A Guerra Do Amor
3 Guerra travada
Notas iniciais
Capítulo 3.
Guerra travada
Três semanas já haviam se passado. Os preparativos para o casamento caminhavam muito bem graças à rainha Daniela. Tudo seria do modo tradicional e com muito luxo e requinte. Rosas, brancas e vermelhas enfeitariam todo o salão. Um enorme banquete com música completaria a festa. Muitos convidados de reinos distantes. Tudo parecia perfeito, o que faltava era minha vontade de se casar. Mas eu havia conseguido adiar o casamento em algumas semanas.
Flashback
– Vossa alteza, eu estava pensando, não acho que esse casamento esteja à altura do seu filho. – Comentei com Daniela enquanto tomávamos chá em um dos enormes salões do castelo.
– O que? – eu esperava essa reação. – Claro que está querida, temos tudo de melhor tanto do meu reino quando do seu, melhores cozinheiros, músicos, costureiros, está tudo perfeito.
– Exatamente. Temos tudo daqui, não há nada diferente, exótico.
– Aonde você quer chegar? – perguntou suspeita.
– Eu queria que a tapeçaria do baile fosse oriente distante. – Disse com um sorriso. Eu sabia que Daniela não resistiria a minha ideia, e isso atrasaria o casamento.
– Como não pensei nisso antes? Eu sabia que você ia aprender muito comigo. Vou agora mesmo informar aos reis, para que mandem alguém ao oriente. Mas isso vai atrasar o casamento por algumas semanas, será um problema?
– Claro que não Vossa Alteza! Eu não me importo de esperar desde que eu tenha o melhor casamento.
– Ótimo!
Fim do Flashback
Agora o casamento seria em seis semanas. Já estava começando a me conformar com ideia, também seria algo inevitável. E passando o tempo com Adrian percebi que ele não era mal em todo. Tinha vezes que ele me faria realmente rir, e eu era grata por esses momentos. Mas em outros ele tentava tornar nosso relacionamento mais íntimo, o que eu odiava. Minhas desculpas já estavam se esgotando, e eu sabia que depois de casados não havia nada a ser feito, o casamento deveria ser consumado. Eu não era tão ingênua, eu sabia o que ia acontecer.
Eu me levantei, espantando esses pensamentos, vesti um vestido rosa, ele tinha um caimento leve e delicado, as mangas caindo sobre o ombro, deixando-os nus.
Abri as cortinas, o dia estava lindo, o céu estava azul, nenhuma nuvem o manchava. Apesar de um inverno gelado estar se aproximando. Debrucei-me sobre a janela, olhando para o lindo céu.
Lembrava de quando minha mãe ainda era viva, quando ela vinha cedo até meu quarto , se deitava comigo e brincava com o meu cabelo, ou quando ia até meu quarto toda noite e me contava histórias de amor. Sentia uma enorme saudade dela.
Estava entretida em meus pensamentos, quando ouvi gritos vindos do lado de fora. Ouvia a voz do meu pai, então desci correndo.
Na enorme do porta de entrada, estava meu pai e um homem vestido com armadura e brasão verde e branco, aparentava experiência, tinha os cabelos compridos e castanhos, forte, com olhos verdes jade e a pele com uma cor creme, apontando a espada um para o outro. E discutindo muito
– É isso mesmo que quer Ibrahim? – os olhos do homem estavam vermelhos de raiva, onde estavam os guardas?
– Você procurou por isto Victor.
– Então é guerra? Você sabe que não tem chances.
– Se é isso que deseja Victor, assim será. – Meu pai respondeu enquanto o atacava.
Os dois começaram a se enfrentar com a espada. O tal Victor era muito bom em manobrá-la e eu temia por meu pai. Adrian chegou de cavalo, vinha rápido e seus olhos estavam nervosos. Eu gritava.
– Adrian, faça algo. Ajude meu pai. – Eu gritava em desespero.
Ele não se mexeu, apenas olhava incrédulo. Típico.
Victor desarmou meu pai, e colocou-lhe a espada no pescoço:
– Sinto muito Abe, não posso deixá-lo fazer isto, diga que desiste e eu o poupo a morte.
– Adrian chame os guardas, por deus. – eu ainda gritava.
