A Guerra Do Amor
22 Norton
Notas iniciais
Capítulo 22 — Norton
Eu acordei com uma batida suave na porta.
– Entre. – eu resmunguei me sentando e me esticando como um gato.
A porta se abriu para revelar Celeste com seu sorriso gentil de costume.
– Oh! Eu te acordei me desculpe Rose. – ela já estava dando meia volta.
– Não tem problema, eu já tive o suficiente de sono.
– Bem, eu trouxe suas roupas. Elas já estão todas secas. – ela disse colocando um amontoado de tecidos dobrados na poltrona ao lado.
– Isso foi muito gentil, obrigada.
Eu me levantei e ela me ajudou a vestir. Aquele vestido tinha tantos laços no corpete que era quase uma tarefa impossível colocá-lo por conta própria.
– Todos já estão acordados? – eu perguntei, mas apenas um nome me veio à cabeça.
– Sim, os rapazes estão tendo a refeição da manhã. Depois eles irão preparar os cavalos para partimos.
A velha, dona da hospedaria, nos trouxe uma bandeja com torradas, manteiga, pães, frutas e um bule quente de chá. Celeste e eu aproveitamos nossa refeição no quarto.
– Já está pronta para partir? – ela perguntou uma vez que as tigelas já estavam todas vazias.
– Sim. Nós podemos ir. – eu poderia me acostumar a viver aqui com eles. Eu não tinha uma noite tão divertida há muito tempo. Mas eu tinha responsabilidades da qual não podia fugir. Meu povo vinha em primeiro lugar.
No estábulo da estalagem encontramos os homens terminando de amarrar os suprimentos para a viagem. Assim que Dimitri me viu ali abriu um sorriso e veio na minha direção, me puxando para um abraço quente e beijando a minha testa.
– Como foi a sua noite? – ele perguntou acariciando meu cabelo.
– Poderia ter sido melhor. – eu respondi com um leve tom de desafio.
– Não sabe como foi difícil resistir a vontade de invadir o seu quarto no meio da noite.
– Celeste não ficaria muito feliz. – ele riu.
– Ela teria me arrastado de volta pela orelha.
Nos dois rimos e nos viramos para ver Celeste nos olhando intrigada.
– O que acontece agora? – essa pergunta tinha muitas interpretações e respostas diferentes. Dimitri resolveu seguir pela mais fácil.
– Eu vou levá-la de volta para o castelo, em segurança.
– Não podemos passar no acampamento do meu pai? Estamos tão próximos. – eu disse esperançosa.
– Celeste e Yuri irão para lá. Eles notificarão seu pai a respeito do seu paradeiro. Eu não quero arriscar sua segurança Roza, soldados russos ainda podem estar na região procurando por você. É o local mais provável que você iria.
– Você tem razão. – eu assenti. Eu não ia mais arriscar por agora.
Um tempo depois estávamos todos prontos para partir.
– Cuide bem da Rose, Dimitri, se não você irá se ver comigo mais tarde. – todos riram e Dimitri pareceu não se abalar pelas palavras.
– Eu vou cuidar dela com a minha própria vida. – ele prometeu sorrindo na minha direção.
– E quanto a você Rose, eu sei que irá fazer a coisa certa. E tenho certeza de que nos encontraremos em breve. – ela me abraçou e disse no meu ouvido apenas para eu ouvir. – Dimka é um homem e tanto. Não o deixe escapar por entre seus dedos. – O que ela queria que eu fizesse? Dimitri e eu não poderíamos ficar juntos, nós dois já tínhamos aceitado isso. Insistir só complicava ainda mais a situação.
Yuri também me abraçou e desejou boa sorte. Seguimos em direções contrárias depois disso.
Eu ainda dividia a cela com Dimitri. Seus braços permaneciam à minha volta o tempo todo. A neve tinha voltado a cair essa manhã, se acumulando nas nossas roupas e derretendo. Eu tinha sorte de ter todos esses músculos disposto a me aquecer com calor corporal.
– Quanto tempo ainda temos de viagem? – o sol fraco já tinha passado do seu ápice. Dimitri decidiu seguir pela floresta, onde era mais seguro. E aqui eu não tinha noção nenhuma de onde estávamos.
– Devemos chegar ao anoitecer. – Dimitri respondeu. – Antes vamos passar no vilarejo de Norton para comer algo e descansar. O pai do Eddie é o senhor daquelas terras, seremos muito bem vindos lá.
