A Guerra Do Amor

16 Estrela de Damião


Notas iniciais
Post duplo como prometido =)) e uma forma de agradecimento pela recepção que estou tendo com essa fanfic! Estou amandooo E geente que calor é esse? hahaha Espero que gostem!

Capítulo 16 – Estrela de Damião

Eu estava entediada. Para falar a verdade entediada era um eufemismo. Os russos resolveram ter um momento nostalgia e durante toda a viagem se falavam apenas pela sua língua nativa e estranha. Vez ou outra o capitão se dirigia a mim, mas apenas para tentar tirar algo sobre os planos do meu pai na guerra. Mesmo eu falando que estava completamente alheia, ele não acreditou e continuou me aborrecendo. Estúpido russo.

Estávamos perto do meio dia. O sol estava no seu ápice, e nos aquecia da melhor forma que podia. O caminho que estávamos seguindo era deserto e impróprio para um passeio a cavalo, e isso estava nos atrasando. Mas o capitão dizia ser um mal necessário.

A minha diversão agora consistia em contar os animais que se colocavam no nosso caminho. Até agora foram sete cervos, quatro coelhos, dois cavalos selvagens e alguns pássaros desconhecidos. Se estivéssemos em uma caça, ela teria sido muito bem aproveitada. Eu nunca fui uma garota próxima da natureza, mas no momento qualquer coisa que me distraísse serviria.

– Vamos parar aqui para comer alguma coisa. Façam uma fogueira. – Sir Vanig deu as ordens quando paramos em uma pequena clareira no meio da floresta. Seus homens imediatamente obedeceram. Alguns foram cuidar dos cavalos, enquanto outros foram procurar lenha e pedras para o fogo.

Eu pulei da cela por conta própria olhando os arredores. O bosque era mais denso aqui e não havia nenhum som, tirando o vento que batia nos pinheiros e fazia parte da neve acumulada cair em um som abafado.

– Deixei-me tirar isso de você princesa. – Vanig disse se aproximando e desamarrando o lenço da minha boca.

– Eu agradeceria se tirasse isso também. – estendi a mãos, me referindo as cordas.

– Mikhail tem razão, você é esperta demais. Isso fica. Assim como você sob minha vista o tempo todo. – eu bufei

– Onde ele está? – Mikhail não estava na clareira ainda.

– Verificando os arredores, assim como Rurik. – esse nome me fazia tremer.

– Mikhail disse que ele desobedeceu a suas ordens ontem à noite. Qual é sua punição? – eu esperava que fosse algo bem cruel.

– Isso não lhe diz respeito senhorita. – ele jogou minhas antigas palavras de volta me fazendo estreitar os olhos em sua direção. – Você é muito corajosa para uma princesa de Teremur, não me é estranho que estivesse sozinha na floresta depois de tudo. O seu defeito é agir por impulso, isso pode causar sua morte pequena flor, tome cuidado. Por agora, aprecie o descanso.

– Eu posso cuidar de mim mesma. – retruquei.

Ele se afastou sorrindo para se juntar aos seus homens que tinha acabado de fazer uma grande fogueira e colocando um grande caldeirão para preparar uma sopa.

– Ele não é tão mal como eu pensava. – falei para mim mesma.

– Engano seu princesa. – Mikhail apareceu montado em seu cavalo, me fazendo pular pela segunda vez naquele dia.

– Pare de fazer isso?

– Fazer o quê?

– Me assustar o tempo todo. Da próxima vez faça barulho para eu saber que você está chegando. – como ele andava com todas aquelas espadas sem fazer nenhum som era um mistério para mim. Ele me ignorou completamente.

– O capitão pode ser um homem cruel quando quer. Você está segura agora só porque ele está seguindo ordens. Não se esqueça disso. – com isso ele desceu do cavalo o amarrando na árvore ao lado. – Ele não é um dos Marechais reais por acaso. Faça o que eu disse, mantenha discrição, não chame atenção para si mesma.

