A Guerra Do Amor
4 O encontro
Capítulo 4.
O encontro.
Durante a tarde, meu pai e Adrian foram novamente ao vilarejo. Adrian teria de se tornar amigo do povo para ser o rei. Era minha oportunidade de ir até a floresta aprender mais sobre ataques de guerra com meu professor Christian. Ele era o chefe guerreiro do meu pai. Eu vesti uma calça preta de couro com uma camisa branca de mangas compridas e largas, afinal, não dão para se cavalgar corretamente de vestido. E coloquei minha bota. Pedi a Alberta que avisasse Cristian para me esperar no local de sempre.
Sai sem que ninguém me visse. Era uma tarefa difícil, afinal o castelo era todo vigiado. E corri em direção à floresta. Christian havia feito uma abertura pela muralha logo abaixo do lago aonde quase ninguém ia, e a cobríamos para que não fosse descoberta, este era o único jeito de entrar ou sair do castelo sem ser pelo portão principal, sempre vigiado por muitos guardas. Bastou eu andar um pouco adentro, para encontra Christian. Ele dava medo á qualquer um, era alto e muito forte, cabelos muito escuros e os olhos mais azuis que eu já havia visto.
Eu sempre contava tudo a ele, e vice-versa. Éramos como melhores amigos.
Ele me esperava como sempre com um sorriso no rosto. Veio ate mim, me abraçou, beijou minha mão, e disse:
– Olá, minha princesa Rosie.
– Eu juro, você é o único que pode me chamar assim e viver pra contar a história. – e era verdade, eu odiava esse apelido. Ele só balançou a cabeça em concordância.
– O dia está ótimo para cavalgar, o que acha?
– Tenho esperado por isso a semana toda. – disse ansiosa.
Ele se virou, e de trás de uma árvore tirou meu cavalo Snow. Ele era branco como a neve, por isso seu nome combinava totalmente.
Ele me ajudou a montar.
– Não vá muito longe Rose. Inimigos estão constantemente passeando por nossas terras.
Eu pisquei para ele sorrindo e sai em disparada.
Há tempos não cavalgava. Eu corria por entre a floresta. Meu cabelo acompanhava o movimento do vento. Deparei-me com um lindo e enorme campo de lavandas. O vento batia sobre as flores, deixando um perfume inexplicável. Borboletas amarelas bailavam por sobre as flores. Comecei a galopar pelo campo. Jogava a cabeça para trás sentindo o vento em meu rosto.
De repente, Snow se assustou com algo que se mexia na floresta ao redor.
– Calma garoto. – passava a mão pelo seu pescoço.
Mas não adiantou. Ele ficou inquieto e começou a pular e a correr em disparada. Tentando soltar meu pé preso eu perdi o controle e acabei caindo. Ele continuou a correr e sumiu por entre as árvores da floresta.
Olhei para os lados, nada. Estava tudo deserto. Na hora não percebi a dor no tornozelo, mas logo sentia um desconforto. Tentei levantar-me e sai mancando, havia uma torção.
Estava começando a me preocupar. Cristian até me acharia, mas levaria tempo, pois havia ido longe. Porque foi que não o ouvi? Continuei andando, muito lentamente por sinal. Até que avistei alguém se aproximando. Seria um inimigo? Eu pensei em esconder, mas visto que ele já tinha me visto coloquei minha melhor cara de mal.
Ele estava vindo em minha direção com um cavalo marrom. E pela primeira vez pude ver ser rosto. Que por sinal, eu poderia dizer que era muito bonito, os ossos de seu rosto eram bem definidos, com uma pele bronzeada, seus cabelos castanhos quase na altura dos ombros balançavam com o vento. Tinha um sorriso encantador. E tinha o corpo musculoso, sinal de ser um guerreiro. E quando ele parou ao meu lado, pude ver seus intensos olhos castanhos. Ele passou a mão no cabelo e disse.
– Está tudo bem? — me olhava meio desconfiado e sua voz era sedutora e forte.
– Está. – respondi e continue andando.
