A Guerra Do Amor
21 Lamparina
Notas iniciais
Capítulo 21 – Lamparina
POV Dimitri
Os homens do meu pai estavam todos inconscientes ou mortos, fora alguns deles que fugiram de volta para o acampamento para passar as péssimas notícias para o seu rei, mas nós finalmente tínhamos Rose sã e salva.
Eu me virei para correr até ela e puxá-la para os meus braços, de onde eu não a deixaria nunca mais sair, quando eu congelei.
Rurik e ela estavam lutando e Rose parecia em desvantagem por estar com tão pouco espaço para manobrar a espada. Fúria me dominou e eu puxei o arco preso na minha cela e mirei no homem o acertando nas costas bem a tempo de livrar Rose de um golpe fatal.
Nossos olhos se encontraram e eu lhe dei um olhar de encorajamento, ninguém merecia tirar a vida daquele bastardo a não ser minha Roza.
Mas então meu mundo desabou em questões de segundos. Em um momento Rose estava finalmente dando o fim que Rurik merecia e no outro eu a vi sumindo na imensidão de água e espuma. Isso não podia estar acontecendo.
– Roza! – eu gritei em desespero.
Eu pulei do cavalo jogando o arco em qualquer lugar e comecei a tirar as pesadas roupas de guerreiro enquanto corria em direção ao rio. Eu precisava tirá-la de lá.
– Eddie. – eu gritei. – Eu preciso que você tente encontrar a Rose daqui de cima. – ele acenou e o vi correndo para a margem com olhos atentos na água. Celeste e Yuri tinham semblantes preocupados e correram para ajudá-lo.
Uma vez que a armadura e a cota de malha se foram eu não teria risco de afundar no rio, tomando uma respiração profunda eu dei uma ponta nas águas geladas.
Eu nem me incomodei com o frio, não quando eu estava perto de perder a coisa mais importante para mim. Eu nadava o mais rápido que eu podia a favor da correnteza, lutando com a água que me empurrava para baixo o tempo todo. Meu corpo só ia em direção a um propósito.
– Eu a encontrei. – Celeste gritou. – Lá em baixo, eu posso ver seus cabelos. Ela está presa contra algumas rochas.
Eu me apressei e fui sendo guiado por meus amigos. A parte do rio onde Rose estava era cheia de pedras, e entre algumas delas eu vi seu vestido azul flutuando para logo depois sumir entre as águas novamente.
Eu a alcancei e a tomei nos meus braços, me segurando nas pedras para não ser arrastado ainda mais rio abaixo. Dando uma rápida olhada nela vi que estava desacordada. Por favor, que não tenha sido tarde demais, eu pedi silenciosamente.
– Dimitri, pegue a corda. – Yuri gritou e logo depois uma corda foi jogada um pouco a frente. Eu me soltei da pedra tendo a preocupação de colocar Rose acima do nível da água, e assim que passei pela corda eu a segurei com uma das mãos.
Yuri e Eddie tentavam nos puxar para fora enquanto eu usava as pedras como apoio para me aproximar cada vez mais da margem.
– Me dê ela. – Eddie pediu vendo que eu tinha dificuldades em escalar a margem íngreme com apenas uma mão. Eu estendi seu corpo mole para meu amigo que a pegou prontamente a colocando deitada no chão.
Ajoelhando-me ao seu lado eu vi que sua pele estava muito pálida e seus lábios já estavam azuis. Eu tirei os cabelos do seu rosto e percebi que seu peito não se mexia. Eu senti como se um punhado de neve tivesse envolvido meu coração.
– Ela não está respirando. – eu gritei em desespero para logo depois começar a massagear seu peito e fazer respiração boca a boca. Não! Não! Por favor!
Meus amigos tinham olhos aflitos e o silêncio pairou sobre nós. Apenas o som das águas correndo rio abaixo e do movimento das minhas mãos em seu peito encharcado eram ouvidos.