Ele não me deu chances para responder, porque no segundo seguinte me pegou pelo ombro me empurrando em direção ao fogo.

– E fique por perto, Rurik não tem o dom de perdoar.

– Eu tenho percebido isso também, e mais uma vez obrigada por me avisar tão tarde.

Os homens haviam empurrado a neve para longe da fogueira, formando um círculo de grama queimada. Eu me sentei o mais longe deles que podia, esperando pela comida.

Quando a água finalmente ferveu o cheiro de legumes e carne tomou conta da clareira. Meu estômago estava roncando a esse ponto. Mikhail me serviu uma tigela de barro com a sopa.

– Sem colher? – eu observei os homens bebendo direto do recipiente.

Mikhail nem se deu ao trabalho de responder, largou a tigela na minha frente e foi pegar a sua própria. O que há com todas essas pessoas mal humoradas?

Eu tive um pouco de dificuldade em comer com as mãos amarradas, mas nada que me impedisse. Quando eu já estava quase terminado, Vanig se sentou ao meu lado, me deixando atenta. Eu me lembrava das palavras de Mikhail.

– Amanhã você pode me contar qual é a sensação de perder todos àqueles que você ama? – eu franzi a testa. – Ah! Vejo que não soube ainda.

– Não soube do que? – meu coração se apertou, eu não estava gostando do rumo que essa conversa estava levando.

– A batalha que acontecerá ao pôr do sol. – minha respiração deu uma guinada. – Bem, tudo o que resta para você é o seu pai e noivo não é? Então eu suponho que perderá tudo. Podre de você.

– Você fala como se a batalha estivesse ganha. Não conhece o exército de Teremur. – ele não ia me intimidar. Pelo menos eu não ia o deixar ver o quão desesperada eu estava com essa notícia.

– Assim como você não conhece o exército russo. Eu só achei que gostaria de se preparar para sofrer tantas perdas. – ele estava jogando com as minhas emoções. Muito esperto. Ele não é um dos Marechais reais por acaso. As palavras de Mikhail não poderiam ter vindo em melhor hora.

– A menos que me diga os planos do seu pai. Quem sabe poderíamos poupar a vida deles no campo de batalha.

– Eu não sou idiota Marechal. Mesmo que eu soubesse dos planos, você não conseguiria arrancá-los de mim. – ele se enfureceu com a minha recusa. Pegou meus punhos amarrados em sua mão com um aperto de ferro e me puxou para ficar frente a frente com ele.

– Minha paciência não é infinita princesa. Eu sei que você sabe alguma coisa e é melhor começar a falar agora.

– Você é burro? Eu já disse que não sei de nada. Para um Marechal eu achei que você fosse mais esperto. – por impulso eu joguei o resto da minha sopa quente em suas mãos. Ele gritou de dor, mas ao menos me soltou . Minha cabeça que tinha parado de doer voltou ainda pior.

Eu ouvi seus homens murmurando e alguns suspirando em surpresa. Se não tínhamos chamado a atenção antes, com certeza agora havíamos conseguido.

– Eu avisei para tomar cuidados com seus impulsos princesa. Você me ofendeu na frente dos meus homens. – eu me encolhi com os seus gritos. – Talvez Rurik não tenha feito o suficiente ainda. – ele sabia, por isso o grandão não teve punição. – Essa noite você será a nossa distração.

Então ele se virou para seus homens.

– Ouviram rapazes, faz tempo que não aproveitamos de uma boa diversão. – meus olhos se arregalaram quando os homens gritaram algo em russo. Rurik agora estava entre eles.

Em uma das pontas do circulo eu observei Mikhail me olhando com pena. O que eu havia feito?

Logo voltamos para o nosso caminho. Dessa vez eu agradeci que os homens falavam em russo e não me incluíam na conversa. Eu quase pedi que Sir Vanig deixasse o lenço na minha boca constantemente, assim talvez eu não falasse o que não devia. Eu não acho que faria muito efeito, eu sempre acabava em encrenca de alguma forma. Eu não precisava da boca para que isso acontecesse.