Ele começou a rir e me seguia.
– O que há de engraçado?
– Não parece que as coisas estão bem.
– Engano seu. Só estava dando uma volta.
– Tão longe qualquer habitação?
– Eu gosto de andar. – respondi arrogante e irritada. Porque ele só não ia embora.
– Qual seu nome? – dessa vez ele desceu do cavalo e passou a puxá-lo enquanto me acompanhava a pé.
– Rose.
– O meu é Dimitri. – disse sorrindo.
– Eu não perguntei. – Por incrível que pareça ele deu um sorriso ainda maior e ignorou meu comentário.
– Quer uma ajuda para chegar ao vilarejo?
– Eu não moro no vilarejo, moro no castelo, logo ali. — apontei
Ele fez cara de espanto.
– Você é a princesa Rose? Filha do rei Ibrahim?
– Sim. – respondi como quer não quer nada. Ótimo, agora ele vai achar que eu era uma donzela em perigo.
–Nossa, agora estou ainda mais surpreso.
– E deveria?
– Bem, não estou acostumado a ver uma princesa andando pela floresta sozinha. Não me culpe.
– A verdade é que eu estava cavalgando. Mas meu cavalo se assustou e eu acabei caindo. Depois ele sumiu no meio da floresta.
Sua expressão novamente era de surpresa.
– Não sei se pergunto se você está bem, ou por que uma princesa cavalgava sozinha por ai.
– Te ajuda se começar pela primeira.
– Tudo bem. Princesa, você está bem? Machucou-se? Está ferida? Precisa de ajuda? — achei graça do modo como ele falou, o pior é que ele parecia estar gozando da situação.
– Estou bem. Acho que só torci o tornozelo.
Agora sua expressão era de preocupação.
– Não sabia que tinha se machucado, achei que estava tudo bem. Desculpe-me a gozação. Faço questão de ajudá-la. Com licença. -Ele abaixou-se e pegou-me no colo.
– Onde está me levando? – tentei sair de seus braços fortes.
– Para o seu castelo, não vou raptá-la, mesmo esta sendo minha vontade. – Então ele começou a rir sozinho.
Ele me sentou de lado no cavalo, e montou. Com um braço, ele me segurava firme e com o outro guiava o cavalo. Achei que não haveria mal em aceitar a carona. Meu pai podia chegar logo e não me encontrar no castelo, isso sim seria um desastre.
– Agora a segunda pergunta, porque estava cavalgando sozinha? – ele quebrou o silencio.
– É meio complicado.
– Estou sem pressa e sou um bom ouvinte. – ele sorriu me dando confiança.
– Na verdade, não é nada demais. Apenas gosto de cavalgar, me sinto bem. Meu professor é o guerreiro chefe do meu pai, que, aliás, não pode saber disso, quero dizer, meu pai não pode ficar sabendo. — Meu olhar era meio implorador.
– Por mim ele nunca ficará sabendo.
– Obrigada Dimitri.
– Aliás, você não precisa se preocupar, durante um bom tempo não vou nem se quer trocar diálogos com seu pai.
– Não entendi, por que não? – Eles se conheciam? Eu estava ferrada.
– Porque ele e meu pai estão em guerra.
– Você é filho do rei Victor? — não conseguia acreditar, era tudo bom demais para ser verdade.
– Eu preferia não ser.
Não poderia acreditar quem ele era filho. Se meu pai soubesse que estive de conversa com ele, com certeza se decepcionaria muito comigo. Algo no meu rosto deve ter entregado meus pensamentos porque ele logo disse.
– O que aconteceu? Não se sente bem conversando comigo? – ele parecia ofendido.
– Seu pai tentou matar eu e ao meu pai, tem noção disto?
– Sim, eu sei. Briguei com ele por isso. Mas sou diferente, pode acreditar.
– Nossos pais estão em guerra Dimitri. Você ser diferente não muda nada.
– Mas nós não precisamos estar em guerra Rose, não vamos deixar que nossos pais falem por nós.
Um silêncio se seguiu, não sabia o que responder, então falei a única coisa que perturbava a minha cabeça.