– Vamos Rose! – eu gritava. – Você é a pessoa mais forte que eu conheço, tem que lutar. – meus movimentos iam aumentando, mas ela não estava respondendo.
– Vamos, lute por mim meu amor! Por favor! – eu senti meus olhos embaçados e percebi que lágrimas tinham se formado ali. Ela não podia ter ido embora, não assim. Eu nunca cheguei a dizer a ela que eu a amava. E era tudo culpa minha, eu não fiz o suficiente.
Colocando um pouco mais de ar em seus pulmões ela finalmente teve uma reação. Rose tossiu e toda a água que ela tinha bebido foi jogada para fora quando ela se sentou bruscamente tossindo.
– Roza. – eu a puxei para os meus braços não contendo minha felicidade. – Eu sabia que você ia lutar até o fim. – eu beijei sua testa molhada e olhei para seus olhos febris, mas sem afastá-la do meu corpo.
– Você não vai se livrar de mim tão fácil contendedor. – quando ela fez uma piada eu vi que tudo iria ficar bem, mesmo que sua voz mal passasse de um sussurro.
– Você está bem? – perguntei com cautela acariciando sua bochecha gelada carinhosamente.
– Eu vou sobreviver. – ela me deu um sorriso tranquilizador e então percebeu todas as pessoas ao nosso redor nos olhando com sorrisos simpáticos.
– Eles são meus amigos. – eu respondi sua pergunta silenciosa. – Esses são Celeste, Yuri e Eddie. – disse apontando para as respectivas pessoas.
– É um prazer conhece-los e obrigada por me ajudarem. – ela conseguiu dizer com a voz rouca, mostrando todo sua educação vinda da corte.
– É um prazer finalmente conhecer a dona do coração do Dimitri. – Eddie disse com um sorriso para ela. Eu não tinha dito para nenhum deles o quão longe era minha relação com Rose, mas minhas atitudes com certeza davam uma boa dica.
Se eu não soubesse melhor eu diria que Rose corou, mas eu não poderia dizer se era pelo vento que passou nos fazendo estremecer ou por outro motivo. Eu preferia que fosse a segunda opção.
Depois de serem todos devidamente apresentados, Celeste com seu espirito materno apareceu com duas mantas, as jogando sobre o meu ombro e de Rose.
O corpo de Rose tremia bruscamente, então eu mais do que depressa a puxei para o meus braços. Não que eu estivesse reclamando, seu corpo pequeno se encaixava perfeitamente com o meu, como se ela fosse feito para estar ali, eu sorri com o pensamento a puxando ainda mais para perto.
O garanhão que Rose tinha pegado nos estábulos não sobreviveria e ela teve que dividir a cela comigo, o que aconteceria de qualquer forma. Eu não podia manter minhas mãos longe dela depois que eu quase a perdi.
Nós seguimos para uma pequena estalagem que ficava na divisa com um dos grandes bosques do reino de Teremur, próximo ao acampamento dos reis do oeste. Os homens do meu pai não se arriscariam vindo tão perto do inimigo. Estaríamos protegidos ali por uma noite.
Assim que chegamos pedimos por quartos e banhos quentes. Eu sorri para o olhar de alívio e felicidade de Rose quando Celeste a acompanhou para o andar de cima para ajudá-la com o banho mais do que merecido.
Eu segui para a minha própria casa de banho o mais depressa possível. Eu só queria acabar depressa para encontrar Rose novamente, eu queria aproveitar ao máximo o tempo que me restava com ela.
POV Rose.
Eu ainda me sentia atordoada em pensar que eu tinha quase morrido por alguns minutos. E ainda mais atordoada em voltar para a realidade. Amanhã eu estaria voltando para a segurança do castelo e em dez dias eu me casaria, é como se essa última semana em cativeiro não passasse de um sonho distante.