– Será uma honra ter a princesa de Teremur pisando naquelas terras. – eu sorri para Eddie, mesmo achando suas palavras um exagero.
A verdade é que eu gostei da ideia. Eu nunca tinha visitado um vilarejo antes. Mesmo tendo um ao lado do castelo, meu pai nunca permitiu que eu saísse por aqueles lados. Eu sabia que era tudo por medo. Ele tinha perdido todos aqueles que ele amava, eu era a única que ainda restava. Eu não podia me imaginar perdendo-o e sabia que o sentimento era mútuo.
...
Eu agradeci quando enfim achegamos ao vilarejo de Norton, minhas pernas já estavam doloridas de passar tanto tempo em uma cela.
– Seja bem vinda a minha casa princesa. – Eddie interrompeu minhas lamentações pessoais.
Guardas vigiavam um enorme portal que dava entrada para a vila completamente fechada, e assim que reconheceram Eddie permitiram nossa passagem rapidamente.
Conforme atravessávamos as ruas movimentadas íamos atraindo a atenção dos moradores. Eu ouvi sussurros deles se perguntando quem eram os novos visitantes desconhecidos. Eu não podia culpá-los por não me reconhecerem, as condições em que eu me encontrava não eram dignas de uma princesa.
Paramos em frente a uma casa de madeira de dois andares. A construção era rústica e das chaminés saiam uma fumaça enegrecida. Eu imaginei que essa fosse a casa do senhor Ewan Castille, pai de Eddie.
Dimitri desmontou primeiro para logo depois me pegar pela cintura, colocando-me no chão.
Uma moça loira, que eu diria ser a versão feminina de Eddie estava parada a porta com uma mulher. Elas tinham sorrisos gentis e empolgados.
Eddie correu para abraçá-las enquanto sussurrava palavras doces. Dimitri me deu um leve empurrão nas costas indicando que eu deveria seguir os passos do seu amigo.
– Princesa Rosemarie, é uma honra recebê-la em nossa casa. – as duas mulheres se curvaram em um arco elegante.
– Obrigada por nos receberem em sua casa senhoras Castille. A honra é minha sabendo que estou presente nas terras de uma das famílias mais hospitaleiras do reino. – Eu usei toda a educação vinda da corte que Alberta me ensinou. Eu tinha estudado a genealogia das famílias nobres, meu pai dizia que era importante manter boas relações com os senhores de terras. Mesmo que tenha sido uma tarefa um tanto chata, eu sabia que era necessária. – Mas onde está o senhor Castille? – perguntei educadamente. Dimitri parecia surpreso e eu não pude evitar rir internamente. Ele achava que eu era um gato selvagem o tempo todo?
– Minhas desculpas pela ausência princesa, mas o senhor meu marido partiu essa manhã para uma caçada, o rei Ibrahim o convocou para a guerra e antes que partisse ele queria fazer o que mais gosta. Até que ele volte eu estou como senhora responsável pelo vilarejo. – Eu acenei em entendimento.
Eu não perdi Eddie murmurando uma baixa maldição. Parece que ele não estava feliz de ser deixava para trás na caçada.
– É um prazer recebê-lo novamente príncipe Belikov. – a senhora se virou para o russo ao meu lado.
– E novamente o prazer é todo meu. – Eu não pude deixar de notar o sorriso de admiração que a irmã do Eddie lançava para Dimitri. Inconscientemente minhas mãos se fecharam em punhos, irmã de um amigo ou não era bom ela não se atrever a se aproximar dele.
Eu vi a senhora Castille dizendo alguma coisa, mas eu tinha a atenção em certa loira com olhos doces e apaixonados. Eu senti mãos quentes envolvendo as minhas, as forçando a relaxar de volta. Dimitri.
– A senhora Catille nos convidou para entrar e se aquecer Rose. – Dimitri disse no meu ouvido, sua voz tinha um leve toque de diversão.
Todos estavam olhando para nós, esperando pela minha resposta.
– Isso seria muito agradável senhora Castille. – me forcei a dizer.
Fomos levados para uma sala com uma grande mesa e lareira. O ambiente era completamente quente e acolhedor.
Eu enruguei o nariz quando a loira se sentou de frente para Dimitri, e parecia que ele era muito mais interessante que a sua refeição.
– Eu já disse que eu adoro quando você está com ciúmes? Você fica ainda mais bonita. O que eu achava ser impossível. – Dimitri disse perto do meu ouvido. Todos agora estavam imersos em suas próprias conversas de família.