– Nem sei o que estou fazendo em um cavalo de um desconhecido se estou noiva.
Eu queria estar perto dele, me sentia bem, segura. Mas infelizmente eu já era comprometida e estar nessa situação com outro homem não agradaria Adran.
– Você ama seu noivo?
Ele me pegou de surpresa. Não acreditava na sua falta de senso, mal havíamos nos conhecido, e ele já estavam fazendo perguntas pessoais demais . Não queria admitir isso mas , eu realmente não amava meu noivo.
– Como pode dizer isto? Você mal me conhece e já faz perguntas desse tipo. Olha me desculpa, mas não pretendo responder sua pergunta. — Desviei o olhar.
– Mil perdões, não queria deixar essa impressão, eu meio que não pude controlar minha boca, foi como um pensamento alto. Me desculpe. – ele parecia sem jeito.
– Sendo assim tudo bem. – Dei um meio sorriso. Ele realmente parecia sincero, e apenas curioso.
– Ótimo, me sentirei muito mal me desentendendo com você. Você é diferente Rose, tem personalidade própria, e vejo que é forte.
Admito que gostei bastante das suas definições á mim. Ninguém nunca havia me dito isso antes, nem mesmo meu noivo. O pensamento passou por mim, como uma martelada na cabeça. E assim como Dimitri , meus pensamentos foram ditos sem querer.
– Talvez, você tenha razão, essa guerra não precisa nos tronar inimigos, pelo contrario, amigos.
Quando eu vi, as palavras flutuavam ao meu redor, eu havia dito isso mesmo? Não conseguia entender, como eu poderia estar tão mexida com um cara que acabo de conhecer ?
– Isso quer dizer que você não resistiu ao meu charme, mesmo nossos pais estando em guerra? – ele ria alto e gostoso, o que fez meus ouvidos tremerem.
– Você é muito convencido Dimitri. Posso fácil retirar o que eu disse. – disse pausadamente.
Ele voltou a rir o que me fez esquecer por um estante todos os problemas que me rodeavam.
– Não sou convencido, só tenho confiança em mim mesmo. – ele deu um sorriso convencido
– Essa grande confiança é o que eu chamo de convencimento. – Lhe dei um olhar de sarcasmo e vi que nos aproximávamos de castelo — Siga em frente mais um pouco, é onde Cristian estará me esperando.
– Certo. – ele ainda estampava seu sorriso convencido.
Caminhamos em silêncio e logo chegamos aonde Cristian estava. Assim que nos viu, ele correu em nossa direção, e estava mais branco que a recém-neve caída do inverno.
– Ai deus! Rose você está bem?
–Estou. Se acalme Christian, está tudo bem.
–Christian. Quanto tempo que a gente não se via meu amigo.
– Dimitri, nossa! Faz tempo mesmo, estou surpreso e feliz em vê-lo aqui.
– Vocês se conhecem? – eu perguntei perdida na conversa que eles estavam tendo.
– Treinamos juntos uns anos atrás. – Christian e Dimitri disseram juntos.
– Rose seu cavalo acabou de chegar sem você, fiquei em desespero. E já estava saindo a sua procura.
– Está tudo bem Christian. – eu assegurei novamente. — Snow se assustou e eu caí. Por sorte Dimitri apareceu.
– Sim, sorte que foi Dimitri. Se fosse um ladrão ou pior? Eu estaria morto se algo acontecesse com você.
–Só acho que torci o tornozelo quando caí. – disse sem jeito.
– Depois você diz que está tudo bem, seu pai me mata, ainda mais fazendo tudo sem seu consentimento.
– Não se preocupe, ele nunca vai saber, e não deixaria que te matassem.
Christian me desceu e me sentou em uma pedra. Dimitri desceu atrás e disse:
– Christian, você a leva em segurança ao castelo?
– Este é o meu dever.
– Ótimo, assim fico mais tranquilo.
Eu sorri para ele. Perto dele eu sentia algo que nunca senti perto de ninguém.