– Rose, eu achei que você fosse querer ficar longe da água por um bom tempo. – Celeste entrou rindo. Eu já gostava dela, ela era tão gentil e educada e Dimitri tinha me dito que ela era como uma mãe do oeste para ele, sempre protetora, isso só a fez ganhar ainda mais pontos comigo. Eu olhei para minhas mãos que já estavam enrugadas e brancas, eu realmente tinha ficado tempo demais na banheira. – A água já deve estar gelada. Venha. – ela me estendeu uma toalha e me ajudou a sair.
– Eu estava perdida em pensamentos e não vi o tempo passar. – admiti.
– Dimitri me contou sobre a responsabilidade que você carrega nas costas. – Ela tinha uma expressão triste. – Mas eu acredito que tudo acontece por uma razão minha querida. Não tema o futuro.
– Na verdade eu não tenho medo do que está por vir, só tenho receio por não poder controlá-lo. Parece que sempre vai haver alguém controlando a minha vida, quando não for o meu pai será o meu noivo, e quando não for nenhum dos dois serão os conselheiros reais. – eu percebi que estava desabafando para a mulher que eu havia acabado de conhecer, e certamente não queria assustá-la. – Desculpe-me.
– Não há nada para se desculpar. – ela me deu um olhar de pena, mas ainda sim gentil e reconfortante. – Aqui. – ela me estendeu um simples vestido amarelo desbotado. – A senhora, dona da estalagem conseguiu um vestido que era da sua filha, apenas enquanto suas próprias roupas secam.
Eu sorri agradecida. Ela me ajudou com os laços do vestido e penteou meus cabelos compridos. Nós falamos apenas sobre assuntos leves, ela provavelmente não queria me ver chateada ou perturbada.
– O que acha de descermos para a ceia? Dimitri já está impaciente lá em baixo esperando por você. Eu nunca o vi tão ansioso antes. – ela me deu um sorriso malicioso.
– É uma boa ideia. – calafrios percorreram meu corpo ao me imaginar nos seus braços quentes e reconfortantes novamente. Ele tinha me abraçado tão perto dele na nossa viagem até aqui, e eu já sentia falta do seu cheiro familiar e masculino.
Descemos as escadas até entrarmos em um salão que servia como restaurante da hospedaria. No teto baixo de madeira havia várias lamparinas iluminando o cômodo, uma lareira queimava um fogo vermelho vivo e várias mesas como bancos contínuos completavam a decoração. Os rapazes estavam em uma mesa cheia de comidas e cada um tinha uma enorme caneca de cerveja a sua frente. Eles estavam rindo feitos loucos de alguma piada interna.
Assim que meus pés cruzaram as portas Dimitri olhou na minha direção. Era como se pudéssemos sentir a presença um do outro. Ele se levantou e quase correu ao meu encontro me puxando para um abraço.
– Finalmente Roza! – ele se afastou sorrindo. – Eu achei que você tivesse se afogado na banheira. – ele piscou me fazendo estreitar os olhos para ele. – Estou apenas brincando. – ele disse rápido me puxando para sentar com os outros. De onde veio esse humor negro? Ele deveria estar muito relaxado mesmo.
– Que bom que você chegou Rose. Eu já não aguentava mais o Dimitri perguntando por você a cada minuto. – Yuri disse soando divertido. Dimitri olhou indignado.
– Eu não estava...
– Dimka nos poupe das suas desculpas, todos sabem a verdade. – Celeste o interrompeu, fazendo-o ficar vermelho e me olhar com olhos intensos. Eles estavam tão negros de...desejo?
– Contendedor, onde está o homem ditatorial e auto decidido que eu conheci? – perguntei em tom provocativo.
– Roza você não quer despertar esse lado meu. – ele disse em aviso.
– Talvez eu goste mais desse seu lado. – eu pisquei totalmente esquecida de que não estávamos sozinhos na mesa.
