parecia triste.
– Você não pode segurar o mundo em suas mãos Dimitri. Pra mim, você está fazendo o suficiente.
– Ah, Rose. O que eu fiz pra merecer alguém como você na minha vida? – ele me puxou para um abraço e enterrou seu rosto no meu cabelo, cheirando ali. – Você já ouvi falar nos Cavaleiros do Alvorecer?
– Sim, pelo que eu ouvi é um grupo de cavaleiros desconhecidos que assaltam caravanas nobres e distribuem as riquezas aos pobres. Estou certa?
– Eu ouvi isso também. O que pensa deles? – ele me olhava intensamente, minha resposta parecia importar pra ele então resolvi ser sincera.
– Bem, eu sei que a iniciativa deles é nobre, mas eu não sei se essa é a melhor forma de resolver as coisas. A família de uma amiga chamada Lissa foi morta por esses cavaleiros, eles não são organizados, pessoas inocentes morrem na mão deles. Pra mim não passam de ladrões. – ele parecia triste. – Eu disse alguma coisa errada?
– Não, não. — ele respondeu rápido. -Obrigada por ser sincera. – ele me deu um sorriso triste.
Eu sabia que ele queria falar mais alguma coisa, estava escondendo algo. Mas achei melhor deixar, ele me falaria quando estivesse pronto.
Quando o sol havia ido completamente Dimitri me levou de volta ao castelo. Eu mostrei a entrada secreta e ele me deu um sorriso de tirar o folego.
– Eu posso tirar proveito disso.
– Só se você quiser ser morto. Por favor, Dimitri fique longe das fronteiras do castelo. Você não sabe do que Abe é capaz.
– Eu sei do que ele é capaz e não se preocupe comigo, vou me manter seguro. – depois disso ele me puxou pra ele, nosso rosto a centímetros de distância. Eu tinha que erguer o rosto pra olha-lo devido a nossa diferença de altura. Dimitri era o homem mais alto que eu conhecia. – Amanhã eu vou te surpreender com algo. Apenas espere.
– Estarei esperando. – Com isso nossos lábios se encontraram em um beijo cheio de paixão e fome. Eu estava tendo dificuldades em me manter nas pontas dos pés, o que não passou despercebido por Dimitri. Ele me pegou pela cintura e me levantou até que eu estava em seu nível, aproveitei para abraçar seu pescoço. Quando nosso beija estava se tornando muito aquecido, ele se afastou respirando rápido. Depois de me colocar no chão ele beijou minha testa gentilmente e se despediu.
– Até nosso próximo encontro Roza.
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