Com um movimento rápido ele saiu em direção aos portões para chamá-los. Não conseguia acreditar que não havia nenhum guarda por perto para ajudar meu pai, com certeza alguém seria punido por isso, talvez um inocente, meu peito se apertava com a ideia.
– O que está feito, está feio Victor. – meu pai rosnava.
Vi ira nos olhos de Victor. Desesperada, agi pela emoção e peguei a espada do meu pai que estava ao chão. Entrei entre os dois e apontei a espada para o homem desconhecido
– Senhor afaste-se de meu pai, ou...
– Ou o que princesinha? Vai tentar me matar?- Ele debochava de mim.
– Ou serei obrigada a enfrentar-lhe. – Ele ria ainda mais.
– Minha filha! Está louca? Vá para dentro imediatamente, este não é lugar para você. – meu pai estava furioso, mas agora era dirigida a mim.
– Não papai, ele ira matá-lo. – Protestei levantando mais a espada.
De longe já víamos os guardas se aproximando, acompanhados de Adrian.
– Saia da minha frente princesa, eu não pretendo machucá-la ainda. – O tal Victor voltou a falar
Permaneci apontando-lhe a espada.
Ele empurrou-me, e eu tropecei pra trás. Se eu não fizesse nada ele mataria meu pai. Os guardas estavam longe ainda. Não perderia meu pai, mesmo ele sendo tão rígido e mandão eu o amava e ele era a única família que me restava e qualquer um que se colocasse no caminho dele seria meu inimigo. Ainda com a espada na mão, deu-lhe um golpe que quase o feriu. Ele percebeu que eu defenderia meu pai acontecesse o que acontecesse. Então também passou a me atacar. E seu rosto mostrava espanto. Eu usava todo o conhecimento que eu tinha defendendo-me de seus golpes.
Meu pai estava desesperado, e gritava para os guardas correrem. Assim que estes chegaram seguraram Victor, que me olhava com raiva. Nessa hora eu larguei a espada no chão e corri até meu pai:
– Está bem papai?
–Como pode me desrespeitar? Decepcionei-me muito com você. Pedi que entrasse, que humilhação minha própria filha lutando por mim, isso é inaceitável Rosemarie – Ele me olhava com um olhar de raiva, mas tristes.
– Pai, eu salvei-lhe a vida porque o amo como pode dizer isto?
– Seu pai tem razão Rose, estes não são modos de uma mulher, mesmo por honra ao seu pai, está errada.
– Só porque sou mulher não quer dizer que não posso defender aqueles que amo.
Eu não acreditava no que acabara de ouvir. Meu coração estava em pedaços.
– Entre filha, você já participou demais disto.
Os guardas levaram o tal Victor até o portão, e com certeza estariam em atenção máxima para a proteção do meu pai.
Não havia compaixão nos olhos de nenhum dos dois, meu pai e meu futuro marido estavam com expressões secas.
Sem dizer mais nada, entrei.
Durante a tarde, fui passear no jardim. Meu pai apareceu me abraçou, e disse:
– Desculpe filha. Deveria ter tido mais compaixão com você.
– Está tudo bem papai, já passou.
– E a propósito, mesmo você tendo errado, eu sou muito grato. Mas eu poderia ter lidado com a situação, você sabe que eu só quero o seu bem.
Eu sorri para ele. E ele continuou.
– Mas tem uma dúvida que não em sai da cabeça. Onde aprendeu a lutar daquela forma? Você foi mais corajosa que o próprio Adrian.
Não podia dizer a verdade, ele me proibiria de fazer o que gosto.
– Acho que no desespero, eu soube o que fazer. – menti. — Também tenho uma dúvida, porque vocês brigavam?
– Aquele é o rei Victor, do reino da Rússia. Ele ficou sabendo da união de nosso reino com o de Nathan, através do seu casamento. Ele não aceita. Segundo as leis isto não é certo. Nosso reino só deveria ser comandado por um filho homem, você apenas serias rainha do reino de Adrian. Mas não tenho um herdeiro, e por Victor ter um, e ainda solteiro, meu reino passaria para ele porque seu reino é o mais rico e influente. Mas isso não aceitarei.
– Então não me casarei com Adrian e fico como rainha de nosso reino.
– Está louca? Prefiro uma guerra, aliás, já está declarada guerra, não há nada mais a fazer.
Então ele saiu.
Eu não podia acreditar que por minha causa haveria uma guerra.
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