– Rose, é melhor irmos antes que seu pai volte. Vou pegar Snow ali na frente e já volto.
– Tudo bem – eu disse.
Quando Christian já estava um pouco longe Dimitri se aproximou, se abaixou em minha frente e pegou minhas mãos as levando até a altura de seu, olhou em meus olhos e disse:
– Quero vê-la de novo princesa. Eu preciso vê-la novamente.
– Eu estou noiva Dimitri. – odiava lembrar-se disso toda hora.
– Me encontre aqui, nesse mesmo horário amanhã.
– Não sei se consigo, aliás, nem deveria. Se descobrirem te matam, e eu não quero isso.
Minha vontade era dizer sim, encontrá-lo novamente não só amanhã, mas todos os dias.
– Vou esperá-la aqui, seja qual for sua decisão.
Ele deslizou sua mão levemente pelo lado do meu rosto e eu fechei os olhos, sentia sua mão quente sobre minha pele fria. Abri os olhos, sorri para ele. Ele sorriu de volta. Queria que ele ficasse assim pra sempre, meu coração pedia isso, mas minha cabeça negava o tempo todo. Ele se aproximou mais de mim, sentia minha a respiração e coração se acelerando cada vez mais. Ele desceu a mão pelo meu pescoço e me puxou para seus lábios. E nos beijamos. Gentilmente. Sentia uma explosão dentro de mim, quanto mais o tinha, mais o queria. Eu pensava em como aquilo era errado, e em como era bom e certo. Ele deslizou sua mão pela minha cintura e eu me senti arrepiar. Fomos parando devagar. Quando finalmente abri os olhos, vi que ele sorria. Eu não acreditava no que havia acabado de acontecer.
– Você não devia ter feito isto.
– Eu sei, me desculpe. — Ele parecia arrasado. — Eu não pude me controlar, se eu não fizesse isto enlouqueceria. Não me arrependo. Mas você está zangada?
Balancei a cabeça e disse:
– Não. Mas sinto que deveria estar.
Ele sorriu de alívio.
Ele já estava se levantando. E como ele disse, eu sentia o mesmo não podia me controlar, era mais forte que eu. Eu desejava um homem pela primeira.
– Dimitri, espere. – ele se virou, e desta vez eu que o puxei para meus lábios.
E nos beijamos novamente, mas desta vez era algo mais desesperado, faminto.
– O que aconteceu com, você não deveria ter feito isto? – ele sorria.
– Isso nunca deveria ter acontecido, eu nunca deveria tê-lo encontrado, agora estou confusa e não sei o que fazer, nem consigo pensar direito .- eu apertava minhas mãos no meu rosto, tentando esconder meu desespero. Eu nunca havia beijado ninguém antes e meu primeiro beijo foi com um homem que não era meu noivo.
– Me sinto magoado com você falando assim, é como se você não quisesse me conhecer.
– Me perdoe, não quis me expressar assim, eu quis dizer, que foi tão bom te conhecer que me sinto confusa com isso, nesses momentos a gente tenta evitar problemas, e você definitivamente é um problema.
Ele fez uma cara de que tudo que eu disse não adiantou nada. Então acrescentei.
– Um problema pro meu coração.
– Por favor, venha me encontrar amanhã. Eu prometo que me comporto
– Vamos princesa? – Christian apareceu nos interrompendo e não pude responder.
– Até mais ver princesa, foi uma honra acompanha — lá. – ele se levantou beijando minha mão docemente.
Montou em seu cavalo, piscou para mim, e novamente deu seu sorriso convencido e percebi que aquele era seu sorriso usual. Isso me fez rir sozinha. Então ele sumiu por entre as árvores. Christian me olhava desconfiado.
– O que eu perdi aqui?
–Não perdeu nada. – disse com um sorriso.
–Então está corada a toa? Ninguém te faz corar Rose.
Ele tinha razão, ninguém nunca me fazia corar ou me deixava sem palavras.
– Vamos Christian. – sorri pra mim mesma e fiz meu caminho de volta ao castelo.
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