Quando começou a escurecer no bosque, Sir Vanig deu ordens para Mikhail encontrar um lugar seguro para acampar. O frio foi aumentando e o vento sumiu, tornando a noite extremamente silenciosa e fria.

Acabamos por parar em uma encosta de montanha. O chão de pedra era fácil para manter a fogueira e a região alta permitia ver um possível inimigo se aproximando.

Os homens eram hábeis em montar as tendas, eu me sentei em uma das pedras, limpando a neve acumulada, apenas observando a movimentação. Minha cabeça martelava e eu só queria ficar sozinha. Eu reconheci o velho da outra noite, alimentando e livrando os cavalos das pesadas celas de couro. Assim como eu, ele também permanecia afastado do grupo. Eu resolvi me aproximar.

– Quer alguma ajuda senhor? – ele se assustou com a minha voz e pareceu muito surpreso. Eu não o culpava.

– Minha senhora, não se preocupe. Esses serviços não são para moças com mãos sedosas e delicadas. – eu ri. Dimitri tinha razão, eu não era como outras mulheres da nobreza.

Ignorando eu peguei algumas cenouras que estavam em um cesto e comecei a dar aos cavalos. O senhor sorriu agradecido.

– Qual o seu nome senhor? – perguntei.

– Me chamam de Russell minha senhora. –Ele deveria ser um pouco mais velho que o meu pai, mas os serviços o havia desgastado, lhe dando uma aparência de bem mais idade. Seus olhos verdes já estavam cansados.

– Russell, estou feliz em ajudá-lo. Eu faria qualquer coisa para ficar longe deles. – apontei para o grupo de homens que agora tiravam a cerveja para fora e colocavam o cervo caçado na fogueira.

– É esperta assim como o capitão havia dito princesa. – Eu sorri. Juntos, terminamos os afazeres. Enquanto ele retirava as celas e as limpava, eu alimentava e dava água aos cavalos. Na verdade ele fez quase tudo, afinal com as mãos presas era difícil manusear qualquer coisa, mas ele parecia agradecido apenas pela minha presença. Eu observei que ele tinha prazer em fazer o trabalho, e me perguntava o que aconteceu com ele para parar aqui. Quando ele me olhou questionador, vi que tinha feito a pergunta em voz alta.

– Eu não tenho família minha senhora. Na verdade, eu não me lembro de nenhum deles. A família do Marechal Vanig me encontrou desmaiado num barco próximo ao vilarejo que eles administram. Eu era bem mais jovem na época, e passei a trabalhar para eles. Eu lhes devo a minha vida de servidão.

– Sinto muito. – eu não iria reclamar de ter apenas o meu pai comigo nunca mais. Esse homem não tinha nada e era grato apenas por estar vivo.

– Eu não mereço a pena de uma princesa, minha senhora.

– Eu estou falando como humana, assim como você Russell. Obrigada.

– Pelo que minha senhora? – ele franzia a testa.

– Por me fazer enxergar o que eu não via. – dando de ombros ele continuou seus afazeres.

Quando o cheiro de carne assada encheu meu nariz, o capitão apareceu na minha frente. Ele havia tirado a armadura e parecia muito a vontade em apenas camisa de linho e cabelos caindo pelo ombro.

– Meus homens estão esperando princesa. – ele disse virando a caneca de cerveja.

– Deixem que esperem a noite toda. – Russell me olhou com olhos suplicantes.

– Eu não decepcionaria meus homens. Venha. – ele me pegou pelo cotovelo me levando em direção à sua tenda, que era a maior delas.

– Eu posso andar por conta própria. – disse me desvencilhando do seu aperto.

Eu pensei em correr, mas os homens fazendo sentinela em todos os cantos me olhavam com olhos ameaçadores. Resolvi obedecê-lo.