– Não comece o que você não pode terminar Roza. – ele rosnou. Seu braço estava me tocando e eu sentia um calor ardente passando dele para mim. Era quase insuportável. Seus olhos eram tão famintos que... Alguém me tirou do meu transe limpando a garganta.
– Talvez se vocês arrumassem um quarto... – Eddie começou, mas parou abruptamente e gemeu de dor levando as mãos na canela. Eu jurava que pelo olhar de satisfação que Dimitri jogava para o amigo ele tinha algo a ver com isso. Eu soltei um sorrisinho.
A refeição se seguiu de forma leve e natural. Vez ou outra eu gostava de provocar Dimitri. As reações eram variadas, às vezes ele me e olhava com aqueles olhos intensos, outras ele não resistia e me tocava de alguma forma ou a que eu mais gostava, quando ele vinha com uma resposta que me deixava sem palavras. Só ele conseguia me deixar assim.
– No dia do meu casamento Dimitri estava tão bêbedo que nós o peguemos aos beijos com um esfregão. – Celeste dizia deixando Dimitri morrendo de vergonha. Eu ria tanto que tinha lágrimas caindo dos meus olhos.
– Rose não precisa ouvir isso. – Dimitri parecia querer morrer, meu riso não deveria estar ajudando, mas eu simplesmente não podia me controlar. Os seus amigos resolveram pegar no pé dele e estavam me contando várias histórias que eu dirigia serem... embaraçadas, por falta de uma palavra melhor.
– Engano seu contendedor, eu estou adorando ouvir as famosas aventuras que você dizia ter com seu amigo Ivan. – ele ficou roxo e coçou a nuca sem saber o que fazer.
– Mas o pior foi quando tentaram tirar o esfregão dele. – Celeste mal se continha com as lembranças, ela parava para rir a cada respiração. – Ele dizia que mataria o homem que se aproximasse da garota dele.
Eu pensei em como eu tive sorte de não ter Christian aqui, se não eu provavelmente estaria na mesma situação que o pobre Dimitri.
Um pouco depois todos saíram ao mesmo tempo dizendo estarem cansados. Mas eu sabia que eles apenas queriam me dar um espaço a sós com Dimitri.
Ele e eu subimos até o terraço que dava vista para a silenciosa floresta de carvalhos antigos, apenas o som de alguns animais noturnos eram ouvidos vez ou outra. Uma lamparina nos aquecia da melhor forma que podia, mas o que mais estava fazendo efeito eram os braços de Dimitri a minha volta, me apertando contra seu corpo duro. Estávamos sentados em um grande banco de madeira com ele nas minhas costas, meus pés jogados confortavelmente no espaço restante.
– Eu tive medo de não poder te abraçar assim novamente, eu simplesmente não podia suportar perder você. – ele disse no meu ouvido me apertando mais para perto dele. Eu descansei minha cabeça confortavelmente em seu peito quente, suspirando em contentamento. Esse era o melhor lugar do mundo.
– Eu também tive. – confessei passando as mãos carinhosamente pela sua palma. – Como você me encontrou? – perguntei depois que um silêncio confortável se instalou.
– Eu me encontrei com Christian e ele me disse que você tinha sumido. Eu soube instantaneamente que os homens do meu pai eram os responsáveis. Eu saí a sua procura acompanhando Christian e os seus guardas, mas quando o rei Mazur os mandou voltar e proteger o castelo, bem, eu fui atrás de você com a ajuda dos meus amigos.
– Eu sinto muito que eu tenha causado todo esse incômodo para todos. – eu me sentia péssima sabendo que eu tinha sido o motivo de preocupações para muitas pessoas. E um sentimento de impotência tomou conta, eu odiava me sentir assim.
– Roza, não foi sua culpa. – ele disse acariciando meu braço por cima do tecido do vestido, seus movimentos de alguma forma me acalmavam. – Mas eu não posso dizer a mesma coisa em relação a mim.