– Você deve estar se divertindo muito não é? – Eu rosnei apenas para ele ouvir. Eu tinha que admitir que a moça era bonita, qualquer homem se sentiria lisonjeado sob seus olhares.
– Roza, eu achei que já estivesse claro que eu só tenho olhos para você. – meu coração sempre dava uma guinada quando ele falava palavras doces, eu acho que nunca me cansaria.
– E ainda sim você sorri de volta pra ela, não vê que ela está se derretendo com suas ações. – eu estava descontando minha raiva nele, afinal, ele era o culpado por ser estupidamente bonito.
– Roza, Lea é irmã de um amigo, estou apenas sendo gentil. – eu nem comentei sobre ele usar o primeiro nome dela.
– Assim como você foi gentil comigo quando nos conhecemos. – eu continuei.
– Ela não chega nem perto de despertar o que você despertou em mim quando eu coloquei os olhos em você minha doce Roza. – suas mãos se encontraram com as minhas debaixo da toalha de linho, fazendo movimentos na minha palma. Ele sabia que isso me acalmava. – Eu seria um idiota se eu trocasse você por qualquer outra mulher. – eu não resisti deixar um sorriso de felicidade brotar no meu rosto.
– Mesmo assim eu ainda estarei de olho. – me desvencilhei de suas mãos e lhe dei um olhar de aviso.
– É claro que estará. – ele deu um sorriso divertido.
Para garantir eu continue dando olhares hostis na direção da loira.
Depois que terminamos a refeição eu pedi que Dimitri me acompanhasse em um passeio. Eu queria conhecer um pouco mais do que estava por fora das muralhas do castelo.
Andávamos lado a lado nas ruas do vilarejo, e agora as pessoas pareciam finalmente me reconhecer. Alguns vieram desejar boa sorte na guerra e outros eram apenas curiosos sobre a minha presença ali.
– Princesa Rosemarie. – um casal nos parou se curvando em respeito. – Viemos desejar boa sorte aos seus cavaleiros, que essas sombras deixem o nosso reino o mais rápido possível. – o homem disse.
– Em nome dos cavaleiros eu agradeço por suas palavras gentis. – eu sorri tentando ser simpática com o meu povo. – E garanto que farei o que estiver ao meu alcance para trazer a paz novamente.
O casal pareceu satisfeito com minhas palavras.
– Será uma grande rainha um dia minha senhora, se me permite dizer. – a mulher tinha os olhos brilhando em admiração.
– Eu tenho certeza disso também minha senhora. – Dimitri disse com um sorriso orgulhoso. Eu tinha percebido que as notícias de que ele estava neutro na guerra corriam, pois todos de Teremur o tratavam com muito respeito. Eles não o viam como o inimigo mais. E salvar a princesa com certeza acarretou em alguns pontos positivos.
– Obrigada pela confiança, e prometo não desapontá-los.
Continuamos nosso passeio passando por um mercado. Muitas barracas estavam montadas no grande pátio e comerciantes gritavam tentando chamar a atenção para suas próprias mercadorias variadas.
– Isso é tão diferente do que eu estou acostumada. – disse observando as cores, pessoas, músicas e cheiro.
– Você nunca tinha visitado um mercado antes? – Dimitri parecia surpreso.
– Eu nunca tinha visitado nada daqui para ser sincera.
– Estou feliz que eu seja o único a presenciar suas reações. – ele disse com sinceridade.
Com o canto do olho eu vi um homem anunciando seu espetáculo. Um grupo de homens e mulheres com roupas coloridas reuniram uma multidão ao seu redor. Eu puxei Dimitri pelas mãos e corri para assistir ao que quer que fosse que tinha a atenção do povo. Eu podia ouvi-lo rindo atrás de mim, provavelmente eu parecia uma criança agora.
Um homem soltava fogo pela boca, fazendo a multidão aplaudir. Meus olhos deveriam estar brilhando, era tudo tão incrível. Depois outro homem se apresentou e engoliu uma espada, eu estava realmente surpresa.
– Como ele pode fazer isso contendedor? – eu pedi para Dimitri. Ele tinha um enorme sorriso na minha direção.
– São acrobatas Rose. Eles podem fazer muito mais. Venha. – ele pegou minha mão e me levou para a linha de frente.