Uma vez dentro da tenda, vi que esta era diferente das demais. Ao invés de pedra e grama seca no chão, haviam tapetes espelhados. E muitos cobertores formavam uma aconchegante cama improvisada.

– O que você quer comigo? – me virei para vê-lo remexer em um monte de panos no canto.

– Aqui está. – ele sorriu triunfante levantando o que se parecia com um vestido branco. Mas era mais transparente que minhas camisolas de seda. – Vista isso. – ele me jogou o fino tecido. Eu o olhei incrédula.

– Não vou colocar isso. – cruzei os braços jogando a peça no chão.

– É isso ou passar a noite na tenda com Rurik. – engolindo em seco peguei o vestido de volta.

– Tudo bem. Então saia para que eu me vista. – o enxotei com as mãos.

– Quem irá amarrar os cordões que cruzam as costas? – ele apontou. Ele não podia estar falando sério. Ele tirou as cordas dos meus pulsos, mas não fez nenhum movimento para sair.

– Vire-se então. – quando ele se virou eu mais do depressa me despi e coloquei o vestido. Eu usava roupa de baixo, mas o tecido marcava todas as minhas curvas e tinha um decote humilhante, mesmo que cobrisse os braços e as pernas eu me sentia nua. Eu sabia quem usava vestidos assim. Prostitutas. De repente as palavras da Lissa foram como um balde de água fria na minha cabeça.

– Perfeito. Como eu imaginei que seria. – ele me virou de costas e puxou as fitas, apertando ainda mais o tecido no meu corpo.

– Vai me tratar como uma boneca? Me fazendo experimentar vestidos à noite toda? – ele sorria satisfeito com o que via.

– Tenho algo melhor em mente. Venha. – ele me puxou para fora da tenda. Depois pegou uma corda grande e a amarrou em um dos meus pulsos. Eu tentei levantar uma sobrancelha, não funcionou, mas ele captou.

– Se eu amarrar suas duas mãos como você nos servirá bebidas?

Então eu intendi. Eles me fariam sua empregada durante a noite. Alguém da realeza ser submetido a isso era algo vergonhoso e constrangedor. Não que pra mim fizesse diferença, mas pelo visto eles não sabiam disso. Suspirei de alivio, era muito melhor do que eu achei que eles tivessem em mente. Ele me controlaria com o restante solto da corda. Nada que eu não pudesse aguentar.

Quando seus homens nos viram se aproximar gritaram em entusiasmo e faziam gestos sórdidos. Depois dessa noite eu gostaria de queimar esse vestido na fogueira.

Esses russos faziam jus à sua reputação. Depois que a cerveja acabou eu tive que servir a sua famosa vodca. Nunca vi ninguém beber tanto na minha vida, e o pior era que todos pareciam completamente sóbrios, para meu desgosto. Mesmo os sentinelas arriscavam algumas doses.

– Ei docinho, traga-me um pouco mais daquele cervo. – um homem bateu na minha bunda me fazendo pular. Eu me virei para ele com olhos em chamas. Servir bebidas eu fazia sem reclamar, mas ninguém precisava tocar em mim. Eu já tinha aguentado obscenidades demais para uma noite.

Eu joguei a bandeja no chão e lhe dei o melhor soco que Dimitri tinha me ensinado. Sangue voou para os lados quando ele caiu para trás gemendo de dor.

– Não encoste suas patas em mim. – Eu caí por cima dele dando mais alguns bons socos antes de alguém me tirar de lá.

– Isso é o suficiente. – era Mikhail. Sempre ele.

– Eu não acabei com ele ainda. – tentei me soltar, mas ele me puxou com um aperto de ferro.

– Eles já aprenderam a lição. – eu me acalmei e olhei a minha volta.

Os soldados me olhavam com olhos arregalados. Enquanto Vanig ria em um canto e Rurik não parecia impressionado.