– Como assim? – olhei para ele em choque. Ele realmente se culpava?
– Eu deveria encontrá-la naquele dia. Desculpe-me, eu me atrasei. – eu detectei tristeza e arrependimento em sua voz.
– Não Dimitri, a culpa é totalmente minha. – eu me virei totalmente para encará-lo. – Eu fui totalmente irresponsável, eu sabia que não deveria ter me afastado, mas eu estava com tanto raiva da Lissa que eu...
– Calma Roza. Eu não estou entendendo. – ele disse calmamente.
Então eu contei tudo para ele. Desde a minha briga com Lissa até o momento em que ele finalmente me encontrou. Eu omiti alguns detalhes, como quando Rurik tentou abusar de mim ou quando eu me meti em uma briga com o soldado que tinha a mão esperta demais, isso só serviria para aborrecê-lo e fazê-lo com raiva.
– Você não está bravo por eu ter me afastado do castelo? – perguntei relutante, ele não tinha falado nada, apenas ouvia a historia em silêncio.
– Eu não estou bravo, mas você precisa aprender a controlar seus impulsos Rose. Eu ainda não me esqueci de quando você entrou em um torneio por conta de uma espada. – ele me repreendeu, eu apenas encolhi os ombros. Talvez eu tenha exagerado um pouco quando desafiei o falecido grandão.
– Mas eu tenho que admitir que eu não poderia estar mais orgulhoso. — eu sorri. Eu amava quando eu despertava esse sentimento nele.
– Não leve todo o crédito com você contendedor. Eu fiquei com a parte difícil no final.
– Eu nunca faria uma coisa dessas. Eu sei exatamente do que você é capaz. – seus olhos brilharam em diversão.
– Eu acho que os soldados russos ficaram um pouco mais cuidadosos na minha presença, eu sempre os pegava me olhando de forma assustada e um pouco chocada. – eu contei. Dimitri gargalhou abertamente e me puxou de volta para o seu abraço.
– É bom saber, e a partir de agora eu duvido que qualquer homem em são consciência irá tentar se aproximar de você com intenções impróprias.
Eu contei para ele sobre o guarda que eu matei e como eu tinha sentido um grande remorso e peso no coração. Ele com toda a sua paciência e suavidade me confortou dizendo que a morte era algo inevitável em situações de guerra.
Depois Dimitri me contou que ele não foi se encontrar comigo por que sua irmã mais nova havia aparecido aqui e precisava de ajuda. Ele se desculpou dezenas de vezes, mesmo eu dizendo que não tinha problema e que de qualquer forma ele já estava desculpado.
– Mas eu ainda vou me acertar com Vanig. Um vestido transparente? Como ele ousa. – Dimitri tinha as mãos em punho. Eu deixei escapar sem querer o incidente do vestido. Ele tinha ficado furioso com o marechal e disse que isso ainda não estava acabado.
– Eu usava roupas de baixo contendedor, eles tiveram que usar a imaginação de qualquer maneira. – eu tentei tranquilizá-lo.
– Você se surpreenderia com a criatividade desses homens. – ele respondeu mal humorado, eu não pude deixar de sorrir com satisfação.
– Não precisa ficar com ciúmes contendedor, eu não permitiria que nenhum homem me visse nua. A não ser você. – eu sussurrei a última parte no seu ouvido e tive o prazer de vê-lo se contorcer. De onde toda essa audácia tinha vindo eu não sei.
Eu nunca tinha estado nua na frente de nenhum homem e minha experiência com eles era totalmente falha, eu só tinha meus instintos para me guiar e algumas aulas que eu tive com Alberta, que só serviram para me constranger na verdade. Quanto a Dimitri, eu sabia que ele não era inocente e que já deve ter dividido a cama com muitas mulheres. Mas saber que ele era experiente só despertava um fogo ainda maior em mim. Eu corei com meus pensamentos impróprios e claro que Dimitri pegou.