– Jovem princesa. – um dos homens com roupas coloridas se curvou na minha frente. – Permita-me. – ele estendeu a mão e sem hesitar eu a peguei sendo puxada para o centro das apresentações.
Ele me mostrou uma caixa que estava vazia e depois de alguns movimentos rápidos com tecidos de seda vermelha uma pomba branca saiu voando. Eu me vi aplaudindo antes mesmo que a multidão fizesse.
– E agora uma flor para outra flor. – Suas graciosas mãos tiraram do seu casaco uma delicada rosa vermelha a estendendo para mim. Eu a peguei com um sorriso e agradeci, voltando para onde Dimitri me esperava ansioso.
Eu aproveitei muito o passeio e a companhia. Paramos para ouvir um contador de histórias, experimentamos frutos exóticos e até arriscamos uns passos em uma dança de ritmo contagiante e pulsante, muito diferente do ritmo calmo e suave que eu estava acostumada na corte.
– Eu nunca me diverti tanto. Obrigada Dimitri. – O sol já estava se pondo e decidimos voltar.
– Estar na sua companhia é sempre um prazer Roza. – ele segurou minhas mãos por um breve momento, aproveitando que a movimentação estava se dispersando. Não queríamos atrair suspeitas para nós, eu era uma princesa educada que estava noiva e deveria manter assim aos olhos de todos.
Um grupo de crianças se aproximou de fazendo reverências.
– Princesa Rose. Príncipe Belikov. – Todos diziam respeitosamente.
Uma menininha que deveria ter uns quatro anos estava escondida atrás dos outros, ela parecia querer se aproximar, mas estava com vergonha. Dimitri também percebeu e se abaixou falando algo apenas para os ouvidos da garotinha.
Ele levantou satisfeito e eu assisti a garotinha caminhar na minha direção com algo em mãos.
– O príncipe disse que você perdeu isso. – ela disse com um leve sotaque russo e me estendeu meu cinto de couro. O cinto onde eu colocava Excalibur. Dimitri o tinha guardado. Eu sorri para Dimitri me abaixando até estar na altura da menina.
– Muito obrigada, você é muito gentil. – disse prendendo o cinto na cintura.
– Você é ainda mais bonita do que dizem. – a menina disse ficando completamente vermelha. Eu atirei um olhar de advertência para Dimitri, era maldade constranger a pobre menina dessa forma.
– Eu não pedi pra ela dizer isso. Eu gosto de te elogiar por conta própria Roza. – ele piscou.
– Eu gosto do seu cabelo. – outro menino disse se abaixando e passando as mãos pelos meus fios negros.
Logo eu me vi cercada por mãos. Todos admirados com a leveza e maciez do meu longo cabelo. Uma menina trançava uma mecha, enquanto outros apenas os enrolavam entre os seus dedos. Mas acima de tudo, todas as crianças disputavam pela atenção da sua princesa. Eu nunca me senti tão próxima do povo, era maravilhoso. Um sentimento de gratidão tomou conta do meu peito, eu faria de tudo para protegê-los.
Dimitri também tinha se juntado a nós no chão. Ele era tão bom com as crianças e seria um grande pai um dia. Não o pai dos seus filhos, meu subconsciente avisou.
Depois de muitas tranças, briga de bola de neve e risos os pais das crianças apareceram. Eles estavam totalmente surpresos ao encontrarem sua futura rainha no chão coberta por neve. A surpresa logo foi substituída por olhares de admiração e confiança.
As crianças seguiram as mães com relutância e a última a nos deixar foi a garotinha do cinto. Ela parecia ter se apegado a Dimitri, eles até trocavam alguns diálogos em russo.
– Vocês dois que todos dizem que estão noivos? – ela perguntou curiosa olhando entre Dimitri e eu.
Meu peito se apertou quando eu disse a resposta.
– Não querida, nós seremos apenas amigos.
– Vocês formam um casal tão bonito. – ela era uma criança tão inocente.
– Sasha! – a mãe da garotinha a chamou pelo que deveria ser a décima vez.
Ela deu um sorrisinho para Dimitri e perguntou algo em russo, ele sorriu e deu uma resposta curta mais também em russo. Eu franzi a testa. Quando a menina parecia satisfeita com a resposta se despediu e correu para os braços da mãe.
– O que a garotinha te perguntou? – eu pedi quando já estávamos próximo da casa dos Castille.
Ele só sorriu e me puxou para dentro da casa. Eu desconfiava que meu nome estava no meio.