– Capitão, ela merece ser punida. – o homem ensanguentado tinha se levando e parecia muito ruim de olhar. Seu nariz ainda perdia sangue, e um olho roxo começava a se formar. Eu sorri. Bem feito.

– Se tem alguém que deve ser punido é você Igor. Meus homens não apanham de uma mulher. Principalmente uma princesa que tem apenas uma mão para usar. – Vanig me olhava com admiração.

Os outros soldados riram. Mas eu percebi que os que estavam perto de mim pareciam meio nervosos. Envergonhado o tal Igor se retirou cambaleando. Um a menos para aturar.

– Você não escuta nada do que eu falo não é. – Mikhail falou com raiva no meu ouvido antes de se afastar e voltar de onde ele tinha vindo. Eu não o tinha visto até agora.

O resto da noite foi mais calma. Os homens nem se atreviam a me olhar mais, tirando Rurik e Vanig. Mas eu os ignorei da melhor forma que eu podia. Quando a movimentação diminui, eu me vi no dilema de onde eu dormiria. O capitão e Rurik já haviam se retirado, e eu já podia respirar bem mais aliviada sem ter uma corda guiando meus passos. Agora eu andava livre pelo acampamento, bem mais ou menos, os sentinelas não tiravam os olhos de mim. E eles tinham armas, enquanto eu não.

Meu estomago roncou de fome e eu resolvi comer. Para um cervo feito por soldados ele parecia muito saboroso. Talvez fosse o tempero fome agregado a ele.

Com o canto do olho eu vi Russell sentado numa pedra à distância, e percebi que não o vi comer nada a noite toda. Pegando um prato cheio eu fui me sentar ao seu lado.

– Aqui. – eu lhe dei o prato e ele sorriu agradecido.

– Obrigada minha senhora. – eu pensei em pedir que ele me chamasse apenas de Rose, mas tinha a impressão de que não adiantaria.

– É um prazer. – comemos nossa comida em silêncio. Apenas olhando para o céu estralado.

– Está tremendo de frio minha senhora. – ele retirou a própria capa e a colocou sobre o meu ombro. Culpa desse maldito vestido. Eu pensei em pegar minhas roupas de volta, mas isso significaria entrar na tenda do capitão. Não é uma boa ideia.

– Obrigada. – eu me encolhi no veludo que cheiravam a cavalo e couro.

– Você dorme aqui fora, no tempo? – perguntei preocupada.

– Não minha senhora, eu divido a tenda com algum dos soldados. – fiz uma nota para devolver a capa quando ele fosse se deitar, suas roupas pareciam finas demais para aguentar o frio. – eu gosto de olhar para as estrelas. Está vendo aquela maior. – ele apontou para uma estrela que ofuscava o brilho das demais. – É a estrela de Damião. Se você segui-la chegará aos campos da Russia. É a única lembrança que eu tenho da minha família. Lembro-me de alguém me contando sobre essa estrela, e que se um dia eu me perdesse era só seguir a luz.

– Você já tentou segui-la algum dia? – perguntei com cautela.

– Muitas vezes na verdade. – ele tinha uma expressão triste. – mas não se preocupe minha senhora, não estou reclamando.

– Eu sei. – ele sempre me surpreendia.

Som de alguém se aproximando me fez desviar o olhar da estrela e seguir os passos. Mikhail se aproximava.

– Eu imaginei que precisasse de um descanso princesa.

Um bocejo involuntário fez Russell rir ao meu lado.

– Vá descansar minha senhora. Eu estou acostumado com a solidão.

– Boa noite Russell. – antes de sair eu retirei a capa e entreguei de volta para ele. – E mais uma vez obrigada.

– Boa noite minha senhora. Foi muito gentil comigo essa noite. – eu sorri.

Eu segui Mikhail até a sua tenda. Ele permanecia calado e pensativo.

– Eu não quero tomar sua cama novamente. – eu disse assim que entramos no calor aconchegante da lona.