– Eu realmente gostaria de saber o que você está pensando minha doce Roza. – ele sussurrou no meu pescoço para logo depois dar um longo beijo ali. Eu queria mais.
– Eu estava pensando se eu deveria me preocupar com o esfregão que roubou sua atenção. – eu provoquei, Dimitri me olhou e me puxou com um movimento ligeiro para sentar em seu colo de frente para ele.
– Você merece uma punição por ser tão atrevida. – ele riu baixinho. Seus olhos se tornaram escuros novamente e eu sorri em antecipação.
– É mesmo, e que tipo de punição meu senhor príncipe?
Dimitri me puxou pela nuca fazendo seus lábios macios se encontrarem com os meus ferozmente. Nossas línguas se moviam em uma sincronia perfeita, e minhas mãos foram automaticamente para seus cabelos sedosos o puxando para colar nossos corpos.
– Eu queria fazer isso desde o momento em que eu entrei por aquela tenda. – ele disse com respirações pesada quando nos afastamos em busca de ar.
– E eu queria que você tivesse feito. – seus lábios voltaram para os meus novamente. Suas mãos apertavam minhas coxas com força me puxando ainda mais para ele.
E quando ele mordeu meu lábio inferior me causando ao mesmo tempo dor e prazer eu não pude deixar de soltar um fraco gemido incoerente. Isso parecia acendê-lo ainda mais.
Seus lábios desceram pela minha mandíbula e encontraram um ponto atrás da minha orelha que simplesmente me fez louca. Eu agarrei seus ombros com as minhas unhas pedindo por mais e inconscientemente me vi fazendo movimentos suaves e contínuos por cima dele.
– Dimitri. – eu gemi atirando a cabeça para trás. Suas mãos subiram descendo parte do vestido enquanto seus lábios acompanhavam o movimento.
– Se você quer que eu pare fale agora Rose. – ele mal podia falar. – Eu não posso me controlar se você continuar gemendo meu nome assim. — Oh! Deus! O que esse homem fez por mim.
– Eu não quero que você pare. – Algo me consumiu me fazendo levar minhas mãos para debaixo do tecido da sua camisa, arranhando seu abdômen definido. Ele engasgou e começou a beijar meus seios que agora estavam totalmente fora do vestido. O ar frio que batia sobre eles em contraste com a boca quente do meu russo me fazia arrepiar ainda mais.
– Roza! Você é tão linda. – ele murmurou enquanto sugava e mordia meus mamilos delicadamente. Suas mãos trabalhavam em sincronia. A esse ponto eu já estava completamente imersa em uma bolha de prazer. Minhas mãos passeavam por seu corpo com vida própria e quando elas se encontraram com o enorme volume em suas calças, o massageando suavemente, nossos gemidos se misturaram de uma forma que despertava ainda mais o fogo no meu centro. – Tão linda que chega a doer. – ele conseguiu dizer, meio gemer.
Dimitri nos mudou de posição, me deitando sobre o banco para logo depois ficar por cima. Ficamos muito tempo apenas se beijando, mais e mais desesperados a cada segundo. Eu tenho perdido tanto dele.
Sua boca voltou para meu pescoço e descia provocando meus mamilos. Quando eu achava que ele iria usar seus dons novamente ele simplesmente voltava para a minha boca sorrindo e me beijando como se não houvesse amanhã. Isso já estava me frustrando.
Minha mão desceu para dentro de sua calça por instinto e quando eu encontrei seu enorme comprimento brigando por espaço ali dentro, eu o apertei levemente fazendo Dimitri soltar uma maldição e voltar seus lábios para os meus seios.
Quando eu decidi que eu gostava de provocá-lo e tocá-lo, eu desci um pouco mais a minha mão e duas coisas aconteceram ao mesmo tempo. O movimento brusco que Dimitri fez se contorcendo sob o meu toque fez o banco escorregar e bater na lamparina ao lado que caiu com um estalo no chão. Eu e Dimitri congelamos quando ouvimos passos e vozes se aproximando.
Ele se levantou de cima de mim rapidamente me ajudando a colocar o vestido no lugar. Nós dois rimos quando suas mãos trêmulas mal podiam puxar os cordões.
Quando a porta se abriu nós nos sentamos a uma distancia segura e olhamos como dois perfeitos inocentes fingidos.
– O que aconteceu aqui? – A senhora dona da hospedaria perguntou vendo os cacos da lamparina espalhados pelo terraço. A escuridão tomou conta agora que o fogo que iluminava tinha sido apagado pela neve do chão, apenas o luar nos agraciava com seu leve cintilar.
Eu tinha certeza de que olhávamos culpado.
– Uma coruja passou voando baixo demais. – Dimitri respondeu tentando soar sério. Eu só queria me dobrar de tanto rir.
– Dimitri é você? – Eddie apareceu atrás, examinando a cena. Seu cabelo cor de areia estava revirado e seus olhos pequenos devido ao sono.
– Eu temo que sim. – ele respondeu e parecia chateado por ter sido interrompido e assim era eu.
– Achamos que um ladrão estivesse tentando invadir. – O marido da senhora apareceu também, e tinha um punhal na mão. Eu pensei na sorte que tivemos quando mantivemos as peças de roupa, nos poupou explicações constrangedoras.
– Rose, Dimitri. – Celeste e Yuri se juntaram à pequena reunião e ela não parecia feliz. – Dimitri como você deixou que a Rose viesse para fora sem uma manta? Quer vê-la adoecer? – ela o repreendeu.
Dimitri abriu a boca, e a fechou novamente, eu apenas cruzei os braços e sorri para ele. Afinal, ele tinha insistido que eu não precisava de uma manta quando estava na companhia dele. No final ele estava totalmente certo, meu corpo estava pegando fogo. Mas eu gostava de vê-lo se contorcer sob o olhar acusador da amiga.
– Eu... – ele me olhando pedindo por ajuda. Todos tinham olhares desconfiados. Mas Eddie estava sorrindo, ele sabia.
– Eu creio que a culpa é minha Celeste. Dimitri insistia para que eu pegasse algo para me aquecer, mas eu não achei que fosse estar tão frio aqui fora.
– Vocês dois são uns irresponsáveis. Vamos, entrem. Já está tarde da noite e Rose deve estar cansada. Passou por tanta coisa hoje. – ela nos arrastou para dentro, jogando cobertores sobre os meus ombros. A verdade era que eu estava me sentindo mais acordada e disposta do que nunca. O que estava acontecendo comigo?
Dimitri olhava desapontado quando entrou no quarto que ele dividia com Eddie, mas não me negou uma piscadinha de boa noite. Sorrindo eu acompanhei Celeste que me levava até o meu próprio quarto.
– Sua cama já está preparada querida. – Celeste disse gentilmente. – E se sentir frio e precisar de mais cobertores, eu os coloquei ao pé da cama.
– Obrigada Celeste. – sorri agradecida. Com um aceno ela saiu fechando a porta atrás dela.
O quarto estava totalmente quente ou era apena eu? Deve ser a lareira, eu pensei.
Eu me acomodei na cama, puxando os cobertores de pelo até meu queixo. Eu estava completamente frustrada, por que aquela lamparina tinha que cair? Eu queria Dimitri de uma forma que eu nunca desejei antes. E naquele momento eu não me preocupava que eu iria me casar em alguns dias, eu só queria aproveitar o tempo que eu tinha com ele.
Suspirando de contentamento eu decidi que o calor não vinha da lareira, mas sim do meu corpo. Chutando os cobertores para fora da cama eu fechei os olhos, apenas para tentar acalmar a minha respiração que ainda estava descompassada.
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