– Como foi o passeio? Se divertiram? – Eddie perguntou assim que entramos tirando as capas molhadas de toda a neve. Ele estava sentado calibrando seu arco.
– Muito! Eu nunca me diverti tanto. – sorri. – Todos os lugares são assim? Colorido, alegre e sem falar na música e comida...
– Parece que você fez a coisa certa Dimitri. – Eddie interrompeu minha empolgação com um sorriso.
– Eu ainda tenho muito coisa pra mostrar pra ela. – eu não sei se Eddie pegou o duplo sentido da frase, mas eu com certeza sim.
– Creio que passarão a noite aqui, afinal já está escurecendo.
– Eu acho que é o mais sensato a se fazer. Rose? – Dimitri se virou para mim.
– Absolutamente! – eu concordei. Eu queria aproveitar ao máximo meus últimos suspiros de liberdade, porque quando eu voltasse seria para me casar e me comportar como uma verdadeira princesa da corte. Só de pensar que eu teria que dividir um teto com Daniela meu estômago se revirava.
Uma criada veio me ajudar com o banho logo depois, minhas roupas estavam completamente molhadas da guerra de neve e eu agradeci quando a irmã do Eddie me emprestou um dos seus vestidos.
Ela era bem menor do que eu e por isso o vestido teve um corte um pouco mais baixo do que o apropriado e estava bem mais apertado, marcando minhas curvas, mas eu só desceria para a refeição da noite, não poderia fazer mal nenhum.
Eu terminava de pentear meu cabelo quando houve uma batida na porta.
– Entre. – eu gritei esperando ver umas das senhoras Castille.
Quando a porta não se fechou como eu esperava me virei para encontrar Dimitri totalmente congelado na soleira. Seus olhos varriam o meu corpo e sua boca estava levemente aberta. Seus olhares me incendiaram.
– Acho que isso não foi uma boa ideia. – ele saiu do transe limpando a garganta.
Quando ele já estava saindo e fechando a porta atrás de si eu corri para impedi-lo.
– Eu não sei do que você está falando. – o puxei para dentro pela gola da túnica, fechando a porta com o pé no processo.
– Roza, eu vim buscá-la para o jantar. – ele engoliu em seco.
– Eu não estou com fome. – disse o encurralando na parede. Finalmente eu o tinha sozinho e só para mim.
– Todos estão esperando.
– Isso não vai demorar.
– Alguém pode entrar a qualquer momento. – eu passei a chave na porta e mordi os lábios olhando nos seus olhos. Eu queria tanto que ele perdesse o controle como ontem à noite. Foi uma tentação estar com ele o dia todo sem poder tocá-lo.
– Eu quero você contendedor. – Isso foi a sua ruína. Ele me pegou pela cintura me levantando do chão. Minhas pernas se enrolaram em volta do seu tronco enquanto seus lábios devoravam os meus.
– Roza, o que você está fazendo comigo? – ele disse quando precisamos parar por falta de ar nos nossos pulmões.
Antes que eu se quer pudesse responder seus lábios voltaram para onde nunca deveriam ter saído. Eu fui pressionada contra a parede com força, soltando um pequeno gemido de surpresa.
Quando sua boca desceu para meu pescoço eu apertei ainda mais meu pé, sentindo algo duro encontrando com a minha intimidade. Alberta tinha me dito que era a parte do corpo que os homens mais presavam por que era o que mais lhes davam prazer e que se assemelhava aos pepinos que cultivávamos na horta do castelo. Ontem à noite eu descobri que ela tinha razão, mas no caso aquele era o maior pepino que eu já encontrei. Ela também dizia que o meu marido me ensinaria o restante que eu precisava saber, mas não era o meu futuro marido que eu queria me mostrando os prazeres da vida.
Eu estava prestes a dizer minha decisão para Dimitri quando bateram na porta.
– Rose. Você está ai? – era Eddie.
Dimitri resmungou uma maldição, mas me soltou arrumando suas próprias roupas. Essas interrupções já estavam se tornando um incômodo.
– Eu já estou descendo. – respondi para logo depois ouvir passos se afastando. Dimitri parecia frustrado.
– Eddie tem sorte por eu gostar muito dele. – ele resmungou me fazendo rir.
– Você deve estar com fome, vamos descer.
Eu tenho quase certeza de que o ouvi murmurar algo como “não é de comida que eu estou com fome”. Eu sorri feliz por saber que eu despertava esses sentimentos nele
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