Sem me responder ele se deitou no chão sobre um cobertor, jogando sua própria capa sobre o seu corpo.

– Boa noite princesa. – ele se virou para o canto me ignorando.

– Boa noite. – eu respondi me deitando em meio aos cobertores e adormecendo quase instantaneamente.

POV Dimitri.

Eu estava deitado sobre um manto, ao lado de uma fogueira. Observando um céu limpo de qualquer nuvem, as estrelas pareciam muito próximas. Eu imaginei que Rose poderia estar fazendo o mesmo, o que era uma bobagem. O que estava acontecendo comigo afinal?

Eddie foi rápido em reunir os outros dois cavaleiros. Ou como nos chamavam, cavaleiros da alvorada. No total éramos cinco, contando Ivan, o próprio Eddie e eu. Yuri e Celeste eram os outros dois. Eles haviam se casado no ano passado e ela quis se juntar ao grupo também. No começo foi estranho ter uma mulher entre nós, mas depois que ela venceu Ivan em uma luta corporal o deixando com um braço imobilizado por um mês, nenhum de nós ousou questionar sua presença. Ela tinha conseguido seu respeito.

Saímos de Norton o mais depressa possível. E como sempre todos os meus companheiros estavam mais do que dispostos a me ajudar. Eu continuei com a explicação de que eu devia muito a princesa, e isso pareceu ser o bastante.

Passamos a tarde, noite e parte da madrugada tentando encontrá-los, sempre seguindo para o leste. Encontramos um resto de uma fogueira deixada para trás em uma clareira. Com certeza eles haviam passado por ali. Estávamos no caminho certo, e isso nos motivou a fazer uma merecida parada para descanso. Celeste fez um cozido que foi muito bem vindo, um ponto forte em ter uma mulher no grupo.

– Eu sinto falta dos comentários inapropriados do Ivan sobre a minha comida. – Celeste ria com as lembranças. Depois do acontecimento do braço, Ivan passou a guardar certo rancor das comidas da amiga. Mas no fundo eu sabia que era tudo brincadeira.

– Ou da bebida que ele poderia ter trazido. – Yuri completou. Eu tive que concordar, Ivan sempre carregava um cantil com alguma bebida forte. Todos riam, menos eu.

– Você está quieto Dimitri. Se o motivo for a princesa, não se preocupe nós a encontraremos.

Não era só isso que me atormentava, na verdade eu vinha pensando que eu estava indo buscar a Rose apenas para perdê-la novamente alguns dias depois. E dessa vez, seria para sempre. Eu não sou o tipo de homem que flerta com mulheres casadas.

– Você tem razão Celeste. – sorri dispensando esses pensamentos ruins por agora. – mas sabem do que eu realmente vou sentir falta? De não ter alguém reclamando de ressaca amanhã cedo. – Todos riram com as lembranças. Ivan ficando para trás com seu sono pesado, nos alcançando um pouco depois com olhos desesperados e em seguida as reclamações.

– O que você o mandou fazer? Ele não recusaria uma aventura assim tão fácil. –Eddie perguntou.

– Vikka apareceu aqui antes de ontem. Eu pedi para ele ficar de olho nela.

– Você deixou sua irmã mais nova nos cuidados do Ivan? – Celeste parecia minha mãe. Eu acenei relutante. – Eu não te ensinei nada Dimitri? Vocês homens são tão idiotas. – ela resmungou nos fazendo rir, e inesperadamente deu uma cotovelada no estômago do marido o fazendo se calar na hora. Ela não era alguém que eu mexeria. Assim como alguém que eu conhecia. Eu sorri com as lembranças, sim, eu teria apenas boas lembranças dela.

Notas finais
Esse capítulo foi meio devagar, mas o próximo virá cheio de surpresas e emoções. O que acharam? E o que esperam acontecer agora? Muita gente tem perguntado se a fic terá conteúdo adulto, eu queria a opinião de vocês sobre isso =) Deve ter ou não? Beijos e até